Poemas quando eu me Amei de Verdade

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⁠mesmo quando estiver
Perdendo as forças,
Suplico que de
Maneira nenhuma
Se entregue.

Inserida por douglas_figueiredo

Como se fosse
Um poema onde nada rima
Algo além do limite
Um dia sem Sol
Quando termina
A gente permite que Ele se vá
E chega a hora da despedida
Há coisas na vida
Que parece começarem pelo fim
E vai correndo ao avesso
desde o começo
Não se encaixa...desafina
Quando o coração se permite
Permanecer eternamente
Qual coração de criança
dança e ri
Com a canção desafinada
E sem querer saber de nada
Segue rindo da cara da sorte
Pois não há corte
Que não cicatrize
diante de uma boa risada
Ria sempre de volta pra vida
Não há tristeza que suporte
Um sorriso insistente
de sorte
Que um dia
A tristeza acaba rindo com você
E tudo acaba em alegria

Inserida por edsonricardopaiva

Quando a gente era criança
E a vida era simplesmente
Um lance um tanto mágico
Praticamente um Circo
Semi-monossilábico
Um circo onde havia até dança
Aquela dança
Que a gente não se cansa
Nunca...jamais; de se recordar
A Pá já se levantava
Com aquele sorriso a mais
E quando ela vinha pra sala
Trazia as duas outras atrás
A Pá corria pra lá
A Sí sentava-se aqui
Eu dava um pãozinho pra cada
Mas a mais malandra
Sempre foi a Sandra
Acordava emburrada
Não falava nada
Tomava o seu café
e depois dava no pé
As outras duas
A Pá e a Sí
Ficavam brincando por ali
Achando que eram princesas
Uma olhava e a outra ria
Minha mãe chegava e mandava
A Sì limpar toda a mesa
Enquanto a Pá lavava
A louça que estava na pia
Lá da sala, a Sandra ria
E assim começava o dia
Num tempo
Hoje tão distante
Que causa saudade cortante
Nesse pobre coração
Daquele, outrora sempre presente
Irmão de sangue, de alma
e de saudade

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Num mundo de conflitos
Chega a parecer esquisito
Quando alguém gosta da gente
Mas a vida é um lugar
Por demais confuso
Que a gente faz de conta que entende
Pra dizer bem a verdade
tanto faz
Aquele que menos sabe
sabe mais
Eu espero a solidão da madrugada
E enquanto ninguém diz nada
e também não ouve
Eu tento explicar
Pra mim mesmo
Que sou um homem simples demais
E que nunca, jamais
Vou poder entender a vida
Como pode
alguém gostar de alguém
Como pode
alguém que não sabe nada
Acordar de madrugada
Pra dizer o que ninguém vai ouvir
e ao final
Achar bonita a vida
dividida
Entre belezas e conflitos
deste mundo
Mágico
Trágico
e sem lógica

Inserida por edsonricardopaiva

Quando a gente ainda é jovem
É preciso que muitas coisas
Sejam pulsantes, brilhantes,
gritantes e extravagantes
Pra que assim a gente as veja
E pouca coisa nos comove
Pois o jovem
Implora pra que haja chuva
Enquanto chove lá fora
E jamais percebe a perda
de cada dia que vai embora
Mas a vida corre
E por mais protegida que seja
e por menos que a gente veja
Fatalmente, um dia
A Inês é morta
E o tempo corrige
A maneira torta, tortuosa
e às vezes pretensiosa
de pensar que as coisas eram
E feras vem bater à porta
Porque fomos nós
Quem as chamamos
Quando a gente é jovem
Tudo precisa ser exuberante
Mas o tempo ensina a gente
A enxergar mais profundamente
e também a pensar com clareza
e com isso enxergar a beleza
Que a gente não via
Com nossos olhos e alma fria
Imaginando milagres e maravilhas
onde nada havia
e passa a descobrir
Os milagres e maravilhas
Que existem e sempre existiram
Mas agora a gente sabe
Onde eles estão.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Hoje o Sol
Parece meio apagado
Assim como
de vez em quando
Você tem a sensação
de ter sido
deixado de lado
E ficou sem nenhum amigo
Sorria
Feche os olhos
E voe até certos lugares
Onde normalmente você não iria
Enxergue que nesses lugares
Existe
Muita gente
Se sentindo assim, também
Elas são
Muitas mais
Que você pensa
A diferença existente
Entre você e elas
É que elas não contaram pra ninguém
E, talvez sua passagem por lá
há de deixá-las
Um pouco mais contentes
Pense somente
Que a sua solidão
pode tornar-se uma coisa boa
Pois dali
Haverão de sair
As palavras que vão melhorar
As vidas de outras pessoas
Não existe nada nesta vida
Que possa ser
pra sempre esquecida
E não há nenhuma vida
Que se possa viver à toa.


Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Imagine-se
Como se você pudesse
Fazer tudo que quiser
E pense como seria
Se acaso
Quando algo doesse
ou machucasse
A gente esquecesse em um dia
Tudo aquilo
Que só depois de anos
a gente esquece
Tente imaginar-se
Como sendo
Aquele prosaico inseto
Vivendo sua vida, quieto
Pousando de flor em flor
Buscando o seu pólem predileto
E, na sua simplicidade
Poder ser, aos Olhos de Deus
O ser mais completo que existe
Pense em quão bom seria
Poder levar
Um pouco de alegria
Ou talvez
A própria felicidade
A quem você visse triste
Liste, mesmo que mentalmente
Tudo que você faria
ou desfaria
E em quantos desejos secretos
Com o tempo, se esqueceu
E em tudo de concreto
Que a vida permitiu que você vivesse
E tenha sempre uma certeza
Que em qualquer dia desses
Você pode realizar
Todos os seus desejos
Transformar numa luz que brilha
Aqueles simples lampejos
Virar a mesa
Tudo isso sem precisar
Gritar nada disso ao mundo
Pense agora somente
Que tudo isso não está lá fora
Mas contido e escondido
No seu peito e na sua mente
Lembre-se sempre
No quanto é correto o viver
daquele inseto
Que você insiste em não ser
deixe-se invadir
Pela mera simplicidade
e espera
Que com o tempo
Teus olhos te mostrem a coisa certa
Ali se esconde toda a verdade
Pois
Só conhecendo a verdade
Você se liberta.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Quando o coração da gente
Se faz paz por um momento
E aceita porque quer aceitar
Creia que existe um Universo
E tudo que há dentro e fora
Poderá ser posto agora
Em um Poema de três versos
E ainda sobra espaço
Pra passar um traço no final
E levar o coração
Pra onde quiser
Tudo isso apenas depende
Se esse coração
Realmente quer

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Mantenha-se calmo
Tranquilo em em paz
Quando se vive
Uma vida correta
de vez em quando a gente acorda
Com a alma inquieta
Mas o coração, esse permanece
Tranquilo demais
Portanto
Jamais se esqueça
Que por mais que cresçam
As indiferenças e desconfianças
É essencial
Conhecer as astúcias do Mundo
E saber que o mal se esconde
Daqueles que mesmo assim
Permanecem confiáveis
E sensíveis, igual a uma criança
Isso pode sim, existir de verdade
Nem sempre a idade
é capaz de revelar
A quantidade de anos vividos.
saiba manter seu coração
de portas sempre abertas e apercebidas
Na medida que caibam
Somente palavras certas
e faça valer sua vida.


Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

De vez em quando
Eram promessas
Dessas que se esquece
Antes de acabar o dia
Como se houvesse na vida
Algum tipo de esperança
Que pudesse simplesmente
Esvair-se
Juntamente o pôr do Sol
Podem passar anos
desejos profundos
Permanecendo latentes
Aguardando o segundo certo
Pra despertar
Num futuro um tanto incerto
Tão repentinamente
Como um dia adormeceu
Pois
A dor que um dia a causou
Não se esqueceu
Como eu não me esqueci
Eu creio que somente adormeci
Tristemente eu dormi
Aguardando assim
Que o tempo se esvaisse
Até chegar o dia
Quando após
muitos pores do Sol à toa
A lembrança muito boa
daquela triste esperança
Que hoje
Não mais me magoa
Ressurge, assim, do nada
Fazendo alarde
Em meio à mais uma das muitas
Madrugadas vazias e caladar
Gritando que hoje ainda não é tarde
E que talvez
A gente, que perdeu tanto
Por enquanto
Ainda não perdeu
Nada.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

