Poemas Góticos de Amor
Tributo ao Meu Pai: Lembranças de uma Rotina Perdida
Eu sinto falta do meu pai.
Sinto falta das manhãs descontraídas
Dos churrascos e almoços de domingo
Das conversas sobre geopolítica pós-aula
Dos momentos que passávamos juntos
Das viagens que me proporcionaram boas e velhas memórias
Do caloroso e forte abraço do Dia dos Pais
Das lições sábias que aprendia com o senhor
Do conhecimento que compartilhávamos juntos
Eu sinto falta da minha velha rotina
Da minha velha rotina que não volta mais!
Aquela rotina da qual eu costumava ser feliz
E que hoje só perdura na minha memória,
Nas profundezas do meu coração,
Em minhas vísceras,que alimentam o falso sentimento de que algum dia eu possa ser feliz de novo
Será que algum dia alguém poderá me amar e me cuidar do jeito que o senhor fazia?
Não sei!
Só sei que sinto sua falta!
E que estás marcado em cada lembrança que rege minha vida…
COBRANÇA
devia ter vivido mais
ter feito realmente tudo que eu queria fazer
ter comido tudo aquilo que não comi
ter bebido tudo que não bebi
ter chutado tudo pra cima
viajado e curtido a vida
sem me preocupar com o dia de amanhã
que já é hoje
extravasado todos os desejos juvenis
que ficaram reprimidos por acreditar que assim
minha idade madura seria saudável
que curtiria minha velhice
não fiz não comi não fui não curti
e tudo se foi
o tempo passou a idade pesou
com ela todos os problemas
que vem atrelados aos seus dias somatórios
agora se apresentam
se tivesse feito talvez nem estivesse aqui
não o fiz e o resultado não foi dos melhores
a química foi ruim genética problemática
não preciso de fatores externos para me ferrar
a natureza já se encarregou disso
se tivesse feito seria alvo de criticas
todos me diriam que tudo que me cabe
foi culpa minha que eu gerei todos os problemas que tenho
e satisfatoriamente eu responderia
eu mereci,MAS EU VIVI
Sem emoções
O fundamental de duas figuras antagônicas, o soldado e o médico, equilíbrio emocional, soldado para tirar uma vida e o médico para salvar uma vida, sem o prejuízo do caos do momento.
Pena, como um fio de navalha, corta-me o peito,
Palavras como punhais, cravam-se no meu leito.
Não me lamente, não! Para mim, sua dó é vã,
Reserve suas lágrimas para o sofrimento alheio, para a dor que nunca sã.
Dizem que sou feliz, mas é uma farsa sem fim,
Em meu coração, um abismo, um grito sem fim.
Solidão é minha única amiga, minha sina, meu fado,
Seu olhar de compaixão é uma ferida, um fardo desgraçado.
Óh, Pai dos céus, óh, Deus que não responde,
Por que este jogo? Este tormento que me esconde?
Piedade, suplico, em prantos me desfaço,
Minha mente é uma prisão, onde me enlaço, onde me embaraço!
Invisível, me tornei, um eco sem voz,
Ignorado, esquecido, em um mundo atroz.
E agora me pergunto, no vazio e na amargura,
Será que a pena que recusei poderia trazer ternura?
Não sei, não sei, a dúvida me consome,
Mas sei que neste deserto, não há consolo, nem nome.
Assim, no silêncio, na solidão eterna,
Eu me desfaço, sou nada, uma alma frágil e terna.
Talvez estejamos apenas obcecados pelos prazeres
que alcançamos, pelas fantasias e memórias
que criamos e não pelos estímulos que realmente precisamos.
Uma relação perene
carecedo entendimento
do que é liberdade,
do sacrifício de alguns
víciosde comportamento,
em prol do respeito,
da permuta
e da reciprocidade.
Pois é
já tive monaretta
sou do tempo que briga era treta
já fui em mattineê
já fui jovem como você
andava de Barra Forte
cruzava a cidade de sul à norte
joguei pelada
brinquei na enxurrada
andava descalço
brincava no mato
já tive pintinho e
porquinho da índia
já almocei na vizinha
roubava fruta
laranja manga
nunca usei drogas
sou de uma época
que isso era prosa
colhi mamona
vendi jornal
não fui engraxate
mas fiz todo tipo de mascate
sou orgulhoso
não me envergonho de nada
a vida não era fácil
era um empreendimento da pesada
já usei boca-sino
já fui menino
não fui coroinha algum dia quem sabe
mas minha mãe queria
que um dia eu fosse padre.
Encontrar um homem
ou uma mulher de valor
é tão fácil quanto lançar
uma pedra num rio
e buscá-la de volta.
Orgulhe-se de si mesma,
você sabe a sua trajetória,
os obstáculos que ultrapassou e,
de como colocou em prática
o que ouviu na infância:
"engole o choro e se vire!"
Você é única e insuperável
e não importa
a opinião contrária.
O momento se lembra... Ele prediz a cova.
Necessito apenas sua confirmação.
Não precisava de ti para derramar meu velho sangue.
É fácil se encantar
pela aparência jovem e bela
e, pelo corpo, aparentemente,
perfeito. Difícil é enxergar
o outro como é, o seu
modo de agir, a sua conduta
e o seu jeito de ser.
Algumas pessoas
não querem muito:
apenas que as ouçam
com atenção,
que complete
as suas frases
eentendam
o seu silêncio.
No mundo dos sonhos, estou acordado
No mundo dos vivos, estou morto
morto de cansaço, fadigado, sobrecarregado
Morto-Vivo de tanto saber
de tampouco viver, de ser, de morrer
Penso, logo existo
Existo, mas deixei de pensar
Pensar na dor, no amor
Pensar no suave toque
forte da morte
Não se questiona se as borboletas são exageradamente belas,
nem se elas se expõem,
apesar da aparente fragilidade, cabe apenas admirá-las,
à distância.
Hoje sou outono,
quarenta e oito vezes.
Há em mim o peso das folhas,
mas também a promessa das raízes
que nunca deixaram de se agarrar à terra.
Não conto os anos,
conto os abraços,
as vozes dos amigos que resistem
como rochedos ao vento.
A família,
são os rios onde mergulho o coração,
sempre frescos, sempre certos,
a correr pela alma
como um alívio antigo.
Olho o horizonte e há luz,
mesmo que o inverno venha,
há calor guardado nas mãos,
como sementes que esperam a hora certa.
Sigo em frente, confiante,
porque cada estação traz consigo
a promessa de um recomeço.
Agradeço a todos que se lembram de mim
neste dia simples,
e aos que partiram,
carrego-os comigo,
como sombras que dançam ao sol,
um eco de memórias que nunca se apaga.
