Poemas quando eu me Amei de Verdade
Quando a gente era criança
E brincava de se esconder
E subia lá no alto, ia só de brincadeira...e ria
Ria, de incauto que era
E pulava de lá, por prazer
Pelo puro prazer de poder ouvir o ar que zunia
Uma vez fui encontrar lá em cima
Um pássaro que tinha desistido de voar
Daqueles, que quando dói, nunca se lastima
Não chora, não pede ajuda
Se recolhe no seu lamento. Finge morto, finge mudo
Se tinge de esquecimento
Enfim, nada escolhe na vida
E mesmo assim
Teve a escolha de sofrer calado
Eu conto essa passagem
Num poema bobo e sem rima
Porque desde pequeno
Eu também não podia chorar, nunca tive coragem
E jamais me ensinaram o jeito certo de falar com Deus
Pra dizer-me arrependido e nem pedir perdão
Nunca aprendi pedir nada pra Deus
Mas o certo era que o pobre pássaro
Pode ser que ele só fosse igual a esse que eu sou agora
Daqueles que quando chora...é só por dentro
Num lamento mudo
O pássaro caiu lá de cima
E nem me deve ter ouvido pedir perdão
Quedou-se no chão
Num tombo quase tão breve quanto uma vida
E ele também deve ter sentido
O ruido leve que zuni no ouvido
Que só ouve quem cai
Mas naquele momento
Como quase que tudo na vida
Não deu tempo pra nada
O pássaro mudo, morreu sem chorar, não deu tempo
Pode ser que eu, depois daquele dia, o tenha tido
Mas eu não chorei, nem naquele dia e nem nunca mais
Ajuntei todas as lágrimas que tinha pra chorar na vida
E quando vi que o pássaro ia subir pra Deus
Eu pedi pra ele levar.
Edson Ricardo Paiva.
"Quando a vida convida a chorar
Não rejeite o convite...e chore
Pode ser que melhore
E depois de melhor, então ria
Veja que talvez
Amanhã seja outro dia"
Edson Ricardo Paiva
Quando a vida não dói mais.
"Às vezes vem sonhos ruins
A gente se assusta e se acorda
Mas, se não se recorda de sonhos assim
Não tem nada que nos faça
Ver a graça da chuva que te surpreende
Recordar-se da pedra, onde um dia tropeçou
Numa queda que te feriu.
Até mesmo na doença lá da infância
E de todas as distâncias que venceu
Nessa fase, onde tudo se ajusta
E você só vai vivendo a própria vida
Se não existe mais risada ou quase riso
Você deixa de ver graça em sonho bom também
Quando a gente se esquece e nem pensa
Em todo aquele medo que sentiu do escuro
Todo dia acorda
Porém, só se sente apressado...atrasado
E nem agradece à bênção da claridade
O pássaro voando é só uma ave que passa
Não enxerga mais a paz do voo, tanto faz.
Não existe mais mistério em nada
Não existe mais vontade de sorvete lá na praça
Nem mentira e nem verdade
Não há flecha que te atinja e nem te fira
Nesse duro coração vazio, fortalecido pela vida
Tanto faz ir ou ficar
Calor ou frio
Esqueceu-se da alegria
Quando, um dia era tão bom poder sair para brincar
À exceção daquilo que se enxerga
Não existe mais magia em nada...ela existia.
Mas o mundo tornou-te igual a mim."
Edson Ricardo Paiva.
Me lembro quando em criança
Voar num barranco gramado, morro abaixo
Acho que nunca mais voei tão alto
Recordo de olhar pros lados:
Nada, nem ninguém
E eu era bem feliz assim
Se minha vida visse o brilho nos meus olhos
Quando eu lembro dela
Talvez ainda fosse aquela amiga
Quem sabe, ela pensasse em mim também
Me lembro de noites escuras
Eu acho que venci meus medos
Descendo lá, desde as estrelas, infinito abaixo
A partir de então, nada foi tão claro e tão bonito
Quanto subir novamente...e correndo
Nada nunca me fez ficar lá, desistir
Quando olhei pros lados
Nada, nem ninguém
Tudo bem, pois a vida é assim
Mas há dias em que eu quase rio também
Onde as tardes são lilazes
Se a vida me pudesse ver
Diria que eu pareço ser feliz ainda
Nos momentos que eu olho pra ela
Vida, aquela velha amiga que virou-me as costas
Me deixou lá embaixo
Nem viu que eu subi novamente
E contente
Tanto eu corri nesta vida
Acho que fui mais além
Quando a vida me procura e olha pros lados
Nada, nem ninguém.
