Poesia Morena Flor de Morais
CEBOLA AO VENTO
No teu ventre
Em terra de orvalho
Nasce em milagre
Uma bela cebola
Comida crua
Num amor faz-se
Salada de várias cores
De grande frescura
Pétalas frescas
Em formosura
Aparência desnudada
Temperada de mel e limão
Poético sentimento
Ao vento de uma desfolhada cebola
Quando eu partir
Não me elogiem ou chorem
Serei apenas lindas flores
De pétalas perfumadas
No teu sorriso
DESLUMBRAMENTO
As rosas foram desfolhadas
Onde deram vida aos lobos
Perfumaram o luar de pétalas
Furando as sombras do jardim
E a saudade visitou-me sem maldade
Ferindo-se de ternura nas vinhas
Já despidas, lembranças tão profundas
Nas desfolhadas rosas, pétalas nos pés
No sobressalto dos corpos perfumados
Entre a tatuagem da alma, do coração
Os lobos uivam em cada pedaço de nós
Bebendo cada deslumbramento nosso.
CAMINHO SÓ VAGUEIO
Vagueio por estas ruas acidentadas
Escuto o som das algemas da mente
Onde o amor mudo roía-me desde dentro
E mastigava as flores de todos os sorrisos
O vento que uiva voa invisivelmente
Rasga a alma sombria com o pranto do dia
E veio a noite verter as lágrimas do céu
Para poder morder as palavras já escritas
Desfazendo a carne sem deixar os ossos
Âmago olhar imortal na calma do silêncio
Sombra inércia perde-se no nada dentro da íris
Nos submersos movimentos que a poesia penetra
SOPRO DE VIDA INOCULADO
Há um estranho sopro de vida
A engravidar a íris das palavras
Nos esqueletos da estranheza
Deste mundo no silêncio da alma
Há um recolhimento do corpo
Encravado nas trevas pelo estrondo
Que brilha intensamente na escuridão
E que mastiga o pão sem preces
Há um que ignora o seu consolo
Um bicho, sem deus, sem fé, o homem
Devorador de mundos estranhos
Sopro de vida que engravida as palavras
CONTO DE NATAL
Era uma noite fria e escura
Numa aldeia perdida ou talvez esquecida
Em Trás os Montes
Vivia uma menina sonhadora e pobre
Morava com os pais e com os seus irmãos
Era uma noite da década de 74
Às portas da guerra da independência
Que viria muito brevemente a acontecer
Mudando-lhe a vida e marcando-lhe para sempre
Era a noite de Natal não havia presentes
E muito menos a árvore de Natal
Ou o Presépio, mas havia alegria e amor
Os pais davam muito carinho aos seus filhos
Mesmo sem a árvore de Natal e sem presentes
Contavam-se histórias à lareira, o riso era constante
Foi uma noite que nunca mais esqueceu aquela menina de dez anos
Numa noite fria e escura mas quente no seu coração
Era a noite de Natal fria e gelada numa aldeia em Trás-os-Montes
QUERO 💘
Que o sol ilumine o meu amor
Pelo caminho que andar
Que o vento me traga o alento
Suave de um novo dia
Que escreva palavras de amor
Com a felicidade que tanto desejo
Que sinta alegria no meu coração
Vivendo intensamente
Cada momento do meu dia com alegria
Para viver o amor que sinto contigo.
SAUDADE DAS PALAVRAS
Saudade das palavras amenas
Com a morte agarrada a mim
Os lobos cobiçam todos os sonhos
De quem ainda ousa sonhar
Num tempo que ainda havia amor
Agora rondam os sonhos de quem sonha
E à volta de mim andam os lobos a rosnar
Madrugadas solitárias absorvidas no tempo
Lavram os sonhos de vestes nocturnas
Em lençóis de desejos no leito da paixão
Num suspiro errante murmúrio calado
Andam os lobos sombras que vagueiam indóceis
Nos sonhos de alguém ou não quem sabe
Pelas vértices da alma dentro de um peito vazio
Os versos perdem e os sonhos semeiam silêncio
Onde os lobos rosnam à volta de mim pela eternidade
PALAVRAS DE NATAL
Meu menino Jesus dá-me um cantinho
Para ver as estrelas a brilhar no céu
Dá-me uma prenda mesmo que seja pequenina
E nesta noite de Natal seja de paz e amor
Que o mundo se una em esperança
Num caminho de confiança pelos povos
Meu menino Jesus que neste Natal
A luz penetre na nossa alma e no nosso coração
Como uma brisa de Inverno quente de esperança
Adormecida nas folhas secas sem ilusões
Medos, indiferença, desespero, solidão
Inverno perfumado com muita ternura
Alegria despertada já tão esquecida
Em lamúrias, dores, queixas, falta de fé
Silencia-nos deste caminho sem distracções
Sem receios, sem defesas ou sem medos
Abraçando o nosso encontro com o coração aberto
Nas manhãs risonhas e das noites felizes
Um Santo e Feliz Natal a todos..!
