Poesia que falam de Olhar

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Quero, então, olhar para o céu.

Pausar o dia.
Sentir a luz, a energia, e contemplar o instante.
Respirar.
Agradecer por estar viva.

Quero, então, olhar para o céu,
e viver o dia.

A boa frase não é lupa; é espelho.
O verdadeiro poder do texto obriga o leitor a desviar o olhar para confrontar a própria vida.

“A vida pode se tornar uma bela aquarela quando escolhemos enxergar o mundo com um olhar colorido e livre de preconceitos. São as diferenças que pintam as mais belas obras.”
Dom Veiga

TANKA 006


Oh suave olhar!
Na estrada do impossível,
Esse meu desejo:


Sentir os teus lindos lábios,
Nesse poético enredo.⁠

É na infância que tudo começa,
no olhar atento, no gesto que acolhe.
Uma mão que cuida, uma escola que observa,
um educador que não se omite.
Entre histórias, rotinas e afetos,
plantamos vínculos, proteção e amor.
Porque educar é também proteger,
e cuidar é o mais bonito ato de ensinar.
Que cada criança encontre na escola
um lugar seguro para ser, crescer e sonhar
Gotinhas de Amor.

Gotinhas de Amor que Relatam
Ariana
Quando o Silêncio Também Fala
O Olhar Atento
Durante o período de estágio, a observação diária revelou algo que os registros formais não mostravam. Ariel, uma criança do maternal, era carinhoso, tranquilo e despertava afeto em todos. No entanto, não falava. Seu silêncio não era desinteresse. Seus olhos brilhavam ao observar a lua, como se ali houvesse um lugar seguro para existir.
Ariana, sua irmã mais velha, demonstrava maturidade incomum para a idade. Sua personagem favorita era Alecrina — uma figura forte, determinada, quase protetora. Suas escolhas simbólicas diziam muito sobre o que ela precisava ser naquele momento.
Os Sinais no Desenvolvimento
A ausência da fala em Ariel e a postura defensiva e adulta de Ariana chamavam atenção. Não como diagnóstico, mas como sinais. A observação sensível permitiu compreender que o comportamento das crianças era uma forma de comunicação — uma resposta a vivências que ultrapassavam a infância.
A Rede de Proteção
Com o tempo, a escola tomou conhecimento de que as crianças haviam sido vítimas de violência intrafamiliar. A mãe perdeu a guarda, e Ariel passou a viver sob os cuidados da avó. A atuação da rede de proteção foi fundamental para garantir segurança, estabilidade e acompanhamento.
O Papel da Escola
A instituição não questionou, não expôs, não pressionou. Respeitou o tempo. Criou rotinas previsíveis, ambientes acolhedores e vínculos seguros. A escola foi espaço de reconstrução silenciosa — onde o cuidado veio antes da palavra.
Reflexão ao Educador
Nem toda criança consegue contar o que viveu.
Mas toda criança mostra.
Observar é um ato de proteção.
E, muitas vezes, é o primeiro passo para salvar uma infância.

Tem dias de sol no peito,
outros de chuva no olhar,
mas por trás de toda nuvem
o céu nunca deixa de estar.

— Olhar de Vidro: Uma Jornada de Descoberta no Jardim Botânico
Rafa é um menino que enxerga a natureza de forma técnica e distante, como algo a ser estudado e analisado. Durante um passeio escolar, ele conhece Raione, um menino indígena que o convida a olhar o mundo com mais sensibilidade. Ao observar pequenos detalhes da vida natural, Rafa aprende que a verdadeira riqueza da natureza não está em dominá-la, mas em respeitá-la e cuidar dela. Essa experiência transforma seu jeito de ver o mundo, despertando nele empatia e conexão com a vida ao seu redor.
Essência da história: aprender a sentir a natureza é tão importante quanto entendê-la. 🌿

