Poemas Lya Luft fim de Semana
O QUE SOBROU DO FIM.
Agenda com anotações, palavras soltas no ar, retratos pendurados na parede, uma corda atrás da porta onde eu pendurava minha rede.
Chegamos ao fim, porque aquilo que realmente você precisava cuidar, você não cuidou, aos poucos foi morrendo até que acabou.
O que restou do fim, se tornou retalhos, dois corações dilacerados que não se encaixam mais com ninguém, voltar não é o certo, e por outro lado não conseguimos mais gostar de ninguém.
O que restou do fim, foram as fotos na parede, elas agora retratam o sorriso de outrora, que não se compara ao sorriso de agora, sobrou para mim, escrever sobre o que restou do fim.
Despedida
Lágrimas pela vida, que tudo pára antes do fim... Por que a vida é sempre breve e passageira, se tudo perde a graça quando ela parte? Lágrimas de tristeza: corações estão em luto; lágrimas de dor e compaixão: perder é o que mais machuca; lágrimas de saudade: que injustiça é não viver! Um sorriso foi ser eterno e um sonho não durou para sempre. Porque alguém não teve tempo para ser feliz, e partiu cedo demais.
Dói lembrar que um dilúvio veio e estragou tudo, que toda a nossa alegria foi levada embora pela correnteza... Que uma nuvem negra escondeu o brilho de todas as nossas estrelas, e que todo o nosso céu ficou escuro. Dói saber que o filme de uma vida inteira pode acabar em alguns segundos, e que o final nem sempre é feliz.
É tão difícil dizer adeus! Pior ainda é não ter a chance de dizê-lo. Ter tantas coisas para falar e já não poder ser ouvido... Apenas um breve instante para pensar em como foi incrível enquanto esteve perto; e a eternidade para lembrar o quanto, porque ela será sempre especial.
O lugar mais fundo é onde todos os sonhos se acabam, onde a tristeza pode afogar-nos em lágrimas: é quando descobrimos o quanto dói perder alguém... E dói demais! Pois o destino nem sempre é justo; e a vida, às vezes, é cruel. Mas precisamos olhar para o céu amanhã... A estrela que mais brilhar será essa pessoa que amamos muito, de volta às nossas vidas. Foi a forma que ela encontrou de ser eterna para a gente.
O Amor de Jesus Cristo
É mui grande para mim
Pois Sua graça me encheu de Amor sem fim
Meu Jesus foi para a Glória
Mas um dia eu O verei
Entoando aleluias ao meu Rei!
Viver Pela Fé é
Crer na Palavra de Deus;
Confiar (até o fim) na Palavra de Deus;
Depender da Palavra;
Obedecer à Palavra de Deus e à Voz do Espírito Santo.
Não podes pensar que este é teu fim
Não é o que Deus planejou
Levante-se do chão, erga um clamor
"Eu bem sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, ainda em minha carne verei a Deus."
Essa declaração extraordinária nem parece que foi feita por um homem que perdeu todos seus recursos materiais e financeiros... Um homem que perdeu todos os filhos em um mesmo dia... Um homem que perdeu sua saúde e conforto até para dormir... Um homem que perdeu toda sua dignidade e respeito que possuia... Um homem, cuja integridade, foi questionada pelo seus melhores amigos... Um homem, cuja esposa, tentou fazê-lo simplesmente desistir de sua fé e de viver.. Um homem de quem não se podia esperar mais nada a não ser ressentimento e revolta e, no entanto, esse homem tinha uma proximidade e uma intimidade tão profunda com Deus e isso mantinha sua confiança inabalável e por ela foi recompensado no final!
Lutarei até o fim
Excessivamente sem desistir
Sei que só não estarei.
Minha fé em prática colocarei.
Com Jesus vencerei.
Depois do fim do mundo, quando ocorrerá o juízo final
Os santos habitarão Angra
E nunca mais agruras, saudades nunca mais;
Era o que propunha tanto deslumbramento
Naquele final de tarde,
Os seios peras de Janice pareciam sustentar o ocaso
Já era tarde demais
E dentro dos seus pesadelos
Pesava o pesar de pesar a dor
Ele comeu a namorada
A mãe da namorada, a irmã mais nova,
A vó andava muito carinhosa
E o seu sogro lhe olhava estranho...
Ele comeu a namorada,
A mãe da namorada,
A irmã mais nova
E a tia lhe dava selinhos...
Já era tarde demais
E sua cabeça fervilhava
E no final de tarde
Quando a tarde doura as nuvens
E pinta róseo o horizonte
Seus desejos de poeta suplanta a filosofia...
Hoje a tia... a tia tinha um ângulo bonito;
Um passado que adivinhava
Um busto encantador,
Uma beleza singular
Que ainda não perecera no tempo,
Seria um bom momento, um condimento...
O que mais se faria em Angra,
Vista paradisíaca, comida afrodisíaca...
Estavam todos tão felizes...
