Poemas sobre Relógio
CAVALOS SELVAGENS
(Quando o relógio corre mais rápido que a coragem)
O problema é que sempre esperamos que o outro dê o primeiro passo para que possamos dar o nosso; assim, vamos tropeçando em nossas próprias pernas enquanto o relógio voa, com seus ponteiros derradeiros num galopar de cavalos selvagens e misteriosamente imponentes, aguardando o apito para a corrida do nosso tempo.
Lu Lena / 2026
Nem sempre a vida segue o nosso relógio.
A gente quer pra agora… mas Deus, com Sua sabedoria, trabalha no tempo certo.
E esse tempo, às vezes, inclui esperas, silêncios, recomeços e até portas fechadas.
Mas é nesse compasso divino que as coisas se alinham.
É quando a gente entrega e confia, que o tempo Dele começa a agir.
Nada é por acaso.
Tem orações que ainda não foram atendidas porque Deus está preparando não só a bênção, mas o nosso coração para recebê-la.
O que hoje parece demora, lá na frente fará sentido.
Porque tudo tem o seu tempo certo,
e o tempo de Deus… é sempre perfeito.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
Bom dia…
Que o coração desperte antes do relógio,
que a fé seja a primeira a se servir.
Que o amor esteja no café,
nos gestos pequenos,
nas palavras que aquecem e acolhem.
E que, entre um gole e outro da vida,
a alma se lembre:
a esperança se renova no simples.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
Santuário Noturno
O relógio para, a lida finda.
O horizonte troca de pele: do fogo ao veludo.
Neste intervalo sagrado entre o que fiz e o que sou,
meus pensamentos abandonam o asfalto e buscam o Céu.
Mergulho no repouso com o peso leve de quem cumpriu o destino.
A paz não pede licença; ela invade,
feito maré mansa ocupando os vãos do coração cansado.
Olhar para o alto agora é ler uma carta de amor escrita em constelações.
Deus não me visita apenas; Ele me envolve.
É um abraço feito de silêncio e luz astral,
um toque que cura o desgaste e refaz a esperança.
Há uma riqueza que o ouro não toca e o cansaço não rouba:
a certeza de ser amada enquanto o mundo dorme.
-------------- Eliana Angel Wolf
Tempo
O relógio segue firme,
Sem jamais olhar atrás;
Ensina que a vida passa,
Mas a lembrança é capaz.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
HAIKAIS SOBRE A COPA DO MUNDO
Relógio correndo
o mercado vende pressa
a rã vende calma
Influente famoso
ensina vida simples
num iate enorme
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
O relógio da vida não tem botão de pausa, mas a alma sabe a hora exata de parar para respirar.
SerLucia Reflexoes
“O que ficou depois da tempestade”
Passei por corredores brancos
onde o relógio falava mais alto que a minha voz.
Aprendi que coragem não é gritar —
é tirar o lenço, olhar no espelho
e reconhecer a mulher que continua ali.
Meu corpo virou mapa de batalhas:
cicatriz que costura medo com força,
veias que decoraram nomes de remédios,
seios que foram casa, depois campo,
e agora são história.
Teve dia que o cansaço pesou mais que o diagnóstico.
Que o gosto de metal na boca era o gosto do recomeço.
Teve noite que negociei com Deus só mais uma manhã
pra ver o sol sem agulha, sem contagem de plaquetas.
Descobri que dor e amor dividem o mesmo quarto.
Amor nas mãos que seguraram as minhas no soro frio.
Amor no “vai ficar tudo bem” dito sem promessa,
só presença.
Amor em cada mensagem que dizia “tô aqui”
quando eu não tinha palavra nenhuma.
O câncer me tirou pedaços,
mas me devolveu inteira de outro jeito.
Me ensinou que cabelo cresce,
mas dignidade não cai.
Que peito não mede feminilidade —
o que bate dentro dele, sim.
Hoje eu ando devagar às vezes,
não por fraqueza,
é que aprendi a pisar onde dói
só pra lembrar que ainda sinto.
Se me perguntam o que passei,
eu digo: atravessei um inverno dentro de mim.
Floresci careca, com medo, com raiva,
mas floresci.
E se a vida me pedir de novo pra lutar,
que venha.
Eu já sei o caminho de volta pra mim.
Saudade e Distância
A distância estica o tempo,
faz do relógio um inimigo mudo,
cada segundo carrega teu nome
e pesa mais quando estou sozinho.
A saudade não pede licença,
ela chega, senta ao meu lado
e me conta histórias tuas
que o silêncio insiste em repetir.
Teu rosto mora na memória,
tua voz atravessa o vento,
e mesmo longe, tão longe,
teu existir ainda me alcança.
A distância separa os corpos,
mas falha ao dividir o sentir,
porque a saudade constrói pontes
onde os pés já não conseguem ir.
E assim sigo, entre a espera e o sonho,
aprendendo que amar à distância
é descobrir, todos os dias,
que o coração não conhece fronteiras.
O tic-tac do relógio diminui o ritmo, ecoando como passos lentos sobre a madeira. O olhar se desvia da tela e busca a linha do horizonte pela janela.
A xícara fumaça sobre a mesa, ignorada pelo olhar fixo nas notificações que nunca cessam. Empilhamos minutos como se fossem moedas de um tesouro que nunca poderemos gastar. Planejamos o descanso para o próximo sábado, a felicidade para as próximas férias, a paz para quando a tempestade passar.
Mas a tempestade é o próprio andar dos dias.
