Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Não consigo disfarçar
mais o meu sorriso,
Resolvi dar tom e forma
ao meu plano,
De te amar sem engano
e sem disfarce;
Porque é lindo o lábaro,
que emana de ti.
Respiro esse teu aroma
bárbaro e joaquino,
Maravilhosa e vana é a glória
de fazer-te(admirado).
Por presunção secreta
de que estás (apaixonado);
Entregue-se para mim,
que serás bem cuidado.
Não consigo parar,
de pensar em você,
Todo o dia é poeticamente
arquitetado,
Quero ser infinitamente tua - inteira;
E fazê-lo amoroso da forma mais perfeita, assumindo publicamente que estás enfeitiçado pelos poemas que são certezas.
Há duas metades e inteirezas
que formam uma ilha,
sabemos ser um mar de rosas
e mil carícias,
Há um desejo de exibir
ao mundo que nos amamos.
Desejamos matar os corações alheios de
- inveja e despeito -
Todo o dia sempre é perfeito:
para fortalecemos que nascemos
um para o outro;
E ainda bem mais do que isso:
não tem mais jeito,
(nós formamos o par perfeito).
Até as folhas caídas no chão,
E as folhas levadas ao vento
Já não têm o mesmo significado.
Afinal, você mora no meu
Coração e pensamento,
- eu te pertenço
Sou tua em todos os bons
Espasmos e ritmos...
Dizem que o coração não
Tem escolha para amar,
Eu digo ao mundo:
- Eu escolhi o teu amor
Para amar, cuidar e adorar.
Você trouxe para mim
O mistério celeste que
Só o amor decifra o que
Foi divinamente escrito.
Tenho orgulho dessa doce
Pertença que tem reavivado,
A minha porção feminina
É viver de um alimento,
Que ilumina e fascina.
Essa tua doçura masculina
Faz de mim ainda mais tua,
E completamente rendida
Vou vivendo respirando,
E escrevendo a nossa poesia.
Não medirei o desafio,
Alcançarei o azul do infinito,
Irei trazê-lo todo para mim,
Para vivermos esse amor tão bonito,
Porque de nós só persiste o que é divino,
Se não vens - te maldigo,
Se vens - te bendigo,
Como é gostoso ouvir os teus segredos ao
pé do meu ouvido - é um tremer doce e aflito.
Eu garanto à nós dois,
Que nunca sentimos nada parecido.
Quis deixar passar desapercebido,
Porque morria de medo de você não me querer.
Resolvi deixar percebido escrito com
Os raios de sol da tarde porque você
É bem mais do que a minha metade;
O teu calor me traz serenidade,
Cessa qualquer tempestade,
E invade todo o meu bem (querer)...
Porque o teu carinho, manso e malemolente,
- faz uma grande falta
Sem ele fico carente,
O meu pensamento fica ausente,
Abandono o mundo e saio do ar;
Fico pensando em mil maneiras de te
CONQUISTAR.
És o meu tato, o meu olfato, o meu paladar,
A minha visão e a minha audição;
Resolvi te entregar para sempre o meu coração.
Não estou querendo fechar os olhos,
Estou relutando em ir dormir,
Porque é mais garantido sonhar
(contigo) com os meus olhos abertos.
É uma doçura púrpura e magenta,
Enxergue no tom que você quiser,
Nasci para ser tua, predestinada
para ser a tua devotada mulher...
Leve contigo o meu beijo
Até a última gota do cálice,
Cale-se e cale a minha boca
Com o teu beijo, e faça o quê quiser...
Não esconda mais o quê sente,
Sei que me ama e me quer,
Respira-me de todos os jeitos,
deseja-me como mulher...
Vermelho é o tom do lençol,
Lindo sol a iluminar-me,
Desabrochado como um girassol,
vem beija-flor, vem beijar-me...
Penetra-me como lança austera,
Faça brotar a primavera,
Estou a tua espera,
Quero me enroscar nas tuas pernas.
Procurando doidamente
por você,
Olho para o céu,
e lá você não está;
- Porque você em mim habita
E para sempre reinará...
Busco explicações
no voo duplo dado,
Apreciando a cumplicidade
das gaivotas,
É tua essa alma
e esse coração apaixonado,
O amor para muitos é
praticamente inútil,
E para outros é um
planeta que não foi habitado.
Quem dera, quem dera...
