Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Notas sobre uma Estudante de Direito
Ela é advogada,
promotora,
delegada
em construção.
Ela é o que quiser
no seu sonho
não tem revogação.
Notas sobre uma Estudante de Direito
Ela se apaixonou
tão fácil.
Mas foi o Direito
que a conquistou.
Ela já era Poesia
e o Direito a completou.
Aluga-se 1 kitnet com discos do Blur, Ramones e The Cure;
Livros e recortes de Foucault, Kant, Nietzsche e Schopenhauer;
Pinturas impressionistas, poemas simbolistas e manifestos iluministas
Os rios deixaram de correr,
A morte veio me visitar ontem à noite.
Os sonhos se despedaçaram;
Como paredes de vidro.
A morte me visitou hoje pela manhã.
Acordei com um imenso gosto de sangue na boca;
Os lábios ressecaram e a saudade penetrou-me o coração,
Como se fosse uma lança.
A morte me visitará hoje à noite..
Da janela da imperfeição
Observo o frenesi da multidão.
os braços são, o método
De Locomoção.
O deboche é o estralo,
Que açoita sem se ver.
A bengala deixa nítido o quadro
Que foi pintado e emoldurado.
Sinais são bem mais úteis
Que cordas vocais.
Beethoven também sabia
Que era capaz!
Ondas sonoras fazem do nada tudo;
E o tudo supera barreiras.
As fronteiras são quebradas,
Quando as libras são ensinadas e incentivadas.
Lunáticos são aqueles, que creem na verdade absoluta
Quando ela é na realidade, uma fraude mal sucedida.
O preconceito têm uma só face; mesmo que em várias formas.
Os sãs fingem não ver, a realidade exposta.
Liberdade e respeito para todos
Liberdade e respeito para o meu povo
Sofrido, que tanto vive na miséria
Liberdade e respeito para o meu povo
Esquecido pelos tiranos
Do plenário.
Liberdade para os poetas, escritores,
Cantores, jornalistas,
Liberdade de expresão,
Liberdade para poder
Reivindicar, liberdade
Para o povo, liberdade
Para todos.
Liberdade e respeito as
Classes trabalhistas,
Respeito aos alunos e professores
Das escolas públicas,
Justiça para as injustiças,
Chega de exterminarem
As crianças e jovens.
Chega de enganarem
O povo, chega de alienação
Nos meios de comunicação
Liberdade e respeito para
Todos.
A CAIXA
Dor...
Fique bem aqui, guardada
Dentro desta caixa
A caixa é escura e grande:
Grande o bastante para estar tão vazia;
Negra o bastante para o medo do escuro;
Silenciosa o bastante quando fechada.
Quando aberta é fatal!
Os gritos começam,
Provocando tamanha lástima.
Sempre a mesma música ao abri-la.
Aquela melodia chorada
Cada vez aberta, lágrimas
Rasgando a ferida.
Dor...
Não vá embora
Fique bem aqui, guardada
Dentro desta caixa
Ou quando abrirem-na
Não haverá mais nada.
Algumas pessoas são como cometas,
trazem em si aquele brilho mágico
que hipnotiza todos os olhares por onde passa,
e que enche o mundo de alegria, de esperança e poesia.
Astros errantes, vagando inconsequentemente rumo ao Sol,
e assim vão derretendo, se dissolvendo,
até que invariavelmente explodem,
se consomem, chocam-se fatalmente em alguma superfície,
ou simplesmente desaparecem, completamente. Para sempre...
Você certamente já viu algum por aí,
e sorriu e se encantou enquanto ele passava,
pois, sim, algumas pessoas são como cometas,
daqueles que enchem o mundo de alegria,
de esperança e poesia.
Sem fim. E para sempre.
Máquina da desinvenção
[J.W.Papa]
Desinventei a amizade, desinventei o namoro, desinventei a cidade
desinventei tudo que fora inventado, e antes que fosse tarde
me revoltei com o sistema, chutei o balde
desinventei a velha máxima de que adolescente é tudo rebelde
e assim segui pela vida... desinventando as invenções existentes.
Desinventei minha infância, abandonei os livros, os amigos, a escola...
Senti-me como se fosse um adulto temporão
no pleito dessa minha nova desinvenção fui trabalhar nas férias:
- vendendo picolé, carpindo lotes, acompanhando e cuidando de idosos -
Logo alguém viu a merda que fiz e cismou de desinventá-la por mim.
Então, tive de me adaptar! Uma vez que, barriga vazia não para de roncar.
Sem querer inventei o fórceps!
Assim que nasci, desinventei o parto normal
e foi essa, a minha primeira desinvenção que deu o que falar.
Tornei-me logo cedo um grande desinventor
- marginalizado por minhas ideias revolucionárias de desinvenção.
Desinventei a guerra, desinventei a fome, desinventei a miséria
desinventei tudo que havia de ser desinventado
segui em frente desinventando tudo que pude sem olhar para trás
até que um dia cismei de inventar uma máquina que desinventasse as desinvenções
e assim tudo cessou de ser desinventado por mim.
Hoje estou triste
traste
torto
poste
estou triste
porta deserta
aberta
fechada
sem ninguem que entre ou saia
sem ninguém
que fique dentro
ou fora
hoje estou triste
fosforo gasto
cercado sem pasto
bandeira sem mastro
um viaduto com gente morando embaixo.
