Poemas Sombrios
A Culpa é Nossa!
No espelho da alma, a face da nação,
Reflete a sombra da nossa omissão.
Guerras, fome, a dor que não se finda,
A culpa é nossa, que a treva ainda brinda.
Na política, o eco do descaso ecoa,
Escolhas erradas, a esperança que voa.
A saúde, um grito de angústia e dor,
A educação, um sonho que se esvai, sem cor.
A economia, um jogo de cartas marcadas,
Onde a ganância, as almas dilaceradas.
A negligência, um veneno que se espalha,
A responsabilidade, que a covardia amordaça.
Somos nós, os artífices do presente,
Com as mãos manchadas, o futuro ausente.
A culpa é nossa, no silêncio que consente,
A injustiça, que a alma da nação sente.
Na penumbra da alma, a sombra se forma,
Um peso que aperta, um turbilhão que transforma.
A angústia se instala, como um lamento,
Ecoando no peito, um profundo tormento.
Caminho em silêncio, por ruas desertas,
Pensamentos confusos, portas sempre abertas.
Sussurros de culpa, como lâminas frias,
Cortam a essência, revelam as feridas.
Olhos que me observam, sombras do passado,
Cada passo em falso, um grito calado.
As vozes que ecoam, memórias que gritam,
Em cada esquina, os fantasmas me fitam.
O que eu fiz, o que eu deixei,
As escolhas pesadas, o peso do "não sei".
A culpa se agarra, como um vício cruel,
Um ciclo sem fim, um labirinto de fel.
No espelho me vejo, um rosto cansado,
Rugas de dor, um ser desolado.
Mas no fundo da angústia, uma luz tímida brilha,
Um desejo de paz, uma esperança que brilha.
E se a culpa me ensina, que eu possa aprender,
Que cada erro é parte do nosso viver.
Na dança da vida, a tristeza é canção,
E na dor da angústia, pode haver redenção.
Assim, entre as sombras, vou buscando a luz,
Aprendendo a dançar, mesmo quando a dor seduz.
E se a angústia me abraça, que eu possa sentir,
Que na complexidade da vida, há sempre um recomeçar.
ÁRVORES DA VIDA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
A sombra fresca e revigorante que nos enche de vida e paz, é o fruto generosamente ofertado por muitas árvores que os tolos dizem que não dão frutos.
SOMBRA DO AMOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Para Nathalia
Dor não dói sendo minha, se a resgato
da su´alma, do entorno, seu olhar,
nem há mar que me assombre, caso venha
das muralhas que a livrem da invasão...
Quero todo sofrer que se aproxime
dos caminhos tomados por seus sonhos,
cada verso que rime com seu pranto
e as quedas na fila do futuro...
Sangraria os mais fundos ferimentos,
tornaria infinitos no meu ser
os tormentos capazes de abatê-la...
Venham todas as causas da tristeza
compor mesa na sombra deste amor;
minha dor, quando minha, não é dor...
SEM SENTIDO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Tua sombra me afasta e dissipa vontades
que vieram comigo no arreio dos anos;
cavalguei por verdades que vivi sozinho
nos meus planos perdidos; fantasias gastas...
Teu silêncio amordaça o sentido insistente,
faz deixar de fazer no que sinto por ti,
põe a tua corrente nas asas do sonho
solitário e perdido entre os elos do espaço...
Rasgo todos os panos do que revestia
os desvãos deste afeto sem o teu olhar,
a nudez dos meus dias nesta solidão...
Pouco a pouco te apagas, te fazes comum,
perdes todo este zum com que sempre te vi
como deusa indelével de minha carência...
DOM QUIXOTE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
É mais fácil brigar contra seres de sombra,
inimigos gasosos que moram na mente,
massacrar a serpente na imaginação,
derrotar uma besta no campo dos sonhos...
Afinal, nossos sonhos nos dão armaduras;
neles temos a força que nos torna heróis,
damos voz de prisão, exilamos demônios
previamente vencidos; presentes do céu...
Só assim não teremos que vencer pessoas,
combater injustiças, desbravar caminhos,
assumir os espinhos cravados na carne...
Será sempre mais fácil ser o Dom Quixote
que abastece a coragem de puro festim
entre lendas do início; do fim; do infinito...
MATURAÇÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Hoje gosto de calma. De ar puro. Sombra, rede, quintal. Gosto de amar, fazer amigos, ter liberdade para ser quem sou e deixar bem claro que é pegar ou largar. Escrevo e leio mais do que nunca, sei exatamente o que não quero, aprecio arte, boa música e já não tenho vergonha de ser sensível; romântico; sentimental.
De bem com a vida e comigo mesmo, estou no ponto em que tempo não é dinheiro e sossego não é caretice. Posso desprezar a moda, gostar do que realmente gosto e sonhar ao meu bel prazer... e como não se chega impunemente a tal estágio de segurança, bom gosto e sinceridade, chego à conclusão de que realmente chego à velhice.
POEMA CAIÇARA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Aprecio a poesia que me chama
lá no canto; na sombra; no silêncio;
dá um doce, depois me desafia,
me provoca e me faz querer o resto...
Busco aquele poema que seduz
como a droga no dia inicial;
só aos poucos envolve, me vicia
e me diz onde a cruz está cravada...
Escraviza e dá carta de alforria,
faz pecar e dispõe a conversão
lá no fim do sermão fragmentado...
Só existe poesia no poema
que não salta, não corre, não esmurra,
mas que rema e nos leva de canoa...
MEU QUINTAL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Uma rede me aguarda no quintal;
numa sombra que a mão até apalpa;
rede não social, por ser só minha,
só aceita o calor de minha pele...
Os calangos procuram meus sinais,
a mangueira não sabe o que dizer,
nem a cobra cipó entre a folhagem
faz menção de saber aonde ando...
Vim ao bairro buscar o que não planto
no meu canto, na terra de arvoredo;
volto logo a compor essa paisagem...
Minha fauna se une à minha flora
nesta hora de ausência inesperada;
meu quintal me requer, pois mora em mim...
“Nenhuma dor é eterna. Toda sombra cede à luz do amor.”
Que saibamos, com coragem e ternura, olhar para dentro, reconhecer nossas sombras e acender em nós a chama da renovação. Pois a Reforma Íntima é o verdadeiro caminho da paz aquela que o mundo não pode dar, mas que o espírito em evolução pode alcançar.
Aqueles que Pensam Demais
Wlliam Contraponto
Pensar demais é sombra que não passa,
é lume estranho à festa da clareza.
Enquanto o riso dança e a pressa abraça,
a mente arde — silêncio com firmeza.
Vêm cheios de perguntas que não dormem,
incômodas, sem resposta na mão.
Enquanto outros seguem formas e normas,
eles andam nas bordas da contradição.
Não suportam o raso das conversas,
nem o teatro fácil de parecer.
Cada silêncio guarda o que não dispersa,
cada gesto recusa pertencer.
Chamam de frio o que é só cuidado,
de orgulho o que é só dor contida.
Mas é só o peso de ter enxergado
frestas demais na mesma vida.
E quando vão, não vão por desprezo —
mas por cansaço de ser farol.
Viram demais, queimaram em segredo,
preferem o escuro ao falso sol.
Pensar demais é sombra que não passa.
É uma busca quieta, rara e imensa.
Num mundo ansioso que ri e disfarça,
pensar demais é forma de presença.
Sempre te seguirei sem ser tua sombra, serei em tua vida como o beija flor é para o jardim, serei a luz que cria a tua sombra, serei a sombra que te refresca, serei o sol que te arde a pele. Enfim serei o teu dia, que descansa na tarde,e serei a noite que te sonha, a madrugada que te atormenta e o novo dia que te convida...
(Patife - Saul Belezza)
Saul Freitas
29 de maio de 2015 às 14:11
Não sou mais o sol que te aquece.
Não sou mais a luz que te ilumina.
Não sou mais a sombra que te refresca.
Não sou mais a água que te sacia.
Não sou mais a lua que te encanta.
Não sou mais o dia que te espera.
Não sou mais a manha que te brinda.
Não sou mais a madrugada que te agoniza.
Não sou mais o lado vazio da cama que te implora.
Não sou mais a ducha que te molha.
Não sou mais o sabonete que te ensaboa.
Não sou mais o pente que te penteia.
Não sou mais o caminho que te companha.
Não sou mais o poeta que te escreve.
Não sou mais as rimas que te explica.
Não sou mais a surpresa de cada encontro.
Sou apenas a despedida de tantos momentos bons.
Sou apenas o que sobrou de mim em você.
Sou apenas aquele abraço, que te faltou um dia.
