Poemas sobre Relógio
RELÓGIO
Sou as horas que anda, que anda
Segundos, sem fim, sem dimensão
Vou levando verás, agridoce ilusão
Sonhos, e o teor na sua demanda
Sou o tempo, a correr, indagação
A realidade adestrada da varanda
Do viver, sem fingida propaganda
Minutos no vai e vem da emoção
Ninguém pode parar meus anos
Nascem e morrem, sem medida
Desse modo, acertos e os danos
E não há rebelião pra hora corrida
Há vida, tudo passa, sem planos
Então, não desprezais minha batida...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2019, fevereiro, 03
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Domingo de inverno
A chama do candeeiro guarda silêncio
enquanto os ponteiros do relógio
musicam as horas tardias
As noites dominicais
são sempre monótonas
O cortinado encandeia o clarão da lua
e matiza de cores sombrias
as velhas paredes do quarto
As noites invernosas
são sempre enfadonhas
Apanho um bloco de rascunhos
preenchido de frases mortas
e rabiscos sem sentido
A poesia nem sempre
surge na forma de versos
Confortado num velho cobertor de lã
versejo em pensamentos
sentimentos de tristeza
Os domingos de inverno
sempre inspiram melancolia
relógio que conta
a história da mulher
aquela que é feminina
ou feminista
por direito seu
por puro e belo prazer
por amor-próprio talvez
por amor a todos também
não desfaz de ninguém
inclusive dela mesma
não vive a esmo
tem sempre um propósito
divino e maternal
ela é especial à sua maneira
trabalha a vida inteira
tem seu lugar ao sol
e à sombra e água fresca
porque ela merece
com respeito e igualdade
não a leve na brincadeira
porque ela é séria
cheia de amor e alegria
não perca seu dia
achando que vai tirar
a sua plena felicidade
tudo tem sua hora
e nossa hora
um dia há de chegar!!!
relógio que nos mostra
a ferrugem em nossos pensamentos
sentimentos e atitudes
carcome até um sorriso amarelado
ou uma foto velha do passado
as memórias e lembranças
que por um motivo já se foram
antes enferrujassem os ferros do ditado:
"que quem com ferro fere, com ferro será ferido"
e deixemos de lado nossa ignorância
de pagar na mesma moeda
que ao meu ver
também anda enferrujada
não anda valendo nada
com esta atitude descabida
então lubrifiquemos
com as virtudes de Jesus
trabalhando sempre em prol do próximo
e de nossa melhoria espiritual
tiremos as ferrugens da alma e do coracao
só o amor deve nos devorar
da cabeça aos pés!!!
relógio que marca
o tempo de vida que me resta
o que ainda presta
será que vale a pena
levar uma vida como esta
não nasci com estrela na testa
nasci pra fazer a festa
tem quem sempre contesta
e também protesta
levo uma vida honesta
eu diria um tanto modesta
faço parte da floresta
e tudo Deus me empresta
os corpos das encarnações
passadas e desta
e tem quem ache que sou besta
a loucura me infesta
a dor
a alegria
a fé
a felicidade
tudo manifesta
e eu ainda tenho que engolir
gente indigesta
que a alma molesta
são atitudes que todo mundo detesta
inclusive eu!!!
relógio que conta
que é hora de começar o dia
recomeçar a vida
tomar café e atitudes
soprar para esfriar
o café e os problemas
para bem longe
e esfriar a cabeça
é hora de sentar e relaxar
respirar fundo
e (se) organizar
reorganizar as prioridades
atentar às necessidades
e levantar, agir e trabalhar
o seu interior
se dar o devido valor
com amor e com(paixão)
por nós e pelo próximo
e os segundos passam
na verdade voam
e deixemos de cometer
um segundo sequer de bobeira
aliás fique de bobeira
permita-se ficar a toa
só por alguns minutos
ou pelo tanto que valha a pena
tirar um momento
para tomar café com os amigos
familiares, ou simplesmente só
e somente
tome um rumo
tome um banho
tome uma iniciativa
tome as rédeas de sua vida
ou mande quem não te quer bem
tomar vergonha na cara
e vai ser feliz
pelo menos por um minuto!!!
relógio que conta
as belezas da vida
da alma
da natureza
do amor
do carinho
da paixão
da simplicidade
da ternura
da felicidade
da doçura
da maternidade
da fofura
sentimentos cheios
de emoção
tudo faz parte
desta arte
que é viver
e ter Jesus no coracao!!!
poema:Relógio atrasado fora dos sonhos.
O tempo passa,passou, e o relógio continuou contando suas horas atrasado como sempre assim como a mulher que deixou o belo homem esperando em uma mesa em um restaurante.
Sussurros tomavam conta do lugar mas o homem nem se importou apenas
esperou e sonhou.
Não existe nada de completamente errado no mundo, mesmo um relógio parado, consegue estar certo duas vezes por dia.
