Poemas quando eu me Amei de Verdade
No mundo das ilusões
De vez em quando
Opiniões que divergem
Encontram o centro de gravidade
Como se deuses fôssemos
Capazes de estabelecer a perfeição
No campo das escolhas
No mundo das folhas ao vento
Há momentos que nos encontramos
Nos reconhecemos, flutuamos lado a lado
E depois seguimos cada qual seu rumo
Porque não há prumo e pouca coisa permanece
Parecia parecido, igual não era
Éramos sociáveis porque nos convinha
Mas não tinha de ser
No mundo dos espelhos
Fomos nossas próprias matrizes
Apaixonadas por si mesmas
No momento de mirar-se atentamente
Eram tantas cicatrizes que tentamos esquecer
Nada as podia unir
No mundo das medidas
Era hora de partir, de ir embora
Porque a conta de maior importância
Era a que contava o tempo
Superando imensamente a distância
Nos piores momentos de indiferença
Fomos nós apenas gentes
Cujas visões que, por demais diferentes
Refletidas, no espelho da vida
Enganadas, nos remetiam
A um mundo de ilusões
Como folhas ao vento
Perdidas, em desmedida distância.
Edson Ricardo Paiva.
Vida Flor.
A vida é o dia de uma flor
Quando a chuva aproveita
Bota as pétalas de lado, assim
Se espelhando numa poça rasa
Detalhando os seus tim-tins
Orgulhosa da própria beleza
Ajeita luz do sol
Renovando a folia
Acredita, enquanto há tempo
Tempo é tudo quanto mais havia
Quando o tempo de já não mais crer vier
Ele vem, crer ela não quer...aceita
Bota espinhos, tenta defendê-la
Tristes mãos que, porventura, recolhê-la
Assim, como um sol que renasce
E que jamais se opõe
Ao orvalho das trevas
Escolhe uma melhor lembrança e a leva
Molha-te por molhar-se
Escolhe um ramalhete pra passar teus dias
Que, por ora, ornamenta e tenta e tenta
Tanto tenta que, quando desiste
Já não sente assim, tanta tristeza
Tenta, mas aprende a desistir também
Nem jamais te arrependa de nada
Desaprenda o sorrir
Mesmo assim, depois, aprende
Rir-se de si mesma.
Edson Ricardo Paiva.
Infinito.
"A diferença
É que quando amanhece
Cá da Terra vemos
O lugar onde nascem os dias
Mas as estrelas, quando acordam
Podem olhar para o infinito
Um lugar
Infinitamente mais bonito"
Edson Ricardo Paiva.
Imagine o espaço territorial de um país como um corpo e seu povo como a sua alma.
Quando um grupo ou uma ideologia ruim chegam ao poder e passam a prejudicar esse país, é como se fosse um tumor malígno que precisa ser extirpado.
Quando esse grupo ou ideologia passa a se apossar da mente desse povo com leis que afetam nas relações interpessoais desse povo, isso já se assemelha a um espírito malígno: Isso é um demônio que precisa ser exorcizado.
Mas só se houver uma influência prejudicial, Isso é você que responde, de acordo com seus conhecimentos e consciência.
Coisas passam despercebidas
Temores contidos
Quando o Mundo Gira
Peixes emergem assustados
Seres emitem som de lira
Pedras rugem
Quando brilha a Lua
Sombras que surgem das sombras
Coisas sem explicação
Rondando as fronteiras
do meu coração
Medos que me fazem
Criar coragem
Meu peito emite
Um silêncio lancinante
E os impulsos descrentes me fogem
Vai longe o tempo da inocência
A gente aprende de repente
a ter prudência
Ao perceber que a Floresta encantada
Que a gente enxergava
espiando pelas frestas
se tranforma do dia pra noite
Em bosque assombrado
Cansei de gente ingrata
Que enxerga somente na gente
O brilho da prata
Quando brilha
Entrega a alma ao demônio
Em troca de algum trocado
Vou deixar de lado
Essa gente que não se preza
Pra quem
A gente vale o quanto pesa
Aquilo que eu quero
É o que pouca gente espera
A mais sincera amizade
Por muito pouco vocifera
Se for pra conviver com feras
Eu prefiro as de verdade
Em vez daquelas
Que não me devoram
Por mera formalidade
De vez em quando as coisas são
Exatamente o que parecem
As pessoas não te esquecem
Simplesmente
Nem se lembram de você
A noite cai
Bruxas em sorriso de fada
Tristes sorrisos insulados
Vozes melancólicas como um fado
Exploram os recônditos da sua mente
Com sua elegante languidez
Atraindo simpatias
Preparam seus ardis
A aparente fragilidade
Te conduz às suas ilhas
Trilhas mal iluminadas
Armadilhas nas quais
Você é insensível à dor
Quando percebe
Está envolvido por algo
Que parece ser amor
Aquele
do qual você fugia
Fingia ser imune
O odor que te atraiu
Não era sequer perfume
Aquilo que te fez
Cair na armadilha do mal
era algo bom e natural
Que te faz não crer na fé
E aquilo que parecia amor
Agora não mais parece
Simplesmente é.
