Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac

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Vou pra Minas apanhar Tanajura
Que é fim de outubro
E 'cê jura que eu aguento tanta saudade de casa?

Se num quer ficar só, vem comigo
A gente vai comer mingau de milho
Pescar dois lambari naquele riachinho.
Vem que lá cabe 'nois' dois

Ou então deixa estar
Que la deve ter chuva e ainda tá frio
Não é julho, mas sei onde tem fogueira pra me esquentar.
São João não me deixa na mão
Mas se não tiver tem cachaça,
Cana, uns trem assim amargo que esquenta o peito quinem quando a gente ama
E o que não falta lá é amor, sabor
Que o coração fica maior que manga
Espada ou rosa.
Em Minas quase ninguém chora
Se tem algo que o meu povo sabe,
faz direitin
'inda ensina é amar.

Inserida por fabricio_medeiros

A FALIDA CERTEZA

Então você acha que em vida
já é santo, que tem a cura e o poder de
salvar, e de condenar a nação...
Você acha, que pode mandar as almas
para Deus, ou para o cão?! Hum!!!

Então, você acha que é dono
do caminho da vida e da grande porta!
E que você tem as passagens,
as quais pode vende-las para os seus...
Em nome de Deus e da promessa
da eternidade? Hum!!!

Então você acha que os outros seres
é inferior a você, e que você pode
sugá-los em sua fé, alegando dizimo...
Tirar o pão em troca de salvação, no
mesmo tempo que você auto se propaga,
mais salvo que o resto do mundo? Hum!!!

É... Você faz isso, tudo para agregar
riquezas tendo muito mais do que precisa...
E vive surrupiando bens e vida!
Em que dimensão esta aquela parte
do camelo e agulha? Hum!!!
Porque tem o poder de salvar e a certeza
da salvação, de vida eterna... E mesmo
com todo esse poder, tem tanto medo
de morrer?! Você não acha, que achando
você nunca achará o que acha?! Hum!!!

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

Qual o meu problema?

Dia desses estava me questionando: “qual o meu problema?”. Eu, poucos anos de vida e uma inconstância de uma vida inteira. Julgava essa mudança um caso gravíssimo. Por que semana só leio, outra só escrevo? Por que semana só choro, outra só rio? Por que semana só amo, outra só clamo?

Alguns anos atrás me intitulava “bipolar”; santa ignorância! Bipolaridade, uma doença tão séria sendo confundida e banalizada por uma simples inconstância. E o que há, afinal? Hoje, chamarei, carinhosamente, de 3 M’s: movimento, mudança e momento. Eu, num mundo que não para. Eu, num mundo que se transforma. Eu, num mundo que tudo passa. E serei eu, então, nesse mundo igual para sempre?

Mudo como boa humana que sou. Hoje quero sorvete, amanhã salpicão – não gosto, mas amanhã vai saber. Hoje quero cantar, amanhã dançar. Hoje quero sonhar, amanhã amar. Hoje quero escrever, amanhã quero ler. Hoje quero você, amanhã quero ser. Adapto-me, como camaleão, ao meu momento, ao meu sentimento, tormento e lamento. Quero samba, rock e instrumental.

Por que cantarei, se não sinto vontade? Por que deixarei de sorrir, se não há razão para isso? Nem todos os dias são iguais, as pessoas também não! Como terei para sempre a mesma reação?

Ora, deixem-me sentir, que sentir faz parte do processo de cura. Deixem-me descobrir, que descobrir faz parte da evolução. Deixem-me ser, que ser é preciso para viver.

Qual o meu problema? Não me permitir; limitar-me; tentar me descrever. O meu problema? Achar que tudo é um problema!

Inserida por YanaRose

No dia 5 de julho,
Faltavam 5 dias.
Ela saiu pela porta da escola
O menino a chamou
Ela sorriu, e não via,
Mas na esquina uma flor caiu.

No dia 6 de julho,
Faltavam 4 dias.
Ela saiu pela porta da escola
A amiga a chamou
Ela olhou, e não via,
Mas na esquina, uma senhora passou.

No dia 7 de julho,
Faltam 3 dias.
Ela saiu pela porta da escola
O professor a chamou
Ela parou, e não via,
Mas havia um cachorrinho na esquina.

No dia 8 de julho,
Faltavam 2 dias.
Ela saiu pela porta da escola
O mesmo menino a chamou
Ela chorou, e não via,
Mas havia um casal na esquina.

