Poesia do Preconceito Vinicius de Morais
__A minha alma tem rasgos
Espaços vazios do silêncio
__O meu coração tem vergões
Das chicotadas do tempo
___O meu corpo tem doridas
Feridas que não são visíveis.
2018
ENSINA-ME A ESQUECER-TE
Ensina-me a esquecer-te
Como me ensinaste a amar-te
Antes que a trovoada te leve
Para longe de mim meu amor
Ensina-me a viver sem ti
Já que eu não consigo
Que culpa tenho eu
Se em cada sorriso teu
Apaixono-me loucamente
Ensina-me a ter calma
Quando me sinto atormentada
E a minha alma sofre
Ensina-me a esquecer-te
Mas como posso eu esquecer-te
Quando foste tu meu amor
Que me ensinaste a viver de novo
A voltar a sentir, a voltar a ter-te
Ensina-me de novo a amar-te.
2018
___Tatuo
Os meus caminhos
No teu corpo
Como por instinto
Há procura da tua nudez
Do teu cheiro
Do teu gosto
De tudo
Que me leve
Ao teu paraíso.
2018
Noites dolorosas!
Há noites muito difíceis, onde rezamos, rezamos e pedimos o sono.
Mas ele simplesmente não aparece, tornando a noite dolorosa.
Quero dormir ou não me apetece dormir, só quero sair para a rua.
Andar, andar sem destino, embrenhar-me no nevoeiro desta noite.
E chorar, chorar sentindo os ramos das árvores, a vergarem o meu corpo.
Triste, entristecido no orvalho da madrugada, que está a chegar.
No jardim sinto os espinhos, a penetrarem a minha alma já em chaga.
A lua, minha companheira das noites compridas e longas desapareceu.
Abandonou-me nesta noite já tão dolorosa, é só escuridão profunda dentro do meu ser.
O som do rio, é agora medonho, a corrente é forte, vejo o meu rosto refletido nas suas águas.
Onde as minhas lágrimas são gotas negras, nesta noite sem sono, sombra do que fui.
Do que sou lentamente afogada nesta noite de espinhos, onde rasgam a minha alma sem sono!
Rosmaninho doce perfumado
onde canta uma alma doce uma sinfonia
nunca tocada e talvez nunca escrita.
Rosmaninho doce perfumado
onde perfuma um corpo de desejo
nas noites escuras, escritas em rimas.
Rosmaninho doce perfumado
vinho da loucura, néctar dos deuses
encantada moura deixada ao relento.
Rosmaninho doce perfumado
pedaços de dor, migalhas de amor
esquecidas no tempo, talvez no momento.
Rosmaninho doce perfumado
poemas doces, levados pelo vento
banho perfumado, do nosso deserto.!
A morte afaga todos os meus sentidos.
Neste meu corpo frágil e gelado.
Voa a minha alma num papagaio de papel.
Por este céu brilhante, onde queima o sol.
Areia branca ou talvez vulcânica.
De pedras grandes e pequenas onde ferem os pés.
Pés descalços à beira do mar
Deixamos as mágoas, as dores do corpo
Onde a morte afaga os pensamentos.
Frágeis, soltos e débeis
Deste meu corpo já tão frágil e gelado!
Porquê?
Porquê escrever, com dor na alma?
Se eu gosto de escrever poemas.
São como filhos acabados de parir.
Porquê andar por caminhos de pedras?
Se o meu chão é feito dos teus carinhos e ternura.
Porque é que eu ando a chorar pelos cantos?
Se apetece-me cantarolar, quando tu olhas para mim.
Porquê gritar aos sete ventos, todos os meus desejos?
Se eu oiço os murmúrios dos teus beijos.
Porque é que ando a fugir dos teus braços....
Com medo de sofrer?
Se posso sentir o teu desejo a deslizar no meu ser.
Porque é que ando a morrer por dentro de dor e solidão?
Se digo-te com loucura e com desejo.....
Amo-te meu amor "com prazer"!
Senhor
Dá-me um céu
Um céu de várias cores.
Sem mágoas
Sem dores.
Tira-me todas as lágrimas.
Que eu não consigo chorar.
Dá-me luz para perceber.
Porque estou tão magoada.
Tão cansada de viver.!
Senhor
Estou tão cansada de viver.
Dá-me uma sepultura.
Para enterrar as mágoas.
Que fazem-me sofrer.
Que vivem dentro de mim a gritar.
Dá-me um bálsamo para a cruz.
Que estou a carregar, ela é pesada "Senhor"!
No calor dos teus braços meu amor
Quero e queria...viver e sonhar
Onde navega a minha ousadia
Deixando o meu corpo a arder
Na loucura desta paixão assolapada
Queima-nos os sentidos na lareira
Arranjamos uma maneira de viver
Viver todos os sonhos perdidos
Perdidos com contigo meu amor
Nessa fogueira dos nossos carinhos
Escuta o mar junto ao meu coração
No calor dos teus braços, meu amor
Quero e queria viver, sonhar e amar!
Caminho...
Pelo casa em silêncio.
... nos bicos dos meus pés.
Monótono deste silêncio.
Feito no tempo
... para o tempo
Sentido na alma
No silêncio
Que nos traga a calma
... a serenidade
Morreria devagar...
Já farta de te esperar!
Porquê?
Porquê, a luz do dia fere-me?
Fere-me assim o olhar!
Porquê?
Porquê, tenho esta cruz dolorosa?
Se não consigo rezar !
Mais leve que uma folha.
Mais rápido que o vento.
O pensamento vaguei no infinito.