Às vezes
Às vezes meu silencio é uma janela
Às vezes meu silencio é uma panela de pressão
Às vezes meu silencio é uma passarela
Às vezes meu silencio é ele
É ela
Salvação
Às vezes meu silencio
É um crime
Às vezes meu silencio é um time
Às vezes meu silencio é uma taça
Uma graça
Uma massa
Uma traça
Uma missa
Às vezes meu silencio é uma mostra
Às vezes meu silencio, não há quem possa.
Às vezes meu silencio é bossa
Às vezes meu silencio é um frevo
É um nervo
Uma nave
Uma chave
Um choque
Às vezes meu silencio é um toque
Um truque.
As Vezes
As vezes meu silencio é estratégico
As vezes meu silencio é solidão
As vezes meu silencio é analgésico
As vezes meu silencio é só canção
As vezes meu silencio é só um medo
As vezes meu silencio é armação
As vezes meu silencio é só o tédio
As vezes meu silencio é sim e não
As vezes meu silencio é só mensagem
As vezes meu silencio é apagão
As vezes meu silencio é uma bobagem
As vezes meu silencio é nada e não
As vezes meu silencio é um vicio
As vezes meu silencio é vazão
As vezes meu silencio faz sentido
As vezes meu silencio furacão
As vezes meu silencio é só eu mesmo
As vezes meu silencio pá e pão
As vezes meu silencio é poesia
As vezes meu silencio é terra e chão
As vezes meu silencio é você
As vezes meu silencio coração
As vezes meu silencio é todo mundo
As vezes meu silencio contramão
As vezes meu silencio é alegria
As vezes meu silencio é noite é dia
As vezes meu silencio é só silencio
As vezes meu silencio é dor,plantão
As vezes todo mundo acha estranho
Meu silencio,meu tamanho
Minha desaparição.
Menina Da Sacada
Tá vendo aquele vidro?
No 15° andar
Ele foi quebrado
Alguém se jogou de lá
Era uma linda moça
Parecia ser muito forte
Mas a vida é traiçoeira
Ela preferiu a morte
Ela não aguentou
Saber que sua família
Não tinha salvação
Aquilo a abalou
Mas ninguém percebia
Indefesa e sozinha
Não aguentou a pressão
Ela não se suicidou
A sociedade a matou
Ela só terminou
O que a família começou
Os vidros foram trocados
O suicídio esquecido
Mas o lugar foi marcado
Por uma fuga desse inferno
*** Real Poeta *** Alexandre Oliveira ***
Que se foda a aparência e essa tua mania,
pensavas que me iludias quando passavas pela rua,
pena é que no rap és mais um wack fracassado,
e no meu bairro ninguém sente uma track tua.
Cantemos pois (fragmento dos Três Contos)
Trôpego à esmo em labirínticas vielas.
Corpo em espasmos devido à frialdade.
Pensamentos inconsistentes à realidade,
São lindas pinturas de feias aquarelas.
São olhos que vêem qual anjo o algoz.
O qual tece a arte tão bem aceita,
"se há o plantio tem de haver a colheita ",
E deixam aos deuses a vergonha por nós.
E choram um brado de ignota agonia.
Se sofrem é de uma mental patologia.
Prefiro a poesia que há no caixão.
Deita ao lixo tua bela sinfonia.
Guarda teu canto, amante da hipocrisia.
Chegada é a hora de cantarmos podridão.
Versos Podres - fragmento dos Três Contos
Quão podres são estes meus versos,
Que quando os recito me vêm ânsias de vômito.
Após o término revivo atônito,
Outrora felizes, momentos perversos.
Me vêm à tona pensamentos submersos,
Estando desperto ou num sonho cômico,
Peço mais um litro de meu forte tônico.
Nos meios que busco tenho resultados inversos.
E o quanto peço, e à quem peço nem sei mais.
Vejo-me abandonado em labirintos desconexos.
Não sou ator e nem participo de meios teatrais.
E me acho nestes sonhos não-complexos,
Pesaroso pelos sonhos não serem reais.
E constato quão podres são estes meus versos.
- Fim sem Início
Do fim ao Inicio
poemas que levam ao vício ,
Quedas da vida mais um início ,
Levantar sem ser Oprimido ,
Opressores não se expressão falam
Falam asneiras e se acham em vantagem ,
A vida de uma pessoas não passa de uma mera miragem ?
Você levanta e nada disso aconteceu
Somente sua mente mente pra você .
Pausas da vida
A vida com suas breves pausas...
Pausas para olhar e enxergar
Perceber e entender...
Entender que as trilhas vão nos levando para cada estação...
E a cada pausa, descemos, apreciamos, aprendemos, e vamos embora...
E vão surgindo mais paisagens
As primaveras vão chegando...
Quanto tempo mais seguiremos viajando?
Quanto tempo mais poderemos ainda enxergar?
As pausas da vida são para silenciar...
São os pequenos momentos que nos fazem acreditar, e são para apreciar...
Vamos seguindo as trilhas!
Seguindo as pausas nas estações
E continuemos dançando a cada vento a bater nas janelas da vida!
Sempre enxergando o belo, os encantos...
E parar... Olhar e principalmente enxergar!
E depois ir embora...
Ele lê,
olhos,
gestos,
sorrisos,
lábios...
e mostra tudo que sente em versos.
Você seria um lindo livro,
que ele leria,
frente e verso.
Quando em seu olhar navego,
vejo ondas de um mar revolto
Em uma contundente solidão...
Mas um inebriante desejo
de navegar pelo meu corpo
e possuir-me com paixão.
