Poesia sobre o Inverno
Quem me vê quieto, calmo, parado em silêncio,
imagina que carrego um inverno por dentro,
que há tristeza espalhada no meu vazio
como folhas secas num chão esquecido.
Pense assim —
mas não acerte o meu segredo.
Não é no meu silêncio que eu me perco,
é nele que eu me encontro.
Não é na ausência de ruídos que me apago,
é ali que a alma aprende a falar.
É no meu vazio
que nasce a inspiração.
No espaço onde nada parece existir,
Deus sopra versos invisíveis
e faz do nada
uma canção.
Meu silêncio não é dor —
é gestação.
Meu vazio não é falta —
é criação.
Enquanto o mundo grita para ser ouvido,
eu me calo para escutar o céu.
E é nesse intervalo sagrado,
entre o nada e o tudo,
que componho o que sou.
Nas cinzas do que fomos, o inverno se fez morada, aconfiança, como névoa, sumiu na encruzilhada.
Onde havia o toque, resta o rastro do abandono, e a alma, exausta, já não encontra o seu sono.
É um luto sem corpo, um adeus que não se disse, como se a vida, num sopro, de mim se despedisse.
A ferida não sangra, ela gela o que resta de luz, ea memória do teu beijo é agora a minha cruz.
O silêncio é o carrasco que aperta o nó no peito, transformando o nosso ninho em um vazio estreito.
Trair foi o punhal que não matou o meu pulsar, mas condenou meu coração a nunca mais saber sonhar.
"As árvores meditam no
Inverno.
Graças a isto florescem na
Primavera
Dão sombra no
Verão e
se desnudam no vento do
Outono.
Amamos as flores,
mas arrancamos.
Amamos as árvores,
mas cortamos.
E ainda não entendemos o
medo que algumas pessoas
sentem quando escutam:
Eu te amo " ❤
O inverno chegou
Passou como um vislumbre
Quando eu percebi
Você havia ido embora com ele
A primavera chegou
Tudo é colorido e bonito
Talvez seja por isso
Você se foi junto com o inverno
Parecia a mais doce fragrância
Mas não floresceu
Você se foi junto com o inverno
Não era pura sua beleza.
Agora eu enxergo com clareza
A primavera está completa
Você se foi com o inverno
Então aprendi a amar a primavera
A árvore morta
Num inverno, quando eu ainda era criança, meu pai estava precisando de lenha. Procurou uma árvore morta e a cortou.
Mas, quando chegou a primavera, viu que no tronco daquela árvore que tinha cortado, nasciam novos brotos. Meu pai ficou desolado.
Então ele disse:
- Tinha certeza de que aquela árvore estava morta. Perdera todas as folhas no inverno e fazia tanto frio que os galhos quebraram e caíram no chão, como se o velho tronco tivesse ficado sem vida. Mas agora percebo que ainda existia vida naquele tronco.
Depois voltou-se para mim e aconselhou-me:
- Não esqueça esta lição. Nunca corte uma árvore no inverno. Não tome uma decisão negativa no tempo adverso. Nunca tome decisões importantes quando se sentir desanimado, deprimido e com o espírito abatido. Espere. Seja paciente. A tormenta passará. Lembre-se: a primavera voltará!
O silêncio é um lenço úmido no rosto,
um peso que escorre pela garganta,
como o inverno que se recusa a ir embora,
deixando os ossos doloridos.
A espera vira um copo vazio na mesa,
o barulho do nada ecoa nas paredes,
e os dedos, inquietos, desenham círculos
sobre a pele que já não lembra o teu toque.
O telefone dorme como um animal doente,
sem latidos, sem pulsação, sem calor,
e o coração aprende a bater devagar,
como quem conta os segundos de um adeus.
As horas se arrastam como remédio amargo,
cada minuto um grão de areia nos olhos,
e o peito guarda o frio das manhãs sem sol,
onde até a luz parece desbotada.
Quem diria que o vazio tem sabor de ferrugem,
que a ausência é um espinho na língua,
e que o amor, quando não responde,
vira uma cicatriz que nunca sara?
