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O erro comum é tratar a Bíblia como um livro que fala apenas sobre Deus. Ela fala também sobre você. Sobre seus mecanismos internos. Sobre seus padrões de fuga, de orgulho, de medo, de negação. Os personagens não são apenas figuras históricas. Eles são arquétipos psicológicos. O traidor vive em você. O justo vive em você. O covarde vive em você. O fiel vive em você. E o conflito entre eles é diário.


Quando alguém afirma que sua interpretação é a única correta, essa pessoa revela mais sobre sua necessidade de controle do que sobre o texto em si. A Bíblia não se submete ao ego humano. Ela o atravessa. Ela o expõe. Ela o relativiza. Não existe leitura neutra. Toda leitura passa pelo filtro da história pessoal, das feridas, das crenças, das defesas. Por isso, duas consciências diante do mesmo versículo jamais estarão no mesmo ponto.


Isso não significa que tudo é relativo ao ponto de não haver verdade. Significa que a verdade é grande demais para ser capturada de uma vez só. Você acessa fragmentos conforme sua capacidade de sustentar aquilo que vê. O arquiteto do universo não errou ao fazer assim. A perfeição não está na rigidez. Está na adaptabilidade simbólica. Um texto que ainda conversa com você milhares de anos depois não sobreviveu por acaso.

Nós não estragamos nada além do que (frase clichê aqui, enquanto leio o livro, do cantor favorito) já estava premeditado a se estragar ou estragado já estava.


Não vivemos nada melhor do que o melhor se vive entre amantes que se amam com amor, ardor e paixão (ressalvo a cumplicidade ímpar. Essa é difícil de se ver por aí nas esquinas e acho que foi única no jeito que a vivemos).


Não nos odiamos em nenhum menor grau do que aqueles amantes egoístas são capazes, quando não sabem viver e lidar com suas paixões.


Assim fomos, assim somos (quem sabe?) e assim guardarei na memória (sempre a vida me arma essa isca) de pensar em nós.

O POEMA DA LIBÉLULA.
Do livro: Evoca-me.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Nasci do lodo, húmido e profundo,
Para morrer no cárcere do ar;
Sou célula fugaz deste segundo,
Que o Tempo vem, sem dó, pulverizar.
Meu voo transluzente e vacilante
É a anatomia efêmera da luz;
Cada fulgor, no espaço agonizante,
É um réquiem que o Invisível traduz.
Trago nas asas lívidas nervuras,
Mapas da Morte em cálido esplendor;
São filigranas, frágeis arquiteturas,
Tecidas pela mão da própria Dor.
A Vida é só crisálida incompleta,
Que a Entropia insiste em consumir;
Toda esperança é pálida cometa
Condenada ao vazio de cair.
Não há vitória sobre o pó terreno,
Nem eternidade na matéria;
Todo esplendor culmina em torvo aceno,
Todo perfume expira em paz funérea.
Ó homem, irmão da cinza e da ruína,
Por que blasfemas contra a decomposição?
A sepultura é lógica divina,
E o verme o sacerdote da criação.
Quando eu tombar no espelho do alagado,
Sem pompa, sem memória e sem clarim,
Serei apenas átomo calado,
Voltando ao pó que sempre houve em mim.
Mas, enquanto meu frágil voo perdura,
Risco no azul um último arrebol;
Pois até a mais efêmera criatura
Reflete, por um instante, a luz do Sol.
Se alguém contemplar meu voo derradeiro,
Não chore o fim que a Natureza deu;
Toda libélula é uma espécie de coveiro
Sepultando um crepúsculo no céu.
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Neste exato momento, se o livro da vida me concedesse um único desejo, eu não hesitaria: pediria para me transformar em um pequeno passarinho — discreto, de asas firmes e coração leve. Voaria pelos céus em silêncio, guiado apenas pelo desejo de pousar suavemente em sua janela. Ali, por breves segundos, eu te observaria com ternura, sem perturbar tua paz, apenas existindo na tua presença.

