Poesia Morena Flor de Morais

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amor não correspondido é como
se ajoelhar em arroz cru
e esperar
a água fervente
dos beijos dele
para suavizar a sua dor
mas ele nunca vem

Entre fios de letras soltas
e trapos de linhas livres
remendo palavras
envoltas no manto
bordado da poeira de poesia...

Eu não sabia que dançar era por dentro.
Eu não sabia que dançar era até o fim.

A vida, meu amor, é sem intervalo.

Ela ria,
e eu dizia:
- Te amo!

Eu queria,
ela dizia:
- Mas como?

O silêncio vinha,
e o amor,
gritava.

⁠Mulher
faz de tua vida um poema!
Contemple teu viver,
Apure a curiosidade nata.
Cale, silencie em ti,
Aguente e resista às imposições
de um tempo...
faça o seu tempo...
Dialogue com tua alma corajosa,
no canto do quarto,
na mesa do bar,
ou em frases soltas na parede.
Mas, aconteça,
te fortaleça.
Da dor ao amor,
amor próprio,
essência do Criador.
O bela criatura,
abrace no colo,
embale as palavras
até virarem
poesia.

DÉJÀ VU

E por todos os séculos te procurei,
Em algum tempo passado te amei,
Por isso contigo sempre sonhei.

Sei que já senti teu calor um dia,
Fostes o sol que com alegria
Enchia meus dias de poesia.

- Sei apenas que te encontrei!
E para ti, meus versos farei...
Para sempre este amor louvarei!

"Tem alguém que você vai se apaixonar numa troca de olhar;
Tem quem você vai jurar que é pra toda vida e de repente vai terminar.
Tem alguém que de tão amigo vai virar amor;
Tem amor que vai acabar amigo.
E amigo que vai ser para sempre amigo.
Tem paixão de uma estação...
Outras que começam no inverno e só terminam no verão.
Tem amor ardido como pimenta e mesmo assim a gente aguenta.
Tem aquele que dá um gelo e outro que prende fogo.
Tem quem te pega de jeito e quem te deixa sem jeito.
Tem alguém que tira você do sério e outro que rouba o juízo.
Tem paixão que não sai da cabeça e outras do coração."

⁠Defenda-se com um sorriso, ataque com o silêncio e vença com indiferença.
Ser perseguido, difamado e conspirado permanentemente pode e é um sinal de grandeza....

Aquele olhar brilhante
Tão bonito quanto um diamante
Possui um sorriso que se parece com a chave do Paraíso
Já o beijo... É como estar em um precipício
No qual não há medo de cair
É como se meu amor por ti
Tivesse asas e nenhum medo de partir



Sua camisa preta
Não tem a constelação
Bem que deveria ter,
Mas não tem...
Dentro do seu ser
Contém estrela,
E toda a beleza.
Não tema o destino
Que está dentro de você.
Transmite o que se
tem por dentro...
Sem medo, e
Transborda toda a imaginação.
Sua unha gigantesca
A sua camisa preta
Não contém estrela,
Mas você acredita no destino?
Em seu corpo contém o universo,
O livro da vida está dentro de você,
Usa a cabeça, vá em frente
mesmo que o mundo tenha inveja de você,
Uma pequena parcela lhe apoiará.
Contém uma estrela em sua frente
Segue-a sem temer
A estrela marca todo o seu destino...
Sua camisa preta
Marca a escuridão,
Mas a estrela está dentro de você.

Gosto de rosas amarelas,
admiro-as também em todas as cores,
nem sei expressar amor por elas,
são as rainhas das flores.

Morte, negritude

A violência está no ar
Rubra a se banhar
Em sangue, e cadê
A misericordia...
Os dias estão rotos,
E o coração pulsa
Tristezas escuras
Como o fim de uma sisterna.
Sentir! Cada elemento
Morrer em partículas,
Que não se juntam mais,
Cair no abismo,
E tudo, e tudo acaba
Não se encontrando
Mais.



O tempo perdido
Pode ser recuperado
A solidão é a ausência
De alguém não encontrado
Deixe o passado no passado
Viva com as marcas
Disperse o medo
não chore, ainda é cedo
Não sinta-se só
Insista, tem solução
Há medo ao teu redor
Há coragem no teu coração
Ouça a coragem
Desate o nó.

