Poesia Operarios em Construcao
São tantos talvez
Do encontro a esperança
Amor em escassez
Da certeza a distância
Dos longos dias que
Insistentemente passam
E abraçam na solidão
Cotidiana
Da falsa segurança
De paz
Nesse infindável
Medo
Degredo
De não amar.
Confesso que tentei agir com a razão
Sem a pressão deste mundo cruel
Provei o fel e a amargura no coração
Absurda tua forma de amar
Absurdo o meu pensamento
Absurdo meu vício em sonhar
Te encontrar num momento
Absurdo não tentar esquecer
Absurdo elaborar expectativa
Absurdo deixar de reconhecer
Que preciso manter alma viva
Simplesmente,
Para sempre,
Sem você.
Tempestade
É lindo o tempo lá fora, a claridade
Aqui dentro se faz deveras diferente
Em minha mente, forte tempestade
Se de em ti pensar
Ainda te quero
Penso em realizar
Te conquistar, alegria
Quem sabe um dia
Ainda espero
"Epílogo"
Poeta de mão cheia
e bolso sempre vazio...
Adulado por mil tapinhas nas costas,
açodado por aplausos e elogios.
Na alcova, em cima da cama,
descansa enterrado vivo
sobre os fósseis amontoados
das capas de seus próprios livros.
Essa é nossa jornada
"(...)Quando a morte chegar
Ainda poderemos estar vivos
No pensamento de alguém
Na leitura de um livro
Ou então numa bela canção
Que representa uma forma de oração."
Somos Um
Somos um, as vezes dois, mais de um, mais de uma vez,
as vezes três, as vezes passa, a gente conta,
de ponta-a-ponta.
Somos um de muitos, somos poucos de milhares,
apenas um de nós se destaca, um de poucos,
um de outros.
Um, dois, três, somos todos um, cada um de uma vez,
todos no jogo da vida, xadrez.
Somos peões,
reis e rainhas.
Somos colunas, bases,
espelhos, espinhas.
Vento
Oh vento, que grande brisa,
oh vento!
Vento que corre sobre as dunas do âmbito.
Vento que passa pela fronteira,
que contorna o cenário florido.
Vento de guerra, que bate sobre o soldado
de joelhos feridos.
Vento imundo, que sobre os moribundos
acaba em desgraça.
Vento, vento que recebemos de graça.
Sem paciência
Como o mais lindo sorriso
E a mais triste lágrima
Eu vivo
Numa angustia danada
Achando que sou o único com a vida lascada
E com a Terra ao meu lado, lamento
Pois logo noto, que a vida é momento
E nesse momento, estamos lascados como sempre
Alguns dirão que essa é a graça da vida
Mas estou cansado de tal graça
Talvez por isso sou tão triste, sem graça
E mais que eu faça, nada apaga, minha tristeza
O trem partiu, já estava atrasado
E por isso não estou mais presente
Partiu por meu querer
Estava cansado
Eu só quero paz
E as vezes a paz pede uma viagem
Sem data para voltar
Não eterna, pois tudo eterno é ruim, aliás, o tempo voa.
- Oliveira RRC
Fotografia de Casamento
Abraço apertado e um sentimento
No horizonte do medo.
O que virá...
Columba e seu protetor.
Fecunda hostes que repetindo,
vôos de aves. Desde o começo.
Muitos não terminarão juntos.
Mas se assumiram em nome de Amor.
A voarem juntos, por esse sentimento.
Não entendendo, de inicio.
Mas pendido apenas, as bênçãos do céu.
E quantos acertos e erros. Quantas confusões.
Passaram pelo céu. Levando o tempo nas costas.
Deixando seus frutos. E Coragem vinda,
Desse sentimento.
Que os fizeram voar.
Nova descendência, habitando a terra.
Como poderia ser pecado...
Erraram.... acertaram.....
Responsabilidade da criação.
Sem saber, o caminho de chegada.
Foram heróis.
Não , não há nada a lamentar.
Fizeram a melhor parte.
Te deram um corpo. Uma Vida.
Algum dia já agradeceu seus pais....
O dom da vida que jogas aos pouco,
No tempo, no posso, que continuas a cavando...
Desejas culpar mais alguém.....
Quanta injuria. Porque até para culpar
Precisas da força. Que gasta açoitando os ventos
da sua ingratidão.
Quem não agradece aos pais,
Estão órfãos.
Não possuem alma. Paz. Amor.
Não sabem de onde vieram, e nem
Tão pouco, para onde vai.
