Poemas sobre Saudade de grandes Poetas
Puro encantamento
Pensar em você dói,
a saudade chega a causar desequilíbrio,
na consciência a conexão é presente e os sentidos se comportam de maneira extraordinária,
nas orações os motivos são meros detalhes, já os pedidos são muito sensíveis,
num instante uma pausa para o vazio, no momento seguinte uma ininterrupta viagem sobre nós,
entre sonhos e medos e entre planos e desejos, uma voz no ego é ouvida, logo um abraço protetor é sentido,
então, arrebatado pelos sentimentos anciões sou levado aos sorrisos e perfumes daquela encantadora borboleta rabo de dragão e ali me perco nos labirintos do seu doce encantamento.
Conexão que arde
Tentar esquecer uma conexão que arde é a mesma coisa que cutucar a saudade com a distância,
Um coração casca grossa é sensível a insistência do retorno, porque as ideias opostas não se separam com tanta facilidade,
Através do choro as noticias chegam sobre você e elas deixam marcas nas lembranças, então começo a montar o quebra-cabeça na linguagem do amor que apenas nós dois conhecemos,
E independente do que os meus olhos veem como arte o meu coração está preparando em silêncio na certeza do que nunca deveria ter acabado.
Como seria ?
No véu da razão o ciclo da saudade entoa sua melodia,
Nas lembranças a nostalgia,
Nas lágrimas, autonomia,
Na cumplicidade da inocência, a curiosidade de como seria se...
Saudade
Se a saudade tivesse nome?
Seria o seu!
Se a saudade tivesse cheiro?
Seria o seu!
Se a saudade tivesse histórias?
Seriam as suas!
Se a saudade tivesse exemplo?
Seria você!
Se a saudade fosse uma pessoa?
Seria Pai!
Nunca soube definir saudade, até você se tornar ela!
Diérese
A saudade é um ditongo
na gramática eu constato.
Mas faltando-me a sílaba
a transformo em hiato.
De José Alberto Lopes
Cada coisa não dita gira e ecoa no vento. Cada grama de saudade destrói por dentro. Não quero mais fingir estar tudo bem, ou esconder a intensidade que avassala o peito. Há uma década meu maior desejo é apenas um.
O frio que congela engole o meu corpo e me lança ao abismo. Eu peço a luz que me deixe apagar. Que não seja preciso conhecer o inverno. Que a noite me leve, como vênus leva o sol. Se não há uma saída desse labirinto, que eu não precise mais caminhar nessa prisão.
- Marcela Lobato
Saudade...
Que saudade bonita
Dos anos de juventude
Das baladas nas casas dos amigos
Dos sorrisos genuínos
Da liberdade e do sonho
Do primeiro beijo...
Nas névoas do passado
Minhas memórias me aconchegam
Ah que felicidade... era destemida,
De sofrimento não sabia
De peito aberto encarava a vida,
Sou resultado das minhas escolhas
Umas boas outras não sábias,
Mas sou o que sou
E agradeço ao Criador...
Cada dia uma nova oportunidade
Pois a vida é uma raridade
E deve ser valorizada...
Cada respirar é uma dádiva
Pois cada momento pode ser o último
E um dia seremos lembranças...
Que essa lembrança seja boa
E desperte sorrisos nas pessoas!
Sinais do Silêncio
Ele, também poderia se retratar – entrar em contato, dizer que a saudade consumiu os seus dias. Que o seu corpo sentiu a mesma intensidade que o meu. Dizer que tudo não passou de um mal-entendido, explicar as suas razões, de ter sumido, talvez deixar clara a situação.
Desmontar toda essa confusão e revelar o que se passa dentro do seu coração. Esses mal-entendidos poderiam ser esclarecidos. Eu poderia tentar entendê-lo. Mostrar que tudo o que se passou foi intenso, sublime. Mostrar que fui importante.
Entendo que talvez o sentimento seja apenas de minha parte. Mas então, porque há invasão em meus pensamentos? Invasão em meus dias ternos e serenos? Tudo vira uma revolução, uma guerra interior, quando, sem permissão, ele vem - sem ser convidado.
Há pendências batendo à porta. Esse estranho caminho que me conduz por encruzilhadas desconhecidas, me mantém em alerta.
Os sinais que a vida dá são claros. Dizem tudo o que eu preciso saber. Mostram caminhos.
Rita Padoin
Escritora
Debaixo da árvore da saudade, sentei-me um dia...
Chegou uma ventania sem dó, e foi arrancando todas as lembranças.
Uma a uma...
Algumas até se ajoelharam a pedir perdão...
