Poesia Carinho Machado de Assis
Luz
Andei na vida pergunta fazendo
Morrendo de tédio, de tédio morrendo.
Riram os homens de meu desvario...
É grande a terra! Se riem... eu rio...
Escutei palavras; demasiadas palavras!
Umas são alegres, outras são macabras.
Não pude entende-las; pedi as estrelas
Linguagem mais clara, palavras mais belas.
As doces estrelas me deram tua vida
E encontrei em teus olhos a verdade perdida
Oh! teus olhos cheios de verdades tantas,
Teus olhos escuros onde o universo meço!
Segura de tudo me jogo a teus pés:
Descanso e esqueço.
Assim seja
O dia fica para trás,
mal consumido e já inútil.
Começa a grande luz,
todas as portas se abrem diante de um homem
adormecido,
o tempo é uma árvore que não para de crescer.
O tempo,
a grande porta entreaberta,
o astro que cega.
Não é com os olhos que se vê nascer
essa gota de luz que será,
que foi um dia.
Canta abelha, sem pressa,
percorre o labirinto iluminado,
de festa.
Respira e canta.
Onde tudo termina abre as asas.
És o sol,
o aguilhão da aurora,
o mar que beija as montanhas,
a claridade total,
o sonho.
Curriculum vitae
digamos que ganhaste a corrida
e que o prêmio
fosse outra corrida
que não bebeste o vinho da vitória
mas teu próprio sal
que jamais escutaste ovações
mas latidos de cães
e que tua sombra
tua própria sombra
foi tua única
Diálogo
Ele abre a boca
é vermelha por dentro
ela abre os olhos
sua córnea é branca
como a lua
está quieta
a córnea lua
iluminando apenas
a bem-amada gengiva
dentro
com silêncio
à boca fechada
às escuras
habitam ambos
Deixei a porta entreaberta
sou um animal que não se resigna
a morrer a eternidade
na escura dobradiça que cede
um pequeno ruído na noite
da carne
sou a ilha que avança sustentada
pela morte ou uma cidade
ferozmente cercada
pela vida
ou talvez não sou nada
só a insônia
e a brilhante indiferença dos astros
deserto destino inexorável o sol dos
vivos se levanta reconheço essa porta
não há outra gelo primaveril e um
espinho de sangue no olho da rosa.
Persona
o querido animal
cujos ossos são uma recordação
um sinal no ar
jamais teve sombra nem lugar
da cabeça de um alfinete
pensava
ele era o brilho ínfimo
o grão de terra sobre o grão
de terra
o autoeclipse
o querido animal
jamais para de passar
me contorna
uma sarjeta é o lugar onde se deixar uma menina
uma menina é um ser vivente, um ser vivente é esse
que se atravessa e mata e nunca existiu
não vou mais pisar a sarjeta de quando era uma menina
sob as mãos do pai, do outro e do outro
todo e qualquer desconhecido
um senhor me pergunta se foi um poema que se salvou
como sede de qualquer morada
o claustro, senhor, não pisar qualquer chão
ser encarcerada é um ótimo ataque, lê-se numa vala
ponho as mãos no coração
só posso escutar o naufrágio correndo pelos olhos
- escuta! minhas pernas bambas te esperam
Pensamentos
Madrugada sórdida, eólica e pródiga,
que me vejo sem paz.
Canção melancólica, alcoólica,
e sempre tão sem graça,
que cada lembrança traz.
Mas quem pudera um canto garrido,
que traga o sorriso, isento de,
machismo, feminismo, eufemismo,
livre até mesmo do “ismo”,
inventado por idealismo,
tais “sapiens evoluídos”,
que o canto não os toca mais.
Tenho mais perguntas do que respostas,
um questionador repleto de propostas.
Guardando para si, por não haver debate,
apenas lados e falta de honestidade.
É evolução ou retrógrado,
é idiotice ou monólogo,
todos esses pensamentos,
que me privam de sentir do ar.
Apesar de sem sentido,
não deixa de ser eólico,
o vento traz males e bens,
carregando as energias,
no desequilíbrio do vai e vem.
Superar (verbo)
é entender que a emoção não faz sentido.
é entender que o pão não vai estar quentinho.
