Poesia Ei de te Amar Vinicios de Morais
Sou forte,mas mantenho em mim a delicadeza
de ser uma mente aberta,
para poder assim apreciar o néctar do amor.
Não...não permito que defeitos alheios permeie o meu viver.
Sou inteira,em amor
ou não suportaria a mim mesma
se assim não o fosse.
Sou Rosa de espinhos
sou inteira como toda flor
é so me pegar com carinho
e terás inteiro o meu amor.
Entre as frestas vejo a luz do sol...
fecho os olhos...penso no bálsamo,
que a vida me oferece,
Ergo-me por hoje,
deixo o resto para o amanhã.
Quero amanhecer em teus braços
e nos teus abraços me envolver,
quero dizer-te palavras tolas,
as mais insanas que ja ousei dizer.
E na sinceridade dos meus sentimentos
cantarei em versos este amanhecer,
oferecerei o meu amor
seja ele como for.
Quero ver o sol invadindo as frestas da minha janela
ao lado o teu sorriso brindando o amanhecer.
Quero...mas,nem tudo posso...
então me atrevo a sonhar com você
a cada amanhecer.
Tudo que escrevo não é pensado.
É sentido.
Só depois de escrito,
que eu procuro uma explicação racional,
para aquilo que foi por mim vivido.
Anjo do Amor
Linda como uma flor
Única que traz sabor
Como um anjo que da cor
Inspiração do beija-flor
Encanta com seu esplendor
No mais leve frescor
Exalando o mais puro AMOR...
Com seu perfume no ar
As estrelas vão iluminar
Meu sonho é cultivar
A mais linda noite de luar
Rara como as ondas do mar
As palavras vão dançar
Tantos caminhos a trilhar
Tantos sonhos a sonhar
Ah, como quero te AMAR...
"O tabuleiro escorrido"
O jogo de damas. Disputado no horizonte com suas formas quadradas e secas, formado por duas cores que a muito tempo combinaram-se e marcaram a história, o preto e o branco. Certa vez, um rei e uma rainha travaram uma guerra em um jogo acirrado e amoroso, idealizado ao nascer-do-sol com seu esplendor, modelaram uma massa saborosa e lisa. O conjunto de três nobres talharam no mármore um tabuleiro escorrido na vertical, redesenhado em humano, uma princesa. A combinação sabiamente molhada pela tinta fresca, com fortes pinceladas de raios solares, queimaram cada fio de cabelo branco, herdados da rainha que-lhe presenteou com paz. Cada fio negro foi inspirado na beleza da noite, misturada com o fim do dia, e formou-se um escuro claro. O azar deixado de lado do jogo diferente, cedeu tempo para o jogo vivo. Assim chamado de o jogo das realezas.
Brincadeira de Hora em Segundos
Lá, lá atrás do tempo
criou-se um descontento
Isso? Há muito me lembro
pungir o vento,
nas costas das horas
que estavam distraídas lendo.
Não sei se gostavam
porém achavam-se atentas
pararam até os ponteiros
que todos os dias andam pela sala,
passam pela cozinha
pelo quarto, voltam pra sala, e sentam.
Os números que formam o dia e a noite
o nascer e o crepúsculo
pairavam no ar escasso e cortante
e usavam grandes óculos escuros
em cima do muro,
comiam um maduro fruto
olhando o poço fundo
do mundo.
com os olhos vendados
filtravam o brilho deste tempo
o tempo rodante,
no espaço barulhento
o tempo passado, o tempo pequeno
desesperado e frêmito
por atrás deste paciente poema lento.
O Visto Eterno
Te amo infinito
no coração afinco
dentro do corpo nutrido
e pela alma, excluído.
Tudo excluído
foi tudo perdido
o passado era aquilo
um dia partido
na surdez do ouvido.
Quando te vi
foi lindo,
inventou o calor
que eu não elimino
até agora zelado
por anos, mantido.
Neste tempo promíscuo
sonhei em beijar-te a boca
com o lábio mordido
por dente de mimo.
Sua roupa em alinho
o sangue na veia
permeia o seu rio
corre líquido mítico
me dê vida
em sede de bico.
Agora, pode chegar
o dia de ir, não vivo
nem uma hora a mais
nem menos que isso
por motivos próprios
por dentro, há sinto.
