Poemas Góticos de Amor

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Há lembranças que não vão embora.


Elas ficam na música,
na rua,
no silêncio entre uma mensagem e outra.


Algumas ausências ocupam mais espaço
do que muitas presenças.


Mas a vida continua.


O rio segue seu curso,
o vento atravessa as estações,
e o tempo não pede permissão.


Talvez a coragem não esteja em esquecer.


Talvez esteja em seguir em frente,
carregando as memórias
sem permitir que elas carreguem você.






Lucci Santz

As marcas.


Nem todas estão na pele.
Algumas ficam na memória, no silêncio depois de uma despedida, na palavra que não foi dita, na promessa que não foi cumprida.
Existem marcas que o tempo apaga e existem aquelas que o tempo apenas ensina a carregar.
Há pessoas que passam por nossa vida como uma brisa e outras que deixam cicatrizes profundas, não porque foram más, mas porque foram importantes.
As marcas contam histórias. Falam das quedas que sobrevivemos, das batalhas que vencemos e também daquelas que perdemos.
No fim, ninguém sai da vida intacto. Somos feitos de lembranças, feridas, aprendizados e recomeços.
E talvez a maior beleza não esteja em não ter marcas, mas em continuar seguindo em frente apesar delas. Afinal, até as árvores mais fortes carregam em seus troncos os sinais das tempestades que enfrentaram. 🌿✨

Deus

Chamam-Te de silêncio,
mas és o rumor que sustenta as estrelas.

Chamam-Te de invisível,
mas Te revelas no abraço que consola,
na lágrima que purifica,
na esperança que insiste em nascer quando tudo parece perdido.

Não cabes em templos,
nem em livros,
nem em palavras.
Ainda assim,
cada coração sincero tenta construir uma morada para Ti.

És a pergunta que atravessa os séculos
e a resposta que cada alma descobre de um jeito diferente.

Quando a noite pesa,
és a chama discreta que se recusa a apagar.
Quando o orgulho cai,
és a mão que levanta sem exigir explicações.

Talvez o maior milagre
não seja mover montanhas,
mas transformar um coração endurecido
em terra fértil para o amor.

Se existo,
é porque um sopro me chamou pelo nome.

Se caminho,
é porque Tua luz,
mesmo distante aos meus olhos,
nunca deixou de encontrar o meu caminho.

E quando todas as vozes do mundo se calarem,
restará apenas o eterno,
onde o amor terá, enfim,
o verdadeiro nome:
Deus.

Preocupação

A preocupação bate à porta, sem pedir permissão,
faz morada no silêncio e aperta o coração.
Inventa tempestades antes mesmo de chover,
faz a alma se perder sem nada acontecer.

Mas a vida é sábia e ensina, mesmo na escuridão,
que nem todo pensamento merece atenção.
Respira, segue em frente, sem medo da direção,
pois a esperança floresce onde existe o coração.

Eu me refaço em silêncio todos os dias.

Enquanto o mundo acredita que nada mudou, por dentro eu reconstruo ruínas, recolho pedaços, costuro feridas e reaprendo a existir.

Meu coração grita em um barulho sem voz.

Ninguém ouve, porque nem toda dor faz som. Algumas apenas ecoam dentro da alma, transformando quem somos antes mesmo que a gente perceba.

E, ainda assim, eu continuo.

Porque sobreviver também é uma forma de renascer. E há batalhas que são vencidas sem aplausos, apenas com a coragem de acordar e recomeçar mais uma vez.

Às vezes, um atraso vira tempestade.
Um silêncio pesa como despedida.
E um abraço, por menor que seja, tem força para reorganizar o mundo.

Há quem chame isso de exagero.
Eu chamo de sentir sem pele.

Porque alguns corações vivem entre o medo do abandono e a coragem de amar por inteiro. Caem, levantam, quebram, recomeçam... e seguem procurando um lugar onde finalmente possam descansar sem precisar duvidar que alguém ficará.

Talvez a palavra nunca tenha sido "demais".
Talvez sempre tenha sido apenas intenso.

Às vezes o silêncio de alguém desperta pensamentos que nem sempre pertencem ao presente. A mente procura respostas onde talvez só exista um momento, uma escolha, uma noite comum.

Aprender a amar também é aprender a não prender. É entender que quem caminha ao nosso lado precisa ter espaço para respirar, viver, rir e voltar por vontade própria.

No fundo, algumas tempestades nascem apenas dentro de nós, e cabe ao coração lembrar que confiança também é uma forma de carinho.