Edson Ricardo Paiva.
"A Beleza da vida
É o Sol lá no céu
Numa noite de chuva
É saber sentir
Quando não houver"
Edson Ricardo Paiva.
Quando você pede
Um pouco d'água ao universo
E ele te responde numa tempestade
Sinta satisfação por esse momento
Saiba, que por pouco que te caiba
Ele pede em troca ao menos tua sede
Não basta ter coragem de querer
É preciso encarar teu medo
Teu receio de ser ouvido
Se teu meio é deserto
Creia, que se um milagre te escapa entre os dedos
Amanhã pode ocorrer
Que a tua realidade
Sejam lágrimas que evaporam
Ao silêncio se responde com silêncio, às vezes
Mas nem sempre há quietude
Pois a dor mais triste que há na vida
É que a diferença entre o sonho e a realidade
Não existe...mas ao mesmo tempo há de ser enorme
Acontece assim, conforme a tua crença
Porquanto, se não tem coragem ou sede
Quando olhar pra primeira estrela da noite
Quando olhar pro céu da madrugada
Nada queira, nem pede nada.
Edson Ricardo Paiva.
De vez em quando
Pode ser que aconteça
Com certeza algumas coisas
Elas hão de acontecer
Fique atento, pra afastar da cabeça
A ideia triste de que algumas coisas
Elas são pra você
Algumas delas haverão de ser
Mas somente as belas coisas
Aquelas que a gente espera uma vida
E, que no momento exato
Em que a vida convida a sorrir
Pode ser que você se encontre aborrecido
e pensando que tá tudo errado
O mundo te sorri, mas você nem vê
E quando vir alguém chorando
Fica ao seu lado em silêncio, ampara-lhe as lágrimas
Mas jamais diga a alguém pra que não chore
Pois o choro, às vezes, é um grande alívio
E algumas pessoas sentem tanta dificuldade pra chorar
Que pra elas seria simplesmente um desastre
Ter pensado que podiam chorar em sua presença
E é possível que as lágrimas de uma vida
Nunca mais elas voltem, uma vez engolidas
Quando pensar na tristeza
Não formule nenhum pensamento que te faça vê-la
Existem coisas que vão te acompanhar a vida inteira
Mas é preciso viver uma vida, antes de sabê-las
Há estrelas de primeira grandeza no céu
Mas algumas delas estão quase tão distantes
Quanto a margem do outro lado do rio
Se esse rio não possui uma ponte
É tudo uma questão de ponto de vista e proporção
Porque cabe tudo num pequeno pensamento
Um sonho breve, um momento
Não há mãos que alcancem uma ave no céu
Assim como não pode haver olhos
Que, por mais distante vejam
Alcance ou tenha chance em vêr
Tudo que mãos vão tocar
E mesmo assim
Não há mãos neste mundo
Que possam sondar ao que existe de mais profundo
Num lugar longe que existe
Que se chama, coração da gente
Que parece perto
Uma planta que cresce no jardim da casa ao lado
Cujo muro é muito alto
E morre e seca e vira lenha, sem se ver
É uma questão de ponto de vista
Porém, quando pensar assim
Fica com os olhos fechados
Se não for a hora de ampararem teu pranto
Fica no teu canto e chora
Chora tudo que houver pra chorar
Chora tudo, até o fim.
Edson Ricardo Paiva.
Quando ele voltar, depois da chuva
Abra aquele litro de bebida
Apele pro teu resto de bom senso
Lá fora o mundo é grande e o frio, imenso
Quando ele voltar, depois da vida
Abra teu sorriso, porventura houver guardado
Aquele desgastado, penso nunca, jamais visto
Sequer por teu olhar sem amplitude
Guarde teu orgulho costumeiro
Esse, que acompanha a tua sombra o dia inteiro
Descobre teu olhar de todo argueiro
Se acaso sentir medo
Feche as mãos, esconda os dedos
Quando, então, se revelar detrás do espelho
Donde há de voltar, depois de tanto tempo
Um resto de lembrança, um traço de esperança
Um espaço que estava vazio
Outro pedaço de passado
Cacos de vida lado a lado no presente
Ilusão de tempo dilatado, embora inexistente
Bem diante dos teus olhos, logo após o estio.
