Poemas Góticos
Quando voltaste
(Eliza Yaman)
Voltaste como quem jamais partira,
com o silêncio de quem sempre ficou.
Teu olhar não pediu, não fez mentira,
mas me tocou no ponto onde doeu.
E eu, que era pedra, fui terra fértil,
e tu, que eras sombra, viraste luz.
Nosso amor renasceu sem ser inútil,
como o milagre que ninguém traduz.
A saudade me visita quando você me deixa para depois...
E eu me perco em meio ao silêncio da espera,
como quem caminha sem norte,
buscando no vento um sinal de você.
É nesse vazio suspenso que descubro
o quanto sua presença me é respiro,
e o quanto me falta quando não está.
Pensador do UOL
No silêncio que a tela guarda,
uma palavra ousa nascer,
pequena chama que arde,
na mente pronta a escrever.
Pensar é abrir clareiras,
num mundo turvo, sem chão,
é fazer das ideias bandeiras,
na luta serena da razão.
Entre versos, dúvidas, ecos,
o pensamento se faz farol,
guiando os olhos perplexos,
do leitor que busca o sol.
Não há pressa, nem vaidade,
apenas o sopro essencial:
refletir é semear verdades
no campo vasto e digital.
Te deixei partir, mesmo amando em silêncio,
pois teu futuro pedia outros braços.
Engoli o orgulho, rompi meus laços,
pra que encontrasses no mundo o que mereces.
Fiquei com a dor, com o vazio no peito,
mas te libertei mesmo sendo a pior coisa a ser feito. -Pax Animae
Ecos do deserto
No silêncio que engole a madrugada,
Sento-me ante o vazio das palavras,
Cada letra, um eco de minha nada,
Cada verso, uma sombra que não se lavra.
O vento atravessa minha mente seca,
Rasga lembranças, assombra memórias,
E cada rima que em vão se mece,
É um espectro a percorrer meus labirintos sombrios.
A pena treme, temendo a reprovação,
Do poeta que habita meu próprio peito;
Seus olhos de carvão queimam a criação,
Transformam sonho em pó, e esperança em leito.
Oh, tormento de moldar o intangível,
De buscar a luz no deserto da mente!
A inspiração foge, cruel e incrível,
E a dor do não-criado é eternamente presente.
Assim navego, entre dor e vazio,
Escravo do eco de minhas próprias exigências;
Cada linha que nasce é um desafio frio,
Cada verso, um lamento de minhas inconsistências.
E se um dia a poesia me libertar,
Que seja na aridez que aprendi a sofrer;
Pois só quem se perde no próprio olhar
Sabe a dor de escrever e jamais se ver.
Vi você partir,
e o mundo desabou em silêncio.
Cada passo seu afastando-se
era uma lâmina no meu peito,
cada suspiro deixado para trás
uma dor que se instalava devagar.
E mesmo sem você,
aprendi a caminhar sozinho,
com a memória do que vivemos
como guia na estrada do que virá.
K.B
Você se foi,
e o silêncio se tornou mais pesado que o mundo.
Os olhos tentavam segurar o que já se ia,
as mãos, impotentes, deixavam escapar o que amavam.
Ficou o eco das palavras não ditas,
e eu, sozinho, aprendendo que despedida
é carregar a ausência e ainda seguir.
K.B
Ressonância
Não sei por que te amo, o seu nome. O nome é um som Tu és o silêncio que vem depois. É uma pergunta que se faz ao escuro, e o escuro, em vez de responder, acende uma lâmpada quente no peito.
Amo-te como se ama o mistério de uma porta entreaberta. Amo-te com a força de uma coisa que não precisa de nome para ser. É um amor anterior à palavra, um animal quieto e vasto que dorme no centro de mim.
É inenarrável. Como narrar o sabor da água? Como descrever o peso da luz na tarde? Tento pegar esse sentimento com as mãos, mas ele escorre por entre os dedos, líquido e vivo. É um pulsar contínuo, um sim primordial que meu corpo diz sem minha permissão.