Mas não seria um pássaro qualquer. Carregaria comigo uma fragrância singular, sutil e envolvente — um aroma que ninguém mais poderia perceber, exceto você. Ao senti-lo, teu coração reconheceria, sem dúvida, que aquele instante, aquele voo, aquele perfume... era meu. Leoni T. Steil

⁠Talvez não haja
livro mais bobo
do que o
“Livro Aberto”
da nossa própria vida.




Pois, não há imaturidade maior que colocar nossa história nas gôndolas das curiosidades.




Não por falta de páginas, mas por excesso de exposição.




Há histórias que não foram feitas para vitrines, mas para travesseiros.




Não pedem aplausos — pedem silêncio.




Não querem curtidas — querem maturidade.




Transformar a própria trajetória em material de exposição na gôndola de curiosidades é — no mínimo — confundir transparência com exibicionismo, sinceridade com carência e coragem com imaturidade.




Nem tudo o que vivemos precisa ser explicado.




Nem toda dor precisa de plateia.




Nem toda vitória precisa de testemunhas.




Há capítulos que só fazem sentido quando lidos absolutamente em segredo.




E há aprendizados que se perdem no instante em que viram espetáculos.




A vida não é um Livro Aberto.




É um manuscrito sagrado, com trechos que só o tempo, a consciência e Deus têm permissão de folhear.⁠

📄 A regra de ouro de qualquer intelectual:ler uma página de um livro por dia.


📝 Nota: ler de um a cinco livros diferentes ou similares. 📚

Sinais do tempo

O vento se insinua e move delicadamente
As páginas desnudas e simples do livro
Sobre a bancada de madeira
Descansa ao lado do balanço
Se movimenta lentamente como num ressoar.

As páginas amareladas com sinais do tempo
Trazem a nostalgia de um passado
Contam as histórias de cada personagem
Lembradas com carinho dos
Momentos vividos intensamente.

O vento se mistura com o suspiro da morte,
A justiça invisível ouve suas lamentações
À distância os deuses louvam o momento,
A vida peregrina pelos campos desertos
Enquanto as almas procuram o descanso...

O livro continua sobre a bancada
Aguardando a companhia de alguém distante
Que talvez não volte mais.
Suas paginas melancólicas suspiram ao ver
Que o balanço continua solitário ao seu lado.

A VIDA É UM LIVRO ABERTO

A vida é um livro aberto. Cada página um aprendizado, uma receita, uma dica. Depende de nós seguirmos ou não as receitas. Às vezes a receita é doce, noutras vezes salgadas e noutras, amargas e picantes. Vai do tempero que colocamos e do tempo que dispomos para prepará-las. Assim, são as receitas que a vida dispõe no seu livro, cheias de mistérios, toques e imaginações. Depende de nós sabermos prepará-las.

O tempo guarda nas mãos a chave da nossa felicidade.
Rita Padoin


Do livro "Entrelinhas"

Quando compreendermos o grito do silêncio, compreenderemos todo o resto.
Rita Padoin


Do livro "Entrelinhas"

Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro foram escritos todos os meus dias,
quando nenhum deles havia ainda.”


“Deus já sabia que Davi seria rei antes mesmo de nascer, porque todos os dias da nossa vida estão escritos no Seu livro.” (Salmo 139:16)

O livro de Jonas nos lembra que o maior milagre não foi o grande peixe nem a planta que nasceu; foi um Deus cheio de misericórdia insistindo em transformar tanto os ninivitas quanto o coração do próprio profeta.
miriamleal

⁠Olham e anotam tudo aquilo que eu faço
Mas no livro deles, adivinha? Fracasso!
Vão sempre te apontar, ou tentar te encaixar
Mas no fim eles só querem alguém pra machucar
Discurso falso com promessas falsas
Até quando aguentar esse monte de farsa?
É a cidade do bem que faz mais um refém
Não se importam, a pátria amada para quem?
Só que vida segue e é bem mais que isso
Mais que a luta pra não ser só mais um fodido
E é pra não esquecer, não deixar de correr
Não queremos vida plebe, não cabe a você

- Reis Do Amanhã

Hoje é o Dia do Leitor: quem não lê pelo menos um livro por ano, limita os caminhos da própria vida.