Que o homem fosse
como a gaivota,
Não haveria nessa vida
nenhuma quimera,
O mar revolto se tornaria marola...
Vendo o Sol se pondo
entre as areias,
Como uma hóstia no sacrário,
Tenho o teu amor
como um relicário,
Crendo nas larguezas,
grandezas e firmezas.
Crendo, crendo, crendo...
Que o amor vai além do vento...,
E que ele supera todo o tormento,
Capaz de dissipar
a névoa do sofrimento;
Existindo como o mais
santo e sacro sentimento.
Não
chame
o
mar
de
ressacado,
Que
ele
fica
muito
mau humorado,
Hoje
posso
dizer
que
vi o
mar
emocionado,
E lembrei-me
do
teu
amor
enciumado.
Vivo numa casa que tem palmeiras,
E você ainda não se deu conta,
Que eu vivo à beira mar.
E que da vida só levarei as grandezas,
Para sempre esquecerei as pequenezas,
´- eu vivo para escrever e sonhar.
O Frei me disse que o escritor tem uma
sina: "- O escritor de tanto escrever acaba
deixando a vida levar...".
Ainda sou moça tenho muito o que viver,
escrever e te amar.
Hoje passei a minha tarde pensando
o nosso amor na beira da praia,
- eu estou a te esperar.
Vivo nessa roda viva escrevendo,
Doidamente cada perfume do meu
pensamento,
Nascido do sentimento,
E forte como filho do vento.
Ao cair desta tarde, apreciei você meditando
na areia da praia,
Deixei o mar tocar os meus pés,
O céu estava brilhante e remexido,
Fiquei de longe te olhando...,
A tua pele macia...,
A tua barba e o teu sorriso branco.
Sim, vi um pássaro voando desacompanhado
voando na imensidão;
Foi um sinal divino que você estará chegando
para me tirar de vez da solidão.
Ouço o gentil bramido do mar,
- você aqui comigo não está
Grande é o espaço para sonhar,
Um dia você chegará para ficar.
Dizem que o vento te levou,
Canto para você voltar,
Quem uma vez se apaixonou,
Não esquece uma noite de luar.
Andas buscando mil desculpas,
Só para não me enfrentar,
Porque tens medo de amar,
E a tua vida me devotar...
Sei que não acertei na rima,
Perdoa-me, ainda sou menina;
- fiquei perdida -
Talvez seja até a minha sina.
De viver em busca do amor,
Tentando entender o mapa,
Que me leva até a mina
Deste homem que fascina.
Talvez eu tenha uma chance,
De nascer de novo,
Para redescobrir esse ouro,
De renascer esse romance.
Como o teu beijo que me fala,
Aprecio o céu cor de opala,
Como a sutileza,
Nado nesse mar azul turquesa,
Carinhosa areia branca,
Cor de areia na ampulheta,
O amor está cheio de esperança...,
- todos misturados como letras;
Enchendo o coração de fé
e engrandecendo esse amor que não
cansa e nem se cansa... Vive e crê!
Palavras não são como folhas ao vento,
Dizem até que o vento as leva,
Mui diferentemente das folhas,
Elas - as palavras - sempre chegam ao
destino, - não duvide disso.
Lá do alto do Monastério,
Com os braços em direção ao céu
De tom opala e repleto de mistério,
Em busca de retirar todo o véu,
Ele que abriga o mel que te aflige,
Assim bem doce tu redige.
Palavras não voam com o vento,
Elas só trafegam,
Mui diferentemente do que pensam,
Elas ocupam o teu coração,
E tomam conta do teu pensamento.
Vejo no firmamento
do teu corpo,
Tatuadas as setes artes
liberais,
Inscritas deliciosamente,
Capazes de me endoidecer,
E de me invadirem ardentemente,
Rendendo-me severamente.
A tua retórica hipnotiza
a minha dialética,
A tua música a minha gramática
não traduz,
O teu beijo é expressão
- e o teu corpo seduz.
A tua aritmética domina
a minha geometria,
Somos uma constelação
- e uma só astrologia...
Escrevo para no seu
coração criar raízes,
Com a fé de que um
dia seremos felizes,
Não ligue para o que
os outros dizem,
O importante é que os anjos
nos bendizem.
As palavras são
como os bosques,
Elas podem ser
noturnas ou diurnas,
Deixe que permaneça
só os toques,
E que definitivamente
não te percas.
