Poesia Ei de te Amar Vinicios de Morais
"TU EU SÓ TU"
Ser mulher é querer ler-te, reler-te
Nas palavras que não podem calar
Nas lágrimas que deixaram de cair
Com os sentimentos da emoção
Tu só tu, que provocas
Provocas a minha insanidade
Na minha louca paixão
Que brincas com a minha loucura
Na razão do meu viver
Onde inquietas os meus medos
Nas lágrimas que teimam em cair
Tiras todos os meus receios
Nas palavras que não podem calar
Ser tua é querer ler-te, reler-te
Nas lágrimas que deixaram de cair
Com os sentimentos da emoção
" FLORES FILHOS"
Os nossos filhos
São as flores mais belas
Do nosso amado jardim
Obrigado meu amado Jesus
Pelas mais belas flores
Que me deste, que eu tanto amo.
.......Os nossos filhos
São seres emprestados
Para os amarmos com os maiores
.........Ou menores defeitos
Ser mãe é o maior ato de coragem
É não ter medo de os amar e de os deixar voar.
SENHOR
Senhor, todos os dias
Temos novos desafios
Muitas vezes algumas surpresas
Tristezas e alegrias
A vida é feita muitas vezes assim
Ás vezes deparamos-nos
Com situações que nos afligem
Que nos fazem sentir medo e solidão
E tantas vezes choramos
Mas saiba que cada momento
Da nossa vida...cada lágrima caída
Por cada sorriso que é dado
Ele nunca esquece-se
De anotar as nossas lutas
Os nossos choros.
Nunca desista dos seus sonhos.
Pode ter certeza que o Senhor nos ama.
SILÊNCIO
Eu conheci o silêncio
O silêncio da cidade
O silêncio da nossa vida
O silêncio da serra, do monte
O silêncio do inferno
O silêncio da escuridão
O silêncio das profundezas
O silêncio do mar e da sua brisa
O silêncio das tempestades
O silêncio dos raios de sol
O silêncio dos teus olhos
O silêncio do nosso quarto
O silêncio da tua rouca voz
O silêncio do nosso tempo
O silêncio das folhas do vento
Eu conheci o nosso amado silêncio.
PÔR DO SOL
Estou tão cansada de sonhar
Das flores que eu amo, secaram
Morreram no jardim da saudade
De sentir na alma uma tempestade
Num abrir e piscar de olhos
De uma obscuridade palpável
Em duelos feitos de cúpulas na noite
Refeitos em pérolas, diamantes
Pôr do sol em fluxos turbulentos
Há sempre um demônio que vive entre nós
Mesmo quando o sol se põe no horizonte
Cuja alma pertence ao inferno
Estou cansada dos sonhos que desfalecem
Amar as coisas que não são eternas
De confiar e esperar por novos sonhos
Estou cansada, tão cansada
De todas as lágrimas perdidas, esquecidas.
"BILHETE"
Sem tempo hoje escrevi um bilhete
Um bilhete de um só fôlego
Nesta manhã orvalhada, caminhei
Caminhei pelos campos da memória
Senti a minha alma solta, perdi-me em saudades
Pedi oh alma, volta logo, não me deixes preocupada
Altas horas, minutos silêncios, tantas vezes ruidosos
Onde o tempo passa depressa e escorre pelos dedos
Fôlego escrito que disfarça a sua ânsia ou talvez a nossa
Pensamentos que suspiram, vagueiam e gemem
Escrevi num bilhete, toda a minha dor
Numa folha amarrotada, gasta e talvez devotada
Meti-a numa garrafa, enterrei-a na areia da praia
Vieram as ondas, do mar revoltado já muito zangado
Levou para longe, toda a dor da minha alma.
FADO DA SAUDADE
Fado vadio, fado da saudade
Nesta noite fria bebemos um vinho
Um tinto maduro, amargo como a vida
Com o travo a alecrim, a rosmaninho
Ou talvez um bom vinho do porto
Na sala toca-se, canta-se o martírio maior
O fado de dor, da saudade meu amor
Choram as nossas dores ao som dos passos
Da vida feita em pedaços, melodia orvalhada
Refeita de felicidade, do passado, presente
Na sala o silêncio é total, nesta noite fria, já quente
O coração fala mais alto, segredos sem voz
Com o silêncio a tristeza cala-se, inibe-se de amor
Na rua escura ausente de pranto, não passa ninguém
Voz magoada, flor do deserto, de uma canção tão bela
Que nem às paredes caiadas, nem a Deus me confesso
Dos teus fixos olhos castanhos, já presos nos meus
Fado de lágrimas cansadas de quem já muito ama e amou.
