Poesia Morena Flor de Morais
Quanto tempo passara ali, entre idas e vindas de pessoas aguardando o momento de partir, ruminando pensamentos do que se foi e do que há de vir.
Envolta numa maré de rostos esperançosos, entristecidos, cansados... A rotina nos alcança todos os dias.
Encontramos durante as horas, porém, pequenas doses de alegria, motivação e encanto que tornam a batalha diária menos exaustiva. Que bom!
Esses pequenos momentos entre o embarque e desembarque, até durante a jornada, não são desperdiçados
Tudo pode acontecer, assim como o seu oposto é verdadeiro. Todo tempo é momento de reconhecer a vida.
Coleciono sonhos, amores, cicatrizes.
Toda e qualquer variação do que fui ainda reside em mim.
As decepções e dores passadas, não foram compensadas pelas alegrias de agora. Talvez, nunca serão.
Entretanto, sinto que as primeiras vão perdendo sua força, pouco a pouco, e já não incomodam tanto.
Já as alegrias, essas parecem iluminar mais forte a minha alma, como se eu pudesse percebê-las com novos sentidos.
Descubro em cada caminho novidades e destinos. Existem coleções inéditas a serem formadas.
Vem sorrir para mim, ao meu lado, a cada dia.
Deixa teus olhos encontrarem nos meus as verdades que não consigo dizer.
Encontra em mim a parte que te pertence, deixa-me encontrar em você o reflexo de mim.
Fale-me sobre as coisas que ainda não sei, e escute: eu tenho muito que dizer. Ame quem sou pelo que você é. Então, logo, amar-te-ei com tudo o que eu sou.
Na superfície dura e fria do espelho, o reflexo embaçado de um rosto me encara de volta.
É uma visão turva de uma expressão duramente composta, criada com o propósito de aparentar uma natureza distante daquela que atormenta o meu íntimo.
Uma caricatura do eu, imagem vendida por mim e aceita pelos outros.
Mandíbula cerrada, sorriso composto, postura altiva e determinada. É o suficiente. Embalagem perfeita para a vitrine da vida, mais uma na prateleira de objetos inanimados esperando receber qualquer estímulo externo, ou ganhar vida.
Fragmentos de Saudade: A Força Que Nasceu da Ausência
Os dias se arrastam, memórias perdidas,
Momentos roubados, palavras omitidas.
Cresci sem seu riso, sem seu olhar,
Aprendi a caminhar, sem suas mãos para guiar.
Carrego no peito um peso invisível,
A falta de um pai, um amor imprevisível.
Os dias passaram, e o vento soprou,
Levando com ele o que nunca ficou.
Mas na ausência, também cresci,
Entre as sombras, me refiz.
Carrego comigo a força que criei,
No abraço que não veio, o amor que inventei.
E hoje, eu sigo, apesar do que foi,
Com a certeza de quem sempre se constrói.
Pai, sua ausência foi dor e lição,
Mas aprendi a amar com meu próprio coração.
Entre o céu e a terra, um abismo constante,
Entre pai e filho, um laço distante.
Faltou você nas tardes de sol, nas noites de medo,
Faltou a mão firme, faltou o seu dedo.
E apesar de tudo, aprendi a crescer,
Com cicatrizes de ausência, mas vontade de vencer.
Hoje sigo meus passos, sem olhar para trás,
Levo comigo a coragem de seguir e ser capaz.
Porque mesmo sem você, pai, me fiz inteiro
Um mosaico de força, dor e desespero.
E no meio do caminho, encontrei meu valor,
Não sou a falta que ficou, sou a vida que restou.
Se um dia inteiro
Se um dia, em um dia inteiro,
Se neste dia, acontecesse como eu quisesse,
Tudo seria do nosso jeito,
Tão cedo, mais que amanhecesse.
E tão poder, paupérrima, seria a tristeza,
Que não se faria jus à ela se intrometer
em incomodar este dia de eterna beleza,
E de constar a ver todo o nosso amor florescer.
Para que não se sofra a metamorfose da vida,
Tudo então pararia, o vento, os rios, o tempo,
Tocariam então incertos anjos da bela comitiva,
Os belos anjos dos mais simples sentimentos.
Cada sentimento meu não se alcança,
O que pode me demonstrar toda a felicidade,
Se de repente o seu olhar, você me lança,
Eu só lhe digo porque te amo de verdade...
O Ódio de Liz Albuquerque
Que orgulho Liz Albuquerque sente de seu ódio. Um ódio desbravador, engajado, perspicaz; um ódio que ergue bandeiras, cria movimentos, causa desordem, desvia e encerra caminhos, abre esgotos a céu aberto.
Liz Albuquerque é o pseudônimo de Maricleide Rocha da Silva. Seu ódio ilustra manchetes, concede entrevistas, lê, escreve, desenha, pinta, esculpe, canta, dança, encena, sai de cena, ampara, abandona, prende, liberta, cura, planta, replanta, mata, desmata...
Odiosa e temida, a ativista é dada a lacres e clichês virtuais.
O ódio de Liz Albuquerque, não é um ódio qualquer, um ódio a ser desprezado, ou confrontado.
Não e não! Seu ódio, embora paciente, é justo, certeiro, impiedoso e livre de remorsos.
É preciso odiar muito para sobreviver ao ódio de Liz Albuquerque.
Mudar o "eu sou" por um "eu fui" em uma situação passada, faz diferença.
— Não é mais preciso colocar tanto peso nos pecados do passado.
Abriram-se os portões da palavra:
Enquanto houver o que pensar, haverá o que escrever, dizer e representar.
