Poemas sobre Alma

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Há algo em ti que puxa-me
mesmo quando tento fugir.
A tua presença cerca toda a minha alma, prende-me, incendeia-me.


E quando penso em ti — é o corpo quem responde. O resto dissolve-se,
até o ar tem o teu sabor.


Não há distância que baste.
O teu nome vibra na minha pele, como se o som trouxesse a tua pele para perto da minha boca.


Fecho os olhos
e o mundo curva-se em mim.
Tudo pulsa — lento, quente —
como se o tempo respirasse ao teu ritmo.


Existe um magnetismo em ti que chama o meu caos, um gesto, um quase sorriso,
uma promessa escondida na respiração.
Fico à beira — de ti, de mim, do abismo — e é ali que o desejo cresce, lento, inevitável.


Cada palavra tua é um fio de fogo que me atravessa em silêncio. E quando te calas,
tudo em mim escuta. E nesse inédito silêncio: deixo queimar, não o corpo — mas a alma, essa parte que insiste em te reconhecer.

80's


Cada walkman era um templo portátil e cada cassete, uma confissão da alma.

É isto que o meu
silêncio grita:
Tu estás em
todas as partes,
da minha alma.

O amor tem algo
de primavera:
regressa sem explicar
como venceu o
inverno da alma.

Há caminhos que são destinados
somente para quem caminha com
a alma descalça

Quando entro no fundo de ti,
o mundo afina
o seu próprio silêncio,
como quem encosta a alma
a um grito no precipício
para ouvir se ainda ecoa.




Há instantes que nos escolhem
antes de sabermos o nome deles
e tu és esse instante:
a forma mais suave
que o destino encontrou
de me tocar.




Há encontros epidérmicos
que não passam,
ficam suspensos,
como lua cheia
a reconhecer o próprio destino
no rosto de alguém.

F.C.PORTO


No peito, um dragão desperto.
No relvado, a coragem nas veias.
No grito, a alma inteira a pulsar.
Ser Portista é nunca baixar a cabeça,
é vencer mesmo quando o vento é contra.




Dragão de asas abertas,
rasga o céu como quem reclama destino. Onde outros hesitam, ele avança: fogo azul a iluminar o caminho. No retângulo, cada passo é um decreto, cada ataque, uma lenda em construção.




O Porto não joga futebol ,
escreve epopeias em relva viva.
Porque o Futebol Clube do Porto
não é um clube, nem um símbolo:
é um reino de coragem pura,
guardado por um Dragão que nunca dorme.

Carta à minha alma gêmea


Ainda que eu não saiba teu nome, teu rosto vive em mim como um eco antigo. Há algo em mim que te reconhece, mesmo sem nunca ter te tocado.


Talvez sejamos feitos da mesma luz, do mesmo silêncio que dança entre as estrelas. Quando o mundo pesa, é tua lembrança que me alivia, como se tua existência me soprasse coragem.


Não te busco com pressa, porque sei que o tempo da alma é diferente. Mas quando nossos caminhos se cruzarem, não haverá dúvida — só um profundo “enfim”.


E se já nos encontramos, que essa carta te alcance como um sussurro, lembrando que o amor verdadeiro não precisa de provas — só de presença.


Com tudo que sou, com tudo que ainda serei, te espero com leveza, como quem espera a primavera.

Vestes da Alma


Na seda que cobre o rosto, não há disfarce — há revelação. A vestimenta não oculta, ela molda o espaço onde o olhar respira.


Os olhos, espelhos do invisível, falam com o ar, sem som, sem pressa. São letras desenhadas no vento, caligrafias da alma em movimento.


Em árabe, dançam como poeira dourada: العيون مرآة الروح — os olhos são espelho do espírito. Em hebraico, gravam luz no silêncio: העיניים מראה לנשמה — o olhar revela a essência. Em sânscrito, flutuam como mantras: नेत्राणां प्रधानं मानं — os olhos medem o coração.


E assim, entre véus e vozes, a alma se veste de mistério, mas nunca se esconde. Ela se mostra — nos olhos que sabem falar com o ar.

Eternos no Meu Papel

A morte cruel bateu forte na minha porta,
Deixando a minha alma caída e quase morta.
Levou da minha vida o meu rumo e o meu norte,
Mostrando que a saudade tem um abraço forte.
Fiquei sem o brilho do teu doce caminhar,
Sem o riso inocente que me fazia sonhar.

