Poesia Eternamente
O que me move?
O que me move? Uma eterna ânsia de viver...
A incerteza do futuro, do amanhã me coloca em um estado constante de liberdade...Liberdade de ir ou vir onde meu coração mandar. De voltar, quando ele me chamar. De sorrir de situações inusitadas, de bobagens, de tudo e até de mim mesma. Sorrir, sorrir e sorrir...porque não???
Liberdade de ser quem sou, sem medo de errar ou de me sentir tolhida quanto aos meus desejos, atos ou escolhas. Liberdade de chorar quando o coração sufocar de dor, de tristeza, de mágoa, de saudade, de alegria, de emoção. Liberdade de bradar a quem quiser e quando quiser meus sentimentos sem medo de mostrar quem sou. De gritar, dar gargalhadas, sem medo de ser julgada por isso. De ser criança e olhar o mundo estupefata, maravilhada com as coisas mais simples. Liberdade de não ter medo de arriscar quando penso que realmente vale a pena. De fazer escolhas que pra mim soam como prenúncio de felicidade. Ser livre pra pensar, agir, ser... Se a felicidade existe, ela só pode ser alcançada enquanto um estado de liberdade plena. Mas não uma liberdade isenta de respeito pelo outro. Uma liberdade egoísta é eterna prisão ...
As certezas que o agora pode virar cinzas amanhã, mas eu gosto de pensar que tudo deve ser feito na hora em que se tem vontade e com a euforia de um nascimento. E elas, as coisas, verdadeiramente são vida...
Vanessa Fontana
Livre-arbítrio
Quanto bem fica de lado
nas escolhas que alguém faz?
Lá, perdido no passado,
quanto amor deixam pra trás?
pensa Deus, desconfiado...
Com razão, pobre coitado...
Escolhemos Barrabás!
Pindorama
Solo santo invadido
Transformado em nação
Fruto podre, corrompido
Sem raíz, sem coração
Hoje o chão é devolvido
a um índio bem vestido
em camisas de botão
Uma lava a outra
Falam da reputação
da direita, tão honesta...
Mas, virando situação,
a esquerda faz a festa!
E, assim, de mão em mão,
mostram que a corrupção
no Brasil é ambidestra!
Lex talionis
Se os frutos que eu colho
minha vida é quem rega
de bom grado eu acolho
até mesmo quem me nega
Fico em paz e me recolho,
Pois, de tanto olho por olho,
a justiça ficou cega...
Lucas 6, 41
Não há cruz que me segure,
que me impeça de gritar;
não tem fé que me torture
e que faça eu me calar!
Quem quiser, pois, que procure
um remédio e se cure
de querer vir me curar...
Fome e sede
... e disseram: — foi bem feito!
Quem mandou roubar sua horta?!
Nunca mais esse sujeito
bate aqui na sua porta.
Uma dor me ardeu no peito:
— E do homem, que foi feito?
— Eu não sei, mas... Quem se importa?!
Pena
É prazer? É dor? vontade?
Ou será que você tem
a cruel necessidade
de ferir quem te quer bem?
Quem não vê que, na maldade,
mora um pouco de saudade,
de remorso e amor também...
Da escrita somos vozes,
Da fala somos magia,
Dos olhos somos o brilho,
E do sonho a alegria.
Das trevas somos as luzes,
Da noite somos o dia.
E com a graça de Deus,
Da vida, somos poesia.
