Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Pintar é fazer aparecer uma imagem que não é a da aparência natural das coisas mas que tem a força da realidade.
A matéria da arte não é o belo ou o nobre, tudo é matéria de arte: tudo o que é vivo: somente o que é morto está fora da arte.
A dor é o pólo, de que refoge sempre, e em toda a parte, não só a humanidade inteira, mas toda a legião infinita dos seres vivos.
Há três categorias de homens: a) os que contam a sua história; b) os que não a contam; c) os que não a têm.
Quando já não suporto pensar nas vítimas dos lares desfeitos, começo a pensar nas vítimas dos lares intactos.
Não é necessário que um autor compreenda aquilo que escreve. Os críticos encarregar-se-ão de lho explicar.
É natural desejar que se faça justiça; a maior de todas as almas não ficaria insensível ao prazer de ser conhecida como tal.
Não há nada mais raro no mundo que a vontade; e, no entanto, a escassa porção de vontade que é concedida aos homens chega para virar todos os seus juízos.
Outra utilidade das tentações é que tornam o homem solícito, exercitam-no e não o deixam ser preguiçoso ou ocioso; de modo que o induzem a vigílias, a orações e a jejuns, além de outros exercícios espirituais que o levam à perfeição da vida espiritual.
A arte não consiste em desfigurar a verdade em artifício, mas em emprestar ao artifício a fisionomia simples da verdade.
Os depositários do poder têm uma disposição desagradável a considerar tudo o que não é eles como uma facção. Eles chegam a incluir às vezes a própria nação nessa categoria.
O trabalho que não pode separar a ideia é um trabalho contra a natureza. A ideia não existe, o que existe é o indivíduo.
Ser homem é ter uma história, e não ser pura natureza. Ser homem é saber que o mundo não foi dado, mas que se cria.
Quando alguém faz algo de muito bem grado, quase sempre existe alguma coisa naquilo que faz que não é a coisa em si.
Se um espírito contemplativo se deita à água, não tentará nadar, procurará, primeiro, compreender a água. E afogar-se-á.
É então um mundo de fórmulas a que eu obedeço e tu obedeces? Sem ele não poderíamos existir. Se víssemos o que está por trás não podíamos existir. O nosso mundo não é real: vivemos num mundo como eu o compreendo e o explico. Não temos outro. É a voz dos mortos insistente que teima e se nos impõe. Mais fundo: não existem senão sons repercutidos. Decerto não passamos de ecos.
Um homem é capaz de gastar um milhão de moedas para casar uma filha, mas não sabe gastar cem mil para instruí-la.
Deve-se dar a fortuna para não adquirir um inimigo; muito importa não o ter, e quem o tiver trate-o de maneira tal como se em breve tivesse de ser amigo dele.
Não quero outro exemplo a não ser aquele dos escritores, dos quais se pode dizer que arrancam a pele um do outro e nunca deixam de roubar aqui e ali de tempos em tempos; e cada um ostenta o que pertence ao outro como se fossem as suas próprias descobertas.
