Poemas Nordestinos

Cerca de 1661 poemas Nordestinos

Um chamado João

João era fabulista?
fabuloso?
fábula?
Sertão místico disparando
no exílio da linguagem comum?
Projetava na gravatinha
a quinta face das coisas,
inenarrável narrada?
Um estranho chamado João
para disfarçar, para farçar
o que não ousamos compreender?
Tinha pastos, buritis plantados
no apartamento?
no peito?
Vegetal ele era ou passarinho
sob a robusta ossatura com pinta
de boi risonho?
Era um teatro
e todos os artistas
no mesmo papel,
ciranda multívoca?
João era tudo?
tudo escondido, florindo
como flor é flor, mesmo não semeada?
Mapa com acidentes
deslizando para fora, falando?
Guardava rios no bolso,
cada qual com a cor de suas águas?
sem misturar, sem conflitar?
E de cada gota redigia nome,
curva, fim,
e no destinado geral
seu fado era saber
para contar sem desnudar
o que não deve ser desnudado
e por isso se veste de véus novos?
Mágico sem apetrechos,
civilmente mágico, apelador
de precípites prodígios acudindo
a chamado geral?
Embaixador do reino
que há por trás dos reinos,
dos poderes, das
supostas fórmulas
de abracadabra, sésamo?
Reino cercado
não de muros, chaves, códigos,
mas o reino-reino?
Por que João sorria
se lhe perguntavam
que mistério é esse?
E propondo desenhos figurava
menos a resposta que
outra questão ao perguntante?
Tinha parte com... (não sei
o nome) ou ele mesmo era
a parte de gente
servindo de ponte
entre o sub e o sobre
que se arcabuzeiam
de antes do princípio,
que se entrelaçam
para melhor guerra,
para maior festa?
Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
de se pegar.

Carlos Drummond de Andrade
Correio da Manhã, 22 nov. 1967 (homenagem póstuma a João Guimarães Rosa).
Inserida por marcosarmuzel

⁠O CANTO DO SABIÁ

No silêncio do sertão
É o lugar do sabiá
Logo cedo de manhã
Ele vem cantarolar
À tardinha, vem de novo
Se exibindo para o povo
Com o seu assobiar

Veio o homem, bicho mal
Pra tentar lhe aprisionar
Preparou uma armadilha
Querendo lhe engaiolar
Mas o pássaro escapou
Bateu asas e voou
Foi rezar noutro lugar

Inserida por RomuloBourbon

⁠Soneto do cerrado abafado

Quem ateou este sedento chão do sertão
Nesta aridez que nunca mais se apaga?
E para que o planalto com está sua saga
De severo tempo, de sede, de sequidão?
Quem pintou em tom de cinza, desolação
Sentido na toada, de tonalidades pesadas
Num pôr do sol no horizonte vermelhadas
Amarrotando a vereda em ardida vastidão

E, o vento abrasado, e a vegetação aflita
Sol a pino, nuvens no céu que desbotou
Aquentando o verso com cálida pulsação
Quanto calor, e o craquelado na escrita
Um empoeirado que da terra desgarrou
Abafando o cerrado com agre sensação.

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
22 setembro, 2023, 12’12” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Ah Dr. Cuma me dói
Arrescordá meu passado
Meu sertão de chão rachado
Pela seca arrinitente
Fica tudo diferente
No tempo da sequidão
É fôia seca no chão
Casa veia abandonada
Vacamorrendo atolada
Na lama do cacimbão

Inserida por Onildo_Barbosa

O SANFONEIRO

A sanfona e o sanfoneiro,
no Nordeste a cantar.
O sertão vai festejar
com forró o ano inteiro,
de janeiro a janeiro.
Solta a voz, meu cantador!
Alivia tua dor!
Com tamanha emoção,
faz lembrar o Gonzagão,
o maior dos forrozeiros!⁠

Inserida por RomuloBourbon


Ar puro e azul celeste
povo forte e verdadeiro
do litoral ao agreste
por esse sertão inteiro
quem vive no nordeste
é rico sem ter dinheiro.

Inserida por GVM

⁠PETROLINA

Petrolina é a cidade
encravada no sertão,
de povo acolhedor,
muito bom anfitrião.
Quem vai lá pra visitar
tem vontade de ficar
e morar na região.

Inserida por RomuloBourbon

⁠Impossível esquecer
os encantos do sertão.
Mesmo saindo de lá,
fica na recordação.
Feito uma tatuagem
gravada no coração.

Inserida por RomuloBourbon

⁠Respeite nosso sertão
não fale mal do oxente
não sabe o valor do chão
quem desconhece a semente
não se cura com opinião
a dor que maltrata a gente.

Inserida por GVM

Guanambi o sertão baiano te acolhe
Como terra de gente nobre
e de deslumbre encantador
Beija-Flor que aos pés de Santo Antônio
Foi criada e adorada por um povo sonhador
A cidade cresceu Guanambi se tornou!
Nome dado pelos indios que aqui morou
A beleza dessa cidade
nunca foi vista por aqui
Salve!Salve!
A nossa querida e belissima Guanambi!

