Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Que vontade de cantar,baixinho,
em preces e hinos ao Criador,
Ele sempre traça os rumos certinhos,
é pela mãe natureza que mostra seu amor
Um rio vem da nascente,
seja ela de onde for,
as lágrimas que brotam na gente,
quase sempre são por amor!
Quantas vezes alguém pensa que ama,
mas na verdade, apenas ama a si próprio,
estragando tudo, egoísticamente,
pois o verdadeiro amor
é sair de si mesmo
Amar é
sempre deixar-se,
para ir
totalmente ao outro.
Agora que a noite chegou
trouxe a saudade para mim
veio apenas em perfumes
de um suave e adormecido jasmim
Saltitando,
coração aos pulos,
crianças sem preocupação
recolhendo da vida o melhor,
assim deveríamos sempre ser
em alguma parte da alma
e ali brincar livres, leves e soltos,
sem nenhum dever,
observando tudo ao redor,
para depois, novamente,
pouco a pouco...
crescer !
Murmuro canções em dueto
junto à brisa que passa rasante
imaginando ouvir a tua voz
chamando por mim todo instante.
Minh'alma vaga pelo firmamento
em busca de uma estrela maior,
só encontra a saudade de outros tempos
quando encontrava o amor.
Vem de longe
o vento mansinho,
perfumando a noite,
a bailar,
traz vozes em carinho
meu coração quer tocar
fico em êxtase, vou ouvindo
a canção que talvez
seja só minha
e ainda não consegui decifrar
Ontem nasceu um homem,
estrelas silenciosas brilharam no azul da amplidão, hoje nasceu um homem, granadas cortam o céu, o que brilhará ao homem que vai nascer amanhã ?
Eis uma vaga trova,
bem leve, e como vaga,
a minh'alma renova,
meu coração ela afaga!
Penso num vago amor,
vagando sempre sozinho,
do qual se pode supor,
vago amor, vago carinho...
Que o teu sono seja bem sereno,
enquanto a lua viaja na amplidão,
que um anjo te proteja bem de perto,
dando imensa paz ao teu coração
As vezes, em algumas noites,
um silêncio só meu,
chega impassível, doce e até singelo,
então pensativa e um tanto ausente
como lua nova, envolta em sombras
fujo das auroras solenes,
deslizando,
escondida dentro de mim
Vem as águas, transbordam os rios
e o povo festeja, sorri e até chora,
muda a estação, vem o estio
e pela chuva todo mundo implora,
Vem o amor, transborda o coração
e os lábios beijam sem demora,
vai-se o amor, que desilusão!
vem as lágrimas, coração só chora...
As vezes há a necessidade
de parar a mágica euforia,
das letras em descompasso,
na presente e constante melodia
Apenas guardar as palavras,
como em um ninho secreto,
acarinhando o coração,
ali dentro, o amor discreto
Porque ele é verdadeiro,
calmo, alegre e profundo,
não precisa ser posto ao vento
para ser espargido ao mundo
Mãe,
Um ser que dá a vida,
alimenta, ampara, educa,
protege em cada segundo
Mãe,
é ternura sempre,
compreensão, lágrimas, sorrisos,
é o maior amor do mundo !
Do telhado,
eu vi o rosto da eternidade
as pombas circulando
em meio ao vento,
o tempo, invisível
fluindo os sentidos,
no ar das inspirações.
o amor, as vezes é verde
semelhante a árvore
nela mora, muitos seres
deveres, históriase estações.
"Esperou-se tanto o melhor dia, o momento certo... Esperou-se tanto, um sinal divino que viesse de fora...
Que não ficaram juntos, não houve história, não se teve tempo... Um esperava o outro, mas os dias seguiam, indo embora...
Esperou-se tanto que passou uma vida inteira, porque para eles, nunca chegou a hora..."
Na Bahia, tudo termina e principia no mar.
E para lá projetarei meus passos derradeiros
(Como o fiz com os primeiros...)
Em verdade vos digo, o mar é o lar dos encantados!
Já dito... vou para onde correm os rios...
Eles não podem estar errados.
Trilhas do Destino
Dois nascimentos, destinos divergentes,
Um em solo árido, o outro em jardim florido,
Ambos buscam, nas correntes,
Um propósito, um sentido perdido.
Em um lar disfuncional, a criança cresce,
Envolta em sombras, desafios constantes,
Mas uma chama interna permanece,
Uma força oculta, a guia avante.
O outro em berço de ouro, têm amor e cuidado,
Rodeado de afeto, segurança e luz,
Mas o coração, às vezes, inquietado,
Busca um significado que nada traduz.
Caminham ambos, por sendas variadas,
Na solidão, encontram seu poder,
Refletem, meditam, almas desveladas,
Descobrem o caminho do verdadeiro ser.
A resiliência forja o primeiro viajante,
Como pedra que resiste ao vento e ao mar,
A espiritualidade, luz incessante,
Que a ajuda, dia a dia, a avançar.
O segundo, em sua jornada confortável,
Percebe que o luxo não preenche o vazio,
Busca no simples, no essencial, o amável,
Encontra na essência um novo caminho.
No fim da trilha, seus olhares se encontram,
Não mais estranhos, mas almas irmãs,
A vida, com suas dores, os confrontam,
Mas revelam a beleza das manhãs.
Dois destinos, uma busca contínua,
A evolução do ser, a paz interior,
Descobrem que a vida é sempre oportuna,
Quando se encontra, na dor, o amor.
E assim, ao final, em sintonia profunda,
Alcançam juntos o que sempre almejaram,
De trilhas distintas, a alma fecunda,
No propósito divino, enfim se acharam.
Súbito
Um, dois, três... Quem conta, quem liga?
Acanha-me, pois sei que na fresta da porta do destino me espreita;
Ali, silenciosa e ansiosa por um abraço sem desfeita;
Meu abraço, como se fosse amiga...
... Quatro, cinco, talvez seis, talvez horas, talvez mais tarde...
Que tarde!
Vou ficar, vou contar um-à-um;
Por mais triste que isso possa ficar;
Lembranças virão de um ‘cara’ comum;
Eu a ouço e isso me deixa assustado;
Porque não fugir? Porque não evitar?
Não quero! Estou cansado!
Minha respiração se torna mais ofegante;
O coração bate mais forte, num ritmo estranho;
Memórias confusas surgem nesse instante;
Rês desgarrada do rebanho...
Eu não estou pronto;
Não me sinto à vontade;
Em vida, como cheguei a esse ponto?
Nada disso era real há um mês...
Seis, cinco, quatro, três...
