Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
MEU CASTIÇAL
No fundo do nosso castiçal
... Havia peixes, sereias,
havia jardins com pássaros e pétalas de flor
... Até céu havia...
Céu com estrelas e lua!
Havia lençol prateado
No qual para ti registrei
sentimentos de amor enluarado
que de saturno lhe dei.
No fundo do castiçal que eu te dei...
Havia até uma batalha
de corais no fundo do mar.
Corais cheio de cores
arco-íres e beija-flores...
Transbordando com meu amar.
Antonio montes
FLOR DO PECADO
A minha flor do pecado
são beijos doces molhados
com corpo todo tremendo
com fôlego todo afobado.
São buchichos ao ouvidos
sofreguidão com segredo
muitos afagos atrevidos
e chamegos sob enredos.
A minha flor do pecado
é a silhueta do corpo seu
frenesi, bobo abestalhado
zunindo no tino meu.
A minha flor do pecado
treme e geme o coração
me deixa assim estonteado
desembestando em paixão.
Antonio Montes
Há momentos de tamanha intensidade,
tanta ternura, tanto carinho e gentileza
no enlace dos nossos corpos,
que sinceramente?
Nada mais importa.
Tempestades açoitam os mares
Estrelas se apagam nas constelações
Buracos negros se abrem no espaço infinito.
Tanta dor no mundo
Tanta hipocrisia...
Não é que não nos importamos
Queríamos mesmo mudar o mundo.
Mas neste momento,
esquecemos o sofrimento
e fazemos do amor que fazemos
o esquecimento de tudo,
da nossa frustração
do que não podemos fazer.
Façamos então o que nos é permitido fazer
AMOR.
O grande amor que sustenta o mundo.
Há momentos de tamanha intensidade,
tanta ternura, tanto carinho e gentileza
no enlace dos nossos corpos,
que sinceramente?
Nada mais importa.
Tempestades açoitam os mares
Estrelas se apagam nas constelações
Buracos negros se abrem no espaço infinito.
Tanta dor no mundo
Tanta hipocrisia...
Não é que não nos importamos
Queríamos mesmo mudar o mundo.
Mas neste momento,
esquecemos o sofrimento
e fazemos do amor que fazemos
o esquecimento de tudo,
da nossa frustração
do que não podemos fazer.
Façamos então o que nos é permitido fazer
AMOR.
O grande amor que sustenta o mundo.
Quando afagas meus cabelos
Exala o perfume da minha pele
Demonstra com gestos que sou tua flor,
e beija minha boca com tanta eloquência...
Juro meu amor,
eu poderia mudar o rumo dos ventos,
a direção dos cata-ventos;
pintar as pétalas das margaridas,
transladar a própria vida;
para garantir a eternidade desse momento.
Eu vou cuidar de ti
Zelarei de cada sorriso teu
Serei os sóis das tuas manhãs
Serei a ausência da tua dor
Serei a poesia que te encanta
e a música que te enleva e descansa das loucuras desta vida.
Serei teu vinho predileto e tua comida preferida
Serei teu amante
Teu amigo e teu rei.
... E se não for o bastante, querida,
serei o silêncio dos teus momentos
de introspecção.
Mas estarei sempre aqui.
Ao alcance do teu desejo de ser amada e da tua delicada mão.
Bebo o mel da tua boca...
E nessa entrega quase inconsciente,
tresloucada e conivente,
beijo estrelas,
contemplo vaga-lumes,
faço versos.
Um momento do teu beijo.
Mas nesta breve eternidade
faço do universo desorganizado,
o mundo perfeito que desejo!
Razões para te ter
As razões as vezes são contra as emoções, mas
toda discussão leva em conta a forma de criação que
por sua vez leva em consideração as consequências que causarão.
A razão por ter você é o louco querer de ter por perto,
mesmo que se tome decisões controversas que mas se
pareça com um verso do que exista em todo o meu universo.
A razão e o porque amo você não sei descrever,
nem quero saber pois só quero te ter e viver com você
nessa situação a razão a emoção leva a criação de uma motivação
para te amar de coração.
És perigosa como a mariposa negra
És encantadora como um dia de verão
És todo o pulsar do meu desejo
És todo meu encanto
...Em cada canto te vejo
Me encanto com sua ousadia
ao mesmo momento que se faz inocente.
Não há salvação para mim menina
Sou teu...
E não há um só movimento que desminta
o que por ti eu sinto.
Te amo
Não nego
Concito!
NOITE TOSCA
A noite é bicho macho...
Que permeia sombras
causa enredo e medo
faz festas de arromba.
É bicho espantador...
Onde, homem treme
esconde segredos
e a fêmea geme.
A noite é bicho mágico....
Gambelador de miragem
brinca com visão ótica
apresenta suas visagens.
Vento, sopra na porta
tick no pensamentos
jugular pula com horta
timpanos e sentimentos.