Minha força de meu amor não é um furacão. É a gravidade: invisível, inevitável, sustentando os mundos em seus lugares. Sustentando-me em teu eixo.
Não te amo por razão. Te amo por ser. Como se respira. É um estado de graça involuntário, um acidente belo e necessário da vida que se torna maravilhosa.
Seu nome. O nome é um som.Tu és a ressonância e eu apenas o reverberar...
Persigo as estrelas em vão
Busco poesia no silêncio da meditação
Só tenho você entre minhas mãos
Me coloco como coadjuvante,
Mas na verdade, sou fiel — protagonista da emoção
Um coração amante, com o seu amor distante,
Numa escuridão de noite, silêncio da madrugada,
Um coração abrasante, ferve uma alma apaixonada,
Eu queria ter asa de pássaro para eu voar na imensidão,
Encontrar a minha doce amada e viver nossa eterna paixão.
Boa noite, Ouro Branco, cidade serena,
teu silêncio é canto, tua paz é plena.
Nas ruas tranquilas, o vento passeia,
a lua acarinha cada centelha.
As luzes brilham feito estrelas no chão,
refletindo sonhos, carinho e união.
Que o descanso venha suave e profundo,
renovando as forças pra encarar o mundo.
Que cada morador encontre sossego,
na noite macia que traz aconchego.
Boa noite, Ouro Branco, jóia reluzente,
teu nome já guarda um brilho presente.
Sua luz, distante e pura, em meu céu,
Um farol que guia meu silêncio, meu véu.
Não ousarei chegar perto, nem tocar seu chão,
Pois a beleza que admiro não é para minha mão.
Você sorri, e o mundo inteiro se ilumina,
Em meu peito, uma flor que não se inclina.
Sou apenas uma sombra, na esquina da vida,
Amando uma estrela que nunca será atingida.
Eu a vejo passar, e o tempo para,
Seu perfume, a brisa suave que me abraça.
E em cada olhar que não é para mim,
Planto um amor que nunca terá um fim.
Não desejo a posse, não quero ser seu par,
Apenas a sorte de, de longe, poder amar.
Você é a poesia que nunca escreverei,
O sonho bonito que sempre sonharei.
Buracos no Silêncio
(Homenagem a Tanaru — o Índio do Buraco
Verso 1
No ventre da selva, onde o vento é rei
Um homem caminha sem ninguém na lei
Tem buracos na terra e um sol na mão
E um povo perdido na escuridão
Verso 2
Ele fala com as folhas, conversa com o chão
O rio responde na mesma canção
Cada passo que dá é um livro fechado
Cada noite que vem é um sonho enterrado
Refrão
Oh, Tanaru, ninguém te viu partir
Mas a floresta ainda sabe ouvir
O som do arco, a sombra no mato
O tempo passando num passo exato
Verso 3
As estrelas vigiam, mas não dizem por quê
A lua lhe mostra o que o mundo não vê
E a terra é o templo, e o templo é você
Guardando segredos que não vão morrer
Ponte
Um dia os homens virão, sem saber do lugar
Vão pisar no silêncio sem se perguntar
Quem era o último a dançar com o vento
E a deixar seu nome no esquecimento
Refrão final
Oh, Tanaru, teu rastro ficou
Na veia da selva que nunca secou
E enquanto houver folha caindo no chão
Teu canto ressoa na mesma canção
Na solitude do olhar,
aos prantos do silêncio,
no sentimento de amar,
a cair no esquecimento.
Na alegria de expressar,
com a doçura do momento,
retorno a enxergar
a maravilha do tempo.
Arquitetura de um Amor que Nunca Existiu
A dor nasce onde o silêncio é mais profundo
não como um grito, mas como um eco que nunca encontra paredes
e se espalha pelo corpo como uma febre que não arde
mas consome
um amor que nunca existiu
e ainda assim
me afoga.
