Poesia do Carlos Drumond - Queijo com Goiabada
Não só terra e ar
são teu elemento.
A solidão que te cinge
é a circunstância-mor.
Povoado, o mundo mascara
e te confunde bastante:
família e amigos bordam
com palavras e abraços
a miragem das pontes
a ilusão dos laços.
Mas a tua carapaça
refratária, intacta
não trinca ao toque
de nenhum afago.
És sólido, insólito ovo.
(A vida latejando
recôndita, secreta,
na gema de pedra
que ninguém penetra.)
"Me dói a cabeça. Sinto náuseas.
O que anda sobrando da minha vida é apenas o que não passa pelo ralo. Tudo está desmoronando.
Sinto raiva e quero chorar por continuar nessa inércia, por não tomar uma decisão. Me estresso comigo mesma por ser tão estúpida.
Por que não posso ser mais forte do que aparento ser?
Eu não caio, me levanto uma centena de vezes. Sou cabeça-dura (pra quem me conhece bem), mas não sei a hora de parar de dar corda para um brinquedo quebrado há muito tempo.
Se não funciona mais, por que continuar com a ideia de que um dia irá concertar?
Às vezes acho que o problema está em mim, afinal a vida é de quem?
Dessa vez não vou poetizar, não vou rimar, não vou fazer nada... é só um desabafo tremendo de quem cansou de ver a vida passar.
Eu não quero ter que cuidar dos problemas dos outros, não quero ser conselheira de ninguém - muito menos psicóloga - não estudo pra isso. Não sou obrigada a tentar salvar nada. É egoísta da minha parte, mas não quero o que não acrescenta. Não quero volume, entende?
Bagagens desnecessárias precisam ser dispensadas.
" - Senhores passageiros, última chamada. Embarque pela direita, e tenham uma boa viagem. Até logo"
Eu Juros
Que foi amor
À primeira a vista.
O resto foi parcelado
Só pra ter certeza
Que te veria
Em mais vezes.
Aquele brilho no olhar
Em seu olhar sedutor
Que bem-te-vi
Naquele luar inssensante
Em meio ao nosso santos
Me possuía entorno do seus cabelos
És aparece algo penetrante em minha alma
És enigmático,desconhecido
És amor
Pele preta
Quem é esse neguinho
Dos olhos escuros
Cabelo preto
Da pela preta?
Quem é esse neguinho
Que veste bonito
Sorriso branco
Da pele preta?
Que é esse neguinho
Que corre descalço
E sonha com a vida
Da pele preta?
Quem é esse neguinho
Que se sente sozinho
Rodeado de gente
Da pele preta?
Que é esse neguinho
Que parece comigo
Tem o mesmo sorriso
E da pele preta?
Quem é esse neguinho
Da pele preta
Acorda de manhã
Toma o seu café
Já sei, ele chama Tairan.
Ela liga o despertador
Desliga a luz
Liga o ventilador
Dobra o joelho E fala com o
Consolador
Vai dormir sorrindo
Sentindo Deus ali na cama
Como quem espera a filha dormir
É de madrugada
E ela acorda ouvindo seu despertador
Está frio
Então Ela desliga o ventilador
E enquanto todos dormem
Ela chama Deus de meu amor
São madrugadas coloridas
Entre uma mortal e o dono da vida
E quando o sol nasce
Se constrange ao ver
Tanto brilho
No rosto de um ser
Menina de fé
Menina de oração
Nas madrugadas frias
Ela está com o joelho
No chão
Rodrigo Siza
Sua beleza se compara a de uma flor
Seu brilho se compara a luz do sol
Se for para viver em um mundo sem seu amor
Eu prefiro viver e morrer só
Olhos belos e intensos com uma Opala
Cabelos de uma beleza que não se compara
Quando penso em você minha alma se cala
Quando vejo você meu coração dispara
Sua presença não se vai com o tempo
Sua personalidade não caberia em um milhão de versos
Ao seu lado cem anos viram um momento
Pois você é uma estrela única em todo o universo
AMIZADE
Amizade não se mede,
Não se compra, nem se pede.
Amizade simplesmente acontece.
Amizade não ilude,
Não maltrata, nem é rude,
Amizade não confunde.
Amizade não trapaça,
Não dissimula, nem disfarça,
Amizade vem de graça.
Amizade não prende,
Amizade surpreende,
Amizade não se vende.
Rodivaldo Brito em 28.03.2019
Mulher feito estações
Tu mulher que me seduz à varias estações,
Com olhar de primavera,
Abraço de verão
E beijo de outono com sabores silvestres.
Mulher de fases,
Difícil de surpreender,
Que se destaca entre as demais
Pelo simples jeito complicado de ser.