Até quando há de durar
Quem poderá dizer
Aonde morrem os ventos
Será que é la no lugar
Onde nascem os sonhos?
Os momentos vão passando
A vida corre
Em passos lentos
A vida passa
Esquecemos impulsos contidos
Doutros tempos
há muito idos
Novamente se descobre
Não saber
O que se achava que sabia
Aonde tudo haverá de, finalmente
Dividir-se em dois
Quando é que termina o "antes"
Pra fatalmente vir o "depois"?
Será que estarão presentes
Aqueles sorrisos isentos
Sempre ausentes
Aqueles em que a gente vê
todos os dentes
Invento motivos
Procuro razão
Arranjo uma desculpa
Pra continuar seguindo
O caminho que a vida aponta
Vou contando o tempo
E vivendo além da conta
Quando o pássaro tem asas
A gaiola impede o voo
Estando lanosa a ovelha
O homem vem e lhe tosa
Às vezes
devorado, desarvorado
e arrependido
Não me perdoo
Por ter estado aqui
Cantando para quem
Jamais me quis ouvir
Doando minha carne, meu sangue
o que me restava de paciência
Além de toda uma vida
Vida ingrata
Deus me colocou aqui
Sob a reles condição de primata
No país das maravilhas
Covarde como o leão
Sem coração qual o Homem de lata
Agora não me resta nada
Na noite fria
Qual ovelha tosada
Minhas asas agora cansadas
Me relegam à mercê de predadores
E eles não são tantos
Enormes são suas maldades
Porém, nem precisavam sê-las
Quase nada mais me resta
Uma janela,
luz de estrelas no Céu,
Luz de velas cá na Terra,
vontade de fazer o certo
Um coração ausente, que erra
e o diabo sempre perto
tentando que eu desista
Cuspindo em meus poemas
aumentando meus problemas
Rindo da minha alma de artista
Um dia tudo se acaba
Exceto essas verdades
Que me invadem e orientam
Cada um carrega sua cruz
A minha me orienta a direção
da Fonte Universal de Toda Luz
Que haverá de confortar-me
e dar-me um coração
E um anjo de verdade
Pra fazer companhia
Se ainda persisto
E porque eu acredito
Na existência desse dia.
Quando nada mais houver
E se não restar
nem mesmo a dor
Agradeço pelo que tive
Mesmo estando assim
tão distante do começo
fico feliz pela tarde
Quando chove
Observo o alarde que faz o mundo
e agradeço, mesmo quando
dentro de mim
Nada mais se move
Me apego ao apreço
Que um dia, porventura
houver existido
pela pessoa que eu era
A vida não passa
Nós passamos pelo Mundo
a vida espera
às vezes fingida e mentirosa
e há dias em que é sincera
e claramente fria
Quando mais nada houver
e acabar-se o que havia de melhor
assim como também não existir
amor, calor ou dor
estio ou frio
Nada pra sentir
e nenhum lugar aonde eu ir
Ainda assim
Espero que ainda possa ver
as aves no Céu
Simplesmente pra se olhar
Mesmo que em meu caminho
haja apenas as quedas
E esta vida eu já nem viva
Nesse dia talvez eu compreenda
Que por mais que a vida tente
e a gente jamais aprenda
Seja ela gentil, sutil ou incisiva
haverá de existir pra sempre
A alternativa de vivê-la
desta maneira
um tanto contemplativa
O Universo permanece imparcial
Mesmo quando parece que não
E qualquer coisa pareça
receber um tratamento especial
Desigualdade é ilusão
O reverso e o avesso
O Céu e o chão
Filhos da mesma natureza
A Natureza é um amor
Cuja confiança nós desmerecemos
Uma tábua de leis
Que nós não lemos
E que às vezes
se apresenta enfurecida
Nos forçando a reaprender
O lado leve da vida
A vida, curto e eterno
Período de tempo
No qual dividimos energia
Com o ar, com os mares e as pedras
Poeira de estrelas
e com a própria vida
Que compõem e se espalha
Por este imenso Universo
Onde, apesar de nossas ilusões
Nada falha
A luz e a escuridão
Divididas com plena igualdade
Onde a única ilusão existente
É a existência do mal
Que não existe
Portanto, não fique triste
Pois o Universo
Permanece imparcial
Quando perco a esperança
Minto pra mim mesmo
e dentro desse engano
Faço de conta que ela vai voltar
No tempo da primavera
O vento me arrasta, o Mundo gira
a vida dança e o tempo me alcança
Tento dar uma guinada
Quando vejo
Estou novamente rumando
Exatamente na direção errada
Sem ter o que fazer
Não faço nada
E também não me entrego
Parece que tem dias
Em que vivo somente um voo cego
E quando ele termina
Eu cheguei à uma noite vazia
Mais uma
Me entrego então a ela
Pois em meus sonhos
Ali existe, sim
Uma esperança, ainda que pequena
De poder olhar a tua cara, tão bela!
