Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac

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Com um livro sobre o colo estéril
versejo uma ideia que me foge,
aquela frase exata que sempre busquei.
Com o exato momento da palavra,
que tivesse o tom do improvisado jazz
e a razão de um vidente esquizofrênico.
Ai, como eu gostaria de ter escrito
certos versos que neste livro leio!
Cercaria meus sonhos com grandes muros,
no jarro de minha mesa sorririam flores
e tudo isto já não mais seria plágio.

Sentimento Novo

Estou gostando de algo novo
Estou gostando de você
És a criatura mais bela
Meus olhos a te ver

Meu sorriso florescer
Minha mente a se perder
Seu sorriso monótono
Seu jeito é ótimo

Sua voz me alivia
Seu olhar me contagia
Alucinado por você estou

Garota eu não vejo a hora
Quero te ter ao meu lado agora
Admirado por você estou

Fuga

Fugirei dos seus braços
Ao perceber que, diante do gatilho,
Estou completamente perdido por você,
Desculpa! Se estiver sendo baixo
Só não quero corromper
As montanhas,
Tenho medo da neblina.
Seja minha ninfa!
Mas quero um pouco
Curtir a vida…
Um dia a farei
Meu universo, minha rainha
Serei seu dia,
Por enquanto
Da paixão serei de você
Uma fuga.

Valter Bitencourt Júnior
Toque de Acalanto: Poesias, 2017.

Doce pecado

Nasce uma flor inusitada
Bela delirante
Curvosa…
Seu perfume é um cristal
Vindo das colinas,
Inspira o céu
Transmite-me tranquilidade…
O tempo passa,
Tudo muda,
Ludibrias os meus olhos,
Enlouquece-me,
E me perde
Nas profundezas
Da paixão.
Doce pecado
Que me pega por baixo
E me faz de surpresa,
Sufoca, laça, faz de mim fatias
Deixando-me em pedaços.

Valter Bitencourt Júnior
Toque de Acalanto: Poesias, 2017.

CHACAL

Ó Cerrado! ó velho de bravura!
Ó cruel e implacável vastidão!
Que propina solidão ao coração
E ao silêncio lágrimas mistura!

Pois a melancolia, onde é chão
Abre em secura, arde a tristura
Na quietude tal duma sepultura
A dor viva de um atroz bordão!

Tal o contraste! agridoce figura
Aridez, e flores na contramão
De saudades no vazio em jura!

Ó Natureza! Ó Divina criação
Alegria e tristeza em conjuntura
Nasce a privação e brota a ilusão...

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
início de setembro, 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando

Das prensas dos martelos das bigornas
das foices dos arados das charruas
das alfaias dos cascos e das dornas
é que nasce a canção que anda nas ruas.

Um povo não é livre em águas mornas
não se abre a liberdade com gazuas,
à força do teu braço é que transformas
as fábricas e as terras que são tuas.

Abre os olhos e vê. Sê vigilante
a reação não passará diante
do teu punho fechado contra o medo.

Levanta-te meu Povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta é que o sol arde
pois quando o povo acorda é sempre cedo.

Há sim uma certa magia
que num suave pulsar
de notas trazidas
por uma brisa perfumada
faz tudo exalar em
poesia...

Hay una cierta magia
Qué una pulsación suave
de notas
para una brisa fragante
y se ventile todo en
poesía

VAGA-LUME

A lombra homeopática
Em meus olhos vislumbrava
A escuridão envolta
A meu corpo que reluzia

Eu não sabia
Se era um infeliz sonhando
Com a felicidade
Ou se alegre pirilampo
Imerso nas quimeras humanas

Inocente Donzela

Quando se deu conta
Estava sozinha amarrada
Olhando para o vazio da sala

Ela sempre sonhou
Cresceu profetizando
Que seria arrebatada
Levada sem destino

Sua mãe aconselhara
Para ter cuidado redobrado
Estava determinada
Que se entregaria, até sua alma

Era de pouca conversa,
Aqueles meninos não a seduzia
Achava seus papos caretas
Procurava algo bem diferente

Tinha em mente uma entrega
Que ia rabiscado no papel
Seu príncipe um dominador
Ela submissa Rapunzel

Foram dias e noites de espera
Nem mesmo se mastubava
Amadurecera inocente virgem

Numa nuvem de tempestade
Como se fosse feiticeiro
Sem avisar o príncipe apareceu

Numa enigmática rede social
Dentro da super tela virtual
Bem fluente e bem dotado

Mesmo avisada ele a embriagou
Com gentileza e palavras doces
Decifrou-a inteira
Dominando a mente dela

Num gesto rápido e preciso
A tomou de surpresa de relance
Em silêncio a levou para longe
Num desconhecido lugar

Fez com ela tudo que sonhava
Com uma alta dose de exagero
A feriu no seu íntimo

Ela gritou, tentou fugir
Não conseguiu, dopada
Enquanto ele ria, dançava

Ela lembrou dos conselhos
De sua mãe amiga
Agora de nada adiantaria
Estava amarrada e sozinha

Leopardo Dom

Rapaz acredita em ti e nas tuas capacidades,
vai a luta,
porque tens um mundo pela tua frente de oportunidades.