O MEU NOME É MARIA
O meu nome é Maria
A quem chamam e chamavam
De retornada na escola
Quando cheguei à Metrópole
Eu já vivi uma guerra, uma guerra sem nome
Eu já vi pessoas a morrer e a matar sem piedade
Tinham dor e sofrimento no rosto e gritos na alma
Recolhi todos os pedaços, com um fio as lembranças
O meu nome é simplesmente Maria
Eu já vi fome, a morte, a dor e o sofrimento
Eu já vi crianças como eu a chorarem de fome
Eu própria já passei e vivi com ela
Eu já vi a morte mesmo ao meu lado
Eu já vi homens armados com tanques a descer a minha rua
Eu já vi pessoas a fugir, só com a roupa do corpo
Eu já vi a dor nos olhos das crianças como eu
Eu já vi o sofrimento de quem perdeu tudo e nada tem
Eu já vi as crianças da minha escola a fugir
Dos soldados inimigos, onde eu própria fugi
Eu já vivi uma guerra, uma guerra tão estúpida
A quem chamavam e chamam liberdade.
Eu apenas chamo simplesmente de saudade.
"SOU OU TALVEZ NÃO SOU"
Sou como sou mais nada
Sou ou talvez não sou
Sou endiabradamente sossegada
Não sei ser conformada
Sou exigente comigo
Não sei calar-me
Sou calmamente apressada
Não sei ficar quieta
Sou efusivamente tímida
Não sou possessiva
Sou terrivelmente doce
Não sou amargurada
Sou duramente sensível
Não consigo deixar os outros sofrer
Sou o que sou, feliz mais nada
Sou ou não sou, como sou mais nada.
FIGUEIRA DA VIDA
Eu nada sou, para lá desta dor
Recolho os pedaços, fio das lembranças
Gritos na alma dos meus contos
Que são quadras de amor, de dor
Recomeço na figueira da vida
Já não tenho tempo para ilusões
Sei que a figueira que plantei
Olha-me entre as ramagens das suas folhas
Observa-me nesta minha quietude
Quietude onde agradeço todas as decepções
Em cada dificuldade e nos tombos dados
Que tive ao longo da minha vida
Sei que a figueira que plantei
Alberga agora um ninho de pássaros
Que as folhas veem-me entre os livros
Desfolham-se nas asas em lágrimas de pedra
Resguardo sem destino de sol e chuva
Envolto de nevoeiro nas palavras
Orvalho nos lábios das folhas da figueira
Que plantei com o recomeço sem ilusões.
Quando o vento te tocar no rosto
- E brincar com os teus cabelos
Por favor não te assustes
-É a minha saudade, o meu amor
Que te quer beijar em silêncio.
DESERTO SECO
Nado em terras secas, cheias de cactos
Despidas cegas como uma toupeira
Em breves rasgos onde descrevo o mar
Deserto seco de areia fértil ou estéril
Ninguém pode dar aquilo que não tem
Sou pó, ao pó eu voltarei a desfazer-me
Onde a vida tira-me as lascas, que importa
Nasce o sol e não dura mais que um dia
Depois da luz, segue-se a noite escura
Sombras que morrem na sua formosura
Tristezas transfiguradas pela ignorância
Nado no deserto de cactos em terra seca.
FOLHA EM BRANCA
Rabisquei as palavras
Cobertas de tanta dor
Numa folha branca vazia
Onde abusei das letras
Num pedaço de papel velho
Escrevi desabafos de mim
Despidos de amor
Perdi-me na estrada
A tua procura
Desesperei quase morri
Reneguei-me
E afastei-te de mim
Agora guardo dentro de mim
Todas as dores, todos os gritos
Rasgados no silêncio da madrugada
Que dilacera por dentro o peito a alma.
SENHOR
Tu és o meu Pastor Divino
Guarda todos os meus pensamentos
O meu coração, o meu corpo e a minha alma
(---) Guarda a pessoa que serei hoje e amanhã.
ENGANAR O TEMPO
O tempo corre nos retalhos da nossa vida
Dos nossos corpos já fragilizados de dor
Acumula-se na poeira dos olhos sem ver
Embaça os nossos próprios pensamentos
Escondendo todos os sentimentos doces
De cada um de nós, espalhando os medos
Deixando a descoberto os nossos segredos
Marcam para sempre as páginas envelhecidas
Do livro dos nossos sonhos mais perversos
As memórias são um velho espelho abstrato
Porta-retratos escondido na mente pela alma
O tempo marca o rosto de qualquer humano
Engana-se o tempo, mas é ele que nos engana
Cada lágrima perdida no chão é uma esperança
Talvez em cada dor uma pequena doce lembrança.