Escute só
isto é um poema
não vai alinhar conceitos
do tipo liberdade igualdade e fé
Não vai ajeitar o cabelo
da menina que trabalha
com afinco na caixa registadora
do supermercado
Não vai melhorar
Não vai melhorar
isto é um poema
escute só
não fala de amor
não fala de santos
não fala de Deus
e nem fala do lavrador
que dedicou 38 anos
a descobrir uma visão
quase mística
do homem que canta
e atravessa
a estrada nacional 117
para chegar a casa
ou a algum lugar
próximo de casa.

⁠No Tempo das Coisas

Por muito tempo, esperei.
Esperei outros,
esperei respostas,
esperei sinais.

Hoje, não é mais sobre esperar.
É sobre estar.
Presente em mim.
Inteiro no que sou.

O que tiver de ser, será.
O que tiver de ir, que vá.
E o que vier,
que venha livre,
leve,
sem pressa,
sem promessas forçadas.

Não me movo mais pela ansiedade do futuro,
nem pelo peso do que já foi.
Meu passo é calmo.
Meu olhar, aberto.

Se for encontro,
que seja verdadeiro.
Se for despedida,
que seja serena.

E se nada vier,
ainda assim, estou.
Suficiente.
Pleno.
Em paz comigo.

Porque aprendi —
há um tempo certo para tudo.
E, às vezes,
o tempo certo
é apenas estar bem…
comigo.

ANJO DRAMÁTICO.

Caminhando, pensando, notei em um canto, um anjo chorando.
Não conseguia voar, nem sabia andar, só chorar… só chorar.
Estendi minha mão, ele disse "Não! Me deixe no chão".

Sentei ao seu lado, num gesto ousado, cantarolei meu passado.
_Eu também já chorei, uma asa quebrei, mas me levantei.
Sai do chão, anjo bom, não diga NÃO (segura minha mão)
Ele então segurou, levantou... as lagrimas enxugou!

Seguimos lado a lado, até achei engraçado, anjo dramático… comecei a gargalhar.
Nem tava ferido, só deprimido, que drama,
sempre soube andar!

Abandono

O teu silêncio
E tua descoberta
Cobre todo o ser
E o mundo,
E um cais de areia
Em sangue,
Um aborto profundo…

Tenho fome da sua boca, da sua voz, do seu cabelo,
e ando pelas ruas sem comer, calado,
não me sustenta o pão, a aurora me desconcerta,
busco no dia o som líquido dos seus pés.

Estou faminto do seu riso saltitante,
das suas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra das suas unhas,
quero comer a sua pele como uma intacta amêndoa.

Quero comer o raio queimado na sua formosura,
o nariz soberano do rosto altivo,
quero comer a sombra fugaz das suas pestanas

e faminto venho e vou farejando o crepúsculo
te procurando, procurando o seu coração ardente
como um puma na solidão de Quitratue.

Orgulho gaúcho

No sul quando nasce o dia
Nasce também à magia,
Esta estranha alegria,
Que se tem ao respirar.

Cevo um mate amargo
Do lado do meu amado,
Em silêncio uma oração
Agradece meu coração.

Agradeço minha terra
Meu pampa sul-rio-grandense,
O Patrão velho lá no céu
Por certo está contente.

Por ver tanto orgulho
Pela sua criação,
Que traz cada gaúcho
Dentro do seu coração.

Sou gaúcha, e isso é certo!
Trago a chama da emoção,
O amor por esta terra
Honrando sua tradição.

Reconheço a beleza
Da nossa amada querência,
Ressaltando na consciência
A minha essência gaúcha.

Fiel as suas tradições
E disso, não abro mão!
Churrasco campeiro...
Fogo de chão...

E um gostoso chimarrão
Nos braços do meu peão.

EU SOU

Eu sou o outono e o inverno,
Eu Sou do Arco-Íris o amarelo,
Eu sou do sonho, a razão,
Eu sou apenas, um coração.

Eu sou do espaço, a dimensão,
Eu sou o novo e o velho,
Eu sou do amor, a busca,
Eu sou da busca, o começo,

Eu sou do começo, o medo
Do medo, o recomeço,
Do recomeço, o fim
Muito além de mim.