Existindo alguém para a escrita,
A escrita abrirá caminho para alguém.
O que é essa sensação que me toma?
Que me faz caminhar mais leve e não me
Preocupar tanto com a direção?
Meus ombros já não estão tão curvados,
Minha mente é como um lago tranquilo e claro.
Os pensamentos não fogem do negativismo,
Senão o acolhem e tranquilizam:
“Vamos ficar bem, tudo se ajeita!”.
O tempo muda tudo,
Ou pelos menos tenta.
Construímos amizade em meio às diferenças entre nós,
Entre risos e discórdias, entre confissões e perdões…
Cada uma tinha um universo inteiro para demonstrar à outra,
Porém, partes desses universos eram lugares comuns e, por estes existirem, foi como se encontrar em outra pessoa.
Sabe-se que a vida te leva para lá e para cá, sozinha para realizar seu próprio caminho,
Entretanto, as amizades em sua jornada te acompanharão, compartilhando tesouros inestimáveis sem pedir nada em troca,
Assim como vocêfaráporestas e outraspessoas.
Uma amizade autêntica é mais do que um tesouro inestimável, elatemodomdeiluminarumavida.
É como uma chama flamejante eternamente ondulando dentro de minha mente, com seus tentáculos que hora tocam, ora agarram firmemente o meu ser.
Sufoca, inspira. Necessita de ação.
Agonia é como viver só por estar vivo, sem sonhos ou desejos para realizar.
É um sentimento rápido para conseguir, difícil para deixar partir. É uma sensação turva e arraigada; sinônimo de desespero.
Agonia é a perca da paz e o ganho da urgência.
A beleza atraí, fascina e desenvolve o amor, que amadurece. Eternizando a beleza, de modo, que nem mesmo o tempo pode deteriorar.
Oliveira, Thiago Silva.
20 de outubro, dia do Poeta
Eu fiz dela meu refúgio
Ela fez de mim seu lar
Nós amamos em cada estrofe
Ela sublime
Eu perdido
Ela alimento
Eu fome
Ela imensidão
Eu tão pouco
Ela poesia
Eu louco.
Fetos ansiosos perfurarão as prenhas para testemunhar a chuva de meteoros invocada pela nossa troca de olhares. A ideia de um olá criará ciclones em Gravatá. Jorrará vida suficiente para reflorestar o sertão.
Será uma quarta-feira.
Vida…
Continue sendo essa espécie de encanto,
Essa criação mágica que deus criou,
Seja sempre dona desse sorriso dócil.
Exposição da beleza e do amor,
Seja sempre essa diva no dia a dia,
E com essa leveza de harmonia
Seja sempre esse ser encantador.
Black Orchid feita de mistério
na essência o Universo
e abrindo o palimpsesto
do desidério em silêncio.
Serpenteia a Via Láctea,
ninguém detém as auroras
e nem do destino a escolha
do absoluto quais serão as rotas.
Aquilo que tece o inevitável interior
e o reconhecimento do que é
de predestinação fortalece o amor.
Pacto intacto com o inabalável
nosso hemisférico laço de titânio
com o quê há de mais romântico.
O ideal
é a gente se encontrar
parar pra conversar
tomar um chá
Temos muito pra falar
da vida, de lugares
na verdade o ideal
é matarmos a saudade
O ideal
é nos abraçar
deixar as ideais fluirem
sorrir, ser feliz.
O ideal
é a gente se envolver
deixar acontecer
viver.
"Moça"
Moça, bela moça
O que fazes sozinha
Nessa noite tão escura?
Moça, bela moça
Com essa pele tão pálida,
Fazes o papel da Lua.
Moça, bela moça
Cuidado com a rua escura,
Pois não passa carro, nem pessoas.
Moça, moça bela
Descalça no chão frio,
Com tua velha vestimenta amarela.
Moça, moça bela
Sinto falta da sua presença
E das decorações tão sinceras.
Moça, moça bela
Não vá tão depressa,
Pois, assim como o tempo,
Os carros não esperam.
Moça! Moça!
Mas que decisão louca!
Por que não olhaste para os dois lados da rua?
Moça! Moça!
Logo uma semana antes do nosso casamento,
Nosso "feliz" 3 de setembro...
Moça... Moça...
Hoje só resta tristeza,
Chorando em frente ao seu caixão,
Em plena sexta-feira.
Teu Sorriso é O Céu
Eu te vi chegar como quem não quer ficar
Baixinha, pretinha, mas com força pra impactar
Teu sorriso é fogo, queima sem avisar
E nele eu vejo Deus, mas também sinto pesar
Teu sorriso é tempestade, vai e vem, sem direção
Cada vez que te olho, perco chão, perco razão
Teu olhar me desafia, teu silêncio grita mais
E o que resta em mim é só vontade de paz
Cada riso teu é metade do que não entendo
Teu silêncio é arma, teu mistério é veneno
Mas sigo, tropeço, e volto a levantar
Porque há algo em ti que me faz continuar
Teu sorriso é tempestade, vai e vem, sem direção
Teu sorriso é tempestade, vai e vem, sem direção
Cada vez que te olho, perco chão, perco razão
Teu olhar me desafia, teu silêncio grita mais
E o que resta em mim é só vontade de paz
És contradição, entre luz e escuridão
No teu sorriso encontro o caos e a redenção
Sou refém desse jogo, dessa dança sem fim
Mas ao final do dia, ainda volto pra ti
Teu sorriso é tempestade, vai e vem, sem direção
Cada vez que te olho, perco chão, perco razão
Teu olhar me desafia, teu silêncio grita mais
E o que resta em mim é só vontade de paz