A chuva cai de vez em quando
Noutros dias
Verdadeiras tempestades
Desabam na vida da gente
Advindo aqueles tristes
Momentos tempestuosos
E eu sinto uma grande saudade
Dos primeiros olhares de mãe
e beijos de irmãs
Naquelas manhãs
Que se perderam no passado
Lembranças felizes se unindo
a essas crises doloridas
Invadindo as nossas vidas
Sem a gente ter permitido
e nem dado licença
Essas coisas acontecem
Também em dias ensolarados
É quando surgem as dúvidas
Enquanto, outras elucidam-se
Em verdades pra lá de sofridas
Uma janela se abre no escuro
A alma propensa a desistir
Pela falta, pela imensa falta
Dos momentos
Em que a gente costumava
Simplesmente sorrir
e mais do que isso : a gente ria
Sem saber de quê
Pois, se permitia a dar risada;
E então a minha fé
Faz ver surgir a Luz Intensa
E eu sinto a Divina presença
do Deus, que eu sempre tive ao meu lado
Pedras surgem no caminho
Anjos de asas negras
Criam laços
Ensaiam abraços
e abrem sorrisos falsificados
Eu olho pro espaço e me lembro
do Deus que eu tenho sempre ao meu lado
Tem noites em que sombras vem
Amigos verdadeiros
Distantes no tempo e no espaço
Eu olho ao meu redor
Não há nada
e nem ninguém
Além da dor insistente que acompanha
Mas minh'alma também não desiste
Pois eu já não me sinto tão triste
Sei que não fui abandonado
Fecho os olhos
E me lembro da luz
Do Deus, que me pôs neste mundo
E que esteve sempre
Sempre esteve do meu lado

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

A vida é algo
Mais os menos assim
Quando amanhece
Você abre a janela
e tem ali um jardim
Mas de nada vale ele estar lá
Se você não o vir
E nem perceber o perfume sutil
Como às vezes pode ser sutil
O Próprio Sol
Que parece encoberto
Mas aquela nuvem, na verdade
a você encobriu
As flores do jardim percebem a Sua Luz
Sem possuir olhos de ver
A vida só pode ser vivida
Se você a viver
e pra vivê-la
Não é preciso ter dinheiro
Nem jardim, nem nada disso
A alegria e a gratidão por viver
é que dão à vida aquele viço
E te fazem sentir vontade
de ter com aquele teu pedaço de chão
Um compromisso que você vai cumprir
Quando a gente conseguir
Compreender que a vida é isso
Poderemos então
Bem vivê-la, enfim
Começaremos por viver aquele dia
E quem sabe
Até cultivar um jardim
Onde, antes
Nada havia.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Acordo de madrugada
Muito cedo despertei
Quando aprendi nas lições da vida
Que quanto mais palavras conhecesse
Menos eu compreenderia
A noite lentamente
Desvenda seu véu
Pra revelar que o Céu
Anda encoberto
Muito cedo compreendi
Que as respostas certas
Estão abaixo das nuvens também
desde que a minha mente
não obstrua a verdade
Escondida
Não pedras do Céu e do chão
Nas quedas que eu não caí
Nos restos de comida
Que o mendigo deixou pela calçada
Nas palavras ditas
Por quem definitivamente
Não tem noção do que diz
Mas segue a dizer
Constante e eternamente
Compreendi
Que não devo exigir
de mim mesmo a aprender
Com quem não aprende
Ouvem, mas não escutam
Falam demais
Fazendo cara de inteligentes
Escondendo a incompreensão
Por trás de um sorriso mudo
A vida me ensinou
Que todo mundo sabe tudo
E dizem que própria sombra
As abandona no escuro
Quando na verdade
A escuridão as persegue
Na mais intensa claridade
O dia prossegue
Vento e Sol de inverno
Eu penso no fogo eterno
Queimando pra eles
Que se deram
Quando pensavam se vender
Mentem
E chegam a crer
nas próprias inverdades
Concluo, então
que do muito que eles sabem
Cada um na própria
Arrogância e prepotência
Me descabe querer
Ser e saber igual a eles
Fico feliz
Em não ser nada
Tampouco melhor que ninguém
Ainda bem!

