Poemas sobre Relógio

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A natureza é o meu relógio biológico, e as suas criaturas são os meus alarmes.
Sei exatamente a hora em que cada pássaro canta e quando cada bicho se manifesta. O meu maior medo não é o barulho da selva, mas o silêncio repentino. Quando a mata se cala, o meu coração dispara. O silêncio dos animais é o aviso de que um corpo estranho — uma sombra que não pertence a este reino — caminha entre as árvores.
Nesses momentos, seguro a arma, mas é a vossa lembrança que me segura an alma. Estou aqui, no meio do nada, a ler o segredo dos ventos e dos bichos, apenas para que a paz que vocês sentem ao deitar nunca seja interrompida.
Estou longe, mas nunca estive tão presente na defesa do vosso sorriso.

Hoje acordei com um relógio mastigando nuvens, e a parede sussurrava alfabetos em espiral. Três cadeiras dançavam xadrez sobre o teto, enquanto meu nome virava vapor dentro de uma xícara vazia. A rua, lá fora, era um aquário de buzinas; eu caminhava sem pés, colecionando sombras como moedas furadas. Um pássaro de papel me pediu senha, e eu respondi com silêncio em braile. Tudo parecia erro de tradução: risos que não pertenciam, cores que tinham gosto de ferrugem.

Então percebi o fio: cada imagem era um recado do corpo. O relógio eram meus prazos, as nuvens, a ansiedade. A parede repetia o que eu evito dizer. As cadeiras no teto eram as conversas que deixei para depois. As moedas furadas, a energia que gasto tentando agradar. O pássaro de papel era meu pedido de ajuda, dobrado e escondido.

Quando coloquei a mão no peito, o aquário virou janela. Respirei, sentei, e desliguei o telefone por cinco minutos; ouvi o próprio coração batendo, sem metáforas, e finalmente entendi o idioma da manhã. Escrevi uma linha simples: hoje eu vou me escolher.

Inúteis

Os ponteiros do relógio entre os minutos e os segundos são inúteis quando marcam um tempo imaginário... Enquanto nós obedecemos, nos iludimos até; não estamos indo, mas voltando.

Hoje, o relógio corre tanto que uma hora se torna um sopro, um minuto apenas.


EduardoSantiago

"Quando o relogio indicar meia-noite do dia 31 é hora de eu passar a limpo o ano que se foi, passar a planejar o ano que chega e, claro, passar a mão na taça de champã gelada que Jarbas há de me servir. Passagem de ano comigo é assim!"
Texto Meu No.1163 (Ano 2022)




USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO
CITE A FONTE E O AUTOR

O Soneto da Hora


A hora passa,
A vida em massa,
O tempo voa,
A alma à toa.
O relógio bate,
O peito late,
No silêncio,
Do momento.
A sombra cresce,
O dia esquece,
De quem ficou.
Na escuridão,
Só o coração,
Que não parou.

O ano não muda quando o relógio vira, ele muda quando o coração decide.
Decide parar de carregar culpas que já ensinaram, e começa a carregar coragem pra continuar.


O que doeu não foi em vão.
Cada queda afinou a alma,
cada silêncio ensinou a escutar a si mesmo.
A vida não poupou…
mas também não desistiu de você.


Que no novo ano você seja menos duro consigo
e mais fiel aos seus sonhos.
Que aprenda a ir sem culpa,
a ficar sem medo,
e a amar sem se perder.


Não prometa ser perfeito.
Prometa ser verdadeiro.
Porque quem é verdadeiro cai, levanta, chora, recomeça —
e ainda assim segue inteiro.


Que o novo ano não seja mais fácil,
mas que você seja mais forte,
mais consciente,
e em paz com quem você está se tornando.

A casa respira quando a noite cai,
paredes rangem segredos que ninguém contou.
O relógio bate horas que não passam,
e cada sombra parece saber meu nome.


No corredor, passos sem dono se repetem,
o espelho sorri quando eu não sorrio.
Há olhos no escuro, famintos de memória,
lembrando pecados que eu jurei esquecer.


Quando o silêncio finalmente fala, é tarde:
o medo não bate — ele já mora aqui.
E ao fechar os olhos, eu entendo o horror…
o monstro nunca esteve fora de mim.

Impetuoso é o relógio,


Infantil é a súplica,


Indiferentes são os pés,


Contrariado é o amor.

O relógio da parede sempre atrasa três batimentos quando você me olha. Não é tempo, é frequência. Existe uma cor que ainda não inventaram, uma mistura de silêncio de domingo com o som do seu nome antes de ser dito. Eu a vejo toda vez que suas mãos costuram o ar entre nós, sem nós, apenas o tecido fino da gravidade.




DeBrunoParaCarla

O relógio da vida não tem botão de pausa, mas a alma sabe a hora exata de parar para respirar.


SerLucia Reflexoes

O Bom Dia Durante a Noite


O relógio insiste no escuro,
o silêncio ocupa o corredor,
e o mundo, sob o manto duro,
adormece o medo e o fervor.


