Poemas Vinicius de Moraes Patria minha
Minha doce mulata
Minha nega, minha preta
doce e querida mulata
serena feito borboleta
e é pra você essa serenata
Uma serenata sem som
mas eu grito para o mundo
que contigo, tudo é bom
Cada instante, cada segundo
Saber que você existe
Não há por que ficar triste
Apenas alegria permanece
como um resistente alicerce
Obrigado minha morena,
por fazer parte da minha vida
seja ela com passagem só de ida
obrigado por ser assim morena
Não se vá
Quando minha mão soltar a sua,
você vai se esquecer de mim?
Não quero que vá pela rua
me diga que não é o fim.
Tenho uma inquietante impressão
que nunca mais vou te ver.
Isso foge a toda minha razão,
isso contraria todo o meu ser
Queria muito te dizer,
mas as palavras não aparecem
pro seu amor eu acender.
Sou mais um nesse trem
Que poderia apenas mentir...
Mas não posso dizer (não se vá),
mesmo assim vejo você partir.
Deixando um perfume de maracujá
Personalide
Esta, porém, é a minha,
ignorante, inocente,
sem padrão e sem linha,
tão enferma e adjacente
Foi uma epifania,
eu tenho que confessar.
Talvez fosse uma mania
ou apenas o meu falar
Esperei demais de ti
acho que foi esse meu erro
te procurei daqui e dali
E sem querer fui ao meu enterro
Esse deve ser meu jeito,
efusivo e maltrapilho,
tão cheio de defeito.
Eu fui seu empecilho
Pra mim foi uma dádiva.
Agora, em uma sala
eu estou na tentativa
de tentar mudá-la
Influência
De Manoel Bandeira
Para minha pessoa,
um monte de baboseira,
uma poesia que escoa
Tanta dor e amargura,
que me vi forçado
a mudar minha compostura
e dizer, obrigado
Por achar mais um
que venha a sentir
o mesmo que eu num
dia em que parecia decidir
O que era propenso
à minha perspectiva
algo tão diferente e intenso
que se tornou afirmativa
Um sentimento irônico
que chegou a evitar
que um instrumento sinfônico
deixasse de amar
Do meu eu-lírico
para Manoel Bandeira
usando um tom satírico
eu agradeço à barulheira
Oh vento do leste, porque levastes meu amado?
O grito estridente da saudade, angústia minha alma
Sem o encanto dos teus lábios, o brilho dos seus olhos, receio que, o espírito dá vida que em vós habita, morrerás...!
NOSSA TELEPATIA
Perdido na praia, da minha solidão,
ali, em meio as melodias das sereias
eu escrevia seu nome nas areias.
A lua estava cheia, São Jorge com dragão
enquanto, os peixes debatiam-se sobre as
ondas do mar... Eu sentia a flecha do amor
trespassar o meu frágil coração.
Vi as espumas, apagar seu nome...
Debruçado sobre a prata lunar, eu chorava,
enquanto eu chorava...
Minhas lagrimas molhava a saudade e a
paixão soluçava a telepatia do nosso amar.
Antonio Montes
Que o mundo não pare de existir... Mais que o mundo seja um mero detalhe na minha existência.
Existência essa que faz diferença por onde eu andar, e que esse andar seja Luz, qua a luz seja o caminho e que o caminho levo ao lugar onde meus sonhos se percam nos lábios apaixonados de uma bela fera.
Pro não acreditar em contos de fadas vou viver o Tempo o Amor e a Morte em cada esplendor de uma aurora renovadora.
Cocada baiana!
Cocada na tabuleta
até a dieta se manca
se é da Bahia é porreta
a minha ninguém arranca
aqui não quero xereta
eu sou doidinho pela preta
mas não enjeito uma branca.
Sabendo há séculos de ti, a madrugada que desponta no azul da minha alma é a tela de todas as madrugadas que sorriem em mim, onde te pinto e te guardo, num profundo silêncio e suave carinho, como o mar guarda a água e o sal e o rio o seu mistério.
Existo no tempo das estações, na sua poesia contínua e alternada, sendo morada de mim em cada compasso que as pálpebras das gotas da chuva tocam e em cada fragrância aleatória que sinto.