És aqui autores,pintores e escritores...
Banhado pela sabedoria dessa terra!
Teu horizonte é lindo
E teu sol guarda um brilho especial
Teus montes,teus rios
E ate tua seca me encanta
Oh Guanambi tua beleza me espanta!

Beija-flor!Beija-flor!
São os gritos dados por aqui
Teu céu azul nos direciona a ir,
Ir lutar por trabalho,
Ir lutar com amor
Te amaremos sempre
minha querida!
"Beija-fulôr"

Inserida por GabrielaSantos13

Do sol escaldante do sertão,
solo rachado,
terra escura,
nasci à prova que o Deus existe.
pingos de graças,
sorriso no rosto,
forró ao entardecer,
benção antes de dormir,
homem que vivi para cuidar da natureza,
assim é o mundo, o mundo do sertão,
dos homens que sabem que depois que a chuva cai na terra,
é hora, hora de depositar no solo sua esperança,
sua riqueza que alimenta a nação.

Inserida por ReinaldoVasconcelos

Flor do Sertão
Cheiro de Mato
Desejo afago do teu coração
Beijo a solidão
Que voa com o vento
Perdido no tempo
Na melodia da canção

Inserida por emilianopordeus

Uirapuru, uirapuru,
Seresteiro, cantador do meu sertão,
Uirapuru, ô, uirapuru,
Tens no canto as mágoas do meu coração.

A mata inteira, fica muda ao teu cantar,
Tudo se cala, para ouvir tua canção,
Que vai ao céu, numa sentida melodia,
Vai a deus, em forma triste de oração.

Refrão

Se deus ouvisse o que te sai do coração,
Entenderia, que é de dor tua canção,
E dos seus olhos tanto pranto rolaria,
Que daria pra salvar o meu sertão.

Uirapuru, uirapuru,
Seresteiro, cantador do meu sertão,
Uirapuru, ô, uirapuru,
Tens no canto as mágoas do meu coração

Inserida por chachabrasil

Sertão de Sol
De seca, de melodia
Sertão de Lua
De chuva, de alegria
Sertão de rios correndo para o Mar
Sertão do meu coração:
- Sou Made in Parahyba!

Inserida por emilianopordeus

O sertão e o meu corpo

Caminho, sem pressa,
Por uma, longa e tortuosa, estrada.
Meus pés já não suportam a dor,
Os cortes, os calos,
Pois a terra é firme
E meus pés, fracos,
Não resistem a tamanho impacto.

Terra seca, empoeirada,
Vegetação arbustiva,
Árvores espinhentas, sem vida,
Sem água, sem nada,
Mas que apesar da triste arquitetura,
Conserva rústica beleza,
Traz sentimento de compaixão,
Cansaço e ao mesmo tempo, ternura.

De repente as nuvens amontoam- se,
Despejando sobre a terra seca,
Gotas frias, figura grotesca,
Gélida, sombria.
Cada gota açoita minha pele,
São chicotes impiedosos
Que marcas tão profundas,
Hematomas causam à minha pele,
Já que de um ambiente tão seco,
Água tão aguda,
Relva, grama, vida, nada cresce.
Portanto, aos poucos, as escassas flores
Que a fina chuva cresceu,
Vão morrendo, desgastando, fenecendo...

Inserida por dohrds

Da gente simples meio do sertão.
Espere amor, hospitalidade e generosidade
dos filhos deste solo.

Experimente o cuscuz, o leite e o rubacão.
Dance e se diverta em noites
de Santo Antônio, São Pedro e São João.
Tem canjiquinha, milho verde e algodão.

Tem gente festeira, animada, bonita e tem emoção.
Fala mais alto o amor do seu povo por este chão.
Da raiz alagoana a alma brasileira fulgura.
Ao som de Fanfarras, Pássaros e solidão.

No alto das pedras desta terra
a imagem de Deus se Fez revelar.
Que um lugar simples como Ouro Branco
pode-se extrair a alma de poeta em qualquer lugar.

Visite Ouro Branco, visite Alagoas.

Texto de Douglas Melo.

Inserida por douglasmeloideias

⁠O sertão é Conselheiro,
É Vilanova e Pedrão,
Macambira e Vicentão,
Manuel, o Curandeiro.
O sertão é Fogueteiro,
Marciano e Beatinho,
Taramela e “Jaguncinho”,
Tia Benta e Caridade.
O sertão é João Abade,
Pajeú e Timotinho.

Inserida por josegoncalves

O sertão é agricultura
Chamada familiar,
Que abastece cada lar
Com um tanto de fartura.
O sertão se estrutura
Na sua pluralidade,
Onde a criatividade
Tem papel fundamental.
O sertão é genial,
É supimpa de verdade.

Inserida por josegoncalves

⁠O sertão é terra quente,
Quente como a paixão,
Que aquece o coração,
Feito brasa incandescente.
O sertão é sol nascente,
Que sorri a cada dia,
É um facho de poesia
Que dentro do peito inflama
O sertão é uma chama
É o fogo da utopia.

Inserida por josegoncalves

⁠O sertão é acolhida,
É o abraço que se doa,
É o copo de água boa,
É o prato de comida.
O sertão é a própria vida
Em forma de amizade,
É a prática da bondade
Como a coisa mais louvável.
O sertão é inigualável
Em sua generosidade.

Inserida por josegoncalves