Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
SE UM DIA EU PARTIR
Se um dia eu partir antes de você,
Vou entender por você ter chorado,
E comprender o teu sofrer,
Mas não indagues a Deus por ter me levado.
Se alguém quiser depois falar mal de mim,
Não consintas que digam que eu errei,
Nem permitas que me vejam assim,
Sem poder expressar o quanto te amei!
Quando você lembrar da nossa alegria,
E ouvir a minha voz lhe dizendo: minha linda!
E tiver vontade de chorar. Não devia...
Tudo fará você sofrer mais ainda.
Se a minha morte te fizer chorar,
Então chore o bastante,
Porque cada lágrima que você derramar,
Vai dizer o quanto fui importante!
Rodivaldo Brito em 21.04.2019
T
Temos todo tempo
Todavia temo tudo
Talvez tudo traz tédio
Tenho tanta teimosia
Tento ter tranquilidade
Teria temido trair
Trêmulo travo todo
Tenso tépido Tairan.
Tudo que você pensa você atrai
O mundo é uma ilusão criado dentro da nossa subconsciência capaz de transmitir ao nosso comportamento coisas que não sabemos o significado. Você é o que você pensa ser, mesmo você alcançando o que pensa ser você é incompleto, nascemos sem saber de onde viemos, e morremos sem saber pra onde iremos, não defendo nada como verdade absoluta aquilo que só eu posso desfrutar dos meus pensamentos.
Nós somos ilimitados por dentro.
Somos um “vazio” cheios de espaços,
E cheio de coisas ao mesmo tempo.
DELAÇÃO PREMIADA
Senhor procurador, venho nessa audiência inicial,
E com hora previamente marcada,
Atendendo ao procedimento investigatório criminal,
Solicitar a aceitação da minha delação premiada.
Eu vou confessar tudo que sei,
Até porque nada do que fiz foi sozinho,
Se não atentei para o que diz a lei,
Foi num momento de carência de carinho!
A minha ex-companheira foi a mandante,
E com requintes de extrema frieza e falsidade,
Me fez acreditar que eu era importante,
E que por mim nutria uma afetividade.
Estou arrependido do delito que cometi,
E me envergonho de ser partícipe desta empreitada,
Mas fui refém das palavras que ouvi,
Sendo induzido pelos beijos da acusada!
Ela é autora principal da prática delitiva,
De forma coercitiva atraiu minha atenção,
Eu tentei, mas não tive outra alternativa,
Na primeira investida, entreguei meu coração!
Como prova, entrego todos os documentos,
Que apontam a conduta imputada à acusada,
Vários videos registrando os bons momentos,
E as cartas escritas com letras douradas!
Feito isso, renuncio ao direito do silêncio,
Mesmo querendo nada mais declarar,
Mas preciso alertar a todos que pensam,
Que um grande amor nunca vai se acabar.
Rodivaldo Brito em 01.05. 2019
O planeta e seus desafios,
ou melhor, desafios aos humanos,
assim chamados e nem sempre
correspondem ao nome, os insanos !
Demonstram sempre alguma maldade
ou pensamentos até bem vis,
vivem destruindo tudo por maldade
não são e nem querem ninguém feliz
Majestosa harmonia,
acordes, grito d'alma
e inquietação,
emoção, bate coração,
nada é mais harmonioso
do que o som das catedrais,
a fé em oração ...
Estenda os braços
em direção à luz da nova manhã,
respire fundo
e sinta a plenitude da vida
Faça valer cada segundo
no trabalho ou lazer,
seja como os raios de sol
resplandecendo no espaço
e faça também o melhor
para seu dia acontecer!
VIGÉSIMO HEXÁSTICO
todo desejo que me existe
cobre de possibilidades
toda vontade de potência
da natureza numinosa
que cria e recria criador
que me revela na ossatura
IDENTIDADE
Sensação de outono.
Em que folhas soltas
ao vento se perdem leves,
em total desapego.
É quando me percebo
mais amiúde, transmutada.
Sempre em profusa doação,
me acompanho: adubo da terra,
úmido limbo, absorvido
pelas pedras, sal e lama.
Entregue às estações,
desprendida, aceito o ciclo
da regeneração.
Tudo sentindo, fundo.