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Quando acordar de manhã
descontente com o dia de hoje
Pense que hoje já é amanhã
Noutras vezes, talvez você queira
Que seja depois de amanhã
E vá vivendo assim...até o fim
Pois o hoje é somente
O tempo onde a gente se sente
Permita-se
Sinta o seu rosto no vento
E em todos os gestos
Um resto do gosto
Em mentir o teu rosto vermelho
diante do espelho
Uma imagem na qual acredita
Imagine a viagem
Igual que fizeste no tempo
Um caminho florido
Um livro que se perdeu
Enquanto ainda na metade
Seja livre de verdade
E pule essa etapa
Um resto de rosto na capa
Pode ser que seja o seu
Mas nunca, jamais permita
Que te convençam
de que hoje é só hoje
e ´só isso
Como tão bem
Lhes convém.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Quando a gente olha pra vida
Com olhos de amor
Enxerga uma coisa lírica
Onírica, mágica e linda
Poética, mecânica, estética perfeita
Refeita a visão do eremita
Existe o tempo triste
Entra em pânico
Quando a beleza se dissipa
Perante o egoísmo do mundo.
E se a gente procura buscar
Só a ótica da esperança
Firmando aliança com a fé
Finca os pés num lugar melhor
E acredita em tudo e em todos
Vivendo a ilusão
Fadada ao engodo
Pois logo isso passa
Dissipa igualzinho à fumaça.
Se olha o mundo
Com ódio e desconfiança
Buscando alcançar somente
O que venha somar
Sempre um pouco mais
Fica doente por dentro
Sem paz,
Infeliz e incoerente
Sozinho ou talvez
Em companhia de outros
Que sejam iguais a gente.
E se todos conseguíssemos
Buscar ter a mesma visão
da criança que um dia fomos
E, quem sabe,sejamos ainda
Talvez enxerguemos
O Mundo e tudo mundo
Sob o prisma da realidade
Pois a vida jamais foi linda
Impossível fugir à dor
Pois, quando em criança, também doía
Mas a gente não perdia a esperança
No dia que raiava
Acreditava no amor
Sem ódio, rancor, desconfiança em demasia
Prudentes como serpentes
Simples corações de pombos
Sempre se reerguendo
E rindo dos próprios tombos
A vida não é só amor
Ou glória, vitória ou cinismo
Olhemos pra ela do jeito que é
Tendo fé nos seus defeitos
E talvez a gente consiga
Fugir um pouco mais das brigas
Aceitar as coisas
Do jeito que elas são
Tristes, felizes e confusas
Perfeitas na imperfeição
Tudo depende somente
da lente que a gente usa.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Quando a gente olha pra vida
Com olhos de amor
Enxerga uma coisa lírica
Onírica, mágica e linda
Poética, mecânica, estética perfeita
Refeita a visão do eremita
Existe o tempo triste
Entra em pânico
Quando a beleza se dissipa
Perante o egoísmo do mundo.
E se a gente procura buscar
Só a ótica da esperança
Firmando aliança com a fé
Finca os pés num lugar melhor
E acredita em tudo e em todos
Vivendo a ilusão
Fadada ao engodo
Pois logo isso passa
Dissipa igualzinho à fumaça.
Se olha o mundo
Com ódio e desconfiança
Buscando alcançar somente
O que venha somar
Sempre um pouco mais
Fica doente por dentro
Sem paz,
Infeliz e incoerente
Sozinho ou talvez
Em companhia de outros
Que sejam iguais a gente.
E se todos conseguíssemos
Buscar ter a mesma visão
da criança que um dia fomos
E, quem sabe,sejamos ainda
Talvez enxerguemos
O Mundo e tudo mundo
Sob o prisma da realidade
Pois a vida jamais foi linda
Impossível fugir à dor
Pois, quando em criança, também doía
Mas a gente não perdia a esperança
No dia que raiava
Acreditava no amor
Sem ódio, rancor, desconfiança em demasia
Prudentes como serpentes
Simples corações de pombos
Sempre se reerguendo
E rindo dos próprios tombos
A vida não é só amor
Ou glória, vitória ou cinismo
Olhemos pra ela do jeito que é
Tendo fé nos seus defeitos
E talvez a gente consiga
Fugir um pouco mais das brigas
Aceitar as coisas
Do jeito que elas são
Tristes, felizes e confusas
Perfeitas na imperfeição
Tudo depende somente
da lente que a gente usa.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

A Imperfeição de Deus.

