Poesia eu sou Asim sim Serei
Sou mestre na arte de falar em silêncio. Toda a minha vida falei calando-me e vivi em mim mesmo tragédias inteiras sem pronunciar uma palavra.
Sou bem mais feliz que triste, mas às vezes fico distante. E me perco em mim como se não houvesse começo nem fim nessa coisa de pensar e achar explicação pra vida.
Me sinto, frequentemente, bombardeada por um mundo que não sei se suporto. Excessos e faltas. Sou movida por eles, por sentimento, sonho e lágrima. Tem gente que não entende meu estilo de ser e me doar. Para esses, eu digo que não vou desistir. Vou continuar, preciso continuar. Mesmo que o caminho seja cheio de lama, mesmo que pessoas-monstro apareçam: eu vou fechar os olhos e acreditar num mundo mais bonito. Eu vou abrir os olhos e viver um mundo mais bonito. Eu vou manter meus olhos na tela, meus dedos no coração e fazer do seu mundo um lugar mais bonito. Ah, eu vou!
Não quero fingir que sou algo a mais do que realmente sou. Não quero dar a imagem de sensível ou difícil, ou cool ou inseguro. Sou bastante antiquado. Não consigo pensar em mim como alguém famoso. Vejo-me como um velhinho sentado num alpendre, olhando para um lago...
Não, não ofereço perigo algum: sou quieta como folha de outono esquecida entre as páginas de um livro, sou definida e clara como o jarro com a bacia de ágata no canto do quarto - se tomada com cuidado, verto água límpida sobre as mãos para que se possa refrescar o rosto mas, se tocada por dedos bruscos num segundo me estilhaço em cacos, me esfarelo em poeira dourada.
Te amo, não somente pelo que és, mas pelo que sou quando estou contigo! Te amo, porque puseste a mão pela minha alma e passaste por debaixo de minhas fraquezas e com teu amor fizeste sair à luz toda a beleza que ninguém antes de ti conseguiu encontrar.
Sou teimosa, ciumenta, confusa, estressada e grossa. E ainda assim, consigo ser a pessoa mais sensível do mundo.
Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado.
Sou avessa a equações, fórmulas e respostas certas. Não gosto de nada definido. Certezas não me calam.
Sou muito lógica, o que me permite enxergar os detalhes mais estranhos e perceber com clareza o que os outros ignoram.
Sou ousada e ingênua às vezes. Sou sensível ao mesmo tempo que forte. Sou doce e quando precisa dura. Mas são essas coisas que me tornam tão simples e tão complexa.
Se me pedem para que me descreva, sou como uma pintura de Van Gogh, bela e densa, definitiva e tensa.
Não sou solteira. Estou simplesmente à reserva para aquele que merece todo o meu coração, porque eles dizem que coisas boas levam tempo.
Sou desses que não entende indiretas. Que não percebe as coisas à sua volta, o que está bem na sua cara. Sou desligado, desleixado. Presto atenção em quase nada. Desculpa o meu jeito, o meu mau jeito, a minha falta de jeito.
Quer saber? Cansei. Cansei de correr atrás. Não preciso disso. Não sou segunda opção nem de você de ninguém. Se me quer, me procure. Se sente saudades, demonstre. Você pensa o quê? Que eu não percebo? Acha mesmo que eu te amo tanto a ponto de me humilhar por atenção? Hahaha, depois a boba aqui sou eu. Cansei. Depois não diga que eu não avisei.
Sou fã das voltas que o mundo dá. Não adianta, por mais idas e vindas, ah, meu amigo... O mundo gira!
Sou a favor da verdade, não importa quem a conte. Sou a favor da justiça, não importa para quem ou contra quem.
Sou o veneno, o mel e o sal...o ódio, o amor e o mal! Me descreva como quiser, receba de mim o que merecer...
Além disso, sou terrivelmente instável e entender as minhas reações é coisa que às vezes nem eu mesmo consigo. Não posso mentir a você, não quero. Mas por favor não fantasie, menina, não seja demasiado adolescente. Como eu te escrevi várias vezes, é no nosso encontro, cara a cara, olho a olho, que as coisas vão se definir. Veja se você consegue separar o sonho da realidade. Anel, por exemplo, é um sonho. É um sonho que trago comigo há muito tempo e que comuniquei a você? E que não é hora ainda de ser realidade, porque não tenho absolutamente nada além da minha cuca? Você me entende? Menina, menina, tenho uma ternura enorme por você? E para mim é muito difícil isolar essa ternura da razão, quando te escrevo. Como fiz agora. Talvez tenha te parecido duro ou demasiado frio. Mas acho, honestamente, que você não deve se arriscar a ter uma tremenda decepção, depois de um ano inteiro de sonhos. Nós vamos nos ver, nós vamos conversar, sair juntos, provavelmente nos tocar? E de repente tudo pode realmente ser. Ou não. Mas de jeito nenhum quero, sei lá, ser irresponsável ou não medir as conseqüências dum negócio que pode ser muito sério. Já não sou o mesmo, como você também não é. Endureci um pouco, desacreditei muito das coisas, sobretudo das pessoas e suas boas intenções.
Não sei quem sou nem o que sou, pois o que pensava que era não é o que sou. Estou me desintoxicando do que era para ser o que sou. Não compreendo ainda quem sou, mas estou a procura de mim.