No dia 9 de julho,
Não faltavam dias.
Ela saiu pela porta da escola
Ninguém a chamou
Ela atravessou a rua, e não via,
Mas um carro em alta velocidade vinha,
E a atingiu.

No dia 10 de julho,
Todos queriam mais dias.
Ninguém saiu pela porta da escola
Ninguém foi para a escola,
Eles estavam na Igreja, vendo uma grande caixa preta.
O menino, a amiga e o professor choravam,
Porque naquele dia não chamaram,
A menina que não via.

Inserida por pensadorcolaborador

IGNIÇÃO DA ILUSÃO

Passageiro inteiros
com destino a saudade
e o diagnostico da vaidade
prove, do amor,
e se comova com a dor...
Viva as margens do sonho,
essa ignição da ilusão.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

MUDADO

N'aquela antiga rua,
quase tudo mudou...
Mudou, novos, mudou velhos
os rabiscos nas paredes
mudou cadeira de balanços
e os cabides das velhas redes.

As cores cheias de mistérios
os palavras dos homens sérios
os olhares dos transeuntes
algum mudou para longe
outros para o cemitérios.

N'aquela rua...
As portas e as janelas,
mudou, mudou os passos d'ela...
Os postes das velha calçadas
o jeito das falcatruas
e as velhas saias rodadas.

Os brinquedos das meninas
bonecas e as cordas puladas
o carrossel da vida e da sina
Os brincos da molecada
e as magias de todas as fadas.

Mudou a musica ouvida
o riso da gargalhada
as manobras mais queridas
para o rumo antigo do nada.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

DOR OBSCENA

Aceno para dor
Que visita sem hora
marcada, chega do nada
Atrevida sem pedir licença
Uma dor obscena
Que flerta comigo
Dor que dança
Que me balança
Como se martelasse
Fazendo tudo pulsar
Hora da entrega
Confesso os temores
Antes de agonizar
É hora da viagem
Não sei onde vou parar
Na estrada desconhecida
Talvez encontre um abrigo
Em algum lugar
E assim descansar

Inserida por carlospoeta64

GOLPES DO TEMPO

O tempo, é tal qual uma canoa
com seus remos sob as águas
cutucando, para galgar as margens
que d'outro lado afaga.
O tempo, precisa de golpes para galgar
a lamina do futuro, impulsionando
as águas e as amarras...
Estrebuchando sob suas cordas e travas.

O tempo nos golpeias como remo n'água,
golpes e golpes, sucessivamente...
Esses dias que nos golpeia como reio,
nos demonstrando seus choros,
suas lagrimas, seus risos suas asperezas
suas dores e suas tristezas...
Assim como seus terrores, e seus
eternos, amores.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

MEU DESERTO

Deserto?!
Deserto é o meu certo incerto...
Que as vezes me desacerto,
sem água e sem caneco...
Penso esta no caminho certo
mas nem de perto eu acerto
e quando em meu ímpeto desperto
estou perdido no meu deserto.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

UMA ONDA

Onda... Onda... onda...
Tantas ondas que ouvi falar!
Ondas curtas que falam
Onda da onda...
Uma onda que desanda,
ondas que salgam, as ondas do mar.

Onda, onda... É uma onda...
Essa onda por ai
que ronda a onda do camarim
e enfada os camaradas...
Deixe de onda!
É uma onda, toda essa fada
é essa onda, não é nada.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

Até o vento mudar

Vibrou em mim a ventania
Gravando seu cheiro por todo lugar
Era doce, mas turbulento
Aquele momento que parecia não acabar.

Então virou só vento
Meio lento que devagar
Levou embora o tormento
E me deixou só a pensar

E ali só, esperei, até sentir uma brisa
Suave, que parecia murmurar
Tudo isso vai passar

Só espero entender
Nunca esquecer
Nem mesmo quando o vento tornar a mudar

Publicado em Antologia de Poetas Brasileiros - vol 159

Inserida por prilaal

IMPRESSÕES DE MAIO
.
AS pétalas caem como um banjo,
Um violão, um som vazio,
Lembrando a queda de um anjo
Na foz vertente de um rio.
.
Um silvo escapa pelas costas
Que a gente ouve sem saber
Que a foz e rio são opostas
À direção que se quer ter.
.
A tarde suave, um fio imenso
Recolhe as pétalas da aurora
Não gosto nada do que penso
Nem penso em nada nessa hora.