EQUILÍBRIO

Quem é teu remédio e tua doença?
Quem é tua fé e tua descrença?
Quem é tua asa e teu cadeado?
Quem é teu fim e teu inacabado?
Quem é tua resposta e tua indagação?
Quem é tua verdade e tua ilusão?
Quem tu tanto mata e continua de pés?
Seja quem for, na balança: tu és.

Vencer

O dia anoitece, o brilho evanesce
E a gente se esquece do que era pra ser
A vitória, o destino, penso comigo
Almejo o que é grande e tento crescer
A batalha, a guerra
Um dia na Terra
Agradeço a Deus pelo dom de viver
Se caio, levanto, não faço pranto
continuo andando como bem entender
A vontade é forte, sou homem de sorte
Minha determinação me leva a crer
Que nesta vida, não importa o caminho
E sim com quem andas te ajudará a vencer.

Adoro seu senso de humor que descontrai. Sua beleza que me enfraquece. A vida nos seus olhos que me dá saudade.
(...) "Existe uma chama dentro de mim que sempre se acende ao ver ver seus olhos, sua essência de liberdade e aquele sol radiante dentro do peito. Basta uma fogueira para você me levar onde quiser..."

Eu vendo doce pra essa vida azeda
pra que amargo seja só o suor do trampo,
Eu quis um sonho e criei a receita
pra saber o sabor de ter milhões no banco.

Fragmento do poema:
"O grito que ecoa da quebrada"


[...]Liberta a tua mente e segue, vai em frente
vai ver quem é a gente que você olha atravessado
quando para no semáforo e ergue o vidro apressado
observa com cuidado quem é o pretinho que tu olhas desconfiado
e aperta o passo quando ele passa ao seu lado
com a barriga vazia, com os sentidos embaralhados - de tanta fome.
Enxerga o estilo dele e entende de uma vez por todas...
Que esse é o estilo que faz sucesso por lá.
Descobre a palavra de ordem dos (marginalizados)
que você marginaliza ao julgar
e grita alto aos quatro ventos quando descobrires
da sua varanda ou de seu terraço milionário invocado.
O grito que ecoa da periferia é...
Mais respeito, por favor!
Pois já estamos cansados.

A Nave (Walmir Palma) p/ Oscar Niemeyer


Eu vi o traço do arquiteto incontinente

Insustentável tal leveza e o gênio ousa

No coração da pátria enfim inconfidente

A liberdade sutilmente as asas pousa


Sonho conjunto que a memória perpetua

Planta- se o sempre nos elãs da geometria

Unem- se retas ao milênio que acentua

A esperança mais presente que tardia


Cumpre- se a curva equilibra- se a mandala

Na convergência consciente dos vetores

A nave voa na amplidão aterrissada

Sucumbe a farsa onde a razão fincou valores


A criação desnuda o pêndulo no plano

Fundem- se ali o artista e o esteta

Em desafio qual esfinge ao olho humano

Deus quando faz das suas mãos as do profeta

(27 DE FEVEREIRO)

Dia e mês que levo os anos
Nas costas, cada vez maior
Sem fronteira e sem planos
Nos males e sonhos o suor

Levo com cuidado esta data
Num rígido e reto itinerário
Afinal não é ouro nem prata
Mas é especial no calendário

Nunca posso dar um até mais
Pois veloz já é naturalmente
Triste é ficar sentado neste cais

E sempre deixo um posposto pendente
Pois ficar mais velho, são fatos anuais
E ser lerdo, retarda receber o presente

Coração no Varal

Meu coração
Está pendurado no quintal
No varal, secando as lágrimas de aflição
Pingando agrura funeral
No sol, na chuva ao relento
Com a emoção amachucada
Frágil ao vento
Rangendo no peito de um jeito cinzento.

Luciano Spagnol

Da saudade

Saudade palavra agridoce
Contigo o mel e o amargo
Na secessão é tão precoce
No desengano desencargo

Da solidão

A solidão não é estar só
Seu silêncio é necessário
Tem seu charme seu xodó
Quietos no nosso breviário
Ter solidão é de ti sentir dó
E não ter qualquer destinatário

Da tristeza

De ti triste tristeza
Só nos traz incerteza
Afasta o belo da beleza
Ora nos traz profundeza
Ora nos traz aspereza
Que seja então breve
E nas tuas ruínas, leve

Da sabedoria

A sabedoria filha do entendimento
Tão desentendida pelos homens
Homens de guerras e sofrimento
Na ganância de ter bens
Como se fossemos dono de alguma coisa, somos momento.

Da alegria

Da alegria trago o sorriso
Gargalhar se faz preciso
Pro fado se fazer conciso
E o pleno prazer indiviso

Do amor

Do amor se espera encanto
Sem se frustrar na emoção
Do outro se quer santo
Se santo não é o coração
Então se cria o espanto
E no espanto a desilusão
Mesmo assim, queremos tanto, tanto...

Luciano Spagnol

Dia do médico

Ser médico...
É dar de si eternamente
Partilhar a dor do doente
Torna-lo confiante e forte...
É ser presente na vida e na morte.