Ela possui um olhar que diz tudo sem precisar de uma única palavra; um mistério que a gente não quer resolver, apenas admirar. É aquele tipo de poesia delicada nos gestos, mas com uma profundidade que nos faz querer mergulhar.
​Tem a calma de um fim de tarde, mas carrega nos olhos a imensidão de um céu estrelado. Seu jeito meigo desarma qualquer pressa e seu sorriso é capaz de iluminar até os dias mais cinzentos.
​Ela transborda uma leveza rara, transformando pequenos momentos em memórias inesquecíveis. É a combinação perfeita entre a pureza de um anjo e a força de quem sabe exatamente o fascínio que exerce.

porque preciso que estas palavras fiquem seladas em sua alma. Ao olhar para trás, a culpa me invade ao perceber o quanto desperdicei: erros tolos, tempo precioso e momentos em que eu deveria ser o seu porto seguro, mas escolhi a ausência. Quem era eu para ter a audácia de te fazer esperar tanto?
​A verdade, por mais que doa admitir, é que estive longe por uma eternidade. Não foi apenas uma distância física; eu me perdi de nós. E é esse medo avassalador de que seja tarde demais que, hoje, me coloca de joelhos diante de você.
​Se ainda me restar um sopro de esperança, uma única chance ou um suspiro de crédito em seu coração, quero usá-lo para declarar o que você já sabe, mas que eu falhei em provar: eu te amo. Eu sempre te amei, com cada fibra do meu ser.
​Sinto sua falta de uma forma lancinante, uma saudade que transborda e dói no peito. No meu silêncio mais profundo, sigo alimentando o sonho de ter você novamente em meus braços, com a promessa de que nunca mais te deixarei partir. Por você, eu enfrentaria as chamas do inferno, cruzaria oceanos desconhecidos e entregaria tudo o que sou apenas para segurar sua mão e ter o privilégio de uma última dança.
​Eu não vou desistir de nós. Nunca mais.
​Meu coração anseia ouvir que você me perdoa pela minha longa partida. Preciso sentir o aperto de sua mão na minha, a certeza de que não irá soltá-la, pois eu juro: não vou a lugar nenhum sem você. Acredite em mim, envolva-me em seu abraço e, por favor, continue respirando junto ao meu coração.
​Eu finalmente entendi o caminho. Eu finalmente voltei para casa.

eu preciso colocar para fora tudo o que sinto. Olhar para o horizonte e saber que você está lá, mas não aqui ao meu alcance, é um dos desafios mais difíceis que já enfrentei.
​Dizem que a distância separa corpos, mas eu aprendi que ela também confirma destinos. Cada pensamento meu tem o seu nome. Cada vez que fecho os olhos para descansar, é o seu rosto que aparece, como um porto seguro no meio do meu dia. Você é o motivo do meu sorriso mais sincero, aquele que surge do nada só de lembrar de um detalhe nosso.
​Eu sei que o "agora" é feito de saudades e de conversas por tela, mas eu acredito na força do que a gente construiu. Nosso amor não é de vidro; ele é resiliente, ele aguenta o tempo e essa quilometragem que nos separa.
​Sigo aqui, contando os dias e guardando cada abraço que não pudemos dar hoje para entregá-los em dobro quando nossos caminhos finalmente se cruzarem de novo. Mal posso esperar pelo momento de olhar nos seus olhos e dizer, sem pressa e sem interferências, o quanto eu amo você.

O sol brilha lá fora e o vento vem me avisar,
que os pássaros cantam pro
nosso olhar se encontrar.
No meio das inspeções e de todoo pensamento,
meu coração te busca e acelera o movimento.
No campo a mesa posta, a
pimenta a decorar, a conversa corre solta e
faz o tempo parar.

Exploro A Natureza Com A Profundidade do Meu Olhar

Quero sempre poder sair para explorar a grandiosa natureza e descobrir novos lugares, observar atentamente paisagens belas e diferentes; atrativos peculiares — moldados pelas águas e pelo tempo.

Alguns dos muitos exemplares genuínos da arte de Deus — todos feitos com muito capricho entre terra e céus, rios e mares, fauna e flora, cavernas e grutas; distintas preciosidades que ainda perduram.