Mas um dia, talvez, o corpo desaprenda
essa dor que se aninha como gripe antiga,
e o silêncio deixe de ser uma casa vazia
onde só os ecos sabem o seu nome.
Flores de primavera
É uma noite fria e densa de inverno. Um gélido frio. Gélido no mais profundo da alma.
Os ponteiros do relógio se arrastam.
Dias nublados. O sol se escondeu e não brilhou.
Essa noite é a personificação do gélido inverno.
A noite parece uma música triste, sem coro. Sem dança.
É como as batidas de um sino ecoando em algum lugar longínquo na escuridão.
Um contraste com dias de outono que antecederam o frio cortante do inverno.
Sob o sol, o mar sorria.
O vento soprava nas pradarias.
Os pássaros cantavam uma doce melodia.
Montanhas no fim de tarde. O sol se escondendo nos cumes além.
A densa noite gélida vai se findando.
Um raio de luz emerge da escuridão.
É a luz do sol. Um lindo dia de sol se pronuncia.
A noite eterna acabou.
O inverno gélido da alma se despede.
Flores desabrocham.
A primavera chega sem convite.
E o mundo se encanta.
O mundo se abre com um sorriso.
A primavera trouxe consigo flores.
Flores de primavera.
O amor é um cobertor que aquece no inverno da alma.
Nos dias sombrios é uma luz. Brilha e ilumina o caminho.
E quando vier o inverno, a escuridão...
Que eu domine o fogo com seu calor, luz e poder de transmutar.
E se vier forte o medo, a incerteza...
Que a experiência do escuro e do frio superados revelem o aprendizado e sua beleza.
E se vier o fim, se vier a morte...
Que me seja suficiente o trajeto, que segui sem bússola que me apontasse um norte.
Que eu tenha sido nada pra envergonhar minha essência.
Enquanto tudo fui para honrar a centelha em mim confiada de existência.
Há um inverno em mim,
triste como o silêncio das estrelas.
O calor amarga,
mas o frio é canto que consola.
Que estranha oposição,
como se o tempo fosse espelho quebrado.
Não é ausência de amor:
é apenas o pouco que resta,
esmola de eternidade.
As estações estão perplexas...
A Primavera, no calendário
acabou de chegar
mas, o Inverno com o seu cenário,
não parece querer passar...
A paisagem cinéria na Região Oceânica
me convida à introspecção
enquanto a névoa vai envolvendo a litorânea
escrevendo seus versos cinzas
entre os rochedos e o mar...
A Primavera anuncia-se no calendário,
mas o Inverno ainda resiste,
com sua sombra fria,
tecendo um silêncio persistente
sobre a pele do tempo...
A Serra da Tiririca veste-se de cinza,
a névoa rasteja e sufoca o horizonte,
como se o mar respirasse em versos apagados
e os rochedos guardassem segredos
de um poema que tarda a florescer...
A Primavera sorri no calendário,
mas ao meu redor,
ainda sopra o vento do Inverno,
delineando restos de silêncio
entre um céu turvo e uma lembrança antiga...
Na Região Oceânica, a paisagem cinéria
me acolhe em sua bruma,
e a névoa, delicada, borda poemas invisíveis
sobre as pedras e o mar,
como se traduzisse a estação inspiradora
da minha alma...
✍©️ @MiriamDaCosta
Lareira
Teu amor é lareira acesa
no centro do meu inverno,
chama que conversa com
a noite e não pede permissão,
me aquece por dentro enquanto
o mundo neva por fora,
e até minhas cicatrizes aprendem
a descansar no teu calor.
Quando te aproximo,
o tempo vira lenha estalando lento,
os silêncios ganham cor,
os medos derretem sem pressa,
teus olhos são brasas que
sabem meu nome,
e meu coração, casa antiga,
volta a ter fogo no chão.
Se um dia tudo esfriar,
sei onde voltar as mãos:
no abrigo do teu peito,
feito lareira eterna,
onde o amor não ilumina
só o quarto
— ilumina o que em mim
quase virou cinza.
O intenso vive...
