Poesia de agradecimento
O que sei de caos?
O que sei de caos?
Quase tudo,
tenho um coração quebrado
e uma alma em farrapos
eu sou humano.
O que sei de caos?
Quase tudo,
pois quem inventou o amor
se esqueceu de avisar
sobre o engano.
O que sei de caos?
Quase tudo,
pois quem inventou a esperança
esqueceu de falar
do desengano.
O que sei de caos?
Quase tudo,
pois quem inventou a fé,
se esqueceu de avisar
do caos humano.
O que sei de caos?
Quase tudo,
tenho um coração quebrado
e uma alma em farrapos
eu sou humano.
O que sei de caos?
Quase tudo,
pois que ensinou sobre a paz
se esqueceu de explicar
a razão e a necessidade
da guera...
Evan do Carmo 09/07/2016
ENTRE A MESA E A CAMA
Entre a mesa e a cama
Um espaço a ser percorrido
Com a imaginação do corpo
Com a cumplicidade dos olhos
Com as mãos e os dentes do vinho.
A boca saliva, degustando o amor
Em goles de suspiros e de saudade
Entre a mesa e cama há um limbo
Que purifica as almas “encarnadas”
Onde os amantes recuperam a santidade,
Entre a mesa e a cama, o prazer
O brilho do mundo e o encantamento
Entre a mesa e a cama, o sonho
A conquista, o delírio de estar vivo.
Evan do Carmo 21/07/2016
A REVOLUÇÃO QUE ALMEJO
Eu quero uma revolução
à maneira do Cristo e de Gandhi
onde o homem não revida o mal com mal
caso agredido ofereça a outra face
e que tenha direto a produzir o mel e sal.
Eu quero uma revolução
onde as armas de guerras
serão Instrumentos agrícolas
e que a terra forneça o pão justo
da semente plantada.
Eu quero uma revolução
onde os filhos são amigos dos pais
e cuidam deles com o mesmo zelo
com que foram criados.
Eu quero uma revolução
onde as lágrimas são de alegria
e de saudade, onde a morte
não causa dor, só liberdade
pois o homem morre certo
de que cumpriu sua missão
com honra e lealdade.
Eu quero uma revolução
onde as crianças não precisam
de um estatuto..
e a escola é um abrigo
de amizade e confiança no adulto.
Eu quero uma revolução
onde o impossível não se pronuncia
que o milagre da divisão do pão
ao necessitado, e do vinho
em água pura ao sedento viajante
seja cultura, direito incontestado.
Eu quero uma revolução
onde busca da paz seja relíquia
peça de museu da consciência
onde as raças se reúnem numa só etnia
a espécie humana...
A discussão sobre a morte
Falamos da morte como inexorável,
às vezes tentando ignorar
sua postura austera,
intransigente, inquebrantável...
Não há entre os homens vivos
nem entre os mortos, entre sábios ou tolos
alguém que saiba responder,
além de delírios ou hipóteses
o que é a morte, nem o que lhe segue,
qual sua verdadeira causa ou intenção...
Poetas e pensadores, não raro a descrevem,
arriscam seus palpites, outros falam em tese:
“a morte é o fim de tudo, ou início de nada.”
a sonhos e a pesadelos se atribui teorias,
doutrinas bem intencionadas...
a morte poderia ser, mas ela não é
não há Por vir, nem De vir,
tudo é abismo e talvez....
Mas se a vida ignorasse a morte,
se não houvesse pesar nem temor,
físico, metafísico ou moral?
A morte não seria o que é
nem o que não é...
a morte é apenas uma rima
que o homem tenta decifrar...
mas lhe falta tempo, espaço e sorte.
Evan do Carmo
Sobre a verdade
A verdade não é relativa,
não a minha, nem a tua,
a verdade de cada um
é inexorável como o sol,
todos a verão...
Mesmo que a ignorem,
saberão da sua existência
cruzarão com ela
face a face...
Minha verdade
assim como a de Pilatos
não é relativa...
ela não é discurso de Cícero
nem retórica de Homero
ou banquete de Platão.
