Poesia Morena Flor de Morais
Se Fernanda Torres interpretasse a dona de casa Quininha, cuidando de seis meninos com apetites insaciáveis e de um marido turrão, com certeza ganharia um Oscar.
Benê
Não sou de esquerda, direita ou centro, sou independente; torcendo por um país sem fome e sem necessidade de esmolas.
Benê
A companhia humana e o afeto são conceitos distintos. Mesmo entre centenas de pessoas, é possível se sentir solitário.
Benê
Quando os políticos brasileiros abrirem mão de seus salários astronômicos pagos pelo proletariado, começarei a acreditar na ideologia política.
Benê
No governo, são trinta e nove ministérios; como mantê-los? Quem paga as contas? Eis o mistério!
Benê
Nenhum governante possui mandato divino para deportar pessoas, tratando-as como descartáveis. Deus cobrará por isso.
Benê
Quarenta juízes, de cinco tribunais diferentes, receberam, no mês de dezembro, salários acima de 500 mil reais. A lei é para todos, mas a justiça parece ser apenas para meia dúzia.
Benê
Um policial prendeu um traficante, e eu clamei pelos direitos humanos; 88 patrícios foram deportados pelo Trump algemados nos pés e mãos, e eu fiquei de bico calado. Como sou hipócrita.
Benê
Sempre sonhei com um mundo sem fronteiras, sem passaportes, um mundo sem donos, um mundo que seja de todos, um mundo do mundo.
Benê
Quando você acha que é dono de alguma coisa, lembre-se de que não somos realmente donos de nada; somos apenas depositários fiéis de Deus.
Benê
Um lugar comandado por uma pequena elite de "coronéis" (donos do lugar) está condenado ao subdesenvolvimento.
Benê
O QUE A GENTE FAZ COM A DOR
Feridos, todos nós somos. Já fomos duramente golpeados quando estávamos mais felizes e distraídos. Já experimentamos a dor de ver a nossa confiança mais pura e amorosa ser machucada. Já sofremos perdas que devastaram temporadas de jardins. Já fomos atingidos pela fúria de tempestades repentinas que alagaram as ruas todas do nosso rosto. Já nos sentimos sozinhos nas
trilhas da mata cerrada da alma, em longas noites escuras, expostos aos perigos reais e imaginários, nenhum vestígio de sol.
Nunca conheci uma única pessoa que não traga no coração uma dor em carne viva, um pranto que ainda escoa em silêncio ou uma cicatriz para sempre falante. O que varia é a maneira que cada um de nós escolhe para lidar com isso a cada instante que o tempo desembrulha. Um jeito é, ainda assim, investir na vida; outro, é investir na morte. Um jeito é, por causa de tudo, alimentar mais o medo; outro, é, apesar de tudo, alimentar mais o amor. Nenhum deles é fácil, mas a paisagem de cada caminho é diferente.
(Extraído do livro "Cheiro de flor quando ri", Ana Jácomo)
Flor de caverna
Fica às vezes em nós um verso a que a ventura
Não é dada jamais de ver a luz do dia;
Fragmento de expressão de ideia fugidia,
Do pélago interior boia na vaga escura.
Sós o ouvimos conosco; à meia voz murmura,
Vindo-nos da consciência a flux, lá da sombria
Profundeza da mente, onde erra e se enfastia,
Cantando, a distrair os ócios da clausura.
Da alma, qual por janela aberta par e par,
Outros livre se vão, voejando cento e cento
Ao sol, à vida, à glória e aplausos. Este não.
Este aí jaz entaipado, este aí jaz a esperar
Morra, volvendo ao nada, – embrião de pensamento
Abafado em si mesmo e em sua escuridão.
Entre Flor e abrolhos
És a rosa
Rosa dos meus sonhos
Mágica...
Floriu em minhas mãos
Em uma estação...
Era de noite
Abriu-se
Entre as hastes
Dos dedos
Que tocava.
Flor rara!
Mas carrega em si abrolhos
A ferir-me.
Não sei quantas noite
Eu chorei
Desde que te toquei.
Quero amor os teu amassos...
Dorme feliz em meus braços
Sou tua flor e anjo amigo
Vem me dar aquele abraço
Vem fazer amor comigo
Eu quero amor teus amassos
Vem beijar meu pé d'umbigo
Vem se prender em meus laços
Me proteger do perigo
Tu me caças eu te caço
Eu te guardo em meu abrigo
Tu me traças eu te traço
Feito fruta em pé de figo
Vem beijar meus pés descalços
Vem lamber da fruta o visgo.
Triste beija-flor...
Nos espinhos dessa vida me feri
Simplesmente por amar de mais a flor
Que é mulher do bem-te-vi
Ah meu Deus! Como me dói essa dor
Que grita dentro de mim
Sou um céu sem esplendor
Sou roseira sem jardim
Sou frio querendo calor
Sou lábios dizendo sim
Sou perfume sem olor
O gosto forte do gim
Sou folha seca sem cor
Sou o triste beija-flor
Sou o começo do fim.
Flor
Teu colibri não foi embora
Flor
Tens um futuro lindo
Flor
Conhecerás tantos cravos
Flor
Terás outros reencontros
Flor
Talvez ainda seja amor
Flor
Pode não ser mais igual
Flor
Seja como for
Flor
Não desista do seu jardim
Sorria, menina flor
Seu sorriso encanta
Sua alegria transforma
Sua alma apaixona
Sua força é seu amor
Não guarde seu talento
Não prenda sua voz
Seu conto é alimento
Seu dom é o poema
Sua visão inspira
Sua semente é sentimento
O amor é o carinho,
É o espinho que não se vê em cada flor.
É a vida quando
Chega sangrando aberta
em pétalas de amor