No mesmíssimo lugar que se encontrava
Antes da chuva.
Edson Ricardo Paiva.
Esqueça a vida e cresça
Essa história começa
Quando o deus-Sol questiona a Deus
Se deveria concentrar sua atenção
Mais ao atol, perdido no infinito
Ou se ao varal onde, estendidos meus lençóis
À luz do dia refletiam sonhos tão bonitos
Invisíveis aos olhos de ver
A dúvida da estrela
O olhar de Deus
Sonhos de linho
Espinho que se pisa sempre que se pensa
Estar vivendo a vida como a vida quer
Esqueça a vida e viva e deixe
Que um feixe assim, de luz, ilumine
Seu sonho esquecido, indivisíveis sonhos meus
A luz do dia, vida uma oração
Eu sei que o mundo me esqueceu
Porém, Deus não.
Edson Ricardo Paiva.
"A diferença entre o sábio e um imbecil é que um sábio reconhece o imbecil, quando vê um. O imbecil enxerga no sábio um igual"
Edson Ricardo Paiva.
Sorrir
De vez em quando
Permitir que o mundo veja
Mas, que seja perene
O que fica no ar
Chorar
e, às vezes permitir a crença
Mas é certo que fica
Entre mim e o criador
O que me vai no coração
E que seja a vida poesia
Que poderá ser lida hoje
Como um mero poema sem rima
Que vinha e que não veio
E deixou oculta a linha
Porque foi preciso
Um pranto ou sorriso
Detrás da armadura
Uma mistura
De malícia com doçura
Porque assim o mundo exige
A beleza da poesia
Pode ser que outro dia
A quem mereça
A luz que vem de longe
Há muito se apagou
A estrela finge.
Edson Ricardo Paiva.
Conselhos.
Ela existe
Sim, elas existem
Me lembro de uma velha tia
Que, de vez em quando, me dizia
Me dizia pra eu tomar cuidado
Dizia pra eu olhar pra dentro e não pros lados
Eu jamais dava atenção
Eram coisas sem sentido
Eu estava era atento ao barulho
As palavras dela eram ruídos
Mas, de vez em quando, eu percebia
Que seus olhos eram tristes
Hoje, após ter engolido todo orgulho
Penso que era tão bom
Quando ela dizia
Que as sombras que eu tanto temia, era só medo à tôa
As armadilhas do destino
São como coisas que estão à venda
Expostas à beira da estrada
Hoje, tudo faz sentido
Eu devia ter ouvido esses conselhos tolos
Se alguma sombra me causava medo
É que existia uma pequena luz
Que protegia a gente da completa escuridão
Hoje, ao olhar-me no espelho
Não vejo mais a sombra do meu velho orgulho
Prossigo com a boba alegria
Sorrir pra nuvens, dar bom dia a dia
Saber as coisas que a chuva traz
Ouvir meu silêncio em mim
E confiar em tudo que o tempo faz
Elas existem, sei que elas existem
E, se por acaso houver
Um pouco de tristeza em meu olhar
Vá dizer à minha tia assim:
Eu também aprendi
Esse bem pouco é
Tudo que a tristeza conseguiu de mim.
Edson Ricardo Paiva.
Antes que os pássaros acordem.
Quando a luz desponta
Nalgum ponto da circunferência
Sob a tutela e regência divinas
Assim termina a escuridão da noite
Mas tudo tem seu tempo, sua hora marcada
Tudo tem lugar, para estar ou não
Somos nós, que quase nunca estamos lá
Irriquietos, imperfeitos
Buscando sempre um jeito
De manter as coisas assim
Nessa quase que total desordem
Da qual possamos sempre fazer nada
Além de queixar-nos pra nós mesmos
Antes que os pássaros acordem
E nos mostrem em que ponto da estrada
Eles estão...e eles estão onde preferem estar
Quando o ultimo raio de luz se recolher
Em algum lugar entre a noite e o anoitecer
Sob a gerência dos teus próprios
Pensamentos e vontades
Numa quase que total desordem
Da qual fizeste quase tudo
Matando o que nunca deveria morrer
Preste tua reverência
Ao teu espírito irriquieto
Cuja permanência, sob o mesmo teto que você
Chega a parecer sufocante
Pois em algum instante, nessa mesma noite
Ele ainda vai tentar sentir
Que está nessa manhã tão linda
Antes que os pássaros acordem
E mostrem-lhe que não.
