Poesia Morena Flor de Morais
Deus fez o homem a sua semelhança, e o homem contemporâneo fez de Deus um pequeno boneco inflável e o colocou preso em um pote de vidro.
Um Deus que só a eles pertencem
Um Deus que eles próprios colocam palavras em sua boca
Um Deus que não tem voz e nem vez
Um Deus que eles pintam e bordam
Um Deus enfeitado de fantasias
Um Deus que eles próprio ditam suas regras
Um Deus que não pode se manifestar no inferno ou até mesmo ir ao inferno
Um Deus que tem seu preço
Um Deus ao mesmo tempo intocável
Um Deus que só pertence ao mundo deles
Um Deus limitado demais, pra caber em um mundo infinito.
Quem me dirá se as lágrimas que caíram dos meus olhos eram bem mais profunda do que o oceano que me banhava?
Quem me falará se o pequeno pedaço de chão onde meus pés pisaram era bem mais firme que as ondas da maré que vinha constantemente me bater onde naufraguei?
Quem adivinhará se morri ou sobrevivi naquela profundeza de um mar profundo que me lançaram? Ah! e o ar que eu prendi me diz tantas coisas (...) uma delas que estou vivo!
Me leva Deus para onde a escuridão habita, e que as tuas resplandecentes estrelas me faça enxergar todos os dias o quão raro e belo é o fato de tu existir . Onde a leveza do vento me faça sentir seu toque a me acariciar.
Onde o silêncio me faça ouvir sua doce voz a sussurrar aos meus ouvidos. Onde a nascente do amanhecer me acorde todos os dias com os cantos dos pássaros a anuciar que à minha vida continua. Onde o tempo não me encontre. Onde o aroma do lar seja apenas das flores. Onde a fonte da água viva possa me afogar todos os dias sem me matar. E que minha fome seja saciada todos os dias pela tua graça.
Com um gesto fulgurante o Arcanjo Gabriel
Abre de par em par o pórtico do poente
Sobre New York. A gigantesca espada de ouro
A faiscar simetria, ei-lo que monta guarda
A Heavens, Incorporations. Do crepúsculo
Baixam serenamente as pontes levadiças
De U.S.A. Sun até a ilha da Manhattan.
Agora é tudo anúncio, irradiação, promessa
Da Divina Presença. No imo da matéria
Os átomos aquietam-se e cria-se o vazio
Em cada coração de bicho, coisa e gente.
E o silêncio se deixa assim, profundamente...
Mas súbito sobe do abismo um som crestado
De saxofone, e logo a atroz polifonia
De cordas e metais, síncopas, arreganhos
De jazz negro, vindos de Fifty Second Street.
New York acorda para a noite. Oito milhões
De solitários se dissolvem pelas ruas
Sem manhã. New York entrega-se.
Do páramo Balizas celestiais põem-se a brotar, vibrantes
À frente da parada, enquanto anjos em nylon
As asas de alumínio, as coxas palpitantes
Fluem langues da Grande Porta diamantina.
Cai o câmbio da tarde. O Sublime Arquiteto
Satisfeito, do céu admira sua obra.
A maquete genial reflete em cada vidro
O olho meigo de Deus a dardejar ternuras.
Como é bela New York!
Aço e concreto armado
A erguer sempre mais alto eternas estruturas!
Deus sorri complacente. New York é muito bela!
Apesar do East Side, e da mancha amarela
De China Town, e da mancha escura do Harlem
New York é muito bela! As primeiras estrelas Afinam na amplidão cantilenas singelas...
Mas Deus, que mudou muito, desde que enriqueceu
Liga a chave que acende a Broadway e apaga o céu
Pois às constelações que no espaço esparziu
Prefere hoje os ersätze sobre La Guardia Field
Vinícius de Moraes
Crepúsculo em New York
Rio de Janeiro , 1954
"Há aqueles que se bastam com o grão de mostarda e aqueles que necessitam do Cosmos...
Há aqueles que creem sem saber e aqueles que sentem a necessidade de saber para poder crer."
Os cães uivavam no alto do morro, a luz da lua transpunha a resistividade das nuvens e lá embaixo, a carruagem passava sob o clarão do luar.
(José Nilton de Faria)
Não devemos fazer do conhecimento um fim, devemos fazer do conhecimento um meio.
Um meio de se conseguir desenvolvimento sustentável, um meio de se combater a fome, a pobreza e a miséria no planeta.
Para uma vida feliz, alegre e saudavel, ao amanhecer contemple o verde das plantas, o azul do céu, o cintilar das aves, a manifestação da vida e agradeça o criador. Alimente-se bem, movimente-se, preencha seu dia com atividades criativas e produtivas e ao anoitecer, contemple o firmamento, um céu estrelado, o manifestar da vida e agradeça o criador pela lei eterna e universal que mantém todo esse equilíbrio em perfeita harmonia e extraordinário.