Uva
Sua existência benigna e amarga
Cega-me ao insondável desejo
Corrompem os soberanos
Mantendo-me prisioneiro de sua vontade
Em minha decadente fortaleza astral
Cheiro inimaginavelmente traíra
Minha existência escarnecedora
Amaldiçoado pelo cálido deleite
Absorto eternamente em dor
O sabor quente e úmido da vontade
Une-se diabolicamente ao meu ser
Fervendo insanamente na loucura
Outrora, os salões eram cheios
Cidades vizinhas adoravam-nos
Recheados na alegria e fartura
Filhos e filhas que brincavam sem parar
Pais orgulhando-se das conquistas em batalhas
Mães sorrindo sem parar
E eu a tocar gracioso
A minha divina lira
Sem o tempo eu contar
Incessante busca ao arrebatamento
Aprisionou-me ao desalento
Agora já perdido
O mundo após estes portões
Enjaulado ficará, em doença e guerra
Pois punição divina não há
Esperançoso falho é o que virei
E assim me punirei
Em meu último gole mortífero
Aguardando enfim
O ato final de minha canção.
O Ser Egoísta
Seu cerne conflituoso
Seu cerne despedaçado
Deseja a luz, porém teme se queimar
Deseja a salvação, porém teme acordar
De seu pesadelo sem fim, o amargo pesar
Da ilusão á prisão corpórea e espiritual
Seguro em sua fortaleza de espinhos
Da felicidade falsa, ele bebe da fonte
Inconsequente sem mudança
Subjugado na consequência lasciva
Pois arrependimento não há
Derramando desenfreada fúria
Afogando-se em si próprio
Ele inunda o distorcido mundo
Aos confins de seu ser doloso
Desesperado, ele clama socorro
Sozinho a afundar mais e mais
Diante de si mesmo ele se vê
Enjaulado e desesperançoso
Seus semelhantes o abandonaram
Assim como ele os abandonou
Dando adeus a qualquer traço humanitário
O ciclo odioso deve continuar.
Céu Purpura
Sob ruas nevoentas, não enxergo justiça
Sem horas para contar minha insônia
Divago louco, envolto no pálido tato
Segurando a linha tênue da vida
Em pele conflitante a minha
A morte possui senso de humor
Rindo ele esteve, do nosso genuíno amor
Pintando-a, assim, de provocador roxo
Jus as suas vestimentas fúnebres
Destoante de seu cerne perfeito
Forçado estou, ao fardo doloroso
De carregar a obra-prima mortal
Sublime aroma angelical a fugir
De seus cabelos sem luz a revirar-me
Sua essência absoluta, do meu lado a ficar
Zombeteira aos olhos impudicos
Sua posição transcende sangue e carne
Me isolando de ti, abriu celebres asas
Largando a existência antiga
A qual amei perdidamente
Mas pouco me falta
Não serei capaz de dá-la a terra
A mim sempre pertenceu e assim será
Dissipado em eterna aflição
Deita-se em mim sem mais tensão
Inabilitado do pensar
O que me resta é apreciar
Juntos as suas preferidas Violetas
O céu purpura de seus lábios.
Para esta minúscula aventura, escolhi Andrés Segovia como pano ou pane de fundo.
Um piano ao cair da tarde, era um programa antigo de rádio.
Procurei uma lapiseira, questão de gosto, compõe o modus operandi do tagarela que não vos fala, mas agora escreve.
A cena é de certa forma bizarra, no mínimo pitoresca
Numa avenida, uma mulher, feliz pelo semblante, humilde pela vestimenta, passa... empurrando um carrinho de supermercado, dentro dele um cachorro, naturalmente pouco a vontade e sem nenhuma ação em comum com quem o carreia mundo afora.
Parou no canteiro entre as duas vias e conversava animada e afetuosamente com um conhecido ou amigo dela sobre o que não imagino, não consegui prestar atenção.
Isso durou alguns minutos, uma dezena de copos de cerveja e uma coleção de interjeições verbalizadas.
A impressão que eu tinha é que ela literalmente não se conectava com o mundo que eu via, era o mundo dela que valia a pena e talvez nem existisse outro...
Sim, foi um alívio ver que não foi xingada nem atropelada, ela continuava feliz...
Me dei por satisfeito.
Sorri como outros tantos que ali estavam.
Não sabia exatamente se podia definir aquela demonstração de afeto e puro “non sense”, acho que continuo sem poder, continuo sorrindo.
Não a vi mais, nem o cachorro...
Preciso fazer umas compras no supermercado.
Poemeto
Ondas cantam no mar
em acordes de sal e sol
para todos se encantarem
e entre suas espumas brancas
num mergulho de sereia
cantarem junto a melodia
que sem parar o mar pranteia
Era uma vez um sonho
(O poeta e um anjo)
Era uma vez um sonho...
Era uma vez um sonho
Um sonho de amor que eu sonhei
O poeta e um anjo
Uma história de amor que imaginei
Ela parecia uma princesa
Seu coração eu amei
Ela tinha a voz de uma sereia
Uma vez sonhei que a beijei
Era uma vez um sonho...
Era uma vez um sonho
Um conto de fadas
Uma poesia de amor
Um anjo com suas asas
Que tocava uma linda melodia
Com o doce toque da harpa e da lira
No paraíso e em seus campos floridos
Eu olhava o brilho de seu lindo sorriso
Era uma vez um sonho...
Era uma vez um sonho
Um poeta que se apaixonou
Por um lindo anjo
O coração do poeta amou
E sonhou com um doce beijo
Daquela que era sua amada
Com o brilho de seus olhos ele sonhou
Mas foi tão triste quando acordou
Era uma vez um sonho...
Era uma vez um sonho
Uma estrela que brilhava no céu
Uma rosa orvalhava amor
Uma noiva rumo ao altar, e seu véu
Do branco mais puro tinha a cor
Um doce sonho de amor o poeta sonhou
Mais doce que o mel era seu amor
Mas chorou quando seu anjo para longe voou
Era uma vez um sonho...
Era uma vez um sonho
O poeta e um anjo
Era uma vez um sonho
O poeta e um anjo
Era uma vez um sonho
O poeta e um anjo
Era uma vez um sonho
Era uma vez um sonho...
Exílio Nublado
O lençol me afaga a pele
Suave, mas é traiçoeiro
Ele me cura a angústia
Mas é na cura que ele me fere
E eu me levanto ao avesso
Triste, mas com esperança
De evitar o pedregulho
Que já me causou o tropeço
E eu insisto nas erratas
Ingênuo, mas já sabendo
Que o caminho que percorro
Já tem minhas pegadas
E eu não estou sozinho
Isto é, fora eu mesmo
E eu tento me abraçar
Mas eu sou só espinhos
Poema Veilleusense
Enquanto alguns dormiam
nas horas noturnas eu cantava
Fazia espetáculos, dançava e
dominava a noite e alegrava.
Uma noite, quando eu voltava para casa,
fui abordada por uma criatura com dentes pontiagudos e asas.
Sugou meu sangue sem parar
Me deixou no chão sem respirar.
Na noite seguinte
fiquei mais forte e voltei a cantar.
Eu cantei e dancei sem parar.
Minha força dobrou.
Meu corpo melhorou.
Sua vida é preciosa como diamante,
meu eterno amante.
Quero viver e seu sangue tomar.
Sem os machucar e sem a vida tirar.
Me chamam de Veilleuse, a vampira Dragqueen.
14-04-22
Tristeza, noite que se aprofunda em escuridão,
trazendo sussurros de mais além, do vale e dos ermos,
vozes que flutuam em sustenidos em tristes ais,
é difícil sermos felizes e despreocupados, quando sabemos,
que há em algum lugar deste planeta lindo,
uma guerra que destrói e mata, levando inocentes,
que dão seu último olhar para o céu, pedindo paz...
Você sabia que eu te amo?
Talvez eu nunca tenha dito através das palavras, mas em cada gesto meu podes notar a imensidão desse amor?
Você alguma vez voou?
Pelo menos em sonhos, você já teve essa sensação?
Eu posso voar, flutuando entre as asas da minha imaginação.
Guardo meu coração pra ti.
E escrevo a mais linda poesia de amor.
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