Que me trazem aquela sensação de aventura; renovam em mim aquele sentimento de liberdade; geram vitalidade de várias formas — não são apenas viagens e vão muito além do que os meus olhos exploram.

⁠Passeia o teu olhar pelos meus recantos...
E se assim o desejas...
Dou-te a alma inteira...

Tudo fiz para ti...
E ingrato fostes...
Pagando-me com a ingratidão...
Sem fim...

Que importa?
Ninguém sabe...
Nem tu mesmo o sentes...

Entreguei-me em tuas mãos o que escondo dentro...
E foste indiferente...
Nada sentistes...
E ainda nada sentes...

Procuro-te por dentro da noite...
Ponho-me no silêncio nas horas duvidosas...
Morto é o contentamento...
O engasgo tão grande...
Que aperta-me o coração...

Não sei se fiz mal, se bem....
Mas fiz...
O dia e a noite são iguais por dentro...
E sigo com a ilusão...
Alimentando esse redemoinho de estranha situação...

Peço-te em pensamentos...
Não me atrevo a dizer-te...
Não me esqueças...

Embora ouça o eco do amor há muito soterrado...
Mas o que tem de acontecer que aconteça...
Triste escolha...
Triste fado...

Sandro Paschoal Nogueira

Saio sem mapa...
Sem promessa no bolso...
A noite aberta...
Um talvez no olhar...
Não espero milagres...
Só deixo o vento decidir onde vai dar...

Levo expectativas leves, quase nada...
Pra não pesar o passo...
Nem o coração...
Se vier riso, ótimo.
Se vier estrada, que seja canção...

Talvez um encontro...
Talvez o vento...
Um bar qualquer...
Conversa sem fim...
Ou talvez apenas um simples momento...

Vou assim: “vamos ver o que acontece”,
Sem cobrar do mundo...
Sem pedir um sinal...
Porque às vezes é quando a gente não espera...
Que a vida resolve surpreender no final.

Sandro Paschoal Nogueira

O LOBISOMEM DE TAMANDARÉ

Pé na areia, coração disparado,
Passo apressado, olhar assustado,
Dizem que o uivo corta a escuridão,
É o lobisomem solto na escuridão.

Trova antiga que o povo repete,
Entre um gole e outro de aguardente:
“Se ouviu uivar, não fique a olhar,
Corre pra casa, vai te pegar!”

Metade homem, metade fera,
Maldição antiga que nunca espera,
Quando a lua cheia vem clarear,
Em Tamandaré ele sai pra caçar.

Mas há quem diga, rindo baixinho,
Que o medo é maior que o próprio caminho,
Pois o monstro vive mais no falar
Do que nos passos que vão te pegar.

Ainda assim, se a noite chamar,
E o arrepio subir sem avisar,
Reza, corre e não olha pra trás…
Vai que o lobisomem corre mais!

Quando a lua sobe mansa no mar,
Tamandaré começa a se escutar.
Não é só uivo, não é só temor,
É a alma chamando quem se esqueceu do amor.

O lobisomem não corre na rua,
Ele desperta quando cresce a lua.
Mora no fundo do peito humano,
No instinto antigo, no medo arcano.

“Vai me pegar”, diz a mente em aflição,
Mas quem persegue é a própria emoção.
É a sombra pedindo para ser vista,
Não como fera, mas como conquista.

Metade luz, metade escuridão,
Somos todos essa divisão.
Homem e bicho num mesmo olhar,
Aprendendo quando é hora de uivar.

Se você foge, ele cresce em poder,
Se você encara, começa a se dissolver.
Pois o lobisomem, ao se revelar,
Quer apenas ensinar a integrar.

E quando a lua enfim se deitar,
Você entende sem precisar falar:
Não era ele que vinha te pegar,
Era você chamando pra se libertar

Sandro Paschoal Nogueira

Sou feito de contraste: intensidade e cuidado no mesmo gesto. Trago fogo no olhar, mas também calma nas palavras. Sei ser firme sem perder a ternura.