Pare de se cobrar, Mude o modo que você olha para as coisas, afaste-se de pessoas negativas que estão sempre vendo defeito em tudo!
Ninguém vai pra frente estando ao lado de gente pessimista e de mal com a vida.
A pessoa negativa, quando se faz ausente, deixa o ar mais leve.
Ninguém mais além de você é responsável pela sua felicidade.
A Última Faixa do Tempo
O relógio da vida não marca horas, ele risca sulcos invisíveis num vinil arranhado,
onde cada segundo é um riff esquecido,
e cada silêncio, um verso que nunca ousou ser refrão.
Na estrada dos sonhos, somos acordes dissonantes de um violão desafinado,
dedilhados por mãos invisíveis que já empunharam fuzis de flores
e apertaram corações até que se estilhaçassem em silêncio.
Há algo que não se nomeia.
Como aquela canção que te atravessa feito vento... Você sente, mas não entende.
Ela nunca chega na parte que você quer, mas deixa rastros:
O cheiro de chuva no asfalto quente,
um olhar que sangra como solo de violino em luto,
um arrepio que não vem do frio, mas da memória que insiste em doer.
Esperamos por isso como quem espera o "bis"
sabendo que talvez nunca venha,
mas ainda assim, gritamos o nome da banda,
como se o eco pudesse reverter o fim.
Porque há coisas que não voltam,
e mesmo assim, cantamos,
como se o tempo fosse só mais um verso mal interpretado.
E então, no meio da tempestade,
uma janela entreaberta,
a chuva batendo como palmas de um público ausente,
e uma xícara solitária no parapeito,
como se alguém tivesse pausado o mundo no exato instante antes do último acorde.
Ali, o tempo não corre, ele reverbera,
feito um lamento que recusa-se a findar.
Ali, o que não tem nome sussurra,
como um verso escondido no encarte de um disco esquecido.
Essa memória, teimosa, não escreve para lembrar, mas para manter viva a melodia
dessa canção infinita que não pode terminar
numa janela de vidro,
numa casa de madeira,
onde o som que ecoa… termina em C (Dó).
Asa
Eu vivo como um cuco no relógio.
Não invejo os pássaros livres.
Se me dão corda, canto.
Só aos inimigos
Se deseja
Tanto.
Me encontro preso em uma encruzilhada invisível do tempo.
O relógio marca 2025, mas dentro de mim ainda é fim de 2019...
Uma estação parada, como um trem que nunca anuncia a próxima parada.
Os sonhos parecem ter ficado esquecidos em algum banco de praça, e os planos, esses, dissolveram-se como papéis molhados pela chuva.
Ainda há ecos de 2017: perdas que, mesmo antigas, insistem em deixar cicatrizes frescas.
E a cada lembrança, meu peito se encolhe, como se fosse possível recusar-me a respirar o ar do presente.
Para completar a ruína, 2021 foi um golpe que não cicatrizou...
Um luto que não se fecha, uma ausência que continua presente, como uma cadeira vazia sempre posta à mesa.
No meio de tudo isso, a vida não parece andar, mas também não se entrega ao fim.
É um estado suspenso: um corpo que respira, mas não sonha; um coração que bate, mas hesita em acreditar.
Às vezes, entre um silêncio e outro, surge a pergunta que não se cala:
"O que eu faço agora?"
Mas a resposta nunca vem.
E o tempo segue...
Implacável, indiferente, carregando anos como quem carrega malas pesadas em um corredor sem janelas.
Talvez o que falte não seja um plano, mas o primeiro passo.
E o futuro ainda não tem forma porque, em algum lugar, o passado ainda pede para ser chorado por inteiro.
E esta pessoa, que aqui escreve, mas que poderia ser qualquer um que agora lê, permanece entre o ontem que sangra e o amanhã que não ousa nascer.
Vida sem Cor
Uma vida que já não faz sentido,
flutuando nas nuvens,
fora do relógio,
fora do tempo.
Sem nada,
sem cor,
sem lugar.
Uma vida que já deveria ter sumido,
mas eu a prolongo,
para chorar mais,
para sofrer mais.
A vida é complicada,
sem chão,
sem rumo,
sem dó de me ferir,
sem piedade de me quebrar.
Às vezes algo me faz sorrir,
me faz querer ficar,
mas ainda assim dói,
dói muito viver
tão miseravelmente.
Bom dia…
Que o coração desperte antes do relógio,
que a fé seja a primeira a se servir.
Que o amor esteja no café,
nos gestos pequenos,
nas palavras que aquecem e acolhem.
E que, entre um gole e outro da vida,
a alma se lembre:
a esperança se renova no simples.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
O relógio da vida não retorna para as oportunidades,
se elas surgirem no seu trajeto cotidiano procure aproveitar intensamente pois é sua única e exclusiva chance que terás para usufruir ou rejeitar...
Seja sábio nas escolhas, pois muitas não somarão
nos seus objetivos ou nas metas previstas.
Não sei da sua vida!