Cara mulher que sobe no salto
E mostra do que é capaz.
Dona de si mesmo,
Turista em caminhos que nenhum outro ousa trilar.
Tu me faz sonhar, acordar, iludir e desejar.
Mulher que me fez escravo de sua beleza,
Voluntário pra te conquistar,
E ainda na liberdade de desistir, sabe que uma única troca de olhar é suficiente pra nunca mais partir.
eu sou o suspiro
aquele suspiro que a gente dá de repente
que não sabe de onde vem
e nem pra onde vai
pois é,sou eu
eu vivo entre a alma e o corpo
entre o coração e o pensamento
entre o desejo e a saudade
eu sou tão tudo
e tão nada
sou enormemente pequeno
e tão pequenamente grande
e assim como vim,
passei...
Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa contra a mola que resiste
Minha mãe,meu anjo carnal
Linda como o amanhecer
Perfeita como o pôr do sol
Cheia de qualidades
Feita com carinho por Deus
Uma verdadeira obra de arte !
Mãe é amiga
Mãe é conselheira
Mãe é companheira
Mãe é guerreira!
Para o amor de mãe não existe barreira!
O amor de mãe é doce
Doce como um mel
Doce como uma jujuba
Mas não é um doce que adoece
É um doce que a nossa alma fortalece!
A mãe ensina
A mãe educa
A mãe quer ver um filho no topo
Está sempre ao lado do mesmo
Independente da situação que seu filho ocupa
Hoje é seu dia
Apenas um dia mais especial
Pois todos os dias é seu dia
Deus lhe criou com bastante carinho
Para ser minha mãezinha querida
Meu verdadeiro anjo carnal
Carta para meu amado. (Part 1)
Olá,
Tá tudo bem com você?
Hoje eu te vi passando na avenida... Há algum tempo meu coração não batia tão forte, minhas mãos suaram e minhas pernas eu já nem sentia mais. Te ver me provocou tontura, ansiedade, nervosismo, esqueci tudo que eu tinha que fazer, fiquei sem norte. Eu só pensava na tua imagem passando ali na minha frente. A saudade apertou meu peito, por um instante eu desejei que chovesse e que a chuva se misturasse com a lágrima que rapidamente escorreu dos meus olhos, para que ninguém notasse minha emoção.
Você me faz tanta falta...
Resistência
Ouvi do meu pai que a minha avó benzia
e o meu avô dançava
o bambelô na praia, e batia palmas
com as mãos encovadas
ao coco improvisado,
ritmando as paixões
na alma da gente.
Ouvi do meu pai que o meu avô cantava
as noites de lua, e contava histórias
de alegrar a gente e as três Marias.
Meu avô contava:
a nossa África será sempre uma menina.
Meu pai dizia:
ô lapa de caboclo é esse Brasil, menino!
E coro entoava:
_ dançamos a dor
tecemos o encanto
de índios e negros
da nossa gente
No deserto das cidades
uns cavaleiros sonham
mas sonham só
seduzidos pela mais valia.
De resto,
lugar nenhum no coração
para encantar Dulcinéias.
Onde o herói contra os moinhos?
Nós, mulheres indígenas,
Somos raiz deste chão
Somos fortes para parir
Cuidar e dar educação
O homem é só semente
Que fecunda e nasce gente.
E mulher, terra pra criação.
Estou atrás
do despojamento mais inteiro
da simplicidade mais erma
da palavra mais recém-nascida
do inteiro mais despojado
do ermo mais simples
do nascimento a mais da palavra.
Soneto
Pergunto aqui se sou louca
Quem quer saberá dizer
Pergunto mais, se sou sã
E ainda mais, se sou eu
Que uso o viés pra amar
E finjo fingir que finjo
Adorar o fingimento
Fingindo que sou fingida
Pergunto aqui meus senhores
quem é a loura donzela
que se chama Ana Cristina
E que se diz ser alguém
É um fenômeno mor
Ou é um lapso sutil?
Tarde aprendi
bom mesmo
é dar a alma como lavada.
Não há razão
para conservar
este fiapo de noite velha.
Que significa isso?
Há uma fita
que vai sendo cortada
deixando uma sombra
no papel.
Discursos detonam.
Não sou eu que estou ali
de roupa escura
sorrindo ou fingindo
ouvir.
No entanto
também escrevi coisas assim,
para pessoas que nem sei mais
quem são,
de uma doçura
venenosa
de tão funda.
todo dia
uma coisa sangra em mim
entre o abismo e o voo
entre a asa e o salto
eu nunca me matei
todo dia insisto
nesse nascer continuo
poema
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