Poesia sobre Silêncio
LAÇO:
O silêncio é gritante
E o tempo vil.
As horas são infindas
Como infinito é o mar.
Todos que me rodeiam
Não são meus
E os meus
Não me dizem seus.
E em meio a todo esse
Paradoxo de emoções
O tempo esquiva-se
A dizer quem sou eu
Apraz-me o relógio
Com o tempo seu.
Aflige-me o tempo seu
Que segrega o meu.
Não sou...
Nas palavras escondidas no caderno fechado o silêncio foi a terapia, foi um afago,
No reservado me sentia só e pensativo, no meio da multidão me sentia só e perdido,
O saber atiça a curiosidade de saber mais, o saber também pode assustar, ferir, causar, ele pode ser malicioso,
O corvo guarda rancor, mágoas, ele é vingativo, no seu olhar da pra ver a maldade sem controle mesmo décadas a frente,
Mas, eu não sou um corvo.
Juramento da Maldição
por Sariel Oliveira
Juro diante do silêncio eterno que não serei cego.
Que verei o que a noite esconde
e ouvirei o que o mundo não suporta dizer.
Aceito a solidão como testemunha,
o peso da lucidez como cruz,
e a ferida que nunca fecha como parte do meu ser.
Não fugirei da dor —
antes, a acolherei como velha companheira,
pois ela me lembra que estou vivo
num mundo que vive dormindo.
Se esta é a maldição que me coube,
que assim seja.
Carregarei seus sinais até que o pó me reclame,
e, ainda então,
que minhas cinzas sussurrem ao vento
o que poucos tiveram coragem de ouvir.
Comece a defender o que é exclusivamente seu —
aquilo que mora no silêncio do peito,
que ninguém pode tomar,
que ninguém pode fingir.
Guarde o que é essência,
proteja o que é verdade.
E então você verá:
a vida se abre como manhã de céu limpo,
o sol não queima — aquece,
o ar não pesa — preenche,
e respirar deixa de ser esforço
para se tornar milagre.
Quando se honra o que é próprio,
o mundo deixa de ser ameaça
e vira casa.
E o sabor da vida —
ah, o sabor da vida —
é simples,
é inteiro,
é bom
e profundamente verdadeiro.
Quando a conexão é forte, há sintonia inexplicável, empatia profunda, silêncio confortável, comunicação fluida e a sensação de conhecer a pessoa há muito tempo, com olhares profundos e pensamentos sincronizados que criam um vínculo seguro e natural, manifestando-se em desejo de proximidade e facilidade na interação.
(Saul Beleza)
A dor da saudade em mim, ordena-me silêncio, reflexão e as luzes apagadas.
Tudo no escuro...
Carlos De Castro
Pensar-te é um oceano.
Imaginar-te nenúfar entre os dedos escorrendo do néctar
o silêncio primordial
no êxtase de todas as tulipas
bebendo-te é púrpura loucura.
Dos gestos
a alma que perdura,
palavras e risos
percorrendo avidamente o esgar cruel do tempo
que deixaste em meu corpo inteiro
saudade,
este viver ousadamente sem nada ser ou possuir.
Pensar-te meu amor mais sublime
nas fragas do vento ou num desesperado grito de ave
é sentir teu fôlego entre
minhas pernas
tua língua brincando em meu ventre
meus dedos entrelaçados aos teus
revolvida, encharcada e concebida,
extasiada em teus cabelos,
como crianças besuntadas de mel e marmelada
roendo maçãs
no entardecer da infância
enquanto a fome doía
na alma grande
das gentes.
Pensar-te tudo e nada.
Beber-te chuva.
Célia Moura, in "Terra De Lavra"
A PERENIDADE DA BELEZA E O SILÊNCIO DO SER.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Do Livro: Essências Do Jardim. 1991, dezembro.