Escrevo para não
ficar de ti isolada,
Porque devagar irei
te adentrando,
Como um carinhoso remanso,
Aos poucos você irá
se apaixonando...
E destes versos
que se encaixam,
Como o bosque
e o remanso,
Sei que cada um
deles te encantam,
Seremos elementos
que se completam.
Pela delicadeza do olhar,
E pelas mãos da mulher,
O Rio não resiste,
- ele se deixa fotografar
Ele sabe o que ela quer
De dia ou de noite,
Caminhando iluminada,
Fazendo boa fotografia,
Lendo boa Literatura,
Nunca será como espuma do mar,
É presença feminina cheia
de balanço do mar...
O Rio por Maris se mostrou,
Que continua lindo,
Enluarado ou estrelado,
Ele sempre será eterno,
Quem nunca se interessou por ele,
- não conhece o seu reinado
O clamoroso barulho do mar,
- é como um clique delicado
Maris soube capturar bem
o seu lindo céu rosado,
O Rio só se deixa ser fotografado
por quem sabe o que quer,
Assim ele se deixa abrir diante dos
olhos enternecidos da mulher...
Tenho flores na fronte
Carrego você comigo,
De mim não te tiro;
O teu beijo é fonte
De toda a inspiração.
Só de te olhar,
Não resisto,
Quero te amar,
Insisto,
Não canso de esperar,
Suplico - e repito,
Como uma oração...
Tenho sabores na boca,
Todos em minha saliva,
Especiais para dois,
Esperando por ti,
Não me farei de esquiva,
Te olhei como quem solicita,
Aguardo você aqui,
Para experimentar,
Para apalpar,
Para acarinhar,
Para beijar,
Para o teu colo me dar.
A tua imagem é evocação
Do que é mais puro,
Do que é mais belo,
Do que há de mais fecundo,
Nunca vi nada igual
Nesse mundo és paraíso,
Um inacreditável feitiço;
Que rendido aos meus versos,
Tornou-se um menino levado,
Em meu peito abrigado,
Farei-te meu bem amado,
Completamente entregue à paixão.
Eu sou a tua alegria que não se [disfarça,
- e o verão que te [abraça
A onda do mar que passa e volta
- e te [perpassa
Trago o carinho do vento e o perfume,
Que ele [espalha - e que você acha [graça...
A minha alegria menina caminhando
Na Praia de Salinas, escreve versos,
Faz artesanato e [reza,
Ama loucamente o nosso amor
Com os pés na [terra,
Ela tece a formosa [espera...
No bailado da areia, do mar e dos
ventos [sulinos,
Estou preparando o nosso [cantinho
Com um belo pomar e muito [carinho.
Não canso de te [esperar, e sequer
Desisto um só minuto de te [amar.
E em cada terço tenho rezado
Pedindo: que o meu sangue poético
Que é mais vinho do que [sangue penetre
Na tua [veia - e seja sempre uma chama
que te [incendeia...
Pedindo à Ele que um dia que você me [ame.
Não me incomodo com releituras,
Eu me incomodo com ternuras,
Que ainda não nasceram.
E destas palavras furtadas por
você - considere todas perdoadas.
Eu entendo a busca de uma mulher,
Que ainda não foi em salto e altura
[amada - e cultiva todas as intenções
Puras, e as mais infinitas doçuras...
Mulher, traze consigo as minhas
Palavras de amor para serem tuas,
E por ti cantaroladas [baixinho,
Como uma cascata que faz um doce
[gemidinho,
- prepara-te para um prazer [especial
Do renascer do amor austral,
Porque ele não entende que o amor
É[universal;
- o amor de você pode ser escrito
Em todos os tempos e ritmos
O amor é atemporal - crê nisso.
Ele pode reprimir cada linha tua,
isso se chama censura!...
Impedir-te de escrever é a
Mesma coisa que aumentar o
Comprimento do vestido.
Não desista de escrever e de
Espalhar o teu amor macio,
Porque quem ama vai até você,
E elimina qualquer sacrifício...
Não existe cortesia maior
Do que o sol
Cumprimentando o mar,
Assim é você perto ou longe,
Mas nunca deixando de me amar,
Não há o que explicar.
O amor é assim: ele surge como o
Amanhecer abrindo carinhosamente
O céu do coração - e a percepção.
A Paraíba e Santa Catarina formam
Rima para fazer letra de música para
Animar um forró de uma maneira que
Até o Bom Deus duvida... é a vida!...