A verdade é transparente
e purificadora, na tragédia
e na comédia ela revela
a alma do seu agente
expõe o abismo das palavras
a verdade não é divina
a verdade é humana
é a soma das nossas ações.
Evan do Carmo
O SENTIDO DE TUDO
não é em Bach
nem na nona sinfonia
ou em Wagner
que encontro sentido,
razão ou ânimo pra viver
o sentido é uma sombra esparsa
às vezes um feixe de luz solar
que vez por outra reaparece
em dias inesperados, improváveis
quando a solidão humana nos perturba.
o sentido está na busca de sentido
no fim da frase feita, na mesa posta,
na cama desfeita... No nascer do dia,
no cair da tarde, no chá quente,
no abraço apertado, na boca fria,
até num adeus planejado.
O sentido de tudo é quase um nada
é um pedido de desculpa,
um muito obrigado....
o sentido não está só no copo
nem só no vinho com amigos,
nem na água fresca que banha
dois corpos apaixonados.
na viagem dos sonhos
pode haver algum sentido
mas nem toda partida é saudade
nem toda voltar regozijo
nem toda morte um desespero
nem toda vida um paraíso.
Evan do Carmo 06/12/2016
“De Angra a Parati!
Sonhos e alucinações me são frequentes
ao me lembrar do que nunca houve entre nós,
como um aceno teu, um sorriso complacente
de ti para para mim, nem mesmo em pensamentos
me foram reveladas as tuas intenções
as imagens são curvas, sombras, calafrios
às vezes pesadelos.
Do teu corpo sinuoso nunca senti sequer o perfume
no máximo uma dança, de corpo presente
e de alma distante... um aperto de mão
um breve adeus, até breve,
quem sabe um telefonema.
Assim me encontro, impávido,
com um incerto destino desafortunado
sempre na expectativa enfadonha
de um dia voltar a te encontrar
como quem anda por estradas perigosas
curvas, florestas e praias desertas
de Angra a Parati!”
― Evan Do Carmo
Achei o amor
Achei o amor, o insolúvel enigma
para os deuses, mas real para homens.
Achei o amor, em meio à contradição,
entre o medo e o abismo.
Achei o improvável, o que ninguém presumia
o teorema das águas e do fogo.
Achei o amor, a soma do equilátero
do infinito, sem medida.
Achei a consumação de tudo, do fim e do meio,
achei o etéreo-efêmero.
Achei o amor, o impossível, o imanente,
o átomo divisível, sem cor, nem corpo ou gênero.
Evan do Carmo
A BELEZA DO MUNDO
Lastimo-vos, ó homens estéreis
que não conheceram o amor
senhores ricos e poderosos,
donos dos céus e das estrelas
mais pobres e desafortunados
que na vida não se rederam
ao encanto da musa
nem à penúria do poeta...
Lastimo-vos, ó mares e rios
fontes e florestas, campos e jardins
todos os encantos da natureza
serão ignorados pelos amantes
toda beleza do mundo está no amor
na alma e nos olhos de quem ama.
EVAN DO CARMO
Eis o amor que vale a pena,
é aquele que nos faz virar poeta
ou alcoólatra!
Imaginem um amor
que nos dá as duas coisas!
"Aproveite o meu verbo-salivo,
pois ainda há pulso
mesmo anêmico e frio
parece vivo
este meu discurso
sobre a pedra
sobre o rio...."
UNIVERSO CAOS
Imagine um turbilhão de partículas flutuando no abismo. É a isto que cognominamos de universo. Partículas de todos os tamanhos e formas, fruto de um caos, desgoverno sem propósito.
E o homem, apenas mais uma partícula atômica empurrada pelas leis naturais, física e gravitacional.
A inteligência lutando em vão contra a perversidade do caos, com o fim de organizar, elaborar sistemas, classificar espécies e formas que garantam a sua existência duvidosa. Qual a condição e a possibilidade do homem reverter este fato que é o caos universal?
