Poemas Sobre Céu
VALENTINA
Esses milênios todos que vivi tentando corrigir imperfeições, foram tempos preciosos que perdi; só fiz por merecer mais provações. Encarnei rico e vi na caridade o meio de exibir a minha riqueza. Depois, vim pobre, e por sagacidade, tirei um bom proveito da pobreza. Alma fechada, oposta à evolução, visando a carne, indiferente à morte, jamais cuidei da minha salvação. O hedonismo sempre foi meu norte. Fui cego, surdo, mudo e mutilado. Também já vim com a forma de Narciso; matei por vício, e após fui trucidado. Sofrendo o talião tão justo e preciso porém nesses milênios que passei atravessando a terra ou atravessando espaços uma coisa eu conservei, qual chama viva a iluminar meus passos. Começou nesta encarnação, quando Valentina nasceu, enfim. E pelo tempo afora desde então, não sei se vivo nela ou ela em mim. Essa paixão que a cada dia aumenta, de beijos e carinhos se alimenta na terra e ficará pelo espaço eternamente. Ela fez tornar-me ao Carma indiferente, transformou o averno em mundo de magia, e a Terra triste em Éden de alegria. Por isso, morrerei, quando for a hora, sabe lá o dia, com alegria; mas mal conterei em frente à Deus a minha rebeldia, que tão logo na família dela quero reencarnar. Ao que presumo, a aprovação, com base no livre arbítrio, consiste apenas em me acompanhar. E temo que ao findar aqui a minha missão, pelo umbral eu fique um tempo a gravitar. E se por lá ficar, ao ver-me órfão deste amor bendito, sentir-me-ei, então como um proscrito, sem luz, sem guia, e longe da verdade. Mas hoje, com dias e horários marcados para buscá-la já fico aflito, enlouquecido, ébrio de amor, carpindo no infinito o Carma doloroso da saudade...
"O cachorro vai para o céu? Mas é claro que vai.
Enquanto o homem carrega o peso dos seus próprios pecados, os cães vivem de maneira pura, inocente, sem malícia. Dizem que os cachorros não têm alma — mas quem diz isso é o próprio homem, esse ser complexo, tortuoso, repleto de falhas e contradições. Foi por causa do pecado humano que Cristo precisou morrer na cruz, numa tentativa divina de nos resgatar de nós mesmos.
Já os cachorros... eles não precisam de redenção. Não traem. Não mentem. Não matam por inveja. Não conspiram. Eles apenas amam — de maneira incondicional, fiel, silenciosa. São amigos leais até o fim, mesmo que esse fim chegue cedo demais. Não foi preciso um cachorro crucificado para que fossem dignos do céu: eles já são, por essência, aquilo que nós lutamos a vida inteira para ser.
O céu, se for mesmo um lugar de justiça e amor, seria incompleto sem os cães.
Eles chegam lá antes de nós — e talvez nos ensinem, do outro lado, aquilo que esquecemos aqui: a arte de amar sem reservas.
O homem complica. O cachorro entende.
"Todo lugar em que os céus é coberto de estrelas, é minha casa.
Foi no brilho dos seus olhos, em que fiz minha morada.
Era meu lar o seu abraço, o meu abrigo, na madrugada.
O teu inebriante perfume, deixou minha pele tatuada.
Cada lembrança, enevoa minha mente e o coração dispara.
Eu era o que era, era seu, era nós e hoje sou nada.
A mente pode até esquecer o que fora dito, mas a boca, não esquece a pele aveludada.
Tentar encontrar-nos em outros corpos, é como tentar transformar vinho em água.
Não são as atitudes, mas sim, os detalhes desta, que nos marca.
Quando se foi, abandonara-me, eu fiquei ao relento, desabrigado e minha vivenda, despedaçada.
Minh'alma, do meu ser, fora despejada.
E de uma forma desesperada, para não viver ao léu, sem morada.
Eu fiz de todo lugar, em que os céus é coberto de estrelas, minha casa..."
"Por você, fui do céu ao inferno, não por mim.
Por você, por vezes, fui demônio, arcanjo, Querubim.
Por você já fui início e hoje sou fim.
Por você, ao mundo, fui um não e para ti, um sonoro sim.
Por você, tentei ser bom, eu hoje, à todos, sou ruim.
Como sempre, vivo por você, não por mim.
No início do meu amor, reside o início do meu fim..."