A poesia é assim, ela capaz de chamar
Para brincar de roda o Rio Grande do
Sul, Santa Catarina e o Paraná com
A pequena joia que se chama Paraíba.
Joia rara e pequenina capaz de seduzir
Arrebatadoramente o coração e fazer
O Brasil inteiro cantar a sua canção.
Por isso saúdo Luiz Gonzaga que a
Eternizou em versos e ritmo de paixão.
A Paraíba é uma joia que é para guardar,
Apreciar e poemizar para fazê-la notada
Porque ela tem mística - é terra encantada,
Quem sabe levarei o meu amor
Para a Praia de Tambaú?
Para todos apreciarem o mar
E uma das mais belas nuances da alvorada?
Não há alegria
mais encantadora,
De encontrar a
linda surpresa,
- as mais belas flores -
Que deixaste sobre
a minha mesa.
Um gesto tão simples,
tão suave,
Manifestação
de amor,
- cavalheirismo
embelezador
Carinhoso e provocador.
Desses meus
versos femininos,
Que clamam
pela tua presença,
Eternizam-na
com a crença
De ser amada
por você.
A tua alegria
é a minha,
Próxima
e distante,
Mas sempre
próximos
Com a mesma
alegria...
Não há força diante da democracia,
E nada que a supere;
É força magna, é energia,
Voz que não se cala,
- mesmo sob mordaça
A força da democracia é a própria,
Está sacramentada na história.
Sem o povo não está escrita a glória,
Com a alma é que se afugenta,
- espanta
Toda a insana covardia,
Através do sonho de democracia,
Arrebentando toda a mordaça,
Atirando-se os grilhões ao vento,
A democracia virá, é só questão de tempo.
Abro o destino para o deboche
Cair no precipício,
Com a minha poesia respondo o riso
Do totalitarismo,
Rui Barbosa sentou praça
Na democracia,
E dela ninguém me divorcia.
Não temo mergulhar em minh’alma,
Não temo de forma alguma,
Nela encontrei a tua em movimento,
Eu não mais me pertenço,
Em ti me acho, e em ti me perco;
Como o vento sopra a duna,
Puro festejo e encantamento.
Canta melodiosamente o vento...,
O seu canto manso,
Giram os cataventos,
Os nossos amores sublimes atentos.
Protegidos por Deus e todos os santos,
Não tememos as naus e quebrantos,
Brada o mar,
Com amor se supera os tormentos.
Certamente, no teu riso,
Sorrio igualmente,
Espelhei-me na tua rebeldia,
Nessa imensidão e desassossego,
Identifiquei-me com o teu brio,
Encontrei na tua alegria,
- tudo -
Aquilo o quê mais precisava:
a minha poesia.
Gera em mim mais uma vez,
Esse doce outono discreto,
Não nego jamais,
Eu te espero,
Ao passar de cada segundo,
Longe, mas não alheia;
O teu amor é a minha teia.
Girassol em flor,
Inigualável amor,
Adorado sem tabu, e sem pudor.
Riscam no horizonte,
Os primeiros raios,
São as tuas luzes,
Amor em verso,
Namoro em prosa,
Amor em chama.
Sábios são os teus poemas,
Chamamento celestial,
Horas em valsa,
Maré de contentamento,
Indissociável sentimento,
Tesouro do tempo,
Trazendo você para mim...
Sempre me supreendendo,
Carinhosamente,
Esculpindo a poesia,
- adormecida
Feito a duna ainda em grãos,
Aromas marinhos,
Do mar e do vento bailando,
- revolucionando
Um amor em construção.
Modesta flor em tuas mãos,
Não menos delicada,
Não menos flor,
- maravilhada
De tanto amor,
Desabrochando em esplendor.
Eflorescida do teu sorriso,
Preciso do teu colo,
Do teu gozo,
Do teu mimo,
Do teu carinho,
É do teu amor que eu preciso.
Eu apenas escrevo,
O poeta é você,
Que sente e me cativa,
E sobretudo sente,
Não existe coisa melhor
Na vida de toda a gente.
Deslumbrante afeto púrpura,
Que esbanja ternura,
Doação de doçura,
Canto, sossego e riso,
És o meu paraíso,
Guardião do nosso templo,
Berço de nosso sentimento,
- indivisível -
Dádiva celeste e incrível.