Quando o Silêncio Aprendeu Meu Nome


A casa continuava inteira.
Era eu quem faltava nos cômodos.
Meu corpo atravessava o corredor, mas a alma insistia em permanecer na maçaneta da última porta que nunca tive coragem de abrir.
Descobri tarde que o silêncio não nasce da ausência de vozes.
Ele nasce quando nenhuma palavra aceita morar na boca.
Há dias em que converso com as janelas.
Elas entendem o idioma das pessoas que olham para longe porque perto demais também machuca.
Não espero mais respostas.
Coleciono perguntas como quem guarda sementes sem saber se ainda existe primavera.
E, curiosamente,
foi depois de perder quase tudo
que descobri
que algumas ruínas também sabem florescer.




_Lucci Santz

O que não me serve, não me cabe

Cansei de dar palco
pra quem só fazia silêncio.
Cansei de regar chão seco
e chamar de jardim.

Não dou mais valor
pra o que não tem valor.
Não empresto mais minha paz
pra quem vive em guerra comigo.

Vou crescer.
Vou mudar.
E se doer, que doa.
Mas que seja a dor de quem está nascendo de novo.

Deixo no passado
o que não me acrescenta.
As palavras tortas,
as meias verdades,
o peso que não era meu.

E se acham que estão me derrubando,
que pensem.
Porque eu já entendi:
opinião alheia não paga meu aluguel,
não cura minha ferida
e não constrói meu futuro.

A partir de hoje eu escolho leveza.
Escolho quem me soma.
Escolho eu.

E quem não entendeu,
ficou pra trás.

⁠"Refém de Mim"

É madrugada e o silêncio grita,
me aperta, sufoca, me limita.
A cama parece um campo de guerra,
onde o travesseiro é refém da minha tristeza.

Me perco nos olhos que não estão,
no amor que finge que foi ilusão.
Mas eu sei... no fundo eu sei,
que amar não é erro, mesmo se eu calei.

O telefone não toca, ninguém vem,
o peito pesa, ninguém me mantém.
Meu avô luta, minha vó se perdeu,
minha mãe se apoia no que restou... eu.

E o emprego, e a vida, e as contas, e o mundo...
Tudo pesa num segundo.
Queria sumir, ser fumaça, desaparecer,
mas, mesmo querendo, não sei nem como fazer.

Tem dias que penso em ferir minha pele,
como se ela pudesse gritar o que minha alma não consegue.
Mas no fundo, lá no mais fundo,
eu só queria um abraço, um colo, um refúgio seguro desse mundo.

Se poesia é pra curar, que ela me cure,
se é pra salvar, que ela segure.
Que cada palavra seja um sopro de vida,
que me lembre que apesar da dor...
eu ainda respiro. Eu ainda existo.
E talvez... só talvez... isso já seja um sinal de que ainda há caminho,
de que não acabou, e que eu não tô sozinho.

No início, nada parecia fazer sentido. As paredes respiravam silêncio, as janelas guardavam ventos antigos e o chão, sem pressa, recolhia sombras como quem cole uma memória perdida. Havia um rumor sem origem, um eco suspenso, e no centro desse estranho equilíbrio caminhava o tempo, o Cronos, com seus pés invisíveis, costurando instantes sobre a carne do mundo.
Tudo era confuso apenas para os olhos apressados. Porque o caos, quando visto de perto, parece ruína; mas, quando atravessado pela alma, revela desenho. O Cronos não destruía: lapidava. Tirava nomes, mudava formas, envelhecia certezas, para que o essencial pudesse emergir sem ornamento. Era ele quem partia as horas para que delas nascessem sentido, saudade, retorno e transformação.
Então compreendi que o início não era ausência de lógica, mas excesso de mistério. Nada parecia encaixar porque tudo estava vivo demais, pulsando antes da forma. E o maior sentido estava justamente nisso: no invisível alinhamento entre perda e descoberta, entre demora e revelação, entre o que termina em nós e o que, pelo tempo, finalmente começa. Como rio secreto, Cronos sorria no escuro, sabendo que cada desencontro também era destino antigo.

Há momentos em que o silêncio entra na vida como quem não quer nada, mas, pouco a pouco, ocupa todos os espaços. Ele se senta entre duas pessoas, paira sobre uma lembrança, repousa no canto de um quarto vazio e, sem dizer uma sílaba, revela o que nenhuma palavra consegue alcançar. O silêncio também fala, e muitas vezes fala com verdade do que qualquer discurso.
Ele se manifesta no olhar cansado de quem pede ajuda sem coragem de pedir, na pausa de quem guarda um sofrimento antigo, no abraço que dispensa explicações. Há silêncios que são muralhas, erguidas para proteger feridas. Outros são pontes, construídas com afeto, compreensão e presença. Em ambos, existe linguagem.
Ser humano aprender a escutar o que não foi dito. Nem todo silêncio é ausência; às vezes, é excesso. Excesso de dor, de amor, de medo, de saudade. Por isso, ouvir alguém vai além de prestar atenção às palavras: exige sensibilidade para perceber o que a alma sussurra quando a boca se cala. E talvez seja nesse espaço invisível que nascem as verdades profundas.