Perdão do quê?
Se eu não me arrependo de nem uma!
As mais loucas queriam viver tudo de novo.
Esqueceram que a vida é um rio...
Aquelas águas passaram e não mais retornarão!
Lembranças, velhas amigas...
O samba enredo de tudo que eu já vivi!
E o sonho não acabou...
O destino, ainda tem muita tinta para escrever neste coração de desejos vivos.
Haredita Angel
15.12.16
Você é a pessoa certa!
Sabe quando a saudade aperta
e o peito vira prova, não dúvida?
É prova social do coração: todo mundo procura,
mas só nós dois encontramos.
Você é a pessoa certa.
Não dessas que passam.
Dessas que ficam.
E eu torço, escolho e protejo para que permaneça fiel,
porque escassez mora no fato de que alguém como você
não se acha duas vezes na vida.
Eu antecipo um futuro grandioso.
Consigo ver a cena: nós dois rindo de bobeira,
vencendo juntos, colhendo o que hoje é semente.
Isso é visualização. É compromisso com o amanhã.
Não é sorte. É decisão.
Então reciprocidade: eu te entrego meu cuidado,
minha lealdade, meu tempo inteiro.
E autoridade eu dou ao que sinto,
porque esse amor sabe onde quer chegar.
Saiba que é isso que desejo à nossa história, meu amor:
pertencimento sem medo, consistência sem jogo,
urgência de viver tudo agora,
porque o grandioso já começou
no instante em que eu te escolhi.
Se fosse tão fácil, não seria amor.
Se fosse distante, faria saudade
e se não houvesse, seria indiferença.
Meu peito não doeria e nem sequer iria lembrar;
da sua voz, do seu cheiro
do teu rancor e egoísmo de corpo inteiro.
Então eu grito,
por não te conhecer, por tudo aquilo que está a doer
pelas vozes que estão a dizer
"me deixe, não suporto mais você".
Não sei amar sem me esgotar,
não sei te olhar sem me comparar,
não sei te dizer sem querer morrer,
E isso só mostra o quanto nós não devemos ser.
Mas eu amo,
amo o jeito que me olha
o jeito que me abraça
o jeito que sempre disfarça,
por favor, não esqueça de mim quando amanhecer. Eu grito.
Esquece
O que mais me tocaria
Se não esta saudade
Em vaidade desmedida,
Longe vejo minha flor
E tão de perto esta dor,
De quem vive uma vida
Por metade nela só.
O que hoje em mim é parte
Já foi um tudo de nós dois,
Agora vento de um riso
Ou rio em lágrimas perdida.
Um coração que se entrega
Não retorna o seu caminho,
Sabe bem que entre flores
Sobressaem alguns espinhos...
Quem sabe um dia
Seja ela como eu,
Que desse amor nunca se esquece
Nem mesmo por um dia...
Edney Valentim Araújo
1994...
Entre um e outro
O tempo passa, a saudade fica,
Mas meu amor por você, a um e a outro resiste.
Na saudade, um dia se torna um século.
Mas o tempo que lentamente passa só faz aumentar meu “amor” por você,
Toda a eternidade não seria mais de que um breve instante se eu estivesse com você.
Edney Valentim Araújo
Muito mais do que uma saudade: O Riso que não foi Silenciado
Na sua face gentil, eu via o seu sorriso amável e ouvia a sua risada mais gostosa — poderosa a ponto de a passagem do tempo e as dificuldades da vida não serem capazes de silenciar, nem de ofuscar o seu brilho; um exímio exemplo do que é perseverar.
A idade avançada não tirava o seu riso de criança; os seus olhos quase fechavam para acompanhar as curvas da sua felicidade, aquele entusiasmo típico da infância, da época que qualquer bom momento virava um espetáculo, independentemente das circunstâncias.
Quando me vem à lembrança a sua presença, parece que está ao meu lado toda risonha, emitindo aquela sonoridade de sempre, repleta de amor e espontaneidade, que continuará contribuindo para a minha perseverança, muito mais do que uma saudade.
Por tanto bem, agradecer a Deus é inevitável e é o mínimo que posso fazer por ter colocado uma pessoa tão imprescindível, incomparável para enriquecer os meus dias e fortalecer o meu ânimo cansado durante momentos simples de alegrias; então, o meu riso também não será silenciado.
Se explique pra sua saudade,
O que você fez com sua verdade,
Quando tive interesse em te fazer perguntas.
Quando eu me calar, eu sei que o mundo não sentirá saudade da minha voz, mas se alguém sentir, que se contente com ela.