As pessoas vão passando
Não é esta e nem aquela
Quem dera, esta noite
talvez eu tivesse a sorte
de olhar novamente as estrelas
e finalmente; por um momento
Poder ver a você
e somente você
Linda como a luz da primavera
Quando for amar alguém
Se for possível, afaste-se e não ame
Se fosse possível escolher a quem se ama
Eu te aconselharia
A amar a quem vem até você
E não a quem te chama
A quem te apreciasse e fizesse elogios
Pois amar é dividir a vida
E formar parcerias
É ter alguém em quem se confia
E com que se pode contar
Pois, pra colocar pedras em teu caminho
Já bastam teus oponentes
Amar é dividir
e querer ver sempre contente
jamais o oposto
Ser amado é ganhar um abraço
Quando chegar 8 de agosto
Agora, quando quiseres
Matar um gigante
E desfazer o amor maior que existe
Basta seguir a dica
E seguir a vida adiante
Te asseguro
Não há nada que resista
E não há nome pro que fica
Te espera o Mar
Quando você vai até lá
Querendo te engolir
Morto de vontade de te afogar
O Mundo já te engoliu
E você nem mesmo viu
Riu, enquanto teu melhor amor partia
E assim se deixou ficar
Feliz, por ter escolhido
Quem não te quis um dia
Hoje, pensa em tudo que fez
E chora, com o coração partido
Será que riria ainda
Se aquele grande amor
Não tivesse ido?
Nestas idas e vindas da vida
Ninguém pode responder
Minha querida!
Ainda resta hoje
Todo aquele imenso Mar
de dúvidas e perguntas
Eu velo que estejas contente
Em algum Universo Paralelo
Existem duas almas
Que nunca vão descobrir isto juntas
Pois
Aquele amor que deixaste partir
Não há de lembrar de você
Se acaso um dia o vir voltar
Ele Não ficará junto a você no fim
Nem mesmo se a ambos o Mar afogar
Nem mesmo assim.
Alguém está cantando uma canção
Não é pra mim
A menina bonita sorriu quando passou
Não foi pra mim
O telefone toca
Não é pra mim
O correio trouxe carta
Que também não é pra mim
Tem alguém estourando pipoca
Não é pra mim
O Sol brilha no Céu
Mas não por mim
Eu soube que você sente saudades
Não de mim
Na igreja o sino badala
Sem saber que eu existo
O coveiro esta cavando
A chuva cai
Nesse momento eu resisto
Este ser esquecido sai e se encharca
Enfim, se a chuva abarca a todos
Ela cai também pra mim
Desde quando a gente nasce
tudo vai matando a gente
um pouco e todo dia
As palavras ruins
As fofocas da tia
O mosquito que morde em mim
Os ouvidos moucos
Que o mundo oferece
enquanto a gente cresce
e se não mata
pelo menos deixa rouco
Desde quando a gente nasce
desde que não morra no parto
esta vida é um infarto constante
é a fumaça das velas
o barro nos pés
os gases invisíveis e inodoros
os pontapés que a vida dá
quase sempre leva ao chão
a cara amarrada do patrão
o quase nada que eu trago pra casa
a demência lenta e galopante
a que somos condenados
pois quando nascemos gente
nascemos, então
sem asas
Amputados da delícia de voar
vamos vivendo de más notícias
Maus olhados e olhares ruins
e casos de polícia
ou cobiça do ladrão
desde quando a gente nasce
tudo vem matando a gente
lentamente, desde então
Milton Sérgio Paiva.
Quando a gente era criança
Ele foi pra mim um Gigante
Que me guiaria pelas mãos
Nos caminhos da vida afora
Ele cantava pra eu dormir
Ele me mostrou o compasso
Ele indicou pra mim a régua
Ele caminhava sobre a água
Ele tinha o braço mais forte
Pulava mais alto e sorria
E ele estava ali todo dia
E era eu que não dormia
Se ele não estivesse em casa
O tempo passou, não houve apelo
E de alguma forma ele realmente
Me guiou pelas mãos, foi meu modelo
Desde adolescente me ensinou
A pegar cedo no batente
E a viver sempre contente
Indiferente ao que houvesse
Eu tentei seguir seus passos
Queria ser como ele era
E passaram-se muitas primaveras
Mas permaneceu aquele olhar sereno
Mesmo que hoje ele seja pequeno
Perto de mim ele ainda é gigante
E seus exemplos me calam fundo
Pois desde os primeiros instantes
Ele continua sendo
O Maior irmão deste Mundo.
"Quando a alma se despedaça, os seres da criação não se preocupam mais com o corpo."
Edson Ricardo Paiva
Faça agora, enquanto é tempo
Quando escurecer, poderá ser tarde
A vida continua, mas não é contínua
Fale agora, enquanto há tempo
Este Mundo pode parecer concreto
Mas não existe certeza de nada
O escuro manto da noite existe
Escondido, sob o fino véu da madrugada
Hoje há Mundo, há luz, há vida, há tempo
O tempo é um novelo de lã
a cada momento mais desenrolado
Pode ser que amanhã
Não haja nada.