Medo de Cores
Há noites no qual sinto vontade
de me trancar em um quarto de hotel
e suicidar com o meu próprio medo.
Por causa do tempo isolado,
longe de tudo e pelo desajeito
ao deparar com algo branco, afastado
feito para inventar uma passagem do inócuo dia.
Uma forma concreta, um quadro
e nele pintar um sentido reto de linha
para criar de passo em passo
uma obra de arte, a vida.
Lavra as Almas
No início da fria madrugada
ao telefone com a minha amada
e ela com sono já despedindo
a disse que algo bom estava vindo.
Acalme-se coração apressado
há tanto tempo no relógio a rodar.
O dia no céu permanece guardado
em vem a chuva pra gente se amar.
O barulho por nós admirado
no momento em que tudo era são
criou-se um aconchego desejado
a orquestra do amor havia tocado,
enquanto as árvores balançavam
e batiam os galhos ao invés de mãos.
Be-á-bá do H com A
Tiro o H do "há”
e vira o artigo feminino
acentuado e forte, digno de se amar,
o "á".
Decido escrever assim:
“agá”
aquela letra solitária, logo ali.
Preencho todos os seus lados
com letras exatas
além de ficar engraçado,
me faz morrer de rir.
Ou inverto as posições,
troco os locais:
de "há”
onde no mundo sempre existe uma coisa,
metamorfoseio-o em "ah”
e esticado
como queijo na chapa:
“aaaaaaaaaaaaaaah”
se torna um suspiro idolatrado
pelo feminino, no qual,
coincidentemente acabei de pensar.
Aquele que só o "á" acentuado
como disse lá atrás
é capaz de criar.
Charada
Meu amor é igual suicídio
não tem explicação
se acontece, é de repente
Olho para a ponta do nariz
(e vou)
nado de braçadas
e ando pelas ventas
digo amor...
abraço essa causa,
sem culpa.
Escuto embaralhado
vejo uma bagunça
que nem me preocupo
em organizá-la
ou buscar atalhos.
Meu amor pode nascer de qualquer lugar,
até debaixo de uma árvore
por isso não fico preocupado
se ele irá surgir,
continuo a andar por aí
sem olhar para o relógio
e com o cabelo despenteado.
mais tarde
abro um vinho
reflito nisso
pelas ruas prossigo
emocionado
por não saber explicar
e nem controlar
este meu amor divino.
Passa, passa, é muito rápido
O amor não precisa de tempo,
tempo só serve para envelhecer e eternizar as coisas.
Ame agora e esqueça este tempo,
se esqueça do mundo
se esqueça de tudo.
Lembre-se apenas do momento,
mas este agora já foi,
porém outros virão.
Abraça-os com força nas unhas
para eles ficarem marcados, nas costas do tempo.
Cair de uma Flor
O homem urbano, no concreto
pulou do prédio.
O homem se foi.
Quis adocicar a essência.
Ele se foi por isso.
Partiu para sempre.
Afundou no buraco que caiu.
Buraco ele deixou, há muitos
na rua, na vida nem se fala.
Levou almas, lágrimas,
elas preencheram a cova
que ele formou.
Seu peso na vida foi grande.
Penosa estrada curta.
Era jovem, 17 anos.
Homem de nascença,
menino de idade,
criança de ser.
Ah, como todos nós
somos crianças.
O edifício era comprido,
tocava o céu.
Por entre as escadas
ele chegou às nuvens.
Nuvens onde dança anjo,
escorrega na chuva,
que molha e revive.
Nasceu de novo, graças as gotas
que caem pouco a pouco ao chão.
Tocam pessoas restantes,
bebem dessa água e se nutrem.
Partiu o homem, todos irão.
Todos ficam aqui, ali, lá.
Bem ao longe, eu vejo o homem,
todos os outros homens que se guardam
e sofrem. Pelo mundo ser sofrido.
Não mais restam olhos.
Boca se foi, saliva secou.
Abraço foi só em uma caixa.
Descida na terra magra e seca.
Seca com verme, seca com dor
tanta dor.
Encharcada por saudade.
Deixada por medo
Foi para sempre.
Não mais volta.