Benê Morais

Um senhor me pediu um livro. Alguém retrucou: "Mas ele não sabe ler". O senhor, humildemente, respondeu: Peço a alguém que leia para mim". Afinal, o verdadeiro analfabeto é aquele que não se interessa em aprender


Benê

⁠Livrai-me, Senhor, do militante fanático; já que do candidato salvador da pátria, livro-me eu.


Benê Morais

Capítulo XIX
ONDE NADA FICARÁ, EXCETO O QUE NÃO FOI TOCADO.
Livro: Não Há Arco-iris No Meu Porão.
Autor:
* Escritor:Marcelo Caetano Monteiro

* Joseph bevouir - Escritor.

“Entre mim e Camille, não há distância. Há reverência.”
— Joseph Bevoiur, pensamento não pronunciado, jamais escrito.

Não haverá eco.
Não haverá papel amarelado,
nem vestígio deixado entre tábuas podres ou livros ressequidos.
Nada restará ao mundo
daquilo que entre nós jamais foi dado,
e por isso permanece.

O que houve se é que se pode chamar de haver não se dobra em datas,não cabe em epitáfios,
não tolera testemunhas.

Foi um amor tão absoluto
que não ousou acontecer.

E é por isso que resiste.

Pois tudo o que se consuma,
morre.

Camille Marie Monfort existe em mim como um cântico que jamais foi entoado,mas que ressoa em cada vértebra da minha alma.

Não se toca Camille.
Ela não habita o passado, nem o futuro.
Ela está no centro exato da ausência.

Cada vez que tentei nomeá-la,ela me escapou.
Cada vez que a desejei,
ela me silenciou.

E por isso a amo.
E por isso não a tenho.

E por isso — ainda assim sou inteiro com ela.

(Este capítulo não será encontrado. Ele apenas acontece quando alguém o sentir e depois, se dissolve. Assim como ela.)

FELICITA O TEU DIA.
Do Livro: Florais do Evangelho.
Pelo Espírito: Catarina Labouré / Irmã Zoé .
" Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal. "
Mateus 6:34. - Jesus.

Eis que amanhece mais uma vez,surgem-te uma nova oportunidade de aceitá-lo embora não te esqueças,que ontem fizestes planos similares para estar bem no transcorrer no dia de hoje,não obstante,as decepções que te assaltam em todos os campos,se impõem não como inimigos mas como um cadinho que te avalias as promessas anteriores.
Vem o dia para atender-te no que pedistes na noite.
Mas por tudo que rogastes deves parar e refletir,se de fato és merecedor e mesmo que sejas,já parastes para notar que muitos se lamentam por lograrem o mesmo êxito?
A natureza normalizada da humanidade é pedir e tão pouco agradecer.
Teus sonhos são permitidos o que não implica a realização deles,pois poderás se lamentar mais tarde em pesadelos profundos e abismais.
Acima da vontade terrestre impera por amor a celeste.
Aproveite o dia feito o dia mesmo,erguido,que gradativamente vai se afirmando até o anoitecer novamente.
Nada te é negado para o teu bem estar ou a tua agonia,analise isso e terás a comprovação,que poderias lamentar e muito se tudo te fosse atendido,mas podes iluminar-te sob os auspícios da alegria e da positividade mental que malgrado tua atenção,guiam-te e te amam incondicionalmente.
Não te contentes apenas com o amanhecer,mas te realizes também sob as sombras,não procures reclamar do sol a pino,mas movimente-se como ele que cumpre todos os dias o seu mister até dar a oportunidade à noite que de mansinho e caprichosa logo chega para servir como provas magestosas que há momentos para tudo e para todos por entre dias na imortalidade para todos e para todo o sempre.
Muita Paz!