Está tudo no lugar errado
Desde quando o Mundo é Mundo
A começar
Pelo cálculo dos horas
E a miraculosa causa de nossas vidas
A pausa para o descanso
No voo dos gansos selvagens
Isso sem falar
Na mansidão da noite
Ou na brancura da nuvem que passa lá no Céu
Fazendo sombra sobre mim agora
Eu acho muito chato tudo ser assim
É simplesmente um erro
O formato rotundo do Planeta Terra
A lágrima daquele que erra
O engano daquele que chora
Todo mundo sabia fazer melhor
Portanto
Está tudo exatamente no lugar errado
Este é o único fato concreto
A noite dá lugar ao dia
O dia que se torna noite
Tudo isso, sem tocar no fato
de que Mares e Oceanos
Árvores, Estrelas, A Morte, A Doença
Nada disso deveria estar nos planos
Gente que pensa e que não pensa
O advento da Humanidade
As Máximas da nossa vã filosofia
Deus nem ao menos perguntou
Se alguém queria
A próxima mudança de Estação
As batidas do coração
A dor que dói agora
Quando a chuva cai
Ou quando ela não vem
A tempestade que destrói
A verdade que um dia aparece
E que destrói também
A fumaça que sobe
A gravidade, que a tudo faz descer
O lamaçal escorre
A grama cresce
O inesperado a causar espanto
O suave canto da Coruja
A viscosidade na língua do sapo
Quando impede que o inseto fuja
A Luz do Sol
Projetando a Sombra da Terra
Quando a Lua míngua
Água limpa, consciência suja
Um mundo todo errado
Ninguém que eu conheço erra
E tem sido assim desde o começo
O gato que mia
O latido do cão
Tá tudo errado
Abençoada imperfeição!
Ainda bem
Pois, Quem criou tudo isso
Não deixou que nada
Ou quase nada eu tenha feito
Neste Mundo abarrotado de defeitos
Pois, de certo
Assim me resta
E não presta do mesmo jeito
Somente a modesta e desprendida inspiração
Em saber reconhecer em mim
Que a tudo que fiz em vida
Nunca fiz nada direito.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

A vida é uma coisa doida
Difícil de viver, se bem cuidada
E flui mais naturalmente
Quando gente não liga pra nada
Portanto
Os olhos fechados
Nos momentos de profundo pranto
Proporcionam uma visão mais aguçada
Pérfida e sórdida.
Somando-se a isto
A total ausência de ilusão
Muita gente ficaria estarrecida
Ao perceber
Que ela se torna um tanto assim
Menos estúpida
Guardadas as devidas proporções.
Proporciona uma cândida lucidez.
Explêndida!
Repleta da hipocrisia enrustida.
A gente dá voltas ao mundo
Enquanto parado
Ficando estacionado, andando em círculos
Percebe a Humanidade
Praticamente um corpo só
Imbuído de uma mente louca
Investido da rara qualidade
de saber amar
Possuindo pra isto
Um possessivo, enorme e falso
Amor de verdade
Conforme lhes convém
Me perdi
Foi aí que eu encontrei a solução
Se olhar direito, dentro de cada coração
Hoje eu sei:
Não há de se salvar ninguém!

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Quando a gente nasce
Um anjo faz uma prece
Em algum lugar deste Universo
Alguma coisa muda
Mas nem tudo que acontece
Na vida da gente
É do jeito que se espera
No dia que a gente nasce
Inicia-se uma contagem
Alguma imagem boa e muda
Na esfera do mundo
Existe e não é à toa
Apesar de fazer o inverso de tudo
Cada segundo vai sendo contado
Tem dias que a gente vive
E tem a incrível sensação
De ter sido esquecido
E deixado de lado pela vida
Mas um dia, finalmente a gente morre
E ocorre de nesse dia
O mesmo anjo fazer outra prece
Não sei dizer
Como e porque acontece
Mas sei que acontece assim
Portanto
Enquanto isso, eu vou vivendo
Pois a prece
Que algum anjo atrapalhado fez por mim
Deu certo
E quis Deus que fosse assim
Exatamente desse jeito
O mesmo vento que me trouxe
Deixou-me com um beijo doce
E me disse
Que eu devia encarar sorrindo
O lindo amargor dessa vida
Pois iria passar bem depressa
O vice-versa
O início ao avesso
O doce que sempre caiu no chão
As verdades de mentira
Deus, por favor, me socorre
Não me esquece!
Manda o anjo fazer logo a prece
do dia que a gente morre.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Quando o teu relógio
Finalmente despertar
Pode ser recordação
Ou a frase que porventura
Lhe vier à cabeça
Em mais uma oração
Um ponteiro tardio
Mostrando que a hora passou
Um palco vazio
A cortina, há muito fechada
A roda gigante da vida girou
Teus relógios brilhantes
Mostram sempre as mesmas horas
Mas os tempos são outros
Este mundo está tão diferente
Luzes apagadas
Não há nada, não há mais ninguém
Um dia o relógio desperta
É momento de despedida
Nesta vida
Pra tudo existe a hora certa.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva