Poesia Ei de te Amar Vinicios de Morais
SÓ DEUS SABE
A luz do sol cega-me os olhos
O silêncio torna-me numa voz rouca
Só Deus sabe da porta entreaberta
Do relâmpago de ansiedade no silêncio
Viagem selvagem do retorno amargo
Enigma do mundo de uma privacidade
Bajulada escondida num paraíso de aparência.
Prisioneiros da ignorância oculta imperfeita
Doentes desencantados na alma, no corpo
Cada vez mais perto do abismo da mediocridade
Subjugados por voos de uma estranha nostalgia
Das palavras deixadas num espelho sem ausência
Confinadas as fantasias fora da realidade em pedaços
De uma luta que interrompe um vazio, de uma dor do passado
A luz cega-me os olhos, o silêncio torna-me, só Deus sabe.
RETRATO
Hoje olhei o teu retrato
.......Estremeci de saudades
Talvez mais do que nunca
....Tive que calar-me
No meio do silêncio
....Cantava a minha alma
Procurava a voz do teu olhar
.....Queria olhar para dentro
Da tua alma e encontrar a minha
......Vi o teu retrato e sorri
Senti-te comigo, como se fôssemos um só.
"VENTOS NOSTÁLGICOS"
Noites vazias
Ventos nostálgicos
Tempestade sombrias
Sopram ao ouvido
Melodias encantadas
Revelam os segredo
Das noites perdidas.
Inimigos amigos
Feitos em sonetos
Sentidos por fragas
Esquecidos no tempo
Caminho do amor
Alma mortalha
Sentes prazer
Talvez não sintas nada.
Palha enxuta
Enquanto queimada.
Trepas o céu
Sem cordas, sem nada.
Esqueces o mundo
Que nos embala e afoga.
De sede, sem nada.
FRAGAS NA SOLIDÃO DO RIO
Das nascentes e das margens
vou molhar-me neste sol e nesta água
Com um manto de areia vou cobrir-me
O meu corpo é um rio onde de lamparina
Banhei-me nas suas águas cristalinas
Que corre entre os lagos da esperança
Que anda e corre para o mar
Cobri de rosas a minha alma
Os meus olhos de lírios
A minha boca de sorrisos
As minhas lágrimas desaguam de dor
Gosto do silêncio mas não onde me encontro
Silenciar a saudade foi a maneira
Que encontrei para suportar esta dor
Acreditar no amor não é terminar na solidão
Entre as fragas do rio correm as águas
Turvas e claras é como a lamparina que
Clareia a dor no meio da escuridão e da solidão.!
CHUVA DE OUTONO
A bater na minha janela
Gosto de sentir os pingos da chuva
Ao olhar para a rua eu vi-me
Naquelas folhas secas....
Sem vida, que são varridas pelo chão.....
No silêncio, eu não ouço os meus gritos.....
A solidão, é como a chuva que admiramos
De vez em quando há necessidade de chorar......
E quando a lua, as estrelas e o sol brilham..
São a luz que sentimos, na alma e no coração......
O importante é não olhar para as estrelas como cruzes....
É sentir a cruz que carregamos....
Como os pingos da chuva da nossa própria solidão.
LONGE DE TI
Já não conheço o meu rosto
Já não conheço o teu rosto
Não quero morrer longe de ti
E tu não morras longe de mim.
SENHOR
Senhor, neste novo dia
Perdão senhor porque
Sou uma pecadora, perdão
Porque cometi muitos erros
Perdão pelo mal que eu já causei
Eu quero louvar-te com todo
O meu coração, quando não
Posso ouvir-te, o teu silêncio
É como as nuvens que escondem
O sol e tornam, o meu dia tão
Tão escuro quanto a noite
O teu amor é tão grande que
As ondas do sofrimento não
Chegarão até mim, peço-te com
Toda a minha alma que aumentes
A minha fé, prostro-me aos teus
Pés. Tudo o que eu tenho é teu
Quero viver para ti, pensar
Só em ti, tu és aquele que
Levantou-me quando eu caí
...........Guia sempre todos os meus passos.
TEMPESTADES
Quero gritar para o vento
Nesta imensidão de emoções
Grito com todas as forças
E liberto-me desta solidão
A mágoa que persegue-me
E as minhas lágrimas que
Caem pelo rosto, lavando-me
A alma, deixando-me mais leve
Não vejo nada, apenas esta imensa
Escuridão, que apoderou-se do
Meu coração Quero fugir
E libertar-me destas amarras
Que prendem-me de sentir esta
Dor imensa, que leva-me para o fundo
Deste poço escuro que é a solidão
Que apaga a esperança que tenho
Por dentro da minha alma perdida
Quero sair daqui e ser feliz
Encontrar a alma que perdi
Ela quer, ser encontrada, para voltar
.........A sentir brisa do vento.
A minha alma voará para longe
Onde o meu coração terá sempre asas
Mas a minha razão ainda anda
E andará sempre a pé.
Tenho sede dos teus beijos
Fome para saciar os meus desejos
Onde descanso o meu cansaço
No teu carinhoso abraço (...)
A única liberdade possível neste mundo
.....é a liberdade de poder escolher
A nossa própria prisão:(
"SEI DE TI, SEI DE TI"
As trevas persistem no nosso caminho
São as tormentas que sempre desesperam
Na chegada submissa do nosso desespero
Bocados, pedaços de uma curta existência
Amei-te tanto como sempre quis amar-te
Desejo-te tanto como sempre te desejei
Só sei de ti pelas flores do nosso jardim
Só sei de ti pelo murmúrio na água da fonte
As trevas corrompem a estrada de fragas
As giestas gritam de dor entre as quimeras
Canteiros espezinhados que rasgam as vestes
Alagam e apedrejam a imbecilidade do poeta
Sei de ti pelo uivo do lobo, na serra, no monte
Sei de ti pelo vento que trás a tempestade de neve
Sei de ti pelo murmúrio das flores em desespero
Sei de ti pelas águas que correm no rio do sonho.
"A minha boca segue o instinto
Como o mar doce e salgado
Dos teus lábios, onde saboreio
(...) o teu doce despertar "
Queria poder costurar o amor
No peito de quem nós mais amamos
Costurar o perdão na alma
(...) O amor no coração.
