Poesia que Fala de Teatro
e um dia
quem sabe
no dia de são nunca
à tarde
não haverá
mais horrores
nem ditadores
nem desamores
mas se for nunca
pra sempre
que seja à noite
hora de sentir
nossas dores
no silêncio
da solidão
me chamo Zé
e não tenho fé
tenho pé
dois até
o direito
pra manter-me de pé
o esquerdo
pra dar no pé
pé anti pé
pé ante pé
como quiser
não tenho fé
tenho só pé
e vivo por aí
andando pra lá
e pra cá
até ao sopé
da montanha vou
a pé...
Verso inverso
Reverso verso
Com verso
Converso
Sem nexo
Verso adverso
Universo
Unir verso
Verso a verso
Verso versus verso
Versos para um fascista
Calma, seu fascista!
Apenas me defendo de ti.
Mas, ao contrário de tu,
não sou perverso.
Apenas cometo
uns mal traçados versos.
Ás vezes, feios como tua alma podre.
Mas livres como a esperança...
"Ainda bem que existem músicas, que são verdadeiras poesias, para embelezar esse mundo materialista!"
Otávio Abadio Bernardes, Tavinho...
Girassol! Ah! Girassóis!!!
Como são lindos e fascinantes.
Grandes e belos!
Uma explosão de amarelo,
Que brilha, ilumina e traz energia!
Girassois, ah! Girassóis!!!
Que aprendemos ser como tu és,
que em meio a escuridão,
Guardam seu brilho,
Para quando o sol chegar
se virar e iluminar.
Brilhar, brilhar, brilhar!
Em todo seu amuderecimento,
Buscando luz, buscando sol,
Ah girassol!!!
Obra linda do Criador
que te fez com Amor.
Súplica Muda
Para fora
Para longe
Já foi embora
Em uma falta de firmeza
Permaneceu sem mudança
E perdeu por fraqueza
Chorou
Implorou
Clamou pela volta
Em uma súplica calada
Procurando sem sentido
Em um quarto sem mais nada
Levante-se
Faz alguma coisa
Perde o medo da vida
Perde o medo do pensamento
O pensamento de outras pessoas
Percebe
Que no fim já não importa
Que não deve nada ao outro
E que o sofrimento lhe devora
E que no fim das contas
Necessita colocar tudo pra fora
Se decide
Define a meta da felicidade
Corre atrás do que já foi
Em busca da liberdade
E da sua própria vontade
Entra na luta
Vai contra a sociedade e suas condutas
E argumenta incessantemente
Deixando de lado todo pudor
Rogando para que no fim
Tenha de volta seu grande amor
“(…) fechamos os livros, abrimos mais as cervejas.
Povoamos os ginásios e abandonamos as igrejas.
Mas quais igrejas?
Estas mesmas com finalidades tributárias?
Que nos ensinam que a fé se deposita em contas bancárias? (…)”
O trabalhador trabalha,
O empresário ganha.
Só recebe migalha,
Enquanto o empresário ganha.
A barriga ronca,
Mas precisa alimentar as crianças.
O empresário tem a barriga "cheiona",
Enquanto o trabalhador só tem esperança.
A fome assola o mundo,
Matando mil por dia.
Existem ricos vagabundos,
Que nem compartilham.
Recito essa poesia,
Com amor e carinho.
Para que um dia,
A fome acabe e todos estejam "cheinhos".
( Fiz esse poema pra um trabalho de escola)
Estado Terminal
Com as mãos retalhadas pelo cabo da enxada,
o pai se despede do filho.
O coração cortado destino a nova cidade em busca
do canudo, o filho parte.
Sustentado pelo árduo trabalho da produção de mandioca
do pequeno sítio de seu pai.
Se aproxima a formatura, onde o desejo do pai ver seu filho
vestido de Doutor.
Dai a indiferença de seu filho que comentara na Faculdade
de que seu pai era um grande fazendeiro.
Já de regresso e Doutorado encontra seu pai no estado
terminal.
Uma massa tumoral instalou-se no corpo de seu pai,
não sendo possível salva-lo. Mesmo com a formação
acadêmica de medicina.
Desprezo
O Desprezo.
Esquecer é a melhor arma
Para quem não teve a
Competência de sua importância
Pois você deveria
Ser a mais doce
A mais importante
A indivisível
Trabalho
Há pessoas que fariam o dobro do que você faz pela metade que você ganha. Por isso, valorize o seu emprego.
Eu e o tempo
Sorri o tempo ao meu lamento,
O que será que ele pensa?
Que minha luta parece perdida?
Ele sorri e balança a cabeça.
Eu de longe sigo e me questiono,
O que esse tempo sabe que eu não sei?
Ele se vira e prossegue sua caminhada,
Eu perplexo caminho também.
Me faço de sombra e lhe sigo,
Me perguntando onde ira parar,
Eu com minha aguçada curiosidade,
Procuro no caminho a resposta encontrar.
Ele apenas segue sem parada ou morada,
Numa constante busca do absoluto,
Sem entender onde ele me leva,
Apenas o sigo contando os minutos.
Você é aquele porre gostoso de uma sexta-feira tediosa.
Aquele dia que se estende a semana toda, sem pausa pra um breve suspiro que alivie ao menos o peso do meu próprio corpo.
Contaria os diasse soubesse com exatidão o dia exato onde tudo da certo e nada me tire a paz.
Sem previsão, caminha as horas, os dias, um após o outro, sem pressa, mas também sem demora.
