Poesia de Perdão
Fui refém da culpa até o perdão me soltar, perdão abriu a porta da liberdade interna, soltar a culpa foi voltar a caminhar leve, liberdade veio quando deixei de me prender.
Já calei rancor por necessidade de seguir, o perdão foi tática e libertação, caminho mais leve por ter largado peso.
O perdão foi estratégia de sobrevivência, perdoar não apaga, organiza o futuro, livre ando sem correntes.
A caridade mais essencial é aquela que oferecemos ao nosso próprio espírito ferido, é o perdão silencioso pelas escolhas que nos trouxeram à beira do precipício, é a decisão de não ser o carrasco da própria história, revivendo incessantemente o erro. O ato de ajudar o próximo deve ser um segredo guardado entre você e o invisível, assim como o seu renascimento precisa ser um pacto íntimo e sem alarde, onde o único testemunho necessário é a sua nova e inabalável paz.
O perdão que me salvo não passa pelo outro, passa por mim. Perdoar não limpa a história do outro, limpa a minha cama. Durmo mais leve e tenho sonhos menos invadidos. E quem perdoa por si mesmo descobre que a liberdade é doméstica. É um hábito que se cultiva, silencioso e cotidiano.
A raiva é punir a si mesmo pelo erro de outro. O perdão não é um presente para o outro, é a chave que liberta você da prisão do passado.
O perdão é a chave que solta o prisioneiro: você, o outro é apenas o carcereiro da sua própria mágoa.
O perdão não é um presente ao outro, é um ato de autodeterminação. É a martelada final que arrebenta as correntes do rancor, soltando o pesoque você, iludido, escolheu carregar.
O perdão próprio é um gesto de arquitetura: derrubo pilares, reconstruo paredes. Não é reconstrução imediata, é obra que avança com oficina aberta, com barro, paciência, e a presença de quem não teme lama. No fim, a casa fica mais simples, mas com janelas que deixam o sol entrar.
Às vezes o perdão é uma mesa posta para ninguém. A comida está lá, mas faltam mãos para compartilhar. Fico olhando o prato vazio e aprendo sobre abandono. Algumas refeições só alimentam a memória. E ainda assim a mesa insiste em ser hospital de esperanças.
O perdão que me salva é lento e sem lampejos. Ele se instala como casa simples, tijolo sobre tijolo. Não é espetáculo, nem notícia de jornal. É a rotina de admitir e soltar ao mesmo tempo. E aí a alma respira sem urgências.
O perdão que recebi veio em forma de silêncio acolhedor. Não foi espetáculo, não tinha plateia. Apenas alguém que me olhou sem juízo. Esse olhar me devolveu formas gentis. E eu reaprendi a ser humano com menos armadura.
O perdão que me proponho é lento, como cerâmica. Modela-se com mãos que não esmorecem. Algumas peças racham no forno e perdem a forma. Outras saem perfeitas, surpreendendo até o artesão. E percebo que imperfeição também é beleza.
O abraço que me transforma é simples, sem afetação. Ele contém perdão e ausência de pressa. Sinto nele a possibilidade de recomeço. Alguns abraços valem bibliotecas inteiras. E por eles, continuo crente na bondade humana.
Minha infância ainda soluça em algum sótão da memória. Peço perdão ao menino que fui por não ter sido o herói que ele esperava.
Mágoa prende o espírito enquanto que o perdão liberta…Portanto, liberte-se, tire do porão essa mala empoeirada (coração) e liberte esses sentimentos plangentes e retrógrados, pois o peso de carregá-los é que deixa tua alma pesada como pedra...
Para pedir perdão não é preciso estar necessariamente errado, basta fazer uso do que falta no mundo, caráter.
Aprende-se a perdoar quando quem erra é você, e você depende do perdão da outra pessoa para aliviar seu coração
A sociedade lhe exige um pedido de perdão público. Mesmo sabendo que a isso você fará somente da boca pra fora. Tenha piedade destes que vivem na escuridão e fale em alto e bom som, para que a ilusão atravesse os tímpanos e se impregne cada vez mais profundamente em seus gastos cérebros sem utilidade moral...