Hoje a tua alma caminhou em mim.
E o Sol iluminou-se de nós, num olhar pelo céu imenso que já se fez.
Que a poesia não me abandone
Persiga
Siga minha estrada
Meus passos
Porque de sonhos também se vive !
Te deixei partir!!!
Enquanto faz silencio lá fora, minha alma grita aqui dentro.
No rosto semblante calmo e sorriso estampado nos lábios.
Enquanto a cabeça esta uma tempestade, um turbilhão de sentimentos no meu peito.
Porque fui tão covarde, porque não me mostrei de verdade não deixei transparecer a intensidade do meu amor,
Porque deixei você partir, porque permiti que meus medos,te tirasse de mim.
Agora estou aqui, sentado enfrente ao seu porta retrato, que Ainda enfeita minha sala.
Aqui perdido entre lembranças e saudades, que insiste em me ferir.
Aqui estou estou eu, entre arrependimentos e remorço, pois sou o único culpado por fazer você partir!!!
Daniela Kenia
NA GAVETA
A minha gaveta velha,
além de rígido para abrir e fechar...
ainda guarda cacos e cacarecos
e grilos que vivem a rondar.
... Peças velhas, recibo de frete
bilhetes de escrito amassado
cartas manchadas, confetes
de um eterno carnaval passado.
Grampos e bob's para cabelos
um broxe estorvando um canto
guarda também um lenço branco
que um dia, enxugou seu pranto.
Pregos, canetas, tachinhas
ate uma meia velha, vi ali,
ali só tem coisas minhas
mas tantas, que nunca vi!
Um enredo de um segredo
segredo que quis preservar
... Preservar, todavia é sedo
para um dia, em segredo chorar.
Antonio Montes
A minha sorte ...
É que não dou ouvidos a alaridos
e alheia maldade .
É que por descuido o vento escorregou do céu
e pousou em minh'alma.
Foi quando o canto dos passarinhos
in meus olhos fizeram morada.
Tinha um arco íris beijando minha pele
Tinha o sol queimando meu rosto
Tinha a chuva banhando meu corpo
Tinha a lua paquerando as estrelas
Tinha um pássaro cantando ao luar
Era tu nos meus sonhos
Flertando comigo
Mergulhado nos meus olhos
Me tocando no mar
Num mar de sonhos
Rios
De mar !
A LÍNGUA
Minha língua,
minha dita, me edita,
as vezes medita informal.
Minha língua sem sal
em saliva com sal... palpita,
Por bem, ou por mal.
Essa língua maldita
com sua dita edita...
Um caótico carnaval.
Antonio Montes
TINTA A PINTA
Toma a tinta, pintor e pinta
... As pintas da minha janela
colorindo-as com essa tinta
do tinteiro sempre d'ela.
Eu já perdi minha cromática
estou sem degrade e sem cor
meu amar, foi uma chibata
que cutelou o meu amor.
Agora perdi o horizonte
e sem o ramalhete do rei sol
não colorearei os montes.
Estou opaco nos rascunhos...
Rabiscos, com altos relevos
sem tato sem ar nem punho.
Antonio montes
Talvez
(mas só talvez)
As minhas paixões estejam
Apenas na minha cabeça
Talvez eu não as conheça
Talvez em mim
Eu amanheça
Sem tristezas
Quem sabe das minhas paixões
Se nem eu as sei?
Quem sabe o que isso significa
Talvez
(mas só talvez)
Eu naufrague em meus
Próprios sentidos
E ainda assim,
Sem nada sentir
Talvez
Nada me feriu mais
em calor frio da minha pele
do que amar.
Dos amores que escolhi
Aos amores que tive
Para os amores que nunca apareceram
Entre os amores que nunca amei.
Nada me doeu mais
do que os sentimentos que matei, sufoquei
Me doei e arrisquei.
Sequestrei em tempos de escassez.
Engraçado,
Pois nunca ninguém amei.
Quando tua língua suave
tocou minha feminilidade
senti arder como chama acessa
tremer em tuas mãos foi único
me perdi no céu da libido
atravessei o oceano das sensações
e pra ser sincera amor
em um outro tal momento
pretendo repetir a dose.