Que bom acabas de chegar.
Para iluminares a minha vida.
Iluminas até o meu pensamento.
Mergulho nos teus carinhos.
Pensamentos profundos...
Quando acaricias-me com as tuas mãos.
Fico sempre sem saber onde ir.
Estou contigo ao vento, ao relento.
Mais leve que uma folha, mais rápido que o vento.
O pensamento vaguei no infinito!
Da essência perder-se o perfume.
Aroma que se enrola no ar
Corpo desprendido do sabor
Lábios soltos,
Vento da minha alma
Transforma-se num espaço vazio da noite.
Transporto o olhar do mar
Entre as lágrimas salgadas
Revoltas de emoções
Silêncio das letras
Palavras feitas em melodia suave
Frases que crescem
Neste encontro onde os corpos fundem-se
Fundem-se em almas nos céus escuros
Num abraço apertado e eterno!
Com medo de adormecer
Ou talvez acordar.
Parti de mim para me salvar.
Deixei para trás as janelas abertas.
Dentro da ternura de um voo.
Do teu deserto percorro um tempo.
Um tempo feito de um relógio.
De um abraço infinito
De um amor…de um olhar
Onde brota o sentimento.
Sentimento que invade a alma.
Contemplando o desejo de perder-me num sonho.
A essência que aquece o coração.
Escuto a música com a chegada das ondas.
Misterioso afeto que mantém-me viva
Com medo de adormecer...ou talvez acordar
Parti à tua procura, numa noite fria e escura
Deixando as janelas abertas para tu entrares.!!!
Quarto quente
Cortina velha ao vento.
Quarto de tábuas corridas.
Pedaço de um longo pano.
Resiste a paixão na madrugada.
Revelando-me os contornos do teu rosto.
Da nossa noite de amor.
Perde-se nas horas, nos dias.
Terno abraço de carinhos e beijos.
Perpétuo entrelaçar de corpos.
Sonhos fiéis dos nossos dias.
Quarto de tábuas corridas.
Janelas com as cortinas soltas ao vento.!
Talvez sim, talvez não!
Vou talvez envelhecer triste.
Solitário(a) e abandonado(a).
Envelheço num pais cheio de sol, rodeado pelo mar.
Vou envelhecer precocemente, sem dinheiro.
Para os remédios comprar.
Envelheço como um livro rasgado.
Velho(a) esquecido(a) e guardado.
Vou envelhecer, num país acidentado.
Onde tudo que é velho, deitado fora será.
Vou envelhecer neste inferno, nesta estação.
Seja ela outono, inverno, primavera ou verão.
Vou envelhecer , antes da hora marcada.
Sem destino, sem hora, seja dia ou noite.
Vou envelhecer e só para não morrer à fome.
Vou ter que ser ladrão, vigarista ou aldrabão.
E meus amigos, talvez tenha de mudar de nome.
Embora eu não tenha dinheiro para a luz, água e gás pagar.
Emigrar talvez seja o remédio, para pagar ao banco a casa que estou a morar.
Envelheço num país, muito mal governado por ladrões e abutres esfomeados.
Envelhecemos e vivemos todos neste inferno, neste lindo Portugal.
Envelhecemos com sol, mar e boa comida, com os santos populares
Sejamos velhos ou novos envelhecemos de certeza, neste pais acidentado e doente!
Subo o pano do palco.
Sem público, sem palmas.
Sarcástica da minha própria derrota.
Acordo sozinha com os olhos e as pálpebras cerzidas.
Nas madrugadas e nas manhãs de trovoadas.
Tempestades em que se ocultam os morcegos.
Os escorpiões cheios de veneno, sem luz da vida.
Ânsias, mágoas embrulhadas em pele de cobra falsificada.
Subo o pano do palco, sem público, sem palmas, sem nada!!
Meu amor visita-me.
Visita-me enquanto eu não envelhecer.
Surpreende-me com palavras.
Cheias de amor e carinho.
Das varandas cheias de malvas floridas.
Noites povoadas de flores.
Meu amor vem.
Vem ver-me.
Antes que as brumas contaminem.
O vulcão e a lava do desejo.
Onde os espelhos despertem em mim.
O grito forte de viver.
E da paixão.
Perco-te no sono e nos teus braços.
Sonho.
Sonho contigo perto do meu coração.
Que não sabe como tocar-te.
Meu amor vem visita-me.
Visita-me enquanto eu não envelheço.!
Sempre ouvi dizer.....
Que os amantes e apreciadores do vinho ....
Serão castigados e atirados no fogo do inferno......
O Vinho dos Mortos....dos vivos.....
Vinho em garrafas enterrado nas....
Escuras e talvez esquecidas adegas...
Néctar dos deuses deste novo paladar.....
História das garrafas enterradas.....
começou durante as invasões napoleônicas....
Não choreis o vinho dos que já partiram...
Não chorarei os mortos já esquecidos
Na escuridão das suas sepulturas ou jazigos....
Onde cresce à solta, as ervas daninhas...
Sobre os corpos adormecidos que agonizam de dor...
Que precisam de encontrar a paz ....o caminho....
almas sofridas.....perdidas na funda escuridão......
E quando o sol....dos tristes esquecer os vencidos...
Reze e medite orações......calmas......puras e profundas.....
Para todos aqueles que vivem....mudos e esquecidos...
No final meus amigos.....viva Portugal....
Bebei o vinho dos mortos....em memória de todos os vivos....
Se os que amam o vinho e o amor vão para o inferno.....
Talvez o paraíso deva estar vazio.....não.!!!.
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