A beleza, quando observada pelo espírito atento, não é um ornamento do mundo, mas uma manifestação perene do próprio Ser. Aquilo que chamamos belo não se limita ao contorno sensível que os olhos alcançam; reside antes numa essência que se resguarda das vicissitudes, mantendo-se íntegra mesmo quando as aparências se esvaem. Por isso, afirmar que " a beleza não morre, mas se torna mais bela " , é reconhecer que o fluxo do tempo não a corrói: apenas revela camadas que antes estavam ocultas ao olhar imaturo.
Na intimidade da consciência, percebe-se que a beleza cresce na medida em que o sujeito se aprofunda em si mesmo. A percepção estética não é estática; ela acompanha a maturação da alma, que aprende a decantar o transitório e a contemplar o que permanece. Assim como o pensador de então, compreende o belo como expressão do bem, o indivíduo moderno que se volta para dentro descobre que a beleza verdadeira não é uma conquista exterior, mas uma revelação interior.
O ser humano, ao atravessar os próprios abismos, aprende que as cicatrizes deixam de ser rupturas para tornar-se inscrições. A beleza amadurecida nelas se abriga. Nada do que foi legitimamente belo se extingue: transmuta-se, aprofunda-se, torna-se mais grave e, por isso mesmo, mais luminosa.
" Cada passo na senda do espírito revele não o declínio, mas o desdobrar silencioso da grandeza que jamais se desfaz, conduzindo a alma à sua forma mais alta de permanência. "
Atenção
A fofoca não nasce do acaso.
Ela surge onde o caráter falha e onde o silêncio deveria prevalecer.
Falar de alguém ausente não é apenas um ato social —
é uma exposição involuntária de si mesmo.
Quem pratica isso revela, sem intenção, a fragilidade da própria honra.
Mais preocupante, porém, é quem escuta e permanece confortável.
O ouvido que aceita o erro se torna cúmplice dele.
Na ausência de rejeição, há consentimento.
Não há complexidade nisso.
Quem fala de outros diante de você, inevitavelmente falará de você diante de outros.
É um padrão humano simples, repetido sem exceções.
O caráter verdadeiro não se manifesta em palavras elevadas,
mas em escolhas silenciosas.
Na recusa firme ao que é indigno.
Na disciplina de não participar do que enfraquece a confiança entre as pessoas.
Por isso, mantenha postura.
Recuse a fofoca — não por aparência, mas por princípio.
No fim, não é sobre o outro.
É sobre quem você decide ser quando ninguém está sendo observado.
— Doeu de novo.
— O quê?
— O amor.
— Ah. Isso explica o silêncio.
O coração suspira, cheio de rachaduras novas.
O cérebro anota algo mentalmente, como quem registra um dado irrelevante.
— Você nunca entende, né?
— Eu entendo perfeitamente. Só não vejo utilidade em sofrer por isso.
— É que você não sente.
— É que você não pensa.
O coração se cala por um instante.
O cérebro aproveita pra revisar compromissos da semana.
— Ela parecia diferente…
— Todas parecem.
— E eu acreditei.
— Você sempre acredita.
— Eu só queria sentir de novo.
— E eu só queria dormir em paz.
Há um silêncio entre eles — o tipo de silêncio que dói mais que qualquer palavra.
— Como você consegue ser tão frio?
— E como você consegue insistir tanto em algo sem garantia?
— Porque é o que me faz vivo.
— E é o que quase te mata toda vez.
O coração ri. Um riso trêmulo, cansado.
— Então o que eu faço agora?
— Espera.
— E depois?
— Espera mais.
— E quando passa?
— Nunca totalmente. Mas você aprende a bater no ritmo certo de novo.
O coração respira fundo.
O cérebro volta ao trabalho.
No fundo, ambos sabem
vão brigar de novo,
vão se prometer paz,
e no próximo olhar certo —
lá estarão, lado a lado, repetindo o erro mais humano de todos:
acreditar de novo.