Você se sente amada
quando o silêncio não pesa e a presença fala mais alto que promessas?

Você se sente protegida quando o mundo endurece e há um peito firme onde o medo some e você pode descansar?

Você se sente cuidada
nos detalhes invisíveis,
no olhar atento, na palavra que conforta, nos braços que acolhem e na mão que permanece mesmo cansada?

Amor não é só intensidade, é constância.
Não é só desejo, é abrigo.

Amor é ficar quando seria mais fácil desistir.
É escolher todos os dias, mesmo conhecendo falhas, limites e cicatrizes.

Porque quem ama de verdade não apenas diz: "eu te amo"
prova, sustenta e nunca solta a mão.

Algumas pessoas não perguntam porque são covardes e têm medo da verdade..
Preferem o silêncio porque sabem que a resposta pode destruir a fantasia que sustentam.


Outras não perguntam porque são trouxas e acham que já conhecem a verdade.
Confundem amor com posse e confiança com certeza absoluta.

⁠Nem todos recebem o caminho pronto.
Alguns constroem passo a passo, com esforço, silêncio e esperança.
Cada trajetória respeita seu próprio ritmo.
Não abandone aquilo que faz seu coração insistir.
O tempo revela o valor de quem permanece fiel ao que planta.

Às vezes, a gente aprende no silêncio do que não aconteceu.
No intervalo entre o querer e o desistir, mora um tipo de verdade que ninguém ensina,
só se sente.


Tem coisas que não florescem, não por falta de cuidado,
mas porque não eram raízes para o nosso chão.


E tudo bem.


Nem tudo que chega é para ficar,
e nem tudo que vai leva embora o que fomos.
Há partidas que devolvem a gente para si.


No fim, a vida não é sobre segurar tudo,
mas sobre reconhecer o que merece ser permanência dentro da gente.

A mais elevada e bela oração é a oração sem desejos, a escuta que adentra o silêncio divino.



(Byung-Chul Han)

Sinfonia do Silêncio


Ah... o café desperta primeiro que o dia.


Seu aroma percorre a casa
como se conhecesse cada lembrança
que ainda mora em mim.


A madrugada continua acordada.
A chuva escreve no telhado
aquilo que o mundo nunca aprenderá a dizer.
Cada gota toca o chão
com a delicadeza de quem sabe
que até o silêncio tem som.


Há uma música baixa.
Ou talvez seja apenas a chuva
inventando notas
que nenhum instrumento alcança.


E eu...
permaneço aqui.


Com os pensamentos soltos,
não porque estejam perdidos,
mas porque algumas verdades
não suportam ser aprisionadas.


Escrevo.


Não para que me leiam,
mas para que minha alma
não se esqueça de quem é.
Há quem faça barulho para existir.
Eu aprendi a existir no silêncio.


Foi nele que encontrei respostas,
que reconheci partidas necessárias,
que compreendi que algumas presenças
só sabiam permanecer
enquanto lhes era conveniente.


Hoje já não me entristece.


Assim como a chuva não pede licença para cair,
também aprendi
que a vida não pede permissão
para ensinar.


O café esfria.
A chuva continua.
A música permanece.


E eu sigo escrevendo.
Porque existem madrugadas
em que Deus não responde com palavras.


Responde com o perfume do café,
com a chuva lavando os excessos da alma,
com o silêncio que fortalece,
e com a serenidade de quem já não precisa provar quem é.


Há uma paz que só encontra
quem teve coragem de caminhar sozinho.
E, desde então,
cada página que escrevo
não é apenas tinta sobre papel.


É a minha própria alma
aprendendo a florescer
mesmo nos dias de chuva.
Sendo assim, sigo na silenciosa sinfonia.

Você é o silêncio,
o silêncio que eu insisto em preencher,
A vírgula esquecida em tudo o que eu quis dizer.
É estranho como quem nada me entrega,
acaba sendo o meu lugar de descanso.
Você não se vê nos livros que sublinhei,
nem ouve seu nome nas canções que decorei.
Não que você seja o centro do universo,
mas, quando se trata de você, tudo foi sentido ao extremo,
tornando-se assim a minha maior fonte de inspiração.
Obrigado por ser, mesmo sem pretender,
A beleza do que eu não pude ter.

Que chegue no silêncio...
e sufoca o instante,
para deixar a saudade na saudade e embriagar o instante...
Não sou aquilo que não quero,
nem a dose do seu desejo
Sou o instante que venero na vontade que anseio.