“O Encontro dos Oceanos” Há dois... G.C Falho
“O Encontro dos Oceanos”
Há dois mares dentro de ti, —
um de fogo, outro de silêncio.
Ambos azuis, ambos infinitos,
mas quando se tocam,
o mundo se parte em correntezas.
O primeiro, o da superfície,
fala com voz firme, veste poder,
seduz o destino com olhos de aço.
Ele construiu castelos de controle,
para que ninguém visse o menino cansado
que só queria descansar dentro de um abraço.
O outro, o que mora no fundo,
carrega lembranças em forma de cinza.
É o mar que sabe o nome da dor,
e ainda assim sussurra esperança.
Nele vive o homem que ama,
que sonha com paz, com o simples,
com o toque que não cobra,
com o olhar que o reconhece.
Quando esses mares se encontram,
ninguém vê a linha —
só sente o peso da mistura.
É o ponto onde o guerreiro
larga a espada e encontra o espelho,
onde a pantera entende
que também nasceu pra deitar na sombra,
onde Te Ka
lembra que já foi Te Fiti.
E nesse instante,
entre o rugido e o suspiro,
surge o homem real —
feito de cinza e de luz,
de amor e de abismo.
Ele não quer mais provar nada.
Quer apenas existir
sem precisar de plateia.
Quer sentir, sem precisar se esconder.
Porque agora ele entende:
a força que o move
não é o ferro,
é o coração queimando
por ainda querer ser inteiro.