A noite quando loca...
Vidraça estilhaça raça
Bala perdida tiro na roupa
coração bate na boca.
Portão, portas aos chão
estouro de cadeado
disparo no coração
mensagens... Recados.
Vago pela noite tosca
é um ato lambrecado
uma secura pela boca
um medo escorregado.
Antonio Montes
O DESVIO
Cadê segurança...
Cadê saúde, estudo,
tudo que seria p'ra ser...
Cadê sociedade
massacrada pelo esquema
esquema desse mundo...
O que faz acontecer?
A baixa salarial
elevação de imposto
sobe tudo, todo tempo
pedágio de contra gosto.
Tudo tem que pagar
até portais de igrejas
salvação de alma falsa
periga ah que não seja.
Paga p'ra comprar o seu
depois paga p'ra manter
paga p'ra falar com Deus
antes paga p'ra morrer.
É tanto paga que paga
tudo p'ra ser desviado
isso que se paga aqui
para em outro reinado.
Antonio Montes
DOIS CAROÇOS
Dois caroços nos seus olhos
colado no rosto meu
cisma de tempo passado
mascas no couro colado
que bisturi do medico roeu.
Hoje só resta saudade
sob a tela plana do espelho
explanação da verdade
a qual me tinha em cheio
em meio aos meus devaneios.
Dois caroços nos seus olhos
marcam a desconfiança sua
denegrindo a minha imagem
no foco da fuleragem
aos ventos soltos das ruas.
Antonio Montes
BELA JANELA
Tantas janelas! Belas...
N'elas, um sonhos uma lagrima,
um mundo... Em cada uma d'elas,
um olhar p'ra fora, no qual, ao mesmo tempo...
Sentimentos no interior,
caminham pelo alento e desalento.
Tantas janelas...
Um sol em cada uma d'elas! Lá fora...
Buzinas, latas, barulhos ensurdecedor,
lá dentro... Sentimentos de: simples...
Especialista, juiz, pastor, padre e doutor,
Lá fora terror, lá dentro, dor...
Lagrimas e sonhos que afagam
e uma formação de duvidas sob amor.
Tantas janelas, n'elas, traidores...
de tempo
de sonhos frios e quentes
de esperanças e de gente inocentes.
Tantas janelas fortes...
Em suporte de barro, concreto
de: Lata, madeira, lona, esteira
Tantas janelas...
Janelas que nunca rascunhou
um ponto no horizonte
mas que todas elas projetam...
Três ponto e também virgula
projeta a próxima linha d'essa
riqueza, que vaga pela linha
d'essa vida que se chama vida.
Antonio Montes
ALMA
Alma penada,
vaga sem vaga
como vaga avatar...
Sem pena, nada,
as vezes fada
no seu lance de voar.
Alma penada...
Por ai despenada
em desprezo, finda,
mas, até sabe chorar...
Vive com nada
no mundo despenada
anda passadas
mesmo sem saber andar.
Antonio Montes
MEUS OLHOS
Com meus olhos,
eu sigo os pássaros
em passos...
E passo pelo caminho.
Por onde eu passo
eu acho...
O rumo d'aquilo,
que não me deixa taco...
Para que eu possa,
andar sozinho.
Com meus olhos...
Madorna me sonda
na sombra...
Onde meu rosto,
perde o vinco e o brilho.
E com meu sonho vago
eu vago, no tempo vasto
aonde a fé...
Me permeia sob os trilhos.
Antonio Montes
Loira teus raios são sempre solares,
Claridade do teu alvorecer.
Fios de ouro escapando pelas mãos.
Irresistível convite ao toque,
E o vento te tira pra dançar.
Sabe luzir proeminente!
Teu giro é uma ciranda de Girassóis,
Que se assemelha as margaridas.
De sentimentos tão florida,
A excelência sorrida, em afluir a cor, e a singularidade.
O TROCO
O trocado...
que você me deu
... Como troco;
foi pouco,
foi muito pouco
o trocado seu...
Todo esse troco pouco
você me ofendeu...
E tornou-se ainda mais
pouco... Todo troco
que agora é meu.
Antonio Montes
- SÓ EU SEI -
Só eu sei
quantas horas da minha vida
gastei nos versos que escrevi!
As mágoas que senti
a Solidão a que me dei
o vazio de que bebi!
Só eu sei
a tristeza sem destino
que nos versos arrastei,
a amargura, a saudade,
e quanta saudade, Deus meu!
Tantas horas d'infortunio
e malfazeja que me encheram
de medo o coração!
Tudo tão meu. Tão colado
ao meu silêncio. Tão impresso
em meu destino!
Só eu sei ... Só eu sei ...
Qual a sua ruína?
Essa ruína que lhe rói.
Ruína que lhe rumina,
Que caos você guarda?
Essa ruína que silencia,
Qual [quem] é a sua ruína?