E ao sentir, espalho palavras,
assim como as folhas ao vento.
Renovo-me.
Assim sou parte.
DUETO
No teu corpo
rodopiar
um passo novo.
No teu ventre
semear
um claro intento.
No teu ritmo
aprender
um destino incerto.
No teu caminho
cultivar
um fruto do acaso.
Na tua vida
lançar
a minha:
um novo invento
incerto do acaso.
LABAREDAS
De João Batista do Lago
Minha poética ‒ chama eterna que arde! ‒
Movimento são de vívidas labaredas
Inquietas procuram todas as consciências
Seja nos casebres ou salões das nobrezas
É flecha mortífera que fere a destreza
Miserável luz de toda dominação
Capaz da subjugação sobre qualquer néscio
Incapaz de perceber sua escravidão
É bala de ouro matando a servidão
Do fiel encantado pelo vil discurso
Hóstia de fel ofertada como pão
Alimento de toda opressão miserável
Que mascara de toda vida o amargor
Encarcerando o ser na história de dor
A vida sempre é uma canção
notas timbradas a todo momento
ritmos que aos poucos se fazem
em alegres ou tristes lamentos
Minha Alcatraz
Vê-se liberto da vida que se esvai
Fútil é a mentira que vos emana
Do berço da morte aquele que cai
Agora vives, tu não me enganas
Poesia de fogo fátuo que ressalva
Recesso infernal dilacera-te alma
Linha tênue que ninguém o salva
Do sofrer incabível que não acaba
Vinda ingrata da vida que te foges
A mercer de tribunas impiedosas
No surgir do turíbulo teus algozes
Caridade da esperança formosa
Observa em prantos teu sofrer
Apenas sinuosa, a vontade de morrer.
Vendaval
Uma tempestade se aproxima
Com ela um arrepio que lhe alucina
Águas tempestuosas que muito facina
É obra da natureza ou a alma feminina?
Dependente de conceitos sem muito ser
Futil na realidade que não pode entender
Dar-se valor a vida com medo de morrer?
Vive cada segundo esperando padecer..
Não faça com que vás sem te ver partir
A tempestade é forte não tente coibir
Faça dela a defesa mais bonita e deixe ir
Que a tripulação da alma venha emergir
Que suba até a mansidão de seus olhos
Levante a bandeira branca e sossegue
Descansem, e que o amor lhes entregue
Aquilo que os liberta e abre os ferrolhos
Entendam meus caros o que lhes digo
Palavras são amor, e para muitos abrigo
Não compareças se não for meu amigo
Ó tempestade, para onde for, irei contigo.
DIAFANEIDADE
De João Batista do Lago
Essa vontade de potência rege a vida
Transmigrando almas para novas essências
Transgredindo toda a inútil moral servida
Nos banquetes de vetustas inconsciências
Essa moral enfatuada por certo é morte
Da sublime nobreza que sempre te reluz
Deseja enganar-te… quer ser litisconsorte
Oferecer-te a alcova que a tudo reduz
Foge de tão loucas e insensatas promessas
Jamais te deixará alcançar toda virtude
Roubará por certo o vigor da juventude
Corolário supremo de toda verdade
Que te premia a carne-vida desde o princípio
Alma pura retornarás se te cuidares
VIGÉSIMO PRIMEIRO HEXÁSTICO
soma do desconhecimento
alma política diabólica
anjo de guru pederasta
verme que se arrasta em palácios
“até quando, vulgo Catilina,
abusarás da consciência?”
Pela vida vais andando,
sigo-te e nem me percebes,
sou apenas uma leve sombra
que acompanha teu viver,
porém sou grande o suficiente
para nela descansares
quando o cansaço te abater
VIGÉSIMO SEGUNDO HEXÁSTICO
o que importa a educação… o saber… a cultura?
vencedores desejam o subjugar da ideia
desejam degolar a nação sem paideia
formar a juventude sem qualquer arete
castrar a atitude da ética e da política
daí produzirão em toda nação a desvirtude
VIGÉSIMO TERCEIRO HEXÁSTICO
aprendi a fugir do externo
seara de todos meus infernos
hoje cada vez mais interno
vivo toda lucidez nobre
longe de pensamentos pobres
ilusão de ser auricobre