Sou apenas, e nada mais...(Patife)
SOB A SOMBRA DA BELEZA NO AMOR.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
O amor nasce já ferido.
Não como promessa, mas como necessidade.
Uma carência inscrita na própria estrutura do querer.
Ama-se não por plenitude, mas por falta.
A beleza surge como engano sublime.
Ela se oferece ao olhar como redenção,
quando na verdade é apenas o véu mais refinado da dor.
Toda forma bela carrega em si a sentença do perecimento,
e é justamente por isso que fascina.
O espírito, ao reconhecer o belo, não encontra repouso.
Antes, inquieta-se.
Pois compreende que aquilo que o atrai
jamais poderá ser possuído sem perda.
Amar é desejar o que inevitavelmente escapa.
A consciência, ao amadurecer, percebe
que o amor não promete felicidade,
apenas instantes de intensidade.
E intensidade é sempre sofrimento condensado.
Quanto mais profundo o vínculo,
mais aguda a percepção do fim.
A mística do amor revela-se então trágica.
O sujeito não ama o outro,
ama a imagem que nele desperta sua própria carência.
E quando essa imagem vacila,
a dor emerge não como surpresa,
mas como confirmação da natureza do querer.
Há uma tristeza inerente à beleza
porque ela nos obriga a desejar o que não se fixa.
Tudo o que é digno de amor
é, por essência, transitório.
E a consciência disso não liberta: aprofunda.
Assim, amar é consentir com o sofrimento lúcido.
É aceitar a vigília permanente do espírito
diante de um mundo que não promete consolo.
A grandeza não está na felicidade,
mas na coragem de contemplar o abismo
sem desviar o olhar.
Era uma vez um homem que um dia fora luz, mas hoje é um todo de trevas, por amar até a sombra de alguém.
Era uma vez um homem que sempre via aquela doce face no rosto de outrem.
Era uma vez um homem que por ela daria a própria alma, e se tivesse mais de uma, daria mais de cem.
Era uma vez um homem que amava, mas não sabia a quem.
Era uma vez um homem que não sabia como fechar as feridas que têm.
Era uma vez um homem que, por amar demais, já não distinguia o que lhe fazia mal ou bem.
Era uma vez um homem que descobriu que, para se ter felicidade no amor, é só amando ninguém...
Do infinito surgiu o princípio. A luz e a sombra dançavam sem forma, enquanto o tempo começava a traçar seu caminho. O homem e a mulher nasceram sem saber de onde vieram, sem compreender o propósito da existência. Tudo era passagem, transformação, mas ninguém se dava conta.
As estrelas brilhavam no céu, cumprindo silenciosamente seu papel. A lua observava, testemunha dos ciclos que nunca se interrompem. O vento sussurrava verdades esquecidas, enquanto o mar, imenso e profundo, guardava mistérios que ninguém ousava decifrar.
Pensaram que sabiam. Construíram certezas onde só havia dúvidas, repetiram ensinamentos que nunca foram completos. O que terminava, na verdade, não acabava, e o fim era apenas uma ilusão. Tudo se movia em uma dança que poucos percebiam. Mas agora, algo muda.
A fase racional chega, como um novo horizonte que se abre para aqueles que desejam enxergar. O que antes era vazio se torna compreensão. O universo, antes desencantado, começa a revelar seu brilho real. As portas se abrem para quem busca, para quem entende que nada está perdido, apenas oculto, esperando ser revelado.
Agora é o momento. O chamado ecoa no tempo. É para já, é para agora. Aqueles que despertam sabem que não existem verdades absolutas, apenas caminhos, apenas pistas. E quem as segue, finalmente, começa a ver.
Quem se submete aos pseudo-pastores
é tão perigoso quanto eles,
pois na sombra de suas doutrinas,
perde-se a luz das verdades singelas.
Quem vive à sombra de um homem que não viveu, tenho certeza de nada aprendeu;
Não sentiu frio em noite serena, nem mesmo na vida se perdeu;
Em repouso nos rios plácidos,não sentiu e nem mesmo leu;
Tento me superar te amando mais que a mim apagando toda sombra de dúvidas aparente;
Sou um homem apaixonado e um tanto inocente cultivando um sentimento infinito que tanto lhe deseja;
Sou a poesia que te conquista, sou a luz que te ilumina, o teu porto seguro que tanto te apoia para que vença em qual quer circunstâncias;