Mas quando a tua voz me toca,
ou o brilho desse olhar me invade,
a luz que nasce na tua boca
desmente toda a brevidade.


Não importa o breu da hora,
nem o sol que ainda não vem;
quem traz a aurora do lado de fora
não sabe o sol que o peito tem.


É um despertar no meio do nada,
um café quente em plena solidão:
o bom dia é a mão dada,
enquanto a noite é só uma estação.


🕑Os ponteiros do relógio seguem em frente,
No presente, marcam as horas
Não vivem no passado, dão atenção para o agora,
Num seguir persistente, cada vez num minuto diferente daquele de outrora.
Não perdem tempo em o outro sabotar, estando no mesmo rumo, preferem se ajudar
E, finalmente, chegamos a conclusão de que com o passar do tempo aprendemos a lição.⏳

O Labirinto das 4:30
O relógio é um carrasco de vidro e metal,
4:30 da manhã, o silêncio é visceral.
Meus olhos ardem, mas o sono não vem,
Sou prisioneiro de um vazio que ninguém contém.
O peito acelera, um motor em descompasso,
A mente é um ruído, cada pensamento um estilhaço.
As lágrimas descem sem pedir licença ou perdão,
Enquanto a alma naufraga nessa imensa solidão.
O que será de mim?
Sem o calor de um amor, sem um norte, sem fim.
Olho para a mesa, o alívio frio ali deitado:
O frasco, o metal, o fim de tudo o que foi errado.
Um duelo entre o "agora" e o "nunca mais",
Nesse labirinto escuro onde não encontro a paz.
Para o mundo, sou piada, um verso mal lido,
Um resto de gente que se sente perdido.
Minha humanidade escorre entre os dedos,
Sou feito de restos, de sombras e medos.
Onde está o brilho que o sorriso trazia?
Hoje só resta o vácuo e a agonia.
No espelho, o reflexo é um estranho, um réu,
Um fantasma do que fui, sob um cinzento céu.
Eu só queria o descanso, um dia de trégua, de luz,
Mas a vida é esse peso, essa maldita cruz.

Há noites como essa
Em que a tristeza bate e a solidão aperta
O tempo não passa, o relógio para
E a angústia no peito jamais se cala


Pensamentos perdidos dentro da mente
Não dá pra medir esse vazio presente


Sono vem, o cansaço é extremo
Mas com a mente a mil eu não adormeço
Coração chora, sangro sem corte
É como sentir aos poucos
Minha alma indo à morte


Dia após dia travo essa batalha
Dia após dia vejo cair as lágrimas
Caio e levanto ciente de que
Amanhã talvez não seja diferente


Mas serei como um leão
Talvez não o mais rápido ou mais forte
Nem o maior em sabedoria e porte
Mas serei aquele que encara a guerra
E jamais dela foge


O que mesmo ferido continua de pé
O que cai, sangra e segue na fé
Venço essa guerra...
Ou sigo lutando até a morte que me espera...


(ÁG)

O tempo é um relógio que não para,
mesmo quando a alma pede pausa.
Ele segue, firme, marcando ausências,
levando embora o que não volta mais.
Mas também traz novos começos,
mesmo quando o coração duvida.
Porque o tempo não é só partida—
é, também, a chance de recomeçar.
Helaine Machado

É tarde, mas o tempo me permitiu olhar o relógio: a hora é essa.
Olho ao redor e vejo aquela luz no seu olhar. Sim, preciso retribuir e compreender que a luz pura nasce a cada dia para nos ensinar a sorrir.
No entanto, mudanças são necessárias, até porque a vida precisa se tornar um hábito, para que aprender a ser feliz não se transforme em algo penoso.

​O tempo, em seu relógio mudo, conta os grãos de areia
Que escorrem lentos entre o agora e o tempo que virá.
Há um vazio, um lugar que a tua ausência semeia,
Uma dor antiga que insiste em nunca se findar.
​Somos metades de um cristal quebrado ao meio,
Fragmentos que a vida, cruel, ousou separar.
Em meu peito, a saudade é o único anseio,
O fardo pesado de ter que sempre esperar.
​Te sinto na névoa fria que a noite traz,
No suspiro silente que o vento leva de mim.
A alma, essa prisioneira que não encontra a paz,
Caminha em círculos num jardim sem florir.
​A promessa de união jaz num futuro distante,
Uma estrela que brilha, mas mal se pode enxergar.
E este amor, tão puro, mas tão lacerante,
É a melodia triste que só sabe chorar

Veja o relógio, não tem piedade,
marca as horas com precisão,
vai rodando ponteiros em sobriedade
arrastando consigo o meu coração


Tempo malvado, que tão célere corre !
empurrando a vida para depois,
atropelando momentos, induzindo à saudade
do que nem ainda vivemos, nós dois


Neusa Marilda Mucci

⁠Sexta-feira

É sexta-feira
desde cedo
os ponteiros
do relógio
fazem gafieira
e acendem
a lareira
do meu coração.