Poemas Nao quero dizer Adeus
Meu café.
Um bom dia amanhecido
não é um dia qualquer
é meu dia preferido
quado escuto da mulher
que o cuscuz está servido
e que no bule tem café.
Começo sem fim...
Tenho muito guardado para te dar
Que não foi oferecido a ninguém
Todo o tempo e suas horas a ofertar
Tuas são as especiais e mais além
O que importa a tua história
A minha, no caminho do amor
Se desenhou com ou sem glória
Se sincero é o que tenho a propor
Não tem importância o lugar
Nem distância, se comigo estiver
O que importa é poder te amar
E brilho nos olhos eu poder ver
Te adoro, te desejo, sem limite
Quero mais que um simples sim
Quero mais que frases no convite
Quero ter começo e não ter fim...
Alma do Poeta
Não habita todo o entendimento
Na dor da paixão fragmentada
Apenas parte do sofrimento
Escorre pela carne alvejada
Num complexo ato insano
A esperança vem em porção
Maquiando o olhar profano
Da ilusão cheia de traição
Enquanto aguarda o novo tempo
Reparte o momento em fração
Tentando reciclar o intento
Em alívio, suspiros e emoção
Na poesia não é muito diferente
É a arte manifestando sua meta
Em versos em elos de corrente
Das partículas da alma do poeta
Semente
O tempo não para nos ponteiros
Fecho os olhos e sinto saudade
Ainda ontem eu via os carroceiros
Das ruas da minha capiau mocidade
Aqui inventando um pouco de ilusão
Tanto tenho e quero mais felicidade
Mas sinto falta de quimera no coração
Das madrugadas da vida de sonoridade
Tão inquietas e tão cheias de emoção
E tão bem fazem pra nossa mortalidade
Quero o mar para paliar a minha tristura
Palavras para escrever contentamento
De estes versos tirar esta toda amargura
Pois ainda moço vetusto sou para ter tal sentimento
E se o decesso ainda não veio, quero mais aventura...
Semente de paixão, ter a vida com mais acontecimento.
Horário de verão
Roubada hora
E o tempo não para
Adentra o dia, à noite a fora
Nesta roda vida, que mascara
A madrugada mais cedo
O entardecer que não chora
Embora,
O Relógio já não marque as horas!
Amargura do cerrado
Aqui no centro do cerrado
Onde a chuva não chove
Chora o pó sulcado
Ressecado, onde o verde escorre
Pelo vento que levanta o chão
De sede que a existência morre
E o céu que rubra em explosão
O cinza que por ai colore
O rincão árido de erosão
O caboclo queixa por água
Nas promessas em oração
Das fendas escorregam bágua
Suspirando bafo de sequidão
De queimadas que frágua
A amargura do sertão
Poetado com carvão e mágoa
O estio do cerrado em aflição...
"As memórias com vida própria, ao contrário, não ficam quietas dentro de uma caixa. São como pássaros em voo. Vão para onde querem. E podemos chamá-las que elas não vêm. Só vêm quando querem. Moram em nós, mas não nos pertencem”.
(Trecho de "O velho que acordou o menino" [infância]. São Paulo: Planeta do Brasil, 2005, 14.)
"No asilo que vou construir e que não terá esse nome, haverá quintal, jardins e árvores por todos os lados. As janelas estarão sempre abertas para o vento que vai entrar pelos cômodos, passear pelos cabelos dos idosos, levantar as saias e os chapéus, arejar os corações com o aroma das manhãs… Nada de bingo e orações em excesso. Os idosos da minha comunidade vão pintar sóis ao despertar de cada dia, com os próprios pés, que serão mergulhados em baldes de tinta. O ritual será como um escalda-pés de cores.
Vou ungir os velhos com a minha fé num mundo novo. No meu asilo, que definitivamente não terá esse nome, não permitirei capelas por todos os lados, como se os idosos já estivessem à beira da morte. Nada de missa demais, cânticos de qualquer igreja, com honrosa exceção para o canto gregoriano dos monges beneditinos, pois os idosos precisam de bancos ao ar livre e não de sepulcros”.
do livro "Envelhecer"
“A beleza ainda me emociona muito. Não só a beleza física, mas a beleza natural. Hoje, com quase oitenta e cinco anos, tenho uma visão da natureza muito mais rica do que eu tinha quando era jovem”.
( trecho da última entrevista. in: "O suplemento Idéias", do Jornal do Brasil, de 22 de agosto de 1987.)
Viver
A quem não tem olhos para ver
Inerte é a visão do seu destino
Na ilusão é que tem alegria de viver
Vivo quem arrisca ser peregrino
Só assim a vida vale a pena
Onde o mundo não é pequenino
E o amor o script de uma real cena
Esqueça o que já foi ontem
A torneira aberta já se fechou
Sorriso a infelicidade não contêm
Se apegue a fé que nos apura, amém!
Olhe ao redor a complexidade da natureza
vai além!
Respire o pôr do sol gratuita beleza
nos convém!
De que vale o glória da esperteza
não seja refém!
Um olhar amigo só nós traz grandeza
ainda bem!
É preciso aprender que fomos e seremos
basta saber que não nos pertencemos
e ao caminharmos outros sucederemos
é preciso não esquecer nada, o amor teremos.
Basta ser!
A dor, na maioria das vezes, não é
desnecessária, e sim aquele amigo sincero que informa que algo não vai bem, precisa melhorar. Nesta circunstância a ausência, desta, seria como aquele inimigo, não declarado, bajulador e falso que não nos aponta o problema, tirando a nossa atenção do o mesmo, nos impedindo de soluciona lo.
Tanto a dor física quanto a emocional são resultado e não causa.
A chuva.
Olha a alegria dessa gente
como não se emocionar
se existia alguém descrente
are a terra e vá plantar
porque a chuva é um presente
que só Deus pode ofertar.
E o amor ?
-"Não se preocupe. Não torne essas coisas estrambólicas, nem queira tomar decisões precipitadas somente para tentar fazer ele acontecer, seja paciente, ele virá."
Precisamente, somos postos à desafios, obstáculos, os mais diversos. Vence-los é o prazer do dito final feliz. Você não pode exigir nada de ninguém e ninguém pode exigir nada de você, absolutamente, do amor ao perdão, pois só há amor quando não existe nenhuma autoridade.
Acredite sempre que o melhor está por vir.
duas janelas
abrem, fecham
me olham
mostram o infinito
me deixam amá-las
todos os dias
não só as janelas,
mas a casa inteira.
Não estamos soltos no Universo,
ele faz parte de nós como fazemos parte dele,
razão pela qual o que pensamos, o que dizemos,
o que fazemos... circula em forma de energia e
retorna a nós, inexoravelmente.
Cika Parolin
"Ei, senhor Fuzil
Não somos o inimigo
E eu sei também, Sr.
Que você não é o nosso
Sra. Pistola, veja bem
Não era pra estarmos frente à frente
Nessa dança do poder
Mas, sim, lado a lado
Eu sei, Sr. Bomba
O Sr. só segue suas ordens
Mas somos apenas Flores
Em fase de crescimento
Não somos o inimigo!
Mas temos um em comum, Sr. Fuzil
O inimigo é um Ventríloquo louco
Ele puxa seus membros com fios
E faz o grito dele sair da sua boca
Não seja mais um Fuzil de madeira
Disparando a Violência encomendada
Emborrachada e embalada
Meu caro Sr. Fuzil"
O tesouro
Existe o tesouro
Não vale mais que o ouro
Mas é valioso.
Algo maior que ouro
Não é nada nem tesouro
Somente o Amor e Amizade