é entender que o tênis branco em dia de chuva era problema.
é saber que nem tudo é como se espera, dilema.
Viajei em todos os universos e em nenhum deles eu te encontrei.
Creio que seja assim que funciona: a estrela cadente passa e se não a percebemos nessa pode ser que nunca mais a veremos.
Descobri no teu abraço
a vivacidade daquele enlaço
que me acolhe
que me encolhe
que me colhe
e que a colheita não são flores, mas um alimentos que me nutre por inteiro
tras o aconchego
a vontade de serestar.
Eu perdi o seu amor
mas eu jamais vou te perder
uma história não se apaga em apenas querer
e nenhuma verdade se torna mentira
simplesmente porque eu quero
Eu perdi o seu amor
me perdi,
mas eu jamais vou te perder.
pro-cura
e nos cacos do espelho
em tristes *meixelas
já não me vejo
cílios, rastros
quebradiços retratos,
de pejos, desejos
labirinto de outrora
eu sou
Venho aqui pra te contar
Uma bonita história
Sobre dona Carmelita
E a sua trajetória.
Hoje, aniversariante,
E, por isso, nesse instante,
Faço essa dedicatória.
Nascida em Sirinhaém,
Vinte e sete era o ano.
Dizem que foi vinte e seis.
Registraram por engano?
Pedro e Brígida, seus pais,
Lhe deram lições morais,
No Estado pernambucano.
No tempo de pequenina,
Criança, pintava o sete.
Fugia para o açude,
Onde o sol brilha e reflete.
Com cinco seu pai morreu,
E, com a mãe, só conviveu,
Até fazer dezessete.
Muito jovem se mudou:
Garanhuns, o novo lar.
Despediu-se da sua mãe,
Foi preciso trabalhar.
Vivia com bom humor,
Até conhecer o amor,
E então foi se casar.
Cinco filhos ela teve,
Eu fui seu primeiro neto,
Me tratou com muito apreço,
Com zelo, amor e afeto.
Grande família manteve,
Sete netos ela teve
E ainda seis bisnetos.
Essa vovó é guerreira,
Nunca cansou de lutar,
E até risco de infarto
Coração foi enfrentar.
Hoje tá beirando os cem,
E nem todo mundo tem
Tanta história pra contar.
(Poesia dedicada aos 93 anos de Carmelita Bourbon de Albuquerque, completados em 7 de setembro de 2020).
Como foram rápido os anos
Levando momentos eternizados
em lembranças sempre presentes em meu coração
Eu fecho os olhos, e volto
Prolongando cada abraço
Hoje tá tudo
bagunçado
Não é sobre a cor dos teus olhos,
a da tua pele ou a dos teus cabelos.
É sobre esse arco-íris que tu levas na alma.
Em Agosto
Ouço as vozes que cantam
E em silêncio elas derramam
Lágrimas quentes pela manhã
Por horas é o para sempre
E por horas penso em te ver
Simplesmente para abrir a boca e falar
Em agosto eu toquei os céus
Com as mãos em chamas
Voltei de um dia claro e frio
Quando se vive a verdade
Belas palavras são só palavras
No fundo de um precipício
É o que eu sinto antes de tudo
Amor, paixão ou o que tiver que ser
Realidade é a cor dos meus sonhos
Diga o que tiver a dizer
Quando estamos juntos
Atenção é o seu sobrenome
Aonde cada suspiro é um poema completo
Respiramos como recém-nascidos
Assobiamos como pássaros
No laço dos seus braços
Diga que ainda vai me proteger
Quando o dia tiver partido
Nos olhos me perco
No perfume me enveneno
Em tudo e em todas as coisas em que te vejo
"Os poetas dominam a arte de expressar os sentimentos com palavras. Não sou um, mas expresso da minha forma. Seja com um sorriso sincero, um gesto de carinho ou simples palavras que fazem todas a diferença para alguém especial. Quando feitas ou ditas para a pessoa certa no momento certo se transforma em um momento único. As vezes o sentimento é tão forte que palavras não são suficientes para descreve-los, mas ações quando feitas com o coração descrevem muito bem esse sentimento chamado AMOR"
Ivanildo Sales
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