Assim como. Um pássaro perdido
Numa ventania sem fim.
Lamentando a falta, daquilo que nunca precisou.
Obrigado meu Pai. obrigado minha Mãe.
Marcos fereS
CINCO MINUTOS A MAIS
antes de morrer, gostava de ter
cinco minutos a mais.
não peço mais...
pode ser?
prometo não fazer asneiras,
nem perder as estribeiras,
nem fazer disparates,
nem entrar em inúteis combates,
nem fazer nada de mais
nesses cinco minutos a mais...
pode ser?
Ah! e para que quero eu cinco minutos a mais?
é um pedido que nunca ninguém fez?
parece uma mesquinhez?
sim já sei... há regras, há rigidez
que regem a partida das pessoas
mas prometo que não abuso,
respeitarei os meus ancestrais,
vou fazer bom uso
desses cinco minutos a mais...
pode ser?
vá lá!
antes de partir só me quero despedir
das pessoas que gostam de mim.
simples assim!
um beijo, um abraço, uma alegria
e um até qualquer dia...
pode ser?
©ArthurSantos
JÁ ENCONTROU RIMA PARA FOME?
já encontrou rima para fome?
pergunta o erudito entrevistador
a um poeta que fala do amor.
olhe, meu caro senhor,
responde o poeta que fala de amor,
como cada um de nós tem fome...
fome rima com nome!
Cá p'ra mim
e sem querer contrariar o poeta,
com todo o respeito e sem me armar em profeta,
respondo assim:
fome rima com exploração!
Porque não?
fome rima com religião!
Porque não?
fome rima com ladrão!
Porque não?
fome rima com colonização!
Porque não?
fome rima com imigração!
Porque não?
fome rima com repressão!
Porque não?
fome ainda um dia há-de rimar com revolução!
Porque não?
©ArthurSantos
A flor, só o bem nos faz,
em cores, perfumes, é escudo,
bom agouro sempre traz,
a mãe natureza é tudo !
A manhã é um encanto
que da janela se vê,
tendo ainda um ar de sonhos
e resquícios da brisa noturna,
que tenta o sol arrefecer
Atrás de uma montanha
o olhar sereno do horizonte,
pisca em luzes risonhas
e envia um novo amanhecer
Pior que o cão é sua fúria,
pior que o gato é sua garra,
pior que a sanha de ferir
a que se esconde
sob feição de amor.
Pior que a vida é a não-vida
do que se faz espectador;
nem mergulha, nem nada, nem conhece
o mar fundo:
está sempre à beira da estrada.
Perdi a capacidade de assombro
mas continuo perplexa:
esta cidade é minha, este espaço
que nunca se retrai,
mas onde o ardor da antiga
chama, que me movia no mínimo
gesto?
Esperei tanto, no entanto, esvaem-se
na relva, ao sol, no vento,
os sonhos desorbitados,
parte da minha natureza
sempre em luta com o fado.
Perdi também no contato
com o mundo, pérola radiosa, vão pecúlio,
uma certa inocência;
ficou a nostalgia de uma antiga
união com o que existe,
triste alfaia.
Não conheci o desterro,
mas sei a quanto obriga.
Vivo na minha terra,
embora desencontrada. Quem sabe
de mim, quem me ouve
o que não digo, quem segura
a rédea de meu sonho, permitindo
o risco da vertigem, o perigo
de conhecer o abismo?
Minha felicidade vem de quando estou só
e ninguém me interrompe no poema,
essa espécie de transfusão
do sangue para a palavra,
sem qualquer estratagema.
A palavra é meu rito, minha forma
de celebrar, investir, reivindicar:
a palavra é a minha verdade,
minha pena exposta sem humilhação
à leitura do outro,
hypocrite lecteur, mon semblable.
De algum forma todos nos queimamos algum dia;
de alguma forma mesmo sem fogo sob o frio sob a chuva
que não passa o calor é terrível
no Rio de Janeiro, quem diria,
quando morei aqui na tua idade
não era assim, agora todos sofrem,
todos dizem que calor infernal
que calor dizem todos e é tudo
muito estranho tudo...
Sou um canteiro onde floresces
e nem sabes, sou o caule
indeciso do teu intenso modo de querer,
a linha reta que jamais se alcança,
a hipotenusa de um triângulo qualquer,
o bule sobre a mesa, a música de Bach,
o pássaro pousada no videira
do fundo de um quintal ou de um jardim
onde ninguém sabe, ninguém jamais ficou sabendo,
que este canteiro existe,
que este canteiro não obstante existe.
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