Esquecemos o peso da gravidade que nos firma no chão. Esquecemos a textura da mesa sob os dedos, o aroma do grão torrado que se dissipa no ar, o calor que a porcelana transfere para as palmas das mãos. Vivemos na véspera de um futuro que teima em ser miragem.
Faça uma pausa voluntária.
Não ligue o rádio. Não abra outra aba. Apenas sinta o ar cru cruzar a garganta e preencher os pulmões, expandindo as costelas em um movimento que você faz milhares de vezes por dia sem notar. Cada batida no seu peito não é uma contagem regressiva, é a afirmação silenciosa de que você, contra todas as probabilidades do universo, está aqui.
O ontem é um rastro de fumaça, o amanhã, uma promessa sem firma reconhecida. O único território real que lhe pertence mede exatamente o espaço que o seu corpo ocupa neste milésimo de segundo.
Habite-o.
O relógio da parede sempre atrasa três batimentos quando você me olha. Não é tempo, é frequência. Existe uma cor que ainda não inventaram, uma mistura de silêncio de domingo com o som do seu nome antes de ser dito. Eu a vejo toda vez que suas mãos costuram o ar entre nós, sem nós, apenas o tecido fino da gravidade.
DeBrunoParaCarla
Foi observando o relógio
Que percebi que o tempo
é bicho estranho
Quando observei
nem vi o tempo passar
Eu ainda estava no ontem
Não deixe pra amanhã
O que se pode fazer hoje
Por que o tempo passa rápido
hoje é o amanhã
e o futuro já é ontem
O tempo é um relógio que não para,
mesmo quando a alma pede pausa.
Ele segue, firme, marcando ausências,
levando embora o que não volta mais.
Mas também traz novos começos,
mesmo quando o coração duvida.
Porque o tempo não é só partida—
é, também, a chance de recomeçar.
Helaine Machado
Os rios são encontros das águas, onde a vida nunca para, não há relógio que pare ela, nem mesmo o curso…
…que segue sem pedir licença ao tempo,
levando histórias nas curvas da correnteza,
beijando pedras, lavando caminhos antigos,
como se cada gota soubesse seu destino.
Helaine machado
Hoje acordei com um relógio mastigando nuvens, e a parede sussurrava alfabetos em espiral. Três cadeiras dançavam xadrez sobre o teto, enquanto meu nome virava vapor dentro de uma xícara vazia. A rua, lá fora, era um aquário de buzinas; eu caminhava sem pés, colecionando sombras como moedas furadas. Um pássaro de papel me pediu senha, e eu respondi com silêncio em braile. Tudo parecia erro de tradução: risos que não pertenciam, cores que tinham gosto de ferrugem.
Então percebi o fio: cada imagem era um recado do corpo. O relógio eram meus prazos, as nuvens, a ansiedade. A parede repetia o que eu evito dizer. As cadeiras no teto eram as conversas que deixei para depois. As moedas furadas, a energia que gasto tentando agradar. O pássaro de papel era meu pedido de ajuda, dobrado e escondido.
Quando coloquei a mão no peito, o aquário virou janela. Respirei, sentei, e desliguei o telefone por cinco minutos; ouvi o próprio coração batendo, sem metáforas, e finalmente entendi o idioma da manhã. Escrevi uma linha simples: hoje eu vou me escolher.
Às vezes imagino um relógio que anda para trás. Os ponteiros giram devagar, desfazendo os dias, trazendo de volta momentos que já se foram. As palavras duras que disse voltam para dentro da boca. As lágrimas que caíram secam e desaparecem. O tempo, que costuma correr sem piedade, de repente obedece ao meu desejo mais secreto: voltar.
Nesse relógio invertido, eu poderia consertar erros, abraçar quem perdi, dizer “eu te amo” antes que fosse tarde. Poderia viver de novo as risadas simples, os cafés tranquilos, os sonhos que deixei dormir. Mas será que eu realmente mudaria tudo? Ou será que, no fundo, esses erros e dores são o que me trouxeram até aqui?
O relógio que anda para trás nos faz sonhar com uma segunda chance. Ele revela o quanto carregamos arrependimento no peito. No entanto, talvez a verdadeira sabedoria esteja em aceitar que o tempo só anda para frente. Os ponteiros não voltam. O que podemos fazer é olhar para trás com carinho, aprender com o que ficou e viver o agora com mais presença e menos pressa.
INSÔNIA
Tique-taque-tique-taque
Tique-taque-tique-taque
As batidas do relógio na minha cabeça, por mais levesque sejam
são um martírio, são um tormento.
Por que o relógio me bate tanto?
Por que ele não dorme por um tempo?
Devia bater de hora em hora
para que a insônia fosse embora
e o silêncio me deixasse dormir.
Mas o relógio do tempo não dorme
e não me deixa dormir.
Por que o relógio me bate tanto?
Por que ele não dorme por um tempo?
Tique-taque-tique-taque
Tique-taque-tique-taque
Escrevo qualquer coisa,
sem pressa,
no calor do dia.
Olho o relógio,
já não tenho tempo.
Sinto a brisa do vento:
é a inspiração chegando.
De longe,
teu cheiro me alcança,
e o amor se aproxima.
DA PERCEPÇÃO PESSOAL
Para que o relógio ande acertado, não chegam os meus olhos; é preciso acertá-lo com os paralelos e os meridianos.
O relógio pode correr sem parar,
Mas nunca será capaz de apagar
Os sonhos que você escolheu guardar,
Nem a coragem de continuar.
Toda princesa escreve a própria história,
Com luta, esperança, amor e vitória.
O verdadeiro final feliz também se faz,
Com um coração que nunca perde a paz.
Helaine machado
