Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
A tarde acaricia a relva, Enfeita os olhos de beleza, A nossa paixão não é para poucos - ela para nós que somos fortaleza.
O teu sorriso que me sorri é confirmação que não há um só coração que não viva sem paixão - eis a graça do coração.
Não abro mão dessa sublime loucura de te provocar, Vou te amando vagarosamente até você 'não aguentar'...
Apreciar o teu corpo é uma êxtase que não se esvai, A cada eco da tua respiração, Não me canso de dizer: - Você me atrai...
Você chega junto com o meu canto, Desejo que os meus beijos não te bastem, E que essa paz que só vem de nós - permaneça com encanto.
O progresso sempre envolve riscos; você não pode infiltrar-se na segunda base com o seu pé na primeira.
Aqueles que podem fazem. Os que não podem ensinam. E os que não podem nem uma coisa nem outra, administram.
O homem verdadeiramente sábio é aquele que não sabe e não sabe que não sabe e acha-se mais esperto do que qualquer outro.
Quem se envolve com o narcotráfico cria um patrimônio bem sólido, daí não tem mais nada o que fazer na vida e resolve ser político.
A gramática é a arte de arredar as dificuldades de uma língua; mas é preciso que a alavanca não seja mais pesada do que o fardo.
Na origem da obra literária não está um acontecimento da vida do autor, mas só a emoção, desatada por esse acontecimento; a obra é tanto mais perfeita, quanto mais a emoção original está dominada, transformada em "forma".
Não é possível que exista uma moral científica; mas também não é possível que haja uma ciência imoral.
Não consideres petulante um autor quando diz que os outros lhe não interessam nada. Pensa apenas que não é o que os outros fazem que ele quereria fazer. E não o julgues petulante mas honesto. Ou humilde.
Entre nós é vergonhoso reconhecer a própria pobreza; mas pior do que isso é não esforçar-se para escapar dela.
O homem não é o triunfo da mecânica; é o advento da liberdade. Saber parecer-se com Deus: é a liberdade.
No decorrer dos séculos, a História dos povos não passa de uma lição de mútua tolerância, e assim, o sonho último será envolvê-los todos numa ternura comum para os salvar o mais possível da dor comum. No nosso tempo detestar-se e ferir-se porque não se tem o crânio construído exatamente da mesma maneira, começa a tornar-se a mais monstruosa das loucuras.
Numa epidemia a morte é desvalorizada. Porque se não desvaloriza no nosso quotidiano, que é como se houvesse também uma epidemia, embora ao retardador?
Que caridade é essa que não tem pudor face a um miserável e que antes de o ajudar, começa por lhe espezinhar o amor-próprio.
Um livro é como um espelho: quando é um macaco que se olha nele, não pode ver reflectido nenhum apóstolo.