A MENINA E O SONHO DE NATAL
Era uma vez, uma menina
Que gostava muito do Natal
Ela tinha apenas 10 anos
E nesse dia olhou o céu e pediu
Querido menino Jesus iluminai todos aqueles
Que não têm trabalho
E aconchegai todos os pobres
Só pedia que o pai tivesse trabalho
Para que pudesse comprar
A ceia de Natal para toda a família
E um presente, mesmo
Que fosse pequeno e o pusesse debaixo
Da árvore de Natal junto ao presépio
Hoje a menina cresceu e já é mãe
Continua a gostar do Natal como no passado
Lá fora neva e faz muito frio, a lareira está acesa
As crianças cantam com alegria
As canções de Natal em doces palavras
Todos nós trazemos no coração esperança
E partilhamos amor
Para a noite de Natal passada em família
É tempo de celebrar
O nascimento do menino Jesus
Com a generosidade verdadeira
Com espírito natalício nos nossos corações
Aquela menina que cresceu
Tinha no coração apenas um sonho
Que acabasse o ódio e as guerras
Que ninguém nem o cão nem o gato
Estejam sozinhos nesta noite fria de Natal
Feliz Natal ❤️🥰
NA MINHA NUDEZ
Na minha nudez
Que eu seja um poema
Um corpo, uma alma
Que o rio rasga e o mar beija
Que me beija sem dó
Como eu gosto
Na fase da lua
Numa bela poesia
Na minha nudez
Que eu seja uma letra
Um poema, uma palavra
Um corpo, uma alma
Que o rio rasga e o mar beija
Sem dó ou piedade
Como eu gosto
Na fase da lua
Numa bela poesia
QUERO MEU AMOR
Quero os teus beijos ardentes
Para apagar todo o meu desejo
Pois só o teu beijo com língua
É delicioso na minha boca
Nos mordemos, nos amamos
Tu és o poema do meu desejo ardente
Num fogo que arde em mim em poesia.
MEU AMOR GUARDA
Guarda estes versos que escrevi
Pois todos eles falam de ti
Como uma carta que tantas vezes escrevi
Amo-te com a dor, sorrisos e lágrimas
Até onde a minha alma alcança
Com o desejo profundo do meu corpo
Desta paixão sentida na vontade louca de amar
E nestas palavras escritas de mim em ti
Que ao ver-te perco o ar, perco a fala
Mas sem medo de perder a minha sanidade
É por amar-te que escrevo o amor que sinto
Guarda meu amor estes versos de afeto
Afinal tu amas-me como sou, uma imperfeição
Jesus Cristo tu és a minha vida
Tu és o meu amor
Bendito sejas que entraste
Na minha vida
Para me salvar das trevas
Sangue de Jesus Cristo salvai-me
Guarda estes versos que escrevi
Pois todos eles falam de ti💕
Como uma carta que tantas vezes escrevi
Até onde a minha alma alcança ღ❤
E nestas palavras escritas de mim para ti♥
DÓI-ME TANTO
Dói-me o cansaço que trago em mim
Dói-me a obrigação de reviver a dor
Dói-me o suicídio nostálgico imposto
Dói-me cada passo que dou sem fé
Dói-me o pesar que me tolhe a voz
Dói-me não amar como desejo amar
Dói-me a ilícita dor que me consome
Dói-me este ópio agarrado à minha pele
Dói-me os sonhos levados pelo vento
Dói-me os castigos que a vida me tem dado
Dói-me este combate desigual todas as noites
Dói-me o luto contra o pior dos inimigos
Dói-me este meu remar contra a maré
Dói-me para me libertar deste eterno mal
Dói-me a insónia até de madrugada
Dói-me o sangue derramado no corpo vazio
Dói-me a secura da boca do vinho azedo
Dói-me ouvir as queixas a quem roubaram a vida
Dói-me as palavras gritadas em versos
Dói-me as lágrimas derramadas em silêncio
Dói-me no fundo a secura das despedidas
Dói-me a palidez dos rostos em saudade
Dói-me ver os amantes da noite em desamor.
MEU AMOR
Chocalha o meu silêncio
Nas palavras que devoram as lágrimas
Que saltam dos teus olhos
Salgadas como o mar
Nos sonhos a transbordar
Poesia.╰⊱♥⊱
Ser mãe é descobrir forças
Que achávamos
Que não tínhamos
É amar e saber lidar com os medos
Que pensamos não existir
Rezo com devoção
Rezo com amor
Rezo com sentimento
Esta oração 🌺
Com o terço na mão
Bendita sejas Maria
Minha mãe querida
SOU O TEU DOCE
Sou doce, suave, sou eu o teu vinho
A tua taça em desejo e tu és o meu labirinto
A voz que arde em mim e me dá asas nas videiras
Por entre o jardim dos abraços onde descansas o corpo
Dormindo de beijadas palavras, chega o amor
E sobra-me o corpo no prazer que nunca acaba
Afagos que nos alimenta neste videira de frutos
Onde eu sou o teu vinho e tu o néctar que eu mais desejo
E sim habituei-me a ver-te com o sol
No jardim dos afectos, giz do sono que chegam
Pelas cores das flores nos parágrafos do tempo
Entre a neve do teu corpo no linho plantado na serra
Saliva de um rio que deseja amar o corpo em loucura
Todos os laços do mar, se hoje estive nos teus braços
Corria pelo linho plantado entre o sonho e o sono
Desejando apenas estar nos teus abraços e nos teus lábios
Regaço de belas rosas, corpos suados entre a seda
Vou colher o trigo como se da tua boca
Me queimasse a dor que sinto e dormir nos teus olhos
Amando-te mais para colher as palavras beijando-as em cristal
Sou eu o teu vinho doce, suave a tua taça em desejo!
