Poesia Morena Flor de Morais
A solidão acompanha-nos
- Na vida ela é muda, surda, cega
Em forma de roupa suja de cor
- Mas trás um vestido negro de cetim.
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Cobrindo todo o teu corpo frio, no meu
Flores da minha agonia, do meu desejo
Outono, primavera, verão, inverno em ti.
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✿•*•*✿ LOVE
A minha dor é infinita
Quando me recordo de ti
Sinto ainda com muita saudade
O sabor dos teus lábios
Ao encontro dos meus
Da forma como as ondas do mar
Rompem com força a tua pálida nudez.
Atrás da porta pode estar o amor
Mas se nunca a abrir nunca poderá ver a alegria
Do seu coração - "Atreva-se"
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A solidão quanto é...
Sofrida, vivida, sentida
Por nós próprios permite
Que toda a roupa que seja Engomada por nós esteja
Vazia do nada ela apodera-se Do coração da nossa alma.
SENHOR
Dá-me a serenidade das águas dos rios
Dá-me a força das fragas das serras
Dá-me a doçura das flores do campo
Perdoa-me se fracassar, se tiver medo
Que eu possa sempre voltar a recomeçar.
Há um momento tão nosso
Que o melhor apetite que temos
É a fome que nós sentimos.
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CORPO DE UM POEMA
Sente o gosto, o aroma da canela
É como percorrer um poema
Onde cada sílaba, é uma sílaba
No aroma de alecrim quando te toco
Quero-te no gosto da lavanda
E mordo-te como uma manga suculenta
Desejando-te, amando o teu poema
Quando me prendes a ti em desejos
Sente o gosto perfumado dos oregãos
São como as palavras que abrem amor
É como percorrer um lindo poema
O teu corpo, percorrendo o meu com as tuas mãos
Elas são as carícias que crescem no sabor
Quando tocam o meu rosto de romãs vermelhas
Preenchem o teu corpo, que pulsa em mim
Sente o aroma da fruta fresca do pomar
São os versos feitos que tocam a nossa carne
Envolve-me e toca-me nos meus seios
São como se tratasse de figos suculentos maduros
Que amam e ganham vida na alma, no corpo
A tua boca sabe a morangos com chocolate
De beijos suculentos de mim em ti, para ti
Sente o perfume do açafrão das índias
É como escrever todas as palavras de amor
Sente o meu corpo à procura do teu
Arranca do meu corpo, todo o meu desejo
Que sente na água de coco fresca
Para que sintas que o meu poema é teu
Sentes amor como te percorro o corpo num poema.
TRANSPARENTE
Andamos talvez a morder as palavras
No dia a dia, desfeito tédio das noites
Em tempestades particulares já nossas
Grito nos escombros em verdes sulcos
Ramos inclinados escondidos esticados
De joelhos sozinha, parece já assustador
Banho solitário no toque suave do vento
A harmonia dorme o pensamento abatido
Deleito-me nas palavras, escritas na pele
Procurando um abrigo para a minha solidão
Desnudo-me no meu intenso sentimento
Zelando o mar repleto de muitas emoções
De um ser que vive na felicidade do amor
Andamos a morder as palavras no dia a dia
Sentimento tão transparente aos teus olhos
Tu consegues desnudar-me o corpo, a alma.╰☆╮
FRÁGIL CORPO
Apesar da nossa morte em ruínas
No peito acabou a ilusão na exaltação
Onde o meu frágil corpo ficou vazio
Preciso voltar escrever um poema
Antes que a noite escura chegue
E me faça um relatório de todas
As recordações que guardo na mente
Antes que o sono da morte cale para
Sempre a minha boca e meu meigo olhar
Preciso escrever o poema da minha vida
Antes que seja tarde e que a escuridão chegue
E que a morte venha e o meu corpo fique frio.
ÁGUIA NO PARQUE
A águia prossegue o seu voo
Exibe os seus braços esfacelados
Voa entre a nossa Bandeira no parque
Gira em círculos, no seu espaço
Com agitação da dor entre as asas
Voa entre as arvores do parque
Eduardo Sétimo na cidade de Lisboa
Lentamente volta para o ninho
Danificado pelo bicho homem
O aroma intenso no parque no verão
Que esta a morrer, as horas a encolher
Sente-se já frio nos pés, como as folhas
Secas no chão os sentimentos congelam
De tanta nostalgia, nas memórias de infância
A águia voa, como é bom, olhar para ela
Navega através das nuvens, das arvores
No encanto dos meus cabelos brancos
Num declínio infeliz dos meus olhos
Já se sente o aroma das castanhas
Das florestas, dos nossos castanheiros
De repente senti-me num pomar
Cheias de belas maçãs de varias as cores
O tempo é interrompido pela nossa calçada
A Portuguesa adornada com musgo
Os dias passam, as estações do ano também
Permanecendo as memórias no vento
Do voo da águia ferida pelo bicho homem
No parque Eduardo Sétimo em Lisboa.
Eu amo-te simplesmente
(---) Porque me fazes feliz
E é no teu amor que eu me realizo.
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TEIA DO DESTINO
Já enfrentei o meu sol talvez divino
Olhar sagrado onde o corpo arde
Despida com o tempo que cansa
O sino que vem desta pobre alma
Onde o vento leva no ar as cortinas
Rasga as paredes como teia do destino
Por temor impede que brote o sangue
Envolto nas chamas de um belo sonho
Perdi o rastro de alguém que cortasse
Desatasse o orgulho de um ser covarde
Com muita sutileza desarma o coração
Dessa nudez que o cego não vê e teme
Sobre uma estante de medos de sangue
Que se revela ao toque do sino da igreja
Pecado de um passado aparece mais forte
Invencível teia em qualquer época do ano.
VERBOS
Os sentidos verbos escondiam-se entre a erva
Espessa, alta, fresca e verde, do nosso jardim
As pétalas das rosas brancas escondiam-se entre
As letras das palavras da velha escondida casa
Os pontos escondiam-se entre as vírgulas dadas
Pelas gotas da chuva que já caiam intensamente
Os porquês, escondiam-se entre perguntas feitas
Pelas crianças de tão inocentes que ainda eram.
SEMENTE DE LUZ
A morte veio, chegou no dia em que deu à luz
As lágrimas do seu rosto eram o seu único alento
Ela estava mergulhada na terra seca como uma
Difícil semente de um amor tão belo e sensível
Afinal somos feitos para lembrar e sermos lembrados
Para chorarmos, fazer chorar quem mais amamos
Tal como sermos enterrados ou enterrar os mortos
Escondemos a nossa alma queimada de tanta dor
Num jardim de anseio que foi futuro ou passado
Onde temos medo da face da morte que nos rodeia
Dá-me o céu verde das tuas rosas com borboletas
Nesse último dia em que leva o fôlego do seu amor
Um ser pequenino e doce, para o colocar no paraíso
Onde brotou a vida, brota agora a morte neste dia tão Especial, repleto de tanta dor, apenas resta no seu peito
A morte semente de luz eterna na sua alma pequenina.