Sei que o mundo seguirá em frente — como sempre seguiu — indiferente à ausência da minha voz.
Não porque ela não tenha existido, mas porque os ruídos do mundo, muito raramente, o deixam perceber silêncios que não gritam por atenção.
Ocupado demais com os próprios ecos, ele não notará a falta de uma voz tão insignificante que nunca quis ser multidão.
E está tudo bem.
Porque quando eu me calar, talvez não seja por ausência de palavras, mas por excesso de lucidez.
Há momentos em que falar já não acrescenta, explicar cansa e gritar não cura…
Então o silêncio deixa de ser fuga e passa a ser escolha.
Nem toda ausência precisa virar ruído.
E nem todo silêncio é pedido de aplauso.
Se alguém sentir saudade, que a sinta por inteiro, sem pressa de transformá-la em cobrança.
Saudade não exige devolução, não pede palco e nem reclama resposta.
Ela apenas existe — como prova de que algo foi dito, vivido ou sentido no tempo certo.
Ainda assim, se alguém sentí-la, que não lamente.
Que se contente com ela.
E que guarde essa voz como quem guarda um copo d’água no deserto: não para exibir, mas para lembrá-la.
Porque há vozes que não foram feitas para ecoar em multidões, e sim para alcançar um coração de cada vez.
O silêncio, quando escolhido, não é derrota nem esquecimento.
É o berço do descanso da alma…
O lugar onde a palavra aprende a ter peso justamente por não ser dita.
É a forma mais honesta de permanecer inteiro quando as palavras já não alcançam.
E se restar alguém que sinta, que se contente com o sentir.
Porque há afetos que não precisam de voz para continuar verdadeiros — sobrevivem, intactos, exatamente no espaço onde o silêncio começa.
Saudade dos bons e velhos tempos em que quase todos queriam — e se atreviam — a ser diferentes uns dos outros.
Havia uma coragem deveras silenciosa em não caber nos moldes.
As pessoas ousavam ter opiniões impopulares, gostos estranhos, sonhos improváveis.
Erravam com a própria assinatura.
Discordavam sem medo e sem culpa — olhando nos olhos.
Não precisavam de plateia para existir, nem de aplausos para sustentar suas convicções.
E muito menos subir o tom para tentar sustentar uma ideia.
Hoje, a pressa por pertencimento parece ter substituído o desejo de identidade.
A originalidade virou risco; a repetição, estratégia.
Ser diferente, que antes era um ato quase instintivo de afirmação, passou a ser cuidadosamente calculado para não desagradar o rebanho — ainda que cada um jure ser pastor de si mesmo.
Talvez o medo de ficar só tenha nos ensinado a falar em coro.
Talvez a avalanche de vitrines e vozes tenha nos convencido de que é mais seguro ecoar do que criar.
Mas há um preço muito alto nessa homogeneização voluntária: quando todos repetem, ninguém realmente diz; quando todos performam, poucos vivem.
Sentir saudade daquele tempo é, no fundo, sentir saudade de uma liberdade mais bruta, menos polida e menos aprovada.
Uma liberdade que permitia ser estranho sem ter que pedir desculpas.
Que entendia que a verdadeira diversidade não nasce de discursos ensaiados, mas da coragem nua e crua de sustentar a própria diferença.
Porque, no fim, não há nada mais semelhante do que pessoas tentando, desesperadamente, parecer iguais.
Que o Senhor da Vida liberte os que trilham as Estradas da Saudade calçados com as Sandálias do Remorso!
Amém!
Liberta, Senhor!
Arrebentai as Sandálias do Remorso de todos que revisitam as lembranças dos que partiram antes de nós!
Saudades, sim — Tristeza, não!
Amém!?!
Porque a Saudade, por si só, já é estrada longa o bastante — feita de Memórias, Silêncios e Ausências que aprendem a conversar conosco.
Mas há quem caminhe por ela ferindo os próprios pés, calçado com as sandálias do arrependimento.
São passos, às vezes, demasiadamente pesados, que machucam o coração a cada lembrança do que não foi dito, do abraço adiado, da reconciliação interrompida...
No entanto, a verdadeira cura começa quando entendemos que o amor não termina com a partida — apenas muda de endereço.
E quem parte não deseja nos ver presos ao que faltou, mas gratos pelo que foi vivido.
Descalçar o remorso é um gesto sagrado: é permitir que a saudade volte a ser caminho de amor e não de castigo.
Que possamos, então, revisitar nossas lembranças com a graça de quem sabe que o perdão é o único calçado capaz de levar a alma em paz, sobretudo pelas estradas pavimentadas pela Saudade.
Amém!