OBSERVO-TE COMO GOSTO
Velas por mim nas horas amargas de dor
Adoçando os meus dias das tempestades
Das lágrimas ficamos no silêncio tão nosso
Oiço a tua voz rouca que murmura ao ouvido
No toque das memórias da minha pele na tua
Que o tempo nunca conseguirá sequer apagar
De tantas primaveras que já nos enriqueceram
No teu rosto o brilho dos teus olhos nos meus
Temperamos a nossas bocas de frutos exóticos
Onde pernoitas com a tua mão nos meus cabelos
Como eu gosto de observar-te enquanto dormes
Os meus olhos ficam embriagados de tanto amor
As minhas mãos percorreram o teu corpo a tua pele
Enquanto dormes, o meu coração voa ao teu redor
- E quando partes, deixas bocadinhos de ti em mim.
SOLIDÃO DE SONHOS
A solidão é deixada na brisa do outono
Com tantos beijos já perdidos no verão
Nas manhãs tão quentes de breves sigilos
Monólogos da nossa imensidão da noite
No progresso talvez incontrolável do dia
Onde o silêncio, o espaço declaram guerra
Quando os sonhos contemplam a velha lua
De desejos, das estrelas que brilham nos olhos
No despir dos sentidos ao encontro dos meus
Cobrem o chão, a cama com pétalas brancas
Rosas plantadas por mim do nosso belo jardim
Solidão de sonhos, nos beijos perdidos de verão.
DESISTIR NUNCA
Podemos desistir de uma casa
Podemos desistir de um carro
Podemos desistir de um emprego
Podemos desistir de um amor
Podemos desistir de tudo que gostamos
Podemos desistir das pessoas.
Podemos desistir de qualquer coisa
Podemos desistir, mas nunca
Podemos desistir de nós próprios
- Insista, persista, lute
Nunca desista pois um dia você venceu
Por não ter desistido
- Desistir nunca, persistir sim .!
TU TALVEZ NUNCA SAIBAS
Talvez tu nunca saibas
Mas dormes nos meus dedos
Entre o tiramisu de manga
Do queijo mascarpone
E dos biscoitos com chocolate
Talvez tu nunca saibas
Onde as andorinhas fazem os ninhos
Mas sabes bem o sabor do frango
Com mel e gengibre como é maravilhoso
Talvez tu nunca saibas
Que há segredos entre as árvores do campo
No lombo assado com vinho do Porto
Talvez tu nunca saibas
Como as letras constroem a palavra amor
Onde os morangos se juntam ao chocolate quente
Com a paprika, gengibre, caril, pimenta
Talvez tu nunca saibas
Que por ti chamo a toda a hora e digo que amo
Nas espetadas de camarão com abacate
E batatas em cubos com alecrim
Talvez tu nunca saibas
Que de noite as minhas asas te cobrem do frio
Do nosso filme, o sabor da magia
Talvez tu nunca saibas
Que o vento espalha os meus recados em ti
No arroz basmati com leite de coco e amêndoas
E o pudim de anis que é delicioso
Talvez tu nunca saibas
Que os meus pensamentos são dias perfumados
Do bacalhau à lagareiro e do chocolate quente com canela
Oh meu amor quem sabe se tu sabes
Ou talvez tu nunca saibas que sem ti eu não existo.
No cocktail de vinho do Porto rosé com café.
VIAGEM EXÓTICA SABORES EXÓTICOS
A boca, o beijo são o paladar dos sentidos
Bebamos o café com chocolate e hortelã
Tu já sabes que desejo-te na penumbra da noite
No entrecosto assado com limão, louro e alho
Eu não sei por onde anda o teu perfume de dia
De noite sinto-te no bolo de azeite, mel e nozes
Sei de ti na espera interminável, num dia de trabalho
Nas batatas assadas com bacon, alecrim e míscaros
Onde os gestos gritam de prazer na incerteza da dor
Do forno das peras assadas com mel e vinho do porto
Desejo-te só a ti e percorro cada cantinho da tua doce pele
Como se de um bolo de abóbora com laranja tratasse
Prometes-me a lua e eu acreditei na tua promessa
Entre o salmão assado com açúcar mascavo e cominhos
A tua respiração engole os meus doces suspiros
No borrego grelhado com o molho de iogurte e hortelã
Desejo-te só a ti como nunca desejei alguém
Como tu desejas o bife com molho de cerveja e ovo
Os teus lábios abrigam a minha boca do frio
No pato com laranja ou nos figos com amoras com vinho tinto
À noite fizemos o que mais gostávamos de fazer, perdermo-nos
Nos olhos um do outro entre a canela, gengibre e pimenta
Os olhos são a janela da tentação, o corpo a porta do prazer
O passaporte é o amor, ele é fundamental para a viagem pelos sabores exóticos.