Inserida por oliveira_ft

Vou contar uma história precupante
Que ocorreu na justiça Federal
Uma mulher com problema emocional
sai correndo sem o seu acompanhante
ainda bem que o nosso vigilante
tava atento a abordou e fez parar
e deu tempo a família controlar
e o pior se evitou, foi por um triz
cabe agora aguardar que o juiz
veja todo processo pra julgar.

Inserida por Cordelizepb

DESPEDIDA
Era despedida
Queria ter feito mais
Abraçado mais
Mais forte...
De um jeito que fosse junto
Uma parte de mim.
Queria ter beijado mais
Mais vezes...
Absorvendo cada segundo
Como se não tivesse fim.
Queria poder lembrar mais
Assim, tentei gravar tudo
Marcando na memória
Cada cor,
Cada cheiro,
Cada som,
Cada pedaço daquela hora
Que me fizesse voltar no tempo
Só meio da história
Sempre que a saudade apertar
Me transportando de volta
Aquele momento
Sem começo nem fim,
Só àquele momento
No meio do tempo
Pra história nunca acabar.

Publicado em Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - vol 158

Inserida por prilaal

<Trevo de cuatro hojas>


Planté mi alma en un jarrón de oscuridad,
Regando los dolores más inquietantes de mi silencio.
He sufrido silencio por vidas karmicas enteras,
La soledad me ha robado todo, hasta la tristeza.

Regaba mis lamentos tres o cuatro veces por semana,
En un esquema de agua fresca en la nuca cuando el mundo parecía querer caer,
Sol caliente en la espalda cuando no sabía adónde ir
Y mucha charla junto a los oídos de mis tréboles de la suerte
Siempre que estaban tristes.

Planté mi suerte en un vaso profundo de tierra negra muy fértil
Y de brotes muy prósperos.
Sequé, lloré, casi me fui, pero no me morí de hambre.
Salido y, resistente, hoy crezco trébol de cuatro hojas.

Inserida por JotaW

Mundo, deixe-me lhe apresentar minha pequena parte de ti
Que se abriga em você sem saber porquê
Deixe-me viver e me permita aprender
Pois quero ser feliz sem saber porquê
Me faça entender que um problema pode ser uma solução dependendo de quem vê
Que as vezes o chão precisa acabar para que eu possa voar sem perceber

Inserida por tonyoliveiraamorim

Minha mão está fria,
A mente está vazia
E de momento, ela mente
Como da noite para o dia.
Uma mistura de sentimento,
Frequente, bem se sente,
Esta utopia ascendente.

A escrita é um outro universo,
E ao longo do verso
Me faço identificar.
E não sendo muito perverso
Nem nada o inverso,
Dá-me mais prazer escrever
Do que propriamente acasalar.

Inserida por VitorMedeiros

Era mago
Mamífero
Era rito
Matéria
Consciência
Era animal
Nuvem
Incoerência
Era corpo
Sol
Sombra
Sangue
Tripas
Era a graça
A desgraça
E a dúvida maldita
Era pranto
Riso
Era verso
canção
Era anjo
Demônio
Era homem
Era misto
Injusto
Bondoso
Atroz
Era medo
Segredo
Era nós
Era homem
Carne
Veia
Visão
Tato
Olfato
Paladar
Audição
Era homem
Enforcado na
própria emoção.

(Sutileza /Fernandha Franklin

Inserida por nandhafranklin

Sou viajante clandestino
sem rumo, sem direção certa;
desgarrado, extraviado:
Um barco a deriva,
na expectativa,
de no futuro
encontrar meu porto seguro.

Inserida por WashingtonRangel

Alma que chora,coração que sangra,corpo que cai e se despedaça.
O som choroso do violino,a envolve em silêncio.
Seus sentimentos,um turbilhão de confusões.
Ela se sente perdida,mas guardada em alguém.
Seu sonho colorido agora brilha.
Passos sem ensaio,mas bailados com conciência.
Um despertar com medo de aparecer.
Pessoa visível,mas interior.
O real e o figurado no mesmo sorriso sincero.
O amor doendo em seu coração que sangra,dentro do corpo que cai e se despedaça,
junto com a alma que chora.

Inserida por RFraser