Gritaria pelo dia, bradaria pelo tempo sem meu folego poupar, só pra ter um breve agora, se não fosse pedir exaustivamentedemais.
Mas que tolice minha, falar pelos cantos encharcados, alimentar essa sede do gosto do porre de uma sexta-feira.
Descanso, quanto mais rápido adormecer, mais rápido o tempo passa, sempre funciona e ele chega sem pressa, mas também sem demora.
Seis dias e seis noites; tão previsível estar aqui, embriagado de você, até perder o rumo da vigésima quarta casa do tempo, sem tic, sem toc.
O agora se estende, quando não se tem noção do tempo e você, esseporre, duraria como um felizes para sempre.
Lyu Somah
A fotografia da alma
E quem dera poder te guardar em minhas fotografias, registrar a alegria da sua alma perante meu sorriso bobo e largo, diante da beleza dos seus olhos; janela que me encanta com brilhos intensos, olhos famintos e insaciáveis.
Sede da alma que a fotografia não sentiu, mas era de ti o meu desespero em saciar essa vontade que me consumia; queria, ao menos, uma gota poder te guardar; registrar em um único lugar tudo que eu queria ter para a eternidade.
Sou fotografo amador, como amar não dispensa dor; da alma não sou excelência, apenas aprendi a ser aprendiz nessa existência.
Minha foto favorita é a que me faz companhia.
Chamo-te hoje,
Porque pensar-te
É a lâmina mais feroz.
Êxtase de te revelar segredos,
E te acolher no ventre, ó vagabundo,
Entre o pranto e o anoitecer,
Estremecendo vagas de solidão em aguaceiros de poesia.
Ó desconhecido de todos os desalentos,
Escancarando vida no umbral da porta,
Imaginei-te somente!
E, guardiã da tristeza intrínseca,
Baptizei-te alento,
Prenúncio de temporal.
Grito-te ainda,
Porque o silêncio a bailar entre risonhos girassóis,
É o tempo mais sublime,
Ânsia de ansiar
Nossos corpos esculpidos
Num sopro de infinito.
© Célia Moura – Do livro “Enquanto Sangram As Rosas…” (2011)
A Pastelaria Defronte À Casa Vazia De Mim
Na pastelaria defronte à casa vazia de mim
onde habito
distraio-me nas gargalhadas imbecis
das gentes rotineiras que absorvem meias de leite e galões
fazendo uma espécie de orquestra
com o autocarro parado adiante
falando da vida alheia
com a boca tão cheia
que chegam a cuspir “gafanhotos”espaciais
apanhando os mais incautos.
São raras as vezes que passo por lá,
mas gosto de observar o saltitar dos pardais em busca de migalhas.
Na pastelaria defronte à casa
onde ainda habito
o álcool ameniza as mágoas,
a marijuana devolve-lhes
os sonhos mais banais
e as crianças vagueiam soltas sem jantar
brincando e comendo gomas e chocolates.
Se ao menos fossem como os pardais da manhã a saltitar entre as mesas,
se ao menos fossem como alguns cães que certas senhoras
levam a passear aos quais compram bolos de arroz ou com eles dividem a tosta mista!
Quão estéril é a pastelaria defronte a esta casa vazia de mim!
Mulher
quem és tu?
Não sei.
Como não sabes!
E sabes ao menos de onde vens?
Não sei.
Que fazes tu da vida?
Não faço nada.
Como não fazes nada?!
Todos fazem algo, todos têm sonhos,
Que é feito dos teus sonhos?
Asfixiei-os.
Porquê?
Talvez por me causarem uma ilusão desmedida,
não sei.
Doiam-me na alma e no corpo inteiro.
Mulher, tu és totalmente alucinada,
Louca!
Sou sim.
Todos os dias te chamo
envolta no negrume
desta minha alma vazia.
Todos os dias emudecem gritos
na garganta
paridos nesta agonia
de viver sem saber para quê!
Ninguém sabe
de que néctar nos lambuzámos,
de que luz nos incendiámos
na lânguida tela, primordial e eterna
inebriada de papoilas
e trigo por ceifar.
Ninguém soube,
nem eu sequer
o quanto te amei.
Todos os dias te chamo
e tu vens afoito, sorridente
comemorar comigo Vida
ao entardecer na tapada.
E com amoras nos olhos
samambaias no rosto
adormeces-me neste exílio
de terra fecundada
onde me dou por inteira,
sangue, pele, artérias
indignação
e coisa nenhuma.
Todos os dias me adormeces
num beijo de colibri
para que esta dor imensa
renasça flor.
Aos meus dias de pranto,
às vertigens ocas
espaços inexplorados
e às virgens destrambelhadas
o meu aplauso.
Às flores de lótus
quimeras incendiadas
de paz e opala
minha rendição.
À poesia, mãe amada
companheira de glória e infortúnio,
única e dedicada amiga
todas as pérolas,
poemas, almas decepadas
ouro, platina,
filhos que amei
sem parir e chorei.
Agonia que jamais ousei
de meu ventre
amor aos pedaços
pela enseada de azul e nada.
À poesia e somente a ela
todas as alegrias,
todas as tragédias!
- Relacionados
- Poesia de amigas para sempre
- Poesia Felicidade de Fernando Pessoa
- Poemas de amizade verdadeira que falam dessa união de almas
- Frases de Raul Seixas para quem ama rock e poesia
- Poesias para o Dia dos Pais repletas de amor e carinho
- Poesia de Namorados Apaixonados
- Primavera: poemas e poesias que florescem no coração