O intenso vive,
o plano de amar levantou voo,
aplausos ao inverno passado com suas perguntas respondidas,
glória ao fogo com suas lenhas inacabáveis,
O intenso vive,
uma voz grita, a sinfonia corre com os ventos,
o barco acompanha a correnteza, o caminho foi traçado,
contemplar a lua cheia por horas carrega uma bagagem que desata o nó das urgências,
os dias são indomáveis, as palavras são o grito dando sentido a verdade,
O intenso vive,
no farou, uma coleção de momentos é a luz que ilumina as lágrimas e os sorrisos,
mágicos são os desejos que viajam no tempo sem tropeçar no espelho do engano,
na dança infinita o amanhã é descoberto depois das nuvens,
o fantasma que amedronta a solidão escapou, a tristeza foi jogada no êxodo, agora o capitulo contado neste voo vitorioso é o de génesis.
Minha Primavera
Após um inverno duro, a primavera chegou e com ela tudo voltou a florescer, as paisagens formadas pela natureza encantam, uma grande diversidade de flores forma um belo tapete acima do solo, a temperatura ficou mais agradável e os dias agora são de prosperidade.
Você é a minha primavera, quero espalhar pelos quatro cantos do mundo que você chegou e agora a felicidade vai jorrar como aguá de uma fonte que nunca seca.
Perfeito para mim
Como uma noite de inverno
Aquecida em meus lençóis
Como chuva no rosto
Numa noite de verão
Como um beijo sedento
Que nunca recebi
Perfeito para mim...
Dançando na noite escura
Com velas incandescentes
Perfeito para mim...
Lua cheia na noite escura
Onda do mar nos pés da menina
Uma flor solitária na campina
Perfeito para mim!
Uma bela canção
Que acelera o coração
Perfeito para mim...
Pedra rara,
Incrustrada na rocha bruta
Alma solitária que não desiste da luta
Perfeito para mim
Sempre, somente,
Perfeito para mim!
Lá fora, o céu de inverno sorri em azul…
Aqui dentro, o cuidado floresce em silêncio e fé.
Deus está em tudo: no vento lá fora e na restauração aqui dentro.
Sem pressa, sem murmurar… só confiando.
Janice F. Rocha
No inverno,
São os flocos de neve.
Na primavera,
As gotas de chuva.
No verão,
As pétalas de flor.
No outono,
As folhas.
Todas essas coisas caem em algum momento,
Mas nenhuma delas tem uma queda igual
A que tenho por você...
*“No Inverno, Café e Você”*
O inverno chegou devagar,
vestindo a cidade de silêncio
e as janelas de saudade.
Lá fora, o vento desenhava frio nas ruas, mas aqui dentro
existia você.
O café fumegava entre nossas mãos, como um pequeno sol tentando aquecer o mundo.
E eu observava teus olhos
com a mesma calma
de quem encontra abrigo
num fim de tarde chuvoso.
Você sorria baixo,
enquanto o aroma do café
misturava memória e desejo
no mesmo instante.
Há amores que queimam como incêndio.
O nosso não.
O nosso aquece devagar,
como coberta em noite gelada, como música antiga tocando ao fundo, como dois corações aprendendo a morar no mesmo inverno.
E desde então,
toda vez que o frio retorna,
o café perde um pouco do gosto… se você não está aqui.
Te amei com a calma de quem entrega a alma sem medo,
mas teu silêncio foi virando
inverno dentro do peito.
Cada promessa tua ficou
perdida no tempo,
e o que era carinho virou
lembrança machucando por dentro.
Ainda lembro do brilho
dos teus olhos nos meus,
do jeito que tua voz fazia
o mundo parar.
Mas hoje existe um gosto
amargo entre os “nós” e os “adeus”,
como se o amor tivesse cansado
de tentar ficar.
Carrego ressentimento
nas partes que ainda te amam,
porque esquecer você nunca
foi tão simples assim.
Te culpo pelas noites em que
minhas lágrimas me chamam,
mas no fundo também me culpo
por querer você perto de mim.
E mesmo ferido, meu coração
ainda pronuncia teu nome baixinho,
como quem procura abrigo na própria tempestade.
Porque o ressentimento é só um amor perdido no caminho,
tentando sobreviver no meio da saudade.