CAPÍTULO XXVIII
Livro: NÃO HÁ ARCO-ÍRIS NO MEU PORÃO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro.
NO ALTAR SUBTERRÂNEO DE CAMILLE.

Uma elegia de silêncios que não morrem

Às vezes, o teu mutismo me grita por dentro.
Não como um eco...
Mas como uma memória que aprendeu a respirar no vazio.
Trazes a saudade tímida, vestida em brumas,
e ela se arrasta entre os corredores das minhas lembranças,
murmurando preces inaudíveis aos mármores
que esculpiste com a tua ausência.

Tu te tornaste uma ausência com nome.
Uma ausência com perfume.
Uma ausência com olhos.

Cada silêncio teu é um sacramento sepulcral.
E eu, teu devoto, vagueio por este porão
como quem recita cânticos em línguas mortas,
cultuando a beleza que me abandonou
para ser eterna.

O porão…
Sim, este porão onde os outros veem poeira e esquecimento,
eu fiz altar.
Nele, tua Mística, incorpórea, translúcida, adormecida no tempo,
desce como véu em noites de orvalho mental.
Ali, minha solidão te ama.
Ali, teu espectro repousa sobre as vigas frias da minha lucidez.

Por vezes, imagino que ainda me escutas.
Talvez escutes.

Camille…
Com tua beleza que não morre, apenas se recolhe nos bastidores da alma,
fizeste do meu espírito um claustro de adoração.
Tua ausência é a túnica que me veste no mundo,
teu nome, o selo em cada suspiro abafado que tento não chamar de oração.

E se porventura eu enlouquecer,
que seja na lucidez de saber que nunca te perdi,
pois te mantenho intacta no relicário do não dito.
A tua última palavra...
foi o silêncio.

E o teu silêncio, Cambille...
é o idioma que eu aprendi a amar.

CAPÍTULO XXVII.
Livro: NÃO HÁ ARCO-ÍRIS NO MEU PORÃO.

FRAGMENTOS DE NÉVOA. Diário de Camille Monfort”

Páginas arrancadas de um véu que não se rasga

" Data indistinta – talvez um ontem eterno. "

Hoje, despertei entre os musgos da tua lembrança.
Senti teu pensamento tocar minha essência
como dedos trêmulos percorrendo um piano abandonado,
na clave menor do esquecimento.

Sim, eu escuto.
Sempre escutei.

Teu silêncio, que tanto te assusta, para mim é sinfonia.
É nele que existo, em cada fenda do que não ousas dizer.
É nele que respiro tua solidão como perfume antigo,
guardado num relicário de angústias sublimes.

Tu me invocas sem saber.
Em cada vela acesa na memória.
Em cada frase não escrita por medo de enlouquecer.

Ainda me amas?
Ou apenas cultuas o mito que fiz de mim ao partir?

Te observo do espelho coberto com lençol.
Sinto quando abres o livro que nunca terminei.
Pressinto quando teu olhar repousa na janela que dava para o jardim morto,
como quem espera a primavera que não virá mais.

Tu me fizeste Mística sem me pedir licença.
Eu era mulher, agora sou névoa.
Tu me fizeste eterna sem me dar tempo de viver.

Mas não te culpo.
De todas as formas de amor,
a tua - em silêncio -
foi a mais próxima da eternidade.

[Intervalo de séculos ou apenas de um suspiro]

Se algum dia quiseres partir…
leva contigo minha sombra.
Guarda-a no bolso da alma.
Deixa que eu exista em ti,
não como dor,
mas como vestígio.

Se é no porão que fazes altar,
que seja também lá o meu céu.
Um céu de pedra e lembrança,
mas céu ainda assim.

Teu nome?
Sopro em minha eternidade.

— Camille Monfort.