No espaço vazio entre dois olhares que nunca se cruzaram
existe um universo colapsado em si mesmo
um peso invisível que prende os pulmões
e torna cada respiração um ato de resistência
eu bebo a ausência como quem bebe veneno
sabendo que é a única água que resta
e o gosto é de eternidade amarga.
A solidão é um animal faminto que dorme ao meu lado
sonha com pedaços do que sou
e acorda todos os dias para me devorar um pouco mais
há noites em que o teto é um céu sem estrelas
e mesmo assim olho para cima
como se pudesse ver teu rosto nas sombras
como se o impossível fosse apenas uma questão de fé
como se amar fosse um crime que escolhi cometer.
E quando penso que a dor não pode mais crescer
ela encontra um novo nome para si
e o chama de saudade do que nunca foi
saudade que constrói ruínas no meu peito
ruínas que cortam os pés de quem tenta atravessá-las
ruínas que ainda ardem como se o incêndio fosse ontem
e que me obrigam a morar no meio dos escombros.
O tempo passa e não traz alívio
apenas organiza a dor em camadas
cada lembrança inventada repousa sobre outra
como tijolos de uma casa que nunca existiu
e mesmo assim é minha morada
um abrigo de vento e sombra
onde minha pele é mapa
e cada veia um caminho que leva de volta à falta.
Há dias em que não sei se amo a ausência ou o que ela representa
se é você ou a ideia de você que me mantém vivo
porque até o vazio tem forma quando se insiste nele
até o nada pode ser abraçado se a noite for longa o bastante
e na arquitetura desse amor inexistente
sou ao mesmo tempo construtor e ruína
prisioneiro e guardião
morto e sobrevivente.
MEMENTO MORI 2
No silêncio da noite, a lua observa, Cada suspiro, cada sonho que se reserva. O tempo, um rio que nunca cessa, Leva consigo memórias, em sua pressa.
Pensamos que a vida é um caminho linear, Mas é um labirinto, cheio de mistérios a desvendar. Cada passo, uma escolha, um destino a traçar, E a sombra da morte, sempre a nos lembrar.
“Memento mori”, ecoa no vento, Um sussurro antigo, um sábio lamento. Não é só um aviso da finitude, Mas um convite à plenitude.
Esqueça o medo, abrace o agora, Pois é no presente que a vida aflora. O passado é um eco, uma sombra distante, E o futuro, um sonho, uma promessa vibrante.
Roberval Pedro Culpi
Contrastes
Posso ser menina que sonha,
posso ser mulher que provoca,
posso ser silêncio que afunda.
E todos olham,
mas poucos ficam.
É fácil aplaudir minha luz,
difícil suportar minha noite.
Sou feita de extremos:
do riso que explode
ao choro que devasta.
Se isso é defeito,
é também meu feitiço.
Sou um paradoxo vivo,
uma contradição que respira.
Entre o abraço e a despedida,
o amor ensina a coragem,
a dor ensina a verdade.
E no silêncio do coração, ambos coexistem.
K.B
No silêncio da alma, um chamado a ressoar,
Chama Gêmea, caminho de amor a iluminar,
Entre mistérios e luz, vamos juntos explorar,
E na jornada do espírito, nosso destino encontrar.
Do profundo do coração, surge a conexão,
Transcendendo fronteiras, unindo a paixão,
E na busca eterna pela nossa evolução,
Descobrimos a essência, a pura vibração.
Este livro é convite, ponte de esperança,
Para despertar a consciência, ampliar a criança,
Heróis de si mesmos, com coragem e esperança,
Na dança do amor, a alma se lança.
Venha desvendar os segredos do coração,
Na magia do universo, na sagrada união,
Chama Gêmea nos guia na evolução,
Um caminho de amor, de pura emoção.