Edson Ricardo Paiva.
Escolhas.
Quando surge outro caminho
Quando finalmente alguém
Encontra uma saída
Uma trilha, uma senda, uma via que envereda
Aparece sempre outra estrada
Essa, indiferente, estava ali, presente
Apesar de ser uma queda
Talvez, por isso, jamais urgente
Mas, agora que existe opção
Ela parece atraente.
Edson Ricardo Paiva
Quando um de nós sofre
significa que todos erramos,
por falta de empatia, humanidade
e adjetivamos a omissão.
“Abrem as portas do inferno, depois reclamam quando o "D-I-A-B-O" toma a posse”.
A insanidade esta tomando conta do mundo, e ela esta dentro da sua cabeça.
O que me deixa mais perplexa?
Sim, me deixa perplexa a evolução impetuosa que o mundo esta tendo, e se analisarmos ao redor do mundo, começando pelo nosso mundo. Analisemos os líderes que estamos apoiando, "elegendo", racistas, machistas, homofóbicos e xenofóbicos ao redor do nosso mundo. Inclusive... O que aconteceu mesmo com a cidade maravilhosa?
Estamos elegendo cada vez mais imbecís capazes de ridicularizarem mulheres, religiões, sexualidade, raça, etnias na maior covardia e o povo implora por desigualdade!
É isso o que o mundo pede?
Mulheres que vergonha de vocês, a todo o momento sendo expostas, menosprezadas e ainda assim, saíram de vossas casas para votarem no papai urso? – Ah! Por favor, corram atrás dos vossos direitos no novo mundo em chamas.
Imagino a decepção daqueles que lutam pelos direitos humanos.
Retrocesso #Lutomundial
O problema dos homens é se acharem bons o bastante, homens o bastante, machos o bastante... quando no fundo não passam de crianças mimadas que não passaram pelo processo da castração.
E dá-lhes Freud, neles!
- E serve para as algumas mulheres também!
Meu amor, quando você chegar no próximo coração, tenha um pouco mais de cuidado. Cuidado para não magoar almas boas, aposto que muitas pessoas quiseram o seu bem, e você as tratou com loucuras inventadas por você!
E sabe quem perde com isso? - Sim, ninguém presta para você !
Algo está estranho, não?
A ARTE DE OUVIR QUANDO O MUNDO GRITA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
(Os alarmistas são os que não prestam atenção aos suaves e verdadeiros sinais)
Há tempos em que o ruído se apresenta como virtude e a agitação como lucidez. Nesses períodos o alarmismo assume a aparência de cuidado enquanto a atenção verdadeira é confundida com passividade. Eleva-se o tom da voz mas empobrece-se o discernimento e o excesso passa a ocupar o lugar da compreensão.
Os sinais verdadeiros não se impõem pelo choque. Manifestam-se no encadeamento das causas na regularidade dos processos e na repetição discreta dos fatos que revelam uma direção. Exigem silêncio interior constância de observação e maturidade intelectual. Quem observa aprende. Quem se agita apenas reage.
O alarmismo nasce da ruptura entre percepção e entendimento. Incapaz de sustentar o tempo da reflexão o alarmista vive submetido ao instante e confunde urgência com verdade. Ao ignorar o que se anuncia lentamente perde a leitura do conjunto e se torna dependente do sobressalto.
Em oposição há os que vigiam sem alarde. Não por indiferença mas por disciplina. Eles reconhecem que a verdade raramente se manifesta de forma estridente e que as grandes transformações são precedidas por sinais quase invisíveis aos olhos apressados. Essa vigilância silenciosa não é inércia mas lucidez cultivada.
Assim o desfecho impõe-se com clareza lógica. Onde prevalece o ruído instala-se a confusão. Onde há escuta atenta forma-se o discernimento. Entre o clamor e o silêncio decide-se a qualidade do juízo humano e somente aquele que aprende a ouvir o que é discreto mantém-se firme quando o alarme se dissolve e a realidade permanece em silêncio e em clamor.