"Em suas tempestades fui arco-íris e você foi-me apenas um céu gris.
Eu que sempre fiz suas vontades, abdiquei das coisas que eu sempre quis.
Minha felicidade, só existe no teu riso feliz.
Por vezes sua felicidade me fez infeliz.
Não entendo o que sinto e você não tem pudor no que diz.
Cada palavra proferida por você, constrói um castelo de areia nos sonhos de um tolo infeliz.
Nos tristes capítulos da minha vida, achei que você colocaria um fim, mas de tais capítulos, você foi só mais um adir.
Com seus sentimentos, suas ações, não condiz.
Nas minhas verdades, sou infeliz.
Nas suas ilusões, feliz.
Pra tê-la comigo, o que eu podia, eu fiz.
Meu amor é Sol, céu azul; sua indiferença, só mais um céu, gris..."
"Me indagaram, se quando você se foi, eu chorei; chorei, é claro, mas o choro do homem é pra dentro.
Poupei as lágrimas, mas quando você as evita, aumenta o sofrimento.
Toda vez que o vento me trazia o seu cheiro, reavivava o sentimento.
Seu amor, da minh'alma, o alento.
Coração ferido, triste, jogado, lançado ao relento.
Esquecer-lhe? Tentei, tentarei, tento.
A indiferença é seu maior talento.
Perdido na madruga, digladiando com meus pensamentos.
Paro e reflito, talvez o pranto, transborde minha dor e dê à minha existência, um tempo.
Um descanso; venha lágrima, escorra por minha depressiva face e faça do meu peito, um lugar sereno.
Olho pela janela, vejo as lágrimas do céu, no vidro, escorrendo.
Invejo-o por conseguir desabar, como eu queria estar fazendo.
Infelizmente sou incapaz, pois a lágrima do homem, envenena o coração, quando escorre pra dentro..." - EDSON, Wikney
ESTRADA PARA O CÉU
A estrada para o "Céu",
não é reta...
Há uma "curva" chamada "aflição",
um "quebra-mola" chamado "tribulação",
faróis de "advertência" chamados "provas" e
pneus "furados" chamados "desânimo".
Mas se você tiver um estepe chamado "fe",
um motor chamado "esperança",
um seguro chamado "amor"
e um motorista chamado "Jesus",
você chegará a um lugar chamado
"Reino da Glória"!
Vem!
Eu te dou uma carona...
Te diz o Senhor!
A paz de Deus!
Uma estrela cadente riscou agora o céu ...
Farei um pedido ardente...
Que a solidão fique ausente e mande um amor que seja fiel.
Todo homem que
olha para o alto, para
a beleza dos céus e não vê a glória de Deus, não olhou direito.
O Céu me acalma
O Céu é minha casa
Quando mais nada posso alcançar, encontro o céu
Começo e fim
No Céu deposito todas as minhas Esperanças e o meu Consolo...
Se mais nada houver,
Ao menos existiu o Céu
E o Céu é muito...
É infinito ao me abraçar sereno
Minha alma chora,
Mas se não houver alma,
Eu existi
E padeci nesse mundo
Sob nuvens e estrelas que me fizeram sonhar em voar...
Se me amei?
Certamente...
Eu vou cuidar de mim se não existir um Deus para me cuidar...
Mas sob o Céu eu sonho
Atravessando todas as possibilidades
Sempre esperançosa Dele me ajudar...
De olhos fechados, sei que também sou grande.
Poderá alguém se apaixonar por mim?
E me salvar do fim...
Verá alguém meu coração?
Verá? Verá?
Meu corpo que finda... Não aceito minha morte
Nem ser pequena
Meu corpo que finda...
Haverá alma em mim?
Para me elevar muito além desse mundo
Haverá? Haverá? Que se lembre de mim?
Sou só olhos fechados e sonhos
Minha substância não se alça
Sou gás... Gás...
Oscilação de humor em um mundo
Em que permeio entre o amor
Que em meu seio nasce
E em meu cansaço jaz...
Haverá alguém para se encantar comigo?
Responda-me Infinito
Me nego ser menor do que o Céu
E se ontem foi o ultimo dia que o céu foi azul?
Eu lembro desse dia, porque eu sempre gostei das coisas simples.
Andar, respirar, comer olhar pra cima e ver como esta o céu naquele dia. Faz tempo que cansei de olhar pra baixo. Gosto de olhar pra cima.