Não prometo perfeição, prometo presença. Minha força protege, minha doçura envolve. Quem chega perto sente segurança e também arrepio.


Entre instinto e carinho, escolho ser inteiro. Porque em mim, a intensidade não exclui o cuidado... ela o torna inesquecível.

O peso da comparação

A comparação tem um jeito curioso de roubar a paz.
Ela faz você olhar para a felicidade dos outros e esquecer o caminho que percorreu para chegar até aqui.
Cada pessoa enfrenta batalhas que nem sempre aparecem nas fotografias, nas conquistas ou nos sorrisos.
Quem vive comparando capítulos diferentes acaba acreditando que a própria história nunca é suficiente.

Talvez a única comparação que realmente faça sentido seja entre quem você era e quem está se tornando.

Pepita de Oliveira

A coragem de olhar de novo

Há momentos em que acreditamos conhecer a nossa própria história.
Repetimos os mesmos acontecimentos tantas vezes que passamos a acreditar que existe apenas uma maneira de compreendê-los.
Construímos explicações. Criamos certezas. Defendemos conclusões que, durante anos, pareciam suficientes.
Mas a mente humana tem uma característica extraordinária: ela é capaz de atribuir novos significados às mesmas experiências.

O fato permanece.

O olhar pode mudar.

É por isso que duas pessoas podem viver situações semelhantes e guardar lembranças completamente diferentes. Não é porque uma delas esteja mentindo. É porque cada mente organiza a realidade de acordo com sua história, seus medos, suas perdas, suas expectativas e suas esperanças.
Elas começam quando muda a maneira de enxergá-la.
Quantas vezes sofremos por uma interpretação construída em um momento de dor?
Quantas vezes carregamos culpas que nunca nos pertenceram?
Quantas vezes deixamos de seguir em frente porque acreditávamos que o passado havia escrito, definitivamente, quem seríamos?
Talvez a liberdade não esteja em apagar a história.
Ela esteja em permitir que a história seja lida com outros olhos.
Olhar de novo exige coragem.
Coragem para reconhecer que algumas certezas nos protegeram por um tempo, mas já não nos ajudam a crescer.
Coragem para admitir que mudar de perspectiva não significa negar quem fomos, mas honrar quem estamos nos tornando.

É um exercício de humildade.
É aceitar que a vida pode ser mais ampla do que a versão que contamos a nós mesmos.
Se este texto despertar em você uma única pergunta, já terá cumprido seu propósito:
Existe alguma história da sua vida que talvez mereça ser olhada de novo?
Porque, às vezes, a mudança que tanto esperamos não começa quando o mundo se transforma.
Começa quando temos coragem de transformar o nosso olhar.

A Mãe e o Olhar

Edineurai SaMarSi

Quando eu era criança, a vizinha perdeu o único filho — quase homem… ainda menino.

Eu a observava.
Sempre fui boa nisso.

Depois disso, ela nunca mais foi a mesma.

A casa seguia arrumada,
as portas abertas,
o café no horário.
Mas os olhos…
ah, os olhos…
Eram fundos.
Vazios.

Fazia tudo como antes.
A vida seguia.

Mas, em seus olhos, algo havia mudado.
Não tinham mais alma, não tinham mais vida…
As tentativas de sorriso eram falsas, assim como a vontade de continuar.

Eu me lembrava de antes — da sua alegria, da família feliz — e, com a minha inocência de menina, pensava:
“Logo isso passa.”

Não passou.

O tempo andou.

Cresci.
Tornei-me adulta.
Ela se mudou, mas, quando a via, mesmo de longe, aquele olhar continuava o mesmo — parado naquele dia.

Como se a alma tivesse saído devagarinho
e ido atrás dele.

Eu não entendia…

Até ser mãe.

E perceber que há dores
que não enterram só um corpo —
enterram o mundo inteiro
dentro do peito de quem fica.

E alguns dias…
simplesmente não passam.