Claro que volta!
Volta no sentir,
na falta que faz
Nas lembranças nas quais
nunca se vão.
Poema de Ressaca
Uma lindérrima rapariga
passou adiante,
com uma saia enegrecida
criatura bem laminada.
Criança celebérrima,
alfinetou cada retina.
Quantas vozes em uma só,
desnorteou qualquer sentimento
Atrevi em pegar sua mão
ouvidos macios de doces
palavras firmes não hesitei
ela exalava almas-flores.
Fluídos de desejo pelo todo
no meio a distância
um toque aproximado
calma filho, calma, há tempo.
pele-veludo
rosto, brilho repentino
cabelo espesso e taludo
vaga e remota lembrança
Sede por envolvê-la
em meus magros braços
feminina de sá
corpo bem buliço
remexia à sambá
aquele quadril postiço
Enlaçamos os dedos
carnes ferveram-se cruas
A disse:-Vamos para fora
vamos para a rua.
O mundo é grande,
cabe nossa dádiva
da noite deliberante
e total instigante
pois éramos amantes pós-festa
e proferi-a versos romanescos
(atitude esmiuçada)
copiados do tempo parado
bem ali, naquele lugar
os ponteiros congelaram
me revirava de ponta cabeça
vi o mundo do avesso
aliás, nem mundo eu vi,
ouvi muito menos, sentir quem sabe.
Levá-la-ei ao todo
nos murmúrios do amor
despedir-me bem chocho
embalsamado na terra
Compeliu a saudade acometida
refutei-a com poesia
afim de evitar um desconsolo
esquecer à minha pessoa
em pronome de tratamento
direcionado pelo palpitar lírico
Dulcíssimo foi seus contornos,
inundam minhas reminiscências
trago-te ao pé seu jeito idôneo
sem resignação
por despertar a pureza
onde paira maledicência.
Complexo
É dia triste, procuro fotos em gavetas esquecidas.
Em porta-retratos talhados por lembranças.
Estou sozinho em casa. O dia está nublado.
As memórias ardem o cérebro.
Certa pessoa nunca se vai.
Há pensamentos que só uma longa dose de solidão é capaz de formá-los,
E sento, atento, fechado comigo mesmo.
Repasso os acasos mundanos, são muitos.
Reformulo a consciência e as atitudes errôneas.
Estou na sala.
Os quadros, o abajur e a escrivaninha. A prateleira florada por livros,
lembro-me do homem, sinto medo.
Me pergunto se sou homem, se pertenço mesmo a uma raça desprezível, vingativa e invejosa.
A persiana filtra a luz, a pouca luz, é fim de tarde.
Está nublado, o quintal apagado, folhas mortas ao chão.
Medo de prosseguir. A vida não rara decepciona, mas continuo em pé,
no meio dos homens, são muitos.
Descubro que sou homem, e que não sonhava. Sou mal, ambicioso, mortal.
Senti meu coração pulsar, porque sou animal.
Me fiz confidente de sentimentos ácidos.
A tarde se foi, meu bem também.
Vi sorrisos em uma fotografia. Eu estava lá.
Beijei o vidro, segurei por um breve momento. Sai da casa.
Voltei ao mundo dos homens.
Som indecifrável
Qual seria o som do universo?
um chiado de vento?
um telefone mudo?
para alguns seria o fim do mundo!
Não sei o som da galáxia
nunca viajei para o espaço
em uma banana branca.
Arrisco em dizer que seria
choro de bebê, pedindo colo
e mais colo do infinito.
Seria o beijo da lua com o sol?
ou de estrelas povoando
cada milímetro do espaço sideral
corrompendo com a matéria
inorgânica da explosão?
Fantasio a ideia
de um cavalo-alado
com brasão e véu nas crinas
com um sacerdote a tocá-lo
os gruírem de suas rimas
O barulho do universo
pode ter vários tons
e melodias, concreto
de pássaros pigarreando
sucintos na minha janela
toques do horizonte aberto
e inóspito,
que me chamam pra dançar
no balanço do ócio
Sobrevivo com a surdez
da minha curiosidade, na terra árida,
ferida
e nos olhares discretos pra cima
só em tentar entender
da onde vêm o cantar
da vida.