O SILÊNCIO DO NOSSO ADEUS
Há despedidas que não se pronunciam. Elas não se fazem em voz alta, nem se escrevem com gestos dramáticos. Instalam-se na alma como um inverno interior, lento e definitivo.
O silêncio do nosso adeus não foi ausência de palavras. Foi excesso de consciência. Quando dois espíritos compreendem que o caminho já não é o mesmo, o ruído torna-se indigno. Falar seria profanar aquilo que já estava consumado no íntimo.
Há algo de antigo e solene em certas separações. Como nos ritos arcaicos em que o fogo se apaga sem espetáculo, apenas com a dignidade de quem cumpriu sua função. O amor, quando verdadeiro, não se degrada em escândalo. Ele recolhe-se.
O mais doloroso não é partir. É permanecer por instantes no limiar, sentindo que o que foi intenso agora se converte em memória. E a memória não abraça. Ela apenas ecoa.
Nosso adeus foi assim. Um entendimento tácito. Um acordo silencioso entre duas consciências que se respeitam. Não houve acusações, nem dramatizações, apenas a gravidade de quem reconhece o fim de um ciclo.
O silêncio, nesses casos, não é fraqueza. É maturidade. É a forma mais elevada de respeito. Porque quando se ama de modo honrado, até a despedida preserva a dignidade do que existiu.
E assim seguimos. Não como estranhos, mas como capítulos encerrados com sobriedade. Pois há histórias que não terminam em ruínas, terminam em silêncio. E esse silêncio, embora doa, é a prova de que um dia houve verdade.
O Pensamento sobre as Eras:
O Passado:O Silêncio Forçado
Durante séculos, a sabedoria feminina foi confinada ao ambiente doméstico, sob a égide de um patriarcado que via a mulher como coadjuvante. A estrutura familiar era uma hierarquia de comando, não de parceria. O "lugar da mulher" era um conceito geográfico e social rígido, onde o silêncio era a maior virtude esperada.
O Presente:O Despertar e o Atrito
Vivemos o tempo da transição. As conquistas são inegáveis: ocupação de espaços de poder, independência financeira e o direito à voz. Porém, esse progresso gera atrito.
A Violência: O aumento visível da violência muitas vezes é a reação desesperada de estruturas antigas que se recusam a morrer.
A Família e Sociedade: Estamos renegociando o que significa ser família. O desafio atual é equilibrar a autonomia individual com o cuidado coletivo, combatendo o preconceito que ainda rotula a mulher que escolhe caminhos fora do padrão tradicional.
O Futuro: ASabedoria da Integração
O futuro que o sábio vislumbra não é uma inversão de poder (a substituição de uma opressão por outra), mas a superação do gênero como limitador de humanidade. A sociedade sábia será aquela onde a "conquista" de uma mulher não seja vista como um evento extraordinário, mas como a normalidade de um potencial humano sendo plenamente exercido.
A reflexão central:
A sabedoria da vida nos ensina que o patriarcado não feriu apenas as mulheres, mas desumanizou os homens ao proibi-los de sentir e cuidar. O Dia da Mulher é o marco dessa correção histórica: uma busca por um mundo onde a força não precise ser violenta e a sensibilidade não seja vista como fraqueza.
Às vezes é preciso ficar em silêncio, mesmo quando achamos que estamos com razão.
A vida é tão passageira, que às vezes não vale apena ser o certo, mediante ao ignorante.
O Silêncio do relógio:
O medo que eu sentia se desfez no cansaço,
eu já não tenho medo da morte, nem do fim.
Antes eu tinha, mas hoje o tempo é escasso,
e o peso do que carrego já transbordou de mim.
Eu desconto a minha dor nas pessoas, eu sei,
e por isso eu evito me aproximar delas agora.
No silêncio dos muros que eu mesmo levantei,
espero o momento de, enfim, ir embora.