Ele comeu a namorada ,
A mãe da namorada, a cunhada caçula, a tia...
A avó era muito simpática, o sogro meio um ogro
Se bem que olhando direito...
Mentira o amor não existe,
não existe este querer sem limites
este apetite sem fim,
este aceitar que permite mentir assim...
quem imaginou o fim do mundo diferente,
o mundo não deixa de ser mundo
somos nós que deixamos de ser gente...
Hoje deixei meus olhos viajarem pelo mar até a linha do horizonte, fim de tarde no mágico encontro do dia com a noite.
Na realidade foi um momento de introspecção, lembranças e balancete de vida, porém notei que planos e perspectivas ausentes, cadê meu futuro? Pra onde foram meus sonhos?
Bateu então uma tristeza mas, do nada, ganho de uma boa amiga um alegre, saboroso e solidário sorvetinho.
Quando iniciava a degustação chegam, também do nada, duas crianças muito pobres filhos da rua com os olhinhos brilhantes, pedem o meu sorvetinho, ganham e retribuem com um lindo sorriso.
Horas depois enxerguei pela simbologia o recado recebido: sorvetinho a solidariedade; amparo o presente e as crianças meu futuro, pelo sorriso, feliz. Que assim seja!
FIM DE NOVELA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Enviei mil sinais de fumaça e neon,
pra te achar na distância; qualquer dimensão;
meu silêncio rompeu a barreira do som
e gritou à procura do teu sim ou não...
Renovei minhas cores, o meu coração
foi na frente; seu rubro, no mais denso tom,
vasculhou cada treva, invadiu vão a vão;
mastigou frustrações; até fingiu ser bom...
Só achei mais distância, quanto mais subia;
solidão de perder a velha estrela-guia,
esperança teimosa em não ver a verdade...
Acabou a novela deste amor em mim;
é melhor aceitar que se arremate o fim,
se não dás audiência pra minha saudade...
FIM DE NOVELAS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
As novelas perderam todo enredo;
não há drama real nem fantasia;
nada é sério nem tem senso de humor
ou amor; ou mistério; tudo é fútil...
Ver novela é costume de ver algo
e manter olhos fixos na tela,
ser fiel ao cardápio da emissora
por preguiça de sair do canal...
Acabaram-se os dramas convincentes,
os olhares e os gestos verdadeiros,
textos plenos, vertentes criativas...
Não há mais a novela como a vida,
nem a história vestida de magia
que nos leve a sonhar além da trama...
QUEBRANTO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ninguém precisa me derrubar,
porque no fim
sempre acordo e caio em mim...
FOLIA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
No carnaval
deste natal,
na tal folia
do fim de ano,
brinquei de amor,
justiça e bem,
pus fantasia
de ser humano.
DISLEXIA SOCIAL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Muitas vezes o amigo oculto em fim de ano, revelado como alguém especial cujas virtudes sublimam os eventuais defeitos, é exatamente o desafeto suportado no decorrer do ano. Aquele sujeito indesejado, cujos defeitos inaceitáveis enterram as eventuais, escassas e questionáveis virtudes.
Não é uma crítica. É um elogio sincero à insondável capacidade humana de assumir a cor do ambiente, o ritmo da música e a filosofia da ocasião. Saber exatamente onde ganha, perde ou empata o que tem para investir no campo das relações humanas, muitas vezes com vistas a um futuro bem próximo.
Mais do que um elogio, é uma inveja de quem nasceu aleijado neste aspecto. Sem esse dom natural e obrigatório à sobrevivência de seres sociais. Alguém que tentou, fez o curso, mas nunca teve sucesso nas provas de única escolha que o mundo aplica nessas horas cruciais.
QUEM É VOCÊ?
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Venho e trago todo afeto;
calor humano sem fim;
você olha para o teto,
ao invés de olhar pra mim...
Outro dia tenho a sorte
de apesar do meu temor,
encontrá-la em outro porte;
até com senso de humor...
Quando penso que já sei
que você é mesmo duas,
subestimo a própria lei
do planeta; o céu; as luas...
Você enche, míngua, cresce,
se renova com vertigem,
esquenta, gela, incandesce,
é cerrado e mata virgem...
Cansei de passos no escuro;
nos vãos de sua maré;
agora só lhe procuro
ao saber quem você é...
INÍCIO NO FIM
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Quando fores a dona das próprias vontades,
tua voz não tiver que soar por um fio,
se não for mais pecado me olhares de frente
ou não for desafio enfrentares meus meus olhos...
A partir do momento em que fores quem és,
mesmo quando quem sou desconserte o teu senso,
teu incenso e teu véu de proteção velada
entre sombra e silêncio; rituais de fuga...
Nesse dia em que achares o tom da canção
para toda menção que a tu´alma fizer
de querer algo mais do que o meu mais ou menos...
Só aí me procures - ou fiques notória;
saberei desbravar os desertos de volta
e compor uma história que nasça do fim...