Só espero que esteja bem!
O tempo é um relógio
que não para.
O amor é além dos enganos.
Se for realmente verdadeiro.
Ultrapassa a lógica.
Supera as diversidades.
O perdão tem
que vir do coração!
O relógio e o Coelho
Tic... tac... tic... tac...
- Coelho, para onde tu vais?
- Estou com pressa!
Tic... tac... tic... tac...
- Coelho, vamos tomar um chá?
- Não posso, tenho horas.
Tic... tac... tic... tac...
- Senhor Coelho, por que sempre está com pressa?
- Não posso falar, tenho que ir!
Tic... tac... tic... tac...
- Senhor Coelho, e apenas uma xícara de chá?
- Amanhã eu tomo chá com vocês!
Tic... tac... tic... tac...
- Mas, Coelho, amanhã pode ser tarde demais!
Tic... tac... tic... tac...
O Coelho parou, olhou o relógio, olhou mais uma vez. Tic... tac... tic... tac... o relógio fazia!
Tic... tac... tic... tac...
E o Coelho perguntou: por que amanhã vai ser tarde demais, se todos os dias vocês estão tomando chá?
Tic... tac... tic... tac...
Tenho que ir, está na hora, está na hora.
Tic... tac... tic... tac...
Mas, senhor Coelho, amanhã vai ser tarde!
O Coelho para mais uma vez e pergunta “por que vai ver tarde”?
Tic... tac... tic... tac...
Senhor Coelho, amanhã não estarei aqui, amanhã vai ser tarde demais!
Tic... tac... tic... tac...
Tenho que ir, hoje eu não posso. Xau!
Tic... tac... tic... tac...
No outro dia, o senhor Coelho para, olha a mesa de chá e se depara com a falta de alguém.
Tic... tac... tic... tac...
- Boa tarde, onde está a garota de cabelos cacheados que todos os dias me chamava para tomar um chá?
Tic... tac... tic... tac...
Com o olhar triste, o gato responde:
Ah, senhor Coelho, ela não está mais conosco!
Tic... tac... tic... tac...
- Ela foi-se embora?
- Por que o senhor Coelho perguntou?
- Porque cansou de esperar!
Tic... tac... tic... tac...
E o relógio não para, “tic... tac... tic... tac...”
Por Dayane Naves
O dizido das horas no Sertão por Jessier Quirino
Para o sertanejo antigo,
O ponteirar do relógio,
De hora em hora, a passar,
Da escurecença da noite,
À solnascença do dia,
É dizido, ao jeito deles,
No mais puro boquejar:
Se diz até que os bichos,
Galo, nambu, jumento,
Sabe as hora anunciar!
Uma hora da manhã,
Primeiro canto do galo.
Quando chega duas horas,
Segundo galo, a cantar.
Às três, se diz madrugada,
Às quatro, madrugadinha,
Ou o galo a miudar!
Às cinco, é o cagar dos pintos,
Ou, mesmo, o quebrar da barra.
Quando é chegada seis horas,
Se diz: o sol já de fora,
Cor de Crush, foi-se embora…
E tome o dia, a calorar!
Sete horas da manhã
É uma braça de sol.
O sol alto é oito em ponto,
O feijão tá quase pronto
E já borbulha o mungunzá!
Sendo verão, ou, se chove,
Ponteiro bateu as nove…
É hora de almoçar!
Às dez é almoço tarde,
Pra quem vem do labutar.
Se o burro dá onze horas,
Diz: quase mei dia em ponto!
Às doze é o sol a pino,
Ou o pino do meio dia.
O suor desce de pia,
Sertão quente, de torá!
Daí pa frente, o dizido,
Ao invés de treze horas,
Se diz: o pender do sol.
Viração da tarde é duas,
Quando é três, é tarde cedo,
Às quatro, é detardezinha,
Hora branda, sem calor.
O sol perde a cor de zinco
Quando vai chegando às cinco,
Roda do sol… a se por!
Às seis é o por do sol,
Ou hora da Ave Maria.
Dezenove, ou sete horas,
Se diz que é pelos cafús.
Às oito, boca da noite,
Lá pras nove, é noite tarde,
Às dez, é a hora velha,
Ou a hora da visage!
É quando o povo vê alma,
Nos escuros do lugar.
É horona pirigosa,
Fantasmenta e assustosa,
Pro cabra se estupefar!
Às onze, é o frião da noite,
É Sertão velho, a gelar,
Meia noite é meia noite
E acabou-se o versejar.
Mais um dia foi-se embora
E, assim, é dizida as horas
Neste velho linguajar!
"Sei que ainda existo!
No monte de qualquer lixo!
No pêndulo do relógio que não é fixo!
No aglomerado do cortiço!
Nos segredos de um crucifixo!
‒ Ainda existo?"
Rogério Pacheco
Poema: Abrolhos latentes
Livro: Vermelho Navalha
Teófilo Otoni/MG