Mesmo que todos os homens, como partículas integrantes deste sistema sem objetivo se tornassem inteligentes, a ponto de desenvolver instrumentos para se isolar dos demais sistemas caóticos, não seria possível contornar nosso destino abismal, pois as inteligências difeririam e, logo estaria formado outro
caos dentro do caos, as ideologias, cada grupo "inteligente" apontado apenas para seu umbigo, e a desunião causaria a destruição da espécie. Eis o mundo atual.
MUSA DE MONET
Guardei o teu retrato
No horizonte da ilusão
Depois do arco-íris
Surgiu uma distração.
Um vulto de mulher
Andando devagar
Em minha direção
Musa de Monet
Pensei fosse você.
O amor é mesmo infante
Virou hoje um fantasma
Quem foi um dia amante.
Evan do Carmo
Relembrar é morrer
a vida que não temos mais
um barco esquecido no mar
de saudade que ficou ao vento
no esquecimento dos temporais
relembrar é voltar ao passado
e saber que aquele cais já não existe
só o que persiste é a ilusão
em um lugar inatingível
que engana os incautos
relembrar nunca foi viver
só se vive uma vez
sentir saudades é voltar
ao que se perdeu no tempo.
O sabiá
Um sabiá canta no meu quintal.
Toda manhã ao pé da minha janela,
Um canto melancólico, ele parece contar
Uma história triste, porém singela.
Às vezes penso, que o sabiá que canta o dia inteiro
No meu pé de laranjeira é um lobo solitário,
Que vive entre as estações
E canta pra sobreviver, não porque é necessário.
Eu o vejo pela vidraça da Janela,
Por vezes embaçada de neve ou de poeira.
O sabiá, assim como eu,
Escolheu a solidão como companheira.
O sabiá sabe, assim como eu sei
Que o que era sublime e tão bonito
Ao mudar de estação se perde tudo
Seu canto fica mudo...Tudo cai no infinito.
Celebro o teu beijo
em cada rincão
do meu corpo
eis o meu segredo.
Não sei se és
minha realidade,
no fundo sinto
que já sou
a tal chama
que em ti arde.
Sou a confiança
de uma criança
que pede por ti
para não temer
a noite escura.
Orgulho solene
de me sentir
erótica, quente
e rica como
uma divindade
por ter feito
você satisfeito
adormecer entre
os meus braços.
Sem você
me ver
te beijo
com igual
entusiasmo
de dois jovens
sob o luar
numa cidade
esquecida
e abraçados
no portão
de casa.
Darei este
beijo casto
para receber
o teu ainda
mais puro
em troca,
e com franca
intenção
de ganhar
o teu lindo
coração.
Algo diz
que isso
ocorrerá
no tempo
certo que
é o tempo
que não
importa,
a vida nos
surpreenderá
na porta
como nunca
aconteceu.
Plantei amor
no coração de
um pássaro de
rara plumagem,
É por ele que
aguardo acima
dos séculos,
para dar
o sobrevoo
e o mergulho
no oceano
da paixão.
Mantenho
a alma
recatada
em secreto
para não
dar pistas
do nome dele,
Porque no fundo
sinto que sou
respondida
mesmo sem
estar ao lado
porque no peito
ocupo espaço.
De Alotaiba
os mais lindos
versos peguei
emprestados,
Consagrarei
os nossos mais
augustos passos;
Não buscarei
o porquê do destino
ter pregado a peça
de desejar viver
entre os nossos
futuros abraços.
O importante é que
o desejo de estar
no mesmo caminho
tem sido o presente
superar os obstáculos
do destino e tornado
a espera contente.
A vida brinda
a cada um de nós
com amores possíveis
e os impossíveis
para termos forças
para superar
as tempestades
que sugerem
ser implacáveis.
O imprescindível é
que nós nos temos
de olhos fechados,
e com o mesmo
fervor de jovens
enamorados
e a confiança
no giro dos astros.
No meu universo
em turbilhão
te protejo meu
amor de rendição.
Te querer por
perto pode
ser grande
tal ambição,
mas não vou
deixar perder.
No meu jardim
em silenciação
te faço meu
amor em flutuação.
Te querer por
cada segundo
e instante
por ser grande
tal adoração,
sou tua antes
de sequer
imaginado,
eu te sinto
todo o dia
mais apaixonado.
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