Poesia de Boca
Se você consegue
fingir que não viu,
que nada sabe
e que não tem
boca para reclamar,
fique sabendo
que quando um
tirano faz
de alguém
um preso
de consciência,
essa pessoa
não pertence
mais a ninguém;
ela passa
a pertencer
a Humanidade inteira,
e como sou feita
de sonhos, fibra e honra
não tenho como parar
de pedir que tudo venha
à tona para te libertar.
Em Boca de La Grita
há mortos e feridos.
Surreais os dramas
da tropa em exílio.
Farta dos mentirosos
agindo em rede.
Brutais os dramas
da tropa presa.
Para o povo sobreviver
tem sido um desafio.
Quase não há mais
como escrever poesia.
O General continua
há mais de cinquenta
dias desaparecido,
Não consigo crer
que esteja mais vivo.
Entregando pistas
como quem te dá
bombons com a boca,
aos poucos entrego
tudo o quê para nós
nunca foi segredo.
Fingindo sempre
que não entendo
mantenho você preso,
porque sei quase
tudo ao teu respeito.
Enfeitiçando através
das minhas pistas
assim é perversão
doce para inquietar
dia e noite o coração
a vir me encontrar.
Domando assim
as manias de brincar
com o coração alheio,
no silêncio poético
construí o meu castelo.
Caminhando mesmo
sem pensar você virá
imparável porque sou
tudo o quê o teu instinto
sempre esteve a buscar
e o teu coração a sonhar.
A Boca do palhaço
foi montada
na Festa Junina,
É só questão
de fé e de mira
como em alguns
momentos
pedidos na vida,
Com disposição
tudo se realiza.
Algumas divagações sobre liberdade de expressão...
Esse negócio de um insistir calar a boca do outro é perigoso para todos. O nosso país é imenso. Liberdade de expressão é também questão de segurança pública e de segurança nacional. É preciso ter bom senso...
A liberdade de expressão precisa ser tocada sem banquete de egos. Se errou é só se retratar e corrigir a informação.
Se expressar sem ódio já ajuda, mesmo aquelas pessoas que não têm domínio dos instrumentos do exercício da liberdade de expressão.
Entendo por exercício de liberdade de expressão tudo aquilo que eu possa expressar que não seja mentira, que não ofenda quem não merece ser ofendido e que não convulsione a estabilidade social. Verdades podem ser ditas sem ódio, sem mentira e sem desestabilizar a ordem.
Botar é verbo,
e verbo é ação
mais forte
do que quaisquer
palavras,
Botar na boca
dos pajés é só para avisar
que é preciso encantar
para fazer alguém feliz.
Colher o líquido
do perfume divino
da sua boca,
Deixar-me envolvido
pelo odor do seu
ao encontro sedutor
com a morte deliciosa
nos teus braços fortes,
Ser a poesia romântica
preferida do seu amor.
O que guarda a sua boca conserva a sua alma, mas o que abre muito os seus lábios se destrói.
Provérbios 13:3
Adoçar com os meus
beijos a sua boca
é a minha mais louca
e maior ambição,
E você não haverá
de querer outra coisa.
Que você está caindo
na minha mão,
Por premonição vejo
que é todo meu
o seu desassossegado
e doido coração.
É fato que não está
escrito em nenhum lugar,
Eu sei que você faminto
há de se lambuzar
com o mel da sedução:
coloquei você em revolução.
Faltas e querência
Me falta uma boca.
Me falta um corpo.
Me falta uma louca.
Me falta uma mulher!
Me falta a candura.
Me falta a doçura.
Me falta o anjo.
Me falta a mulher!
Eu quero a boca cândida.
Eu quero o corpo doce.
Eu quero a alma menina.
Eu quero o gênio, a ira, a loucura...
Eu quero Aquela Mulher!
☆Haredita Angel
Despedida
Há momentos na vida, que não dá prá calar!
A boca fala o que a alma sente,
e grita todo o horror da dor...
As correntes se rompem...
Os sentimentos transbordam diluídos em lágrimas...
Magoa-se, quem nos endureceu o coração...
Perde-se quem na verdade nunca se teve...
Luz, que não reluz...
Vida, que não se refaz...
Parto, partida, ida, sem volta...
Adeus, até nunca mais!
☆Haredita Angel
"Para quem nunca me viu
eu sou bonita tá ?
Quem já me viu cala a boca ninguém chamou você na conversa!"
Haredita Angel
05.10.19
Chamamos-nos de irmãos,
Mas às vezes só de boca,
Pois o olhar que lança espinhos
Fere mais que a mão que toca.
Que voz está ecoando na sua língua?
“Da mesma boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim.”
— Tiago 3:10.
Às vezes nos encantamos com a beleza,
daí, em seguida, quando a criatura abre a boca nos decepcionamos com a ignorância.
Nem a natureza escapa da falta de critério,
raramente consegue agregar beleza à inteligência.
Queria ouvir mais da sua boca
o som inconfundível
da palavra gratidão.
Melodia divina
que Deus ensinou
aos seres vivos
com a ciência suprema
da natureza.
FALATÓRIO
Fiquei sabendo por boca de Matilde
Que uma certa pessoa gosta de mim
Que anda dizendo, meio secretamente
Que me tem desejo ardente, e o que faria por este fim.
Não pude acreditar que tão fina dama soubesse que existo
Ela vive em outra esfera, e, que pobre quimera eu poderia supor
Muito menos querer que tão linda mulher me tivesse amor.
Sou poeta andarilho, ando fora do trilho
Nunca quis tal grandeza, que a sorte e a beleza
Me fizessem um favor.
Diz por aí, que daria tudo por um verso meu
Que tamanha tolice, se eu fosse querer
Fazer verso em troca de um simples prazer.
Continuo a negar este vil falatório
Que um ser tão simplório lhe chamasse a atenção
Não será por encanto que serei acolhido
Por uma simples canção.
FOLHA MORTA
Se a minha boca não te surpreende
se o meu corpo não te satisfaz,
o que te falta, para ir embora,
seguir teu rumo, me deixar em paz?
A vida a dois não é cláusula pétrea
se for por força de obrigação
o amor definha, vira folha morta
logo um se despede, outro fecha a porta
finda toda rota de contradição.
Queria ouvir de tua boca, Invés de ciúmes
Sabores agridoces, sussurros e queixumes
Sobre o meu amor, Justa cobrança
Para ser mais intenso, como choro de criança
Canto e Abismo
Me sinto perdido,
arrebatado,
quando escuto tua voz.
O som que de tua boca sai
me guia—
e sempre me lança ao abismo.
Espanto e desespero me perseguem.
O violino,
o mais metafísico dos instrumentos,
ressoa sobre uma base de piano.
Teu canto lírico, suspenso no ar,
é fôlego e esperança.
Caminho sob a sombra
de um passado que não esqueço.
Morro, adormeço,
mas não sonho.
Vivo a realidade cruel do abandono.
Ah, que cão sou eu,
esquecido na noite chuvosa!
Meu destino é árido,
minha cova, rasa.
Não há salvação para quem ama,
nem para quem perdeu
a hora da partida
e o encanto da chegada.
Ah,
minha triste figura,
minha desventura,
minha sorte desalmada.
