Poesia Morena Flor de Morais
Senhor
Quando eu estiver
Diante de ti
No final da minha vida
Espero que tenha
Merecido um cantinho
Do tamanho de um grão de areia
Ao pé de ti senhor.
A minha alma repousa
Nos ramos despidos
Sem pudor no teu corpo
Na árvore plantada
Deste nosso Outono.
MORA
Mora em mim um amor
Mora em mim uma intensa paixão
Mora em mim um jardim perfumado
Mora em mim um toque que me enlouquece
Mora em mim um misto de desejo
Mora em mim um delírio doce
Mora em mim um amor revivido
Mora em mim uma louca loucura
Mora em mim intensamente correspondido
Um grande amor dentro do meu peito.
Cansada da tanta injustiça
De tanta maldade que me deixa
Com um nó preso na garganta
Porque não consigo engolir todo o mal
AMOR
Oiço os teus gritos mudos
No querer gritar contigo
As mesmas palavras mudas
Arrancar-te as dores presas
De uma prisão sem portas
Onde os teus olhos choram
No desassossego dos dias
Da tua ou minha solidão.
VIDA
A vida é uma simples aventura
Viva, cante, sinta
Ame, chore, brinque
Ganhe, perca
Caia, tropece, levante-se
Sorria, apaixone-se
Deseje sem medo
E siga em diante
VEM
Vem, fica
Sentirás amor
Como nunca sentiste
Repousa, olha-me
Afaga-me, despe-me
Sente-me na adrenalina
Que timidamente te provoco
Do meu ser, num abraço
Que te prende num longo beijo.
__O riso
Provoca um sentimento de alegria
Faz bem à alma ao coração
Da uma satisfação de felicidade
Sorria para à vida.
Sabes meu amor
Quando toquei no teu corpo
Senti o meu a tremer percebi
Que entraste no meu coração
Sem me pedires autorização.
Sentiram o estômago a tremer?
O amor é o tempero da comida
Pois quando o cheiro é bom, a comida é boa
E os olhos também comem.
Por favor não me analise
Não fique à procura de um ponto fraco
Ninguém resiste, quanto mais eu
Ler é uma paixão, escrever é um vicio.
Obrigada senhor
Por me mandares anjos
Que me guiam junto a ti
Eliminando todas as pedras
Do meu caminho.
ESCREVO
Escrevo é o que sou
Histórias perdidas
Esquecidas na memória
Gravadas no coração
Inventadas com sabedoria
Do meu saber observar
Ficções que são encantos
Memórias que não aconteceram
Sonhos que morreram e não viveram
Escrever é uma forma
De agradecer, perdoar, esquecer
O que só o destino teve culpa
As palavras são a minha respiração
Elas dã-me vida e eu dou-lhes o meu coração
A minha alma nas memórias guardadas ou não.
Amor quando
Os nossos corpos
Se encontram que seja
Numa perfeita harmonia
Como se estivessem
A compor uma bela canção
NAVEGUEI-TE
Naveguei-te meu amor
Pelas colinas
Das tuas encostas
Sonhei-te perto de mim
Naveguei pelo teu corpo
Desejando mais e mais
Bordamo-nos um no outro
Rasguei-te na imensidão
Da fome sentida com um olhar
Naveguei-te com paixão
E amei-te nas memórias
De tantos orgasmos felizes.
QUANDO
Quando fecho os olhos
Amo sentir
O perfume do teu corpo
Quando te abraço
Posso sentir
O calor dos teus braços
Quando te beijo
Amo sentir
A doçura dos teus lábios
Quando te amo
Posso saborear o gosto
Da tua pele salgada.
RASGO
Rasgo o sombrio de mim
Na saudade de um espasmo
Degredo esquecido em mim
Solto nos rastros perdidos
Procurei esquecer a dor
Que me atormenta no espaço
Escondido nos sonhos
Que no tormento flagela
Os meus dias, noites sem dormir
Feito de novelos que fia a dor
No crepúsculo do vento
Quimeras de sombras
Que cobrem apenas a tua ausência
Para rasgar a dor que sinto
Quando não estou contigo.