Ontem estava calor mas o céu ainda era azul. Eu o vi o sol subindo no horizonte e presenciei sua descida no fim da tarde.
Pensei como as pessoas que moram em frente aos parques são abençoadas.
Tantas visitas. De pessoas que querem um pouco de ar livre, as criaturas como eu e os pássaros que vivemos ao ar livre.
Quando eu deslisava pelo asfalto um pássaro vermelho que eu nunca tinha visto entrou em contraste com o ipê amarelo junto ao azul do céu.
Eu parei em fiz uma foto que misteriosamente não foi salva no memória do Smartphone mas esta registrada em minha memória dia 24 de agosto de 2024
Se ontem foi o ultimo dia que o céu foi azul?
Eu o apreciei como faço todos dias.
Ate mesmo hoje com o dia cinza.
Se ontem foi o ultimo dia que o céu foi azul?
Eu o apreciei como faço todos dias.
Ate mesmo hoje com o dia cinza.
DAQUI DE CIMA *-*
Ontem, me apaixonei por Andrômeda.
Hoje, vou casar com a Ursa Maior,
amanhã, com as Três Marias.
Para que elas possam dividir
o brilho delas comigo e esquecer
de tudo aquilo que eu não consigo.
Aqui, me sinto mais vivo.
Por mais que eu seja
só mais um ponto de luz
no meio de toda a escuridão,
sei que aqui: o céu, as estrelas,
sempre seguraram a minha mão.
De cima, posso avistar cada grão,
as rachaduras no chão,
pessoas abraçando umas as outras,
falando que prometem eternidade
e que se veem em outras vidas,
mesmo sabendo que não são infinitas.
Hoje, eu sei.
Sei que prometer demais, dói.
Sei que jurar amor eterno,
não torna ninguém um herói.
Não precisa falar que ama,
se sabe que o seu amor já constrói.
Tudo isso, pra mim, veio de frutos.
Aprendendo da melhor forma,
na prática.
E posso dizer que nunca é tarde.
Foi assim que cheguei aqui,
deixando o lado covarde.
Daqui de cima, estou olhando todos.
Com os pensamentos no ar,
Deus para eu conversar,
o fim é um novo começo a se iniciar.
Aqui em cima, é o nosso lugar.
Deus, obrigado por tudo, pelo apoio
de sempre poder recomeçar.
Hoje fui levado,
indeciso, abandonado.
Apenas formado pelos grãos de areia
e a água salgada,
que pulsa em minha veia.
Mesmo rodeado de água,
sinto a frieza, a tristeza
de não poder te avistar.
Sei que estou apenas no começo,
de meu interior seco.
Em meu mundo vazio,
só me resta a luz do sol
e o flutuar das ondas
dos meus pensamentos,
que se vão como leves fragmentos.
Com o tempo, as lágrimas
parecem também fazer parte do mar,
e se unem no mesmo gosto salgado.
Tudo de repente, se torna memória
num corpo que não pôde comemorar vitória.
Panapaná
Essas borboletas têm mania
de carregar o verão nas asas.
Se vestem de vento e claridade,
vão aonde a cor inventa o ar.
Gosto delas porque sabem
se miudarem no céu — só ou em bando —
como se o céu fosse coisa de brincar.
Coleciono-as em álbuns soltos.
Ali, no meio do sol,
são mais tintas que matéria,
mais riso do que bicho:
elas são coisa e não são.
Dizem que vivem pouco
— mas pouco pra quê?
Pousam na eternidade das manhãs,
ficam suspensas no que não dura,
deixando rastros de voo
que só o invisível sabe ver.
E eu as celebro com meu olhar ralo,
que aprende, com elas,
a gastar a vida
no que não sobra.
Timoneiro
Se me fosse imposto optar
Entre a pedra do chão que sangra
E o céu que engole o dia,
Eu ficaria com o mar,
Onde o tempo se desfaz em ondas
E a eternidade é apenas um sopro.
Nos braços do meu barco
— solidão que navega —
Paro em portos de ausência
E parto levando memórias
Que ainda não gestaram.
Longe do ruído do mundo,
Sou um vulto que vaga e sonha.
O balanço do mar é um relógio,
E remo, rezo e remo até que a noite
Cante em meu braço cansado.
Quando não puder mais suportar,
Soltarei os remos,
Redirecionarei a rota dos silêncios.
E se não souber o que fazer,
O vento, antigo mestre, saberá,
Pois ele é voz do que em mim nunca cessa.
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