(José Nilton de Faria)
A FÁBULA DO GUANDU E O PÉ DE BOLDO
Até uma certa altura eles cresceram próximos, bem juntos e mantiveram o mesmo tamanho, o Guandu e o pé de Boldo, mas como as espécies possuem naturezas diferentes, o Guandu precisava crescer e se tornar árvore, mas veio o impasse, se a planta crescesse na mesma posição vertical a qual se encontrava, naturalmente que seu largo caule engoliria e mataria o pé de Boldo pois os mesmos estavam muito próximos, portanto a partir de uma certa altura equidistantes o Guandu despediu-se do pé de Boldo, inclinou-se cuidadosamente num ângulo próximo de 45° tomando o cuidado de não tombar e ao mesmo tempo poupar e salvar seu amigo pé de Boldo e o Guandu tornou-se uma árvore explendorosa com suas maravilhas de flores, mas em sua memória seu amigo pé de Boldo jamais será esquecido.
No horizonte, no mais completo silêncio, o astro rei põe-se para o hemisfério sul e nasce para o norte.
Contudo, na trajetória solar rumo ao escuro, o hemisfério austral tem a certeza de que, em questão de horas, o magnificente Sol voltará a iluminar com toda sua energia e exuberância.
DEPOIS DA CURVA, HÁ UM RIO
Pouco importa o sol ardente,
O rosto molhado e a garganta seca;
Pouco importa a poeira da estrada,
Os pés descalços e as pedras no caminho;
Pouco importa o andamento sem fim,
As pernas cansadas e o quase parar;
Pouco importa as quedas sofridas,
Os laços desfeitos e o tempo perdido;
Pouco importa o pensamento distante,
A saudade no peito e a incerteza constante;
Pouco importa se a vida é dura,
Os sonhos são muitos e o tempo é pouco;
Depois da curva, há um rio.
1968 - AI, Brasil...
Gritos mudos,
Mudos, calados,
De tantos gritos,
Roucos, sem eco.
Olhares cegos,
Cegos sem olhos,
Mirando um sol;
Grande sol apagado.
Ouvidos surdos;
Tapados porque
Não conseguem ouvir
Os morcegos gigantes.
Mortos vivos,
Vidas mortas,
Querendo viver;
Apenas viver.
Muitas vezes, mesmo discordando, precisamos aceitar. Diminui a dor e favorece a manutenção da paz.
Nenhuma mulher pode tolerar qualquer tipo de agressão física de seu esposo ou companheiro, nunca; jamais. Se, por infelicidade, acontecer uma vez, que seja, definitivamente, a última.
ASSIM NASCERAM NOSSOS FILHOS
Em vastas noites tranquilas,
Gotinhas de orvalho caíram,
Do céu, buscando uma flor.
Desceram, em paz, perseguindo
O botão de uma rosa se abrindo,
Num jardim cheinho de amor.
E ali fizeram morada,
Na rosa mais perfumada,
Mais bela e mais singular.
Irradiando alegria,
Felicidade e harmonia
Em minha vida, em meu lar.
Após longos anos de ausência, perguntei ao meu velho avô:
- O que aconteceu por aqui? Por que nossos campos já não são mais belos?
Com a mesma simplicidade de sempre, ele respondeu-me, sem demonstrar qualquer espanto:
- Não houve nada, meu filho. Foi você que cresceu tanto, que já nem consegue mais ver as coisas que antes sentia.
MINHA ROSEIRA
Tu és a rosa que me encanta;
Teu cheiro purifica meu corpo;
Teu verde me faz sentir o amor e a esperança.
Tua paz, pequena grande sombra;
Teu corpo meu, forte frágil caule,
Ensina-me a levar...
Em teu colo, quando me abraças,
Vivo sonhos, sou orvalho em pétalas,
Felicidade refletida...
Além de mãe, és mulher e és guerreira.
Fiéis são teus espinhos que me protegem
Nas batalhas dessa vida.
Teus frutos, também meus frutos; nossas plenas vidas.
Tu és, amor, roseira, uma existência maior;
Tu és, amor, meu anjo, a vida que me faz ser;
Tu és, minha querida, o bem que me faz viver...
MINAS ETERNA
Minas dos sinos que tangem
E despertam vida em nós,
“Libertas quae sera tamen”,
Terra de grandes heróis.
Minas de ouro e rosas,
De sítios e ruas formosas,
Por onde a história passou...
São tantos os teus segredos
Que, aqui e no degredo,
O tempo nunca apagou.
Rios, vales e montanhas,
Os filhos dessas entranhas
São pássaros, são Minas Gerais.
Minas de sonhos imortais,
Do pássaro, doce canção;
Do poeta, a inspiração;
Dos homens, mil ideais.
Minas de igrejas e arte,
Espelhos em todas as partes
Refletem os caminhos teus;
Nos passos da Inconfidência,
Buscando a independência
Com as mãos benditas de Deus.
Rios, vales e montanhas,
Os filhos dessas entranhas
São pássaros, são Minas Gerais.
“Não Busco a Minha Vontade, Mas a Vontade do Pai Que Me Enviou”
“Devemos sujeitar nossa vontade à Vontade do Pai e perguntar: ‘Qual a vontade do Pai, a quem viemos ao mundo para servir?’ Então seremos bem-sucedidos em tudo o que fizermos.”