Pois algum dia ficarei off-line para o resto da vida,
uma ausência que o mundo não saberá explicar.
E na alma cansada, uma certeza incontida:
sei que não existe uma cura para a minha doença,
apenas o silêncio que me ensina a parar.
E às vezes a vida sussurra, em silêncio:
“Tem gente que é tão egoísta que nem percebe que te machucou.”
Mesmo assim, escolho respirar fundo
e não deixar que a dor governe quem sou.
Teu valor não ecoa na voz alheia,
não é moeda nas mãos do mundo;
ele nasce fundo, em silêncio e raiz,
tronco que cresce inteiro por dentro.
E mesmo quando a tempestade ruge,
tuas folhas resistem, firmes no vento;
porque és árvore que sabe quem é,
e não se curva ao peso do momento. 🌿
No meu profundo silêncio, posso ser tanto a resiliência quanto a dor que escondo dentro de mim.
Posso ser o medo, mas também posso ser a força que ainda não ousei revelar ou que moldo conforme meus altos e baixos.
Entre nós
Entre nós
existe um silêncio pesado,
daqueles que não nascem da paz,
mas da falta de conversa.
Vocês me olham
como se meus passos
fossem erros inevitáveis,
como se amar
fosse algo a ser condenado.
Palavras duras
pisam em assuntos frágeis,
e o que poderia ser cuidado
vira julgamento.
Até pediram
que outra pessoa falasse por vocês,
numa conversa fria,
desconfortável,
como se meus sentimentos
pudessem ser resolvidos
sem o calor de um abraço.
E eu me pergunto:
por que tentar se aproximar
se cada gesto
acaba me afastando mais?
Pai,
seu silêncio pesa
como uma porta fechada.
Mãe,
suas reclamações
ecoam mais alto
do que qualquer tentativa de entender.
Eu estou cansada
de lutar sozinha
por um espaço
que deveria ser meu por direito.
Só quero que entendam
uma coisa simples,
mas difícil de aceitar:
o tempo passou.
Eu cresci.
E embora ainda seja filha,
já não sou mais criança
para viver presa
às correntes do controle.
Gotinhas de Amor que Relatam
Ariana
Quando o Silêncio Também Fala
O Olhar Atento
Durante o período de estágio, a observação diária revelou algo que os registros formais não mostravam. Ariel, uma criança do maternal, era carinhoso, tranquilo e despertava afeto em todos. No entanto, não falava. Seu silêncio não era desinteresse. Seus olhos brilhavam ao observar a lua, como se ali houvesse um lugar seguro para existir.
Ariana, sua irmã mais velha, demonstrava maturidade incomum para a idade. Sua personagem favorita era Alecrina — uma figura forte, determinada, quase protetora. Suas escolhas simbólicas diziam muito sobre o que ela precisava ser naquele momento.
Os Sinais no Desenvolvimento
A ausência da fala em Ariel e a postura defensiva e adulta de Ariana chamavam atenção. Não como diagnóstico, mas como sinais. A observação sensível permitiu compreender que o comportamento das crianças era uma forma de comunicação — uma resposta a vivências que ultrapassavam a infância.
A Rede de Proteção
Com o tempo, a escola tomou conhecimento de que as crianças haviam sido vítimas de violência intrafamiliar. A mãe perdeu a guarda, e Ariel passou a viver sob os cuidados da avó. A atuação da rede de proteção foi fundamental para garantir segurança, estabilidade e acompanhamento.
O Papel da Escola
A instituição não questionou, não expôs, não pressionou. Respeitou o tempo. Criou rotinas previsíveis, ambientes acolhedores e vínculos seguros. A escola foi espaço de reconstrução silenciosa — onde o cuidado veio antes da palavra.
Reflexão ao Educador
Nem toda criança consegue contar o que viveu.
Mas toda criança mostra.
Observar é um ato de proteção.
E, muitas vezes, é o primeiro passo para salvar uma infância.