No peito rasgado por essa triste despedida,
A ausência de vocês é a maior dor da vida.
Levaram a Marlene, o meu eterno amor,
E o nosso Maciel, aumentando a minha dor.
A semente e a flor foram colhidas do jardim,
Deixando um vazio imenso dentro de mim.

Dois anjos puros que agora moram lá no céu,
Enquanto eu choro sozinho segurando o papel.
Lápido a saudade na lida da madrugada,
Ouvindo o silêncio desta casa esvaziada.
Olho para as estrelas na noite tão escura,
Buscando no meu verso um pouco de cura.

Sigo no meu esforço e com a caneta na mão,
Guardando os dois para sempre no meu coração.
Escrevo com suor, com lágrima e com fé,
Até que o ciclo se feche e eu fique de pé.

Sono ausente;
Mente acordada,
Intensidade presente;
Olhar veemente da Alma,
Inquietação muito recorrente;
Emoção entre versos e palavras.

ALMA NA JANELA

A cada suspiro, o sangue respinga no abismo de dor onde se encarcerou, tinge de flores rubras a cortina, lúgubre saudade na própria sina. Ouve risos vãos de vultos, por estar só, que rodopiam em zumbidos, formando um nó. Debruça-se à janela, escura como breu, até que o anjo surja e a leve para o céu.

Lu Lena

O AUTISMO DENTRO DO JARRO


A alma do filho autista veio ao mundo trazendo uma mensagem de amor e aceitação.


Pois vê o mundo de forma diferente, porque profunda e verdadeira é sua visão.


O mundo não a reconhece porque é flutuante e não consegue se firmar neste ambiente denso que é a Terra; ela se perde e entra nesse conflito desgastante das crises porque sua alma é etérea.


Nas oscilações de humor, agressividade e autopunição, reflete essas nuances na alma da genitora.
O autismo é como um jarro de argila:
Devemos moldá-lo com sensibilidade e maestria.


Às vezes desmorona num segundo — que essa instabilidade traz —
Pois é nesse instante
Que o barro se desfaz.


Devemos segurar com firmeza sua construção e reconstrução
Toda vez que moldamos esse jarro na mesa (coração).


Lu Lena/2026

ENVERGADURA DA ALMA


Aninho os meus sonhos no peito
e envergo a alma para que se encaixe
neste corpo que, aos poucos, perde
a elasticidade da juventude.


Na penumbra do quarto,
escorrem pensamentos borrados
que pintam vitrais disformes
do tempo.


As pálpebras, levemente cansadas, estendem-se em cortina de voal esvoaçante,
que me levam ao útero materno onde, em posição fetal, adormeço.


Lu Lena / 2026

MISTÉRIO EM OFFLINE

Coleciono fragmentos do que ninguém vê
— assim como você.
Sou alma antiga reconstruindo versos em novos capítulos,
onde o mistério habita em offline para dar vazão às letras.
Elas se esbarram e se confundem no infinito;
tímidas, mas ao saírem do casulo, de mãos dadas,
dão pulos de alegria ao formatarem mais uma poesia.

Lu Lena / 2026

PEDAÇOS DE MIM. SOU ASSIM.

Através de inspirações sussurradas na alma, eu me desmorono, me reconstruo e vou renascendo das cinzas dos pedaços que ainda insistem em ficar em mim.
Escrever este livro foi um profundo mergulho em um período constante de desconstrução e renascimento.
Foi quando as frases afloraram e me fizeram ver que temos uma força superior que nos move a seguir em frente. O caminho tem muitos atalhos; basta seguir a bússola que Deus nos deu.

A força de se refazer em cada pedaço 📖

Lu Lena / 2026

INQUILINOS DA ALMA
(Não permita que pensamentos intrusivos morem de graça no seu espaço sagrado.)

Quando os pensamentos intrusivos teimam em fazer morada em sua mente, faça com que paguem o aluguel. Afinal, não são eles os proprietários de tua cabeça, mas sim inquilinos. E tu, tendo a legitimidade plena, faz o despejo e dá a tua sentença.

Lu Lena / 2026

Quando mudamos por dentro, a escuridão que se encontrava a alma, se veste com a roupagem de luz e a aparência resplandece.

Lu Lena / 2026

Vem a chuva forte,
Molha a roupa do varal,
Livre a alma voa.


Lu Lena / 2026

O TATUAR DA ALMA NO ESCURO
(O medo também pode levar à luz)


O medo é, muitas vezes, apenas o sintoma da nossa própria incompreensão. Ele nasce do vazio do nada, mas basta enfrentar a escuridão de olhos vendados até encontrar o interruptor da luz.


